Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2006

Gestão, Religião e H5N1

Coube-me a mim (e também me ofereci para tal) escrever sobre a existente classe de gestores, as suas venturas e desventuras, a sua capacidade e competência e sobre a sua inerente filha-da-putice!

Hoje ouvi na rádio que as medidas do Plano de Estabilidade do Governo não serão suficientes para diminuir a despesa pública – portanto mais medidas serão necessárias – e que, actualmente, o índice de riqueza dos tugas (ou será índice de pobreza?) está abaixo dos 70% da média europeia.

A crer nesta notícia, ela entra em contradição com alguns pontos que têm sido divulgados nos últimos tempos, nomeadamente:
- apresentação de vários mega-projectos de investimento em diferentes áreas;
- situação “saudável” das finanças públicas e eficácia do Plano de Estabilidade;
- confiança dos tugas a aumentar;
- condição saudável da economia nacional, demonstrada pela recente OPA do Belmiro à PT;
- entre outros factores.

Ora se a actuação do Governo é boa e positiva, se a economia está a crescer então porque razão cada vez estamos mais tesos? Se, de acordo com a classe dirigente “iluminata” que temos, a liberalização de mercados é o caminho certo, porque razão assistimos a um constante aumento de preços em sectores recém liberalizados, em tudo contrário às normais regras (que me foram transmitidas na faculdade) de mercado? Por outras palavras, se o Governo e a acção governativa está bem, se as normas por ele criadas estão bem mas o tuga está cada vez pior então significa que existe algo no meio (entre a concepção e a execução) que não funciona. Este algo é o GESTOR, público ou privado.

Na área da Comunicação está perfeitamente reconhecido que a informação perde-se e transformação ao longo das cadeias de emissores e receptores. Mas para que tal aconteça, primeiro é necessária a existência de informação. No caso dos gestores da Terra Estranha, o problema é que eles nem se preocupam com a informação. Isso é algo que poderá não corroborar as alarvidades que no dia-a-dia ele transmite na sua empresa e, assim, o melhor caminho é sem dúvida a ignorância.

Quando vamos a livrarias como a FNAC vemos na secção de gestão uns tipos de aspecto sinistro, sempre de fato de cor escura, a tirarem livros dos expositores, a folhearem e a recolocarem no local. Para quem não sabe, o que eles estão a fazer é a aprenderem e em acções de refreshing tecnológico. De facto, esses pinguins da gestão, esses gurus da discoteca Kapital, lêem a introdução, seguidos da conclusão e já está! Já podem debitar, no local de trabalho, uma bosta que leram num livro qualquer. Ou seja, aquilo que eles querem é passar dos preliminares ao orgasmo sem sexo. Isso pode ser agradável mas normalmente o “corpo” do livro contém informação vital e importante e que diz como fazer.

Se atentarmos um pouco mais na figura do gestor, ocorrem-nos várias definições mas a mais comum é a de “Filho da Puta”. Muitos ficarão ofendidos com esta expressão mas acho que quem deveria ficar ofendido eram as ditas trabalhadoras... é que com filhos daqueles, é um desgosto.

Vejamos alguns tipos de filhos:

- Filho da Puta Tecnicista: é aquele génio da gestão que só sabe o que aprendeu na faculdade, em termos técnicos. Usa sempre estrangeirismos, palavras caras e sabem que para a acção A são necessários parafusos B e se o subordinado lhe diz que também é importante a porca C, ele despede-o na hora por incompetência. Normalmente este Filho da Puta é conhecido como tecnocrata e está directamente colocado na esfera do poder político. Provém de uma área científica – tipo engenharia – e adapta-se a qualquer coisa como, por exemplo, os Recursos Humanos. Associado a um elevado índice de incompetência só tem conversas na área da técnica, com muitos números e fórmulas matemáticas. Responsável por péssimos resultados nas empresas onde passou, termina sempre numa Administração.

- Filho da Puta Financeiro: este é estruturalmente um filho da puta. Desde pequeno que lixava os colegas e fazia as queixinhas às professoras. Associado a uma língua grande, suave e profunda, lambe todos os “sacos” num raio de várias empresas e acusa indiscriminadamente os subordinados. Normalmente tem um figura pálida e que passa despercebido, tem uma capacidade de audição notável e capaz de detectar maneiras de lixar os subordinados a e-mails de distância. É o tipo de pessoa que conta os rolos de papel higiénico que os funcionários gastam, que conta os clips e material de escritório e acha que o sucesso das empresas passa por não pagar salários (ou pelo menos pagar o mínimo indispensável para o funcionário respirar) enquanto agrega a si o maior número de benefícios pessoais possíveis. Nunca emite uma opinião nem nunca define uma estratégia, sobrevive numa área cinzenta e tem a capacidade de chantagear as Administrações (e o Estado) de forma eficaz. Se existisse uma escala de desprezo, atingiria um valor máximo.

