Sexta-feira, 10 de Março de 2006

A motivação no emprego.

Bons Dias ou Tardes ou Noites! (o leitor escolhe! É a democratização da saudação).

Nos dias que correm, andar motivado é algo épico, só mesmo o mais afortunado ou o mais aluado (porque nem se apercebe da realidade) é que consegue, ainda, dizer que se sente muito motivado com o trabalho.

O que quero dizer com isto?

É muito simples, tenho reparado que diariamente todos nós somos confrontados com um sem número de absurdidades e de novas exigências que nos esgota a paciência e o ânimo.

Por exemplo, a lista infindável de objectivos a cumprir, independentemente da sua razoabilidade, os intermináveis relatórios para suporte desses objectivos e dos que ainda foram não imaginados, o apertado (des)controlo a que somos sujeitos, a (in)coerência de instruções e planos (já sem falar nas estratégias) e a sistemática reactividade aos problemas que surgem no dia-a-dia, são autenticas minas na motivação de qualquer mortal.

E isto é apenas aflorar ao de leve esta questão. Além disto tudo, ainda temos de sobreviver e de nos adaptar às continuas mudanças e alternâncias que acontecem por hora (não por dia ou por semana ou mesmo por mês, a inconsistência é total), independentemente do assunto ou tarefa, o que leva a que o mais zeloso trabalhador comece a duvidar, seriamente, não só da sua sanidade mental como da das mais elevadas esferas da organização.

Ou seja, às duas por três, todo o que se faz tem a validade do minuto, sendo impossível conseguir um desempenho estruturado e contínuo. Ora, isto tem reflexos na avaliação e consequentemente no reconhecimento ou recompensa pelo esforço desenvolvido (Reconhecimento? Recompensa? Será que alguém ainda se lembra do que estas palavras significam?).

Continuando, agora com outro exemplo: é curioso observar o que acontece quando se chega à altura das promoções (isto ainda existe?) ou das vagas para determinados cargos. O que vemos? Com recurso aos mais avançados critérios de análise e selecção, estas são sistematicamente ocupadas por “seres” que (aqui temos várias hipóteses, mas só vou referir duas): 1) Caiem de pára-quedas; 2) Inexplicavelmente passam a ser considerados fantásticos.

Inevitavelmente, somos confrontados com incompetentes a chegar a cargos de chefia e ao poder. E chegam das mais variadas formas, mas nenhuma delas se enquadra naquilo que poderia ser o lógico, alguém com grande conhecimento, experiência ou competência.

Não! Estas coisas não interessam nada.

Obviamente, os outros que lhe são subordinados são desprezados, não contam para a equação. São meros instrumentos que, ainda por cima, atrapalham o “eleito”.

O que é que eles fazem quando se instalam? Política de “terra queimada”!

Para os mais incautos leitores que desconhecem esta metodologia, vou descrever sucintamente as suas principais características: Centralização de tudo, nada se faz sem o “foral” do boss; Desvalorizar todo o trabalho de terceiros, de preferência nem sequer referir que existem; Referir para às respectivas chefias e colegas a grande sobrecarga de trabalho (sem nunca, mas mesmo nunca, delegar nada); Dar sempre a entender que a equipa é fraca e que só com um esforço inumano é que se consegue fazer alguma coisa; Nunca passar qualquer informação ou orientação (se quiserem ser bons, que adivinhem!);

Por outro lado, temos os aspectos financeiros. O (de)crescimento salarial é sobejamente conhecido e as perspectivas futuras são…confrangedoras. Aliás, estou convencido que o grande objectivo é conseguir com que sejam os trabalhadores a pagarem para trabalhar. No entanto os preços sobem diariamente, é uma alegria ver o sobe e desce (este descer é meramente utópico) da gasolina ou os sistemáticos aumentos da electricidade e do gás.

Com isto tudo, onde fica a motivação?

Acho que emigrou, partiu para outras “paragens”.

RdS
publicado por GERAL às 17:08
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