Quarta-feira, 31 de Maio de 2006

A vida em 2056

Olá de novo,

Eu gosto de pensar que o futuro é algo de agradável que se aproxima... já sei, sou ingénuo!

Influenciado por uma imaginação fértil e por demasiada ficção científica na TV (ele é Star Trek, ele é Star Wars, ele é o Governo a dizer que vamos no bom caminho, ele é Marques Mendes como líder da oposição, entre outras coisas) eis algumas ideias daquilo que será a vida em 2056:

- O ozono criado pelos carros eléctricos está a matar milhões no sétimo maior país do mundo, a Mexifornia, anteriormente conhecida como California.

- Também na Mexifornia, Schwarznnegger Jr. irá candidatar-se este ano a Presidente depois da estreia da sua última novela de raízes mexicanas “Policia de Trânsito II”.

- Um casal Europeu fez uma petição à União Russo-Europeia (versão 2.1., já com a recém aprovada Constituição) para que o casamento heterossexual volte a ser permitido.

- O último fundamentalista islâmico morre nos Territórios Americanos do Médio Oriente (anteriormente conhecido como Iraque, Afeganistão, Siria e Libano).

- O Irão continua fechado. Os cientistas prevêm que demorará pelo menos mais 10 anos até que a radioactividade decresça para níveis seguros.

- Autoridades Russas ainda não sabem o que fazer às novas fendas que surgiram em Chernobyl. No entanto afirmam que a central continuará a produzir energia e que as acusações sobre existência de galinhas mutantes são falsas, é uma campanha da Multinacional Kentucky Fried Chicken.

- George Z. Bush anunciou a sua intenção de se candidatar a Presidente dos Estados Unidos em 2058.

- O grupo hippie Hamas agracia soldados israelitas com grinaldas de flores.

- Os Serviços Postais Portugueses aumentaram os selos para 25 euros no serviço simples e reduziram as entregas apenas para a quarta-feira.

- Depois de 32 anos de investigação e um custo de 23 biliões de euros, concluiu-se que a dieta e exercício reduzem problemas de peso.

- O peso médio dos cidadãos do mundo ocidental reduziu, este ano, para os 150 quilos.

- Cientistas japoneses desenvolveram uma máquina fotográfica com um tempo de obturação tão rápido que já é possível fotografar uma mulher com a boca fechada.

- A nova lei de natalidade foi implementada na China. Agora é permitido um filho a cada 3 casais, sendo a sua selecção efectuada por jogo de bingo. Estima-se que o crescimento populacional seja reduzido para os 78 milhões este ano.

- O partido CDS/PP em Portugal realiza o seu CDII congresso extraordinário para discutir se Paulo Portas deverá ser candidato ou não.

- Mário Soares, em entrevista de sessão espírita, disse que ainda não estava preparado para abandonar a vida política activa e o combate de ideias.

- Dinis Maria Guimarães Carrilho publicou o 15º volume da história “O Universo, o meu pai e a verdade – considerações sobre eleições em Lisboa”.

- O Tribunal Constitucional Europeu decretou que prender e/ou castigar criminosos constitui uma violação aos seus direitos civicos.

- A Lei Anti-Terrorismo obriga à declaração por parte dos cidadãos de todos os clips, agrafos, mata-moscas, corta-unhas e jornais enrolados às autoridades competentes.

- Foi encontrado na Europa o único casal de patos que não sofre de gripe das aves. Espera-se a todo o momento uma pandemia nos humanos.

- O Primeiro Ministro Português anunciou que irá vender o Algarve para colmatar o déficit público e vai baixar o IVA de 45% para 44,5%. O último trabalhador do sector privado no País foi contratado pelo Ministério das Auto-estradas e Vias Rápidas.

- Comunidade científica internacional está siderada... um nasceu um bébé concebido naturalmente.

- Belmiro de/ou/e Azevedo Jr. anunciou uma OPA aos passeios do Porto e ao Rio Douro.

- Programa Simplex implementa este ano a 19ª medida e solicita a utilização da internet como forma eficaz de decidir programas de férias dos deputados.

Bom, perante este cenário de como será o nosso futuro em 2056 só me resta dizer uma coisa.... quando é que começa o Mundial??

MS
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Segunda-feira, 29 de Maio de 2006

e ainda.... mais Assuntos

Bom dia a todos,

Hoje, na minha verdadeira ignorância futebolística, vou comentar um pouco de futebol...

Este fim-de-semana vi o jogo da selecção de sub-21 na televisão... pelo menos uma parte. Portugal, igual a si próprio, foi eliminado e levou consigo os alemães (essa é a parte que menos me custa). O que me custa mais é o facto de, mais uma vez, os tugas “embandeiraram em arco” e no início do torneio davam a entender que agora é que é, vamos ganhar um título enquanto preparamos o outro e blá, blá, blá...

A amarga realidade é que em 3 jogos marcámos 1 golo e sofremos 3. No fundo, acho que não devemos estar muito chocados uma vez que o grau de eficácia é de cerca de um terço o que, por si só, é melhor que o grau de eficácia dos governos da república e do que nosso sucesso empresarial no exterior. Na sequência dos resultados, hoje, na rádio, não se falava de outra coisa (e ontem na televisão, idem) e ouvi uma tremenda quantidade de desculpas para a “desgraça”. Não percebo porque neste país temos de arranjar desculpas para tudo e mais alguma coisa. Como disse, de futebol não percebo – e nem gosto – mas aquilo que acho é que Portugal jogou MAL. Os jogadores não têm noção da importância daquilo que fazem, querem ir de férias, dão mostras de mau profissionalismo e, basicamente, envergonharam a Nação.

Hoje estou patriótico e por isso sinto-me incomodado com miúdos que ganham verdadeiras fortunas para andarem a brincar com as cores nacionais. Ouvi dizer que estes jovens são a esperança do futebol português para a próxima década e isso deixa-me preocupado. Para alguns, aquilo que vou dizer agora pode ser chocante mas a verdade é que não gosto do quaresma nem da forma como jogou nem o considero nada de extraordinário (acho que é mais um divertimento da comunicação social que, a cada geração, tem de arranjar uns maradonas made in Portugal). Para além disso, tive o infortúnio de ver esse dito jovem pisar a mão do guarda-redes alemão com intencionalidade, uma vez que a sua frustação ía aumentando. Achei a atitude de mau-gosto e muito pouco digna de um jogador da selecção nacional. Se o outro defende, é bom e é esse o trabalho dele e o menino quaresma só tem de ser melhor e marcar. O feitiozinho tuga de “não consigo, estrago” é repelente, no mínimo! Considero, até, que os jogadores não deveriam ter intervindo quando o guarda-redes tentou agarrar os fagotes do dito cujo “génio” do futebol. A ser mostrado cartão, deveria ser vemelho directo ao tuga. A intenção única foi de magoar, de mostrar a raiva sobre os outros pelas suas próprias incapacidades. É semelhante ao operário fabril que, depois de ser apanhado a não fazer nada na fábrica, chega a casa e dá um enxerto de pancadaria na mulher e nos filhos.

Depois, ao bom estilo nacional, aparece o jogadorzinho na televisão, com ar infeliz, a pedir desculpa à nação e pronto, está tudo perdoado, como aconteceu, como se recordam com toda a certeza, na derrota do benfica por 6 ou 7 zero com uma equipa espanhola para as taças e apareceu o João “bate-nos-árbitros” Pinto a pedir desculpa aos sócios...

Temo pelo que pode acontecer com a selecção A. O País inteiro está na esperança que ao menos no futebol tenha alguma alegria; que, por breves momentos, possam esquecer o lodaçal onde chafurdam, mas pelo que tenho ouvido na comunicação social, parece que alguns jogadores têm andado na borga até às tantas da manhã...

Pois é! Arriscamo-nos a perder com Angola e com o Irão e depois, mais uma vez, pedem-nos desculpa e está tudo esquecido!

A realidade que falei anteriormente reflecte-se em tudo o resto e sobretudo na política. Neste caso, mais grave, é que depois de tantas asneiras cometidas nem pedem desculpa... é um mero erro da acção governativa (e aqui não estou a olhar a cores partidárias). Mas infelizmente os “meros erros” reflectem-se na nossa sociedade de forma violenta.

A memória da sociedade é curta – se calhar ainda bem que assim o é, caso contrário a maior parte desses bandidos de pacotilha já teriam sido fuzilados – e essa realidade tem sido ajudada pela comunicação social. Nem vou entrar em exemplos, mas basta dizer que enquanto o escandalo, desgraça, acidente, má-lingua, etc, vendem uns jornalecos e dão audiência aparece a toda a hora e a todo o momento mas e os resultados?, as consequências?, onde estão?

Ninguém sabe... e também ninguém quer saber!

Quero, também, falar do comentário do Sr. Vitor Constâncio acerca da disparidade entre os números do Banco de Portugal e os números da UE e da OCDE. De acordo com a explicação dele, o facto dos números do Banco de Portugal serem mais optimistas que os restantes é porque estão na posse de informação mais actualizada. Bem, tanto quanto sei, as informação do INE, por exemplo, têm de estar disponíveis no EUROSTAT e esse tipo de relatório informativo também tem de ser divulgado no espaço da União. Estranha resposta, a uma pergunta para a qual esse senhor não tinha uma resposta com mais validade. E que tal esta sugestão para resposta:
“- Ó minha senhora, eu tenho que arranjar uns números que dêem a sensação que vamos a algum lado, principalmente depois de eu ter arranjado um déficit gigantesco...”

A propósito! Então o Governo iria reduzir o déficit sem ajuda a receitas extraordinárias mas agora vai vender um patrimóniozito para poupar uns milhões. Não são receitas extraordinárias? Ah! Já não são? Ok... e já agora, as SCUTS? Sempre vão ter portagem não é? Pois... lá vem o pedido de desculpa disfarçado.

A realidade portuguesa só vem dar razão a Jack Welsch. Mas o mais giro é que apareceu a notícia e depois disso? Nada. Estas coisas convém esquecer ou meter na pilha dos papéis pendentes... e lá ficam por muitos anos.

O real problema nacional é endógeno. É verdade que as condicionantes externas afectam a performance dos países mas as incapacidades são nacionais:
- “Portugal é um País pequeno, com um reduzido mercado interno”: também a holanda, a dinamarca, o luxemburgo, singapura, a irlanda, a nova zelândia, etc. E então? Eles também são pequenos mas no entanto têm economias mais dinâmicas que a nossa.
- “Portugal é um País periférico”: também a irlanda, a grécia, a nova zelândia, a islândia, a finlandia, etc. Parece que eles também estão afastados dos grandes centros produtivos mundiais e uma vez que o oriente é a “fábrica do mundo” as mercadorias demoram o mesmo ou mais tempo a lá chegar do que aqui.
- “Portugal é um País dependente de terceiros em questões energéticas”: também o Japão, a irlanda, a grécia, a suiça, o luxemburgo, a eslováquia, a república checa, singapura, taiwan, entre muitos outros. E isso não os impede