- Filho da Puta Profissional: este subiu na hierarquia a pulso. Fodeu os colegas à esquerda e à direita. Entra no escritório às 5.00 da manhã e sai às 23.00 horas (mínimo). Embora lá esteja essas horas todas não trabalha, está atento às movimentações dos funcionários para ver quem está a tentar subir. Por norma, sempre que aparece um funcionário com ideias é imediatamente fodido e despedido. Nunca se pode mudar nada uma vez que este é o ambiente que permitiu a sua ascenção. O imobilismo intelectual é a sua bandeira e o berro a sua arma. Nunca está bem disposto nem confraterniza com os restantes funcionários, nem com a Administração e ai daquele que pedir alguma coisa (tipo as férias a que tem direito)... está entalado e posto de parte.

- Filho da Puta Religioso: este é o mais perigoso porque nem um resquício de consciência tem. Por muita merda que este verdadeiro animal da gestão faça, ao domingo fala com o pároco local, confessa os seus pecados e recomeça tudo de novo na semana seguinte. Perfeitamente incompetente, entrega as suas decisões a um poder mais alto e divino. Por detrás de uma capa de humanismo esconde-se uma verdadeira alma destruidora de postos de trabalho e de empresas. Com um sorriso beato nos lábios, escolhe um dia que está a correr bem e a seguir destrói emocionalmente o funcionário, sempre com referências de intervenção divina. Este gestor consome os recursos da empresa com uma intensidade voraz, não partilha informação e exige que os funcionários saibam o que têm a fazer com se de intervenção divina se tratasse. É o mais perigoso de todos pois nunca reconhece a sua má gestão e tem sempre a consciência tranquila. Repete incessantemente as mesmas merdas e é incapaz de ter um pensamento lógico-racional.

Perante a apatia tuga, esta corja de gestores prolifera tal como os fungos em zonas húmidas e de fraca iluminação. Nunca seguem uma directiva superior e se a isso se vêm obrigados (sob ameaça de arma branca) dão instruções erradas aos funcionários. Por outro lado, nunca reconhecem o valor de mais ninguém (excepto do superior, a quem lambem os sacos e entregam as próprias mulheres para actos de sodomização) e nunca irão passar informação relevante para um dossier. Para além disso, nunca reconhecem que, nalgum momento das suas longas e vernáculas vidas, tenham errado.

Com tanta preocupação sobre as modernas pandemias como a gripe das aves, é pena que o vírus H5N1 não sofra uma mutação de virulência absoluta que ataque esta corja de animais que, no fundo, poderão ser caracterizados por assassinos em massa. Assassinos de esperanças, de sonhos, de crescimento, de aprendizagem, de saber, de desenvolvimento, de postos de trabalho e, acima de tudo, assassinos de empresas.

MS
publicado por GERAL às 17:53
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1 comentário:
De RdS a 20 de Fevereiro de 2006 às 18:11
Esqueceste-te que normalmente este tipo de FDP estão nas empresas ou no Estado devido a um "padrinho" e que por mais merda que façam são sempre considerados uns gajos porreiros e muito bons, génios.

São sempre eles que são promovidos e que tem as regalias todas e como não fazem a ideia do que é uma empresa, pensam que estão a gerir a despensa de casa. Aliás sábias palavras como: "se você tiver um problema com o seu PC em casa o que faz? aqui faz-se o mesmo."

Está tudo dito. O gajo acha que em casa estão as soluções para tudo e confunde o dinheiro da empresa com aquele que tem na carteira.

Normalmente este tipo de FDP passa por amigo para na 1ª ocasião lançar uma rasteira. Nunca diz mal directamente, sempre com subtilizas.

O seu ponto forte é parecer leal com quem manda, mas só aparentemente, se puder rouba o lugar e ainda fica bem visto.

Pior, passa por intimo e infiltra-se em todo o lado, pois ele é o "amigo".

RdS

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