Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2006

O Alfredinho

O Alfredinho era um menino pacato e muito bonzinho. Na escola era um modelo, adorava atirar com pedras às cabeças dos colegas e bater nas meninas. Era lourinha com os olhos cor-de-violeta.

Muito bom aluno, por exemplo nunca tirava um positiva, por isso foi tendo sempre novos companheiros e enriquecendo o seu leque de amizades a quem, à medida que os anos iam passando, impunha as suas lógicas ideias e brincadeiras.

Ora batia no Manelinho, ora espancava a Mafaldinha, sempre com grandes manifestações de carinho e ternura. Logicamente era conhecido em todo o lado, os pais das crianças faziam fila à porta de casa do Alfredinho.

Quando cresceu, cedo arranjou um parte-time, como não conseguia estar sem fazer nada e gostava de ajudar a comunidade, lembrou-se de começar a vender alguns produtos que ajudavam os seus amigos a divertirem-se mais.

Ele defendia, apaixonadamente, que, como complemento de uma boa educação, os jovens devem aproveitar e usufruir das coisas boas da vida e contactarem de perto com plantas e químicos que, além de proporcionar elevadas doses de prazer, eram, proporcionavam importantes experiências e aprendizagens da vida.

Esses produtos tinham nomes engraçados como o haxixe, a cocaína, a heroína (este é um dos nomes mais nobres cheio de boas intenções), o extasi, entre outros.

Os anos foram passando e a maturidade foi crescendo, com uma aprendizagem já sólida passou a dedicar-se a outras nobres artes, com especial destaque para a recolha e segurança de valores alheios. Auxiliava as pessoas no alívio dos excessos que tinham em casa ou ficava com o seu dinheiro à sua guarda fazendo importantes investimentos com objectivos bem definidos.

Com sucesso, exerceu durante vários anos estas profissões, mas um dia apercebeu-se da verdadeira arte de ser uma pessoa relevante e ajudar a sociedade: tornou-se político.

Aqui sim, Alfredinho estava delirante, conseguiu finalmente atingir o topo da sua realização pessoal. Não só conseguia verdadeiramente aliviar um número extremamente elevado de pessoas como ainda podia criar novas formas de utilizar a sociedade em prol dos seus mais elevados valores.

Como 4 anos para governar era pouco para por em prática os seus altruístas projectos e tendo a humildade de se considerar a pessoa mais apta para os realizar, decidiu acabar com as eleições e formou um estável e duradouro governo.

Sempre pensando no bem-estar do povo e no desenvolvimento do seu país tomou inúmeras medidas extremamente populares: aumentou cavalarmente os impostos para poder distribuir, segundo critérios rigorosos, a sua justiça por entre os mais necessitados que ele conhecia pessoalmente; eliminou deformações societárias e indivíduos que, sendo impuros, estavam a prejudicar o seu grandioso projecto; Aniquilou a transmissão de determinadas ideologias e valores que, por serem inconcebíveis, estavam a por em perigo os elevados padrões de excelência deste maravilhoso admirável mundo novo.

Tudo corria bem, tinha muitos seguidores e as suas estratégias e os seus planos estavam a ser extraordinariamente bem implementados. Um verdadeiro sucesso pessoal de prosperidade.

Um dia aconteceu o caos, um aglomerado de ortodoxos e de pessoas sem escrúpulos deitou tudo a perder. Estes desgraçados não compreenderam a verdadeira grandeza e magnitude do seu empreendimento.

Tendo sido apanhado de surpresa, o Alfredinho não conseguiu impedir, apesar de ter resistido bravamente, o descalabro. A ruína do seu sonho. Morreu dando a vida em prol de seus nobres valores.

A incompreensão e o barbarismo triunfaram. Perdeu-se um grande salto civilizacional.

E assim termina a história do Alfredinho e do seu sonho.

RdS
publicado por GERAL às 15:59
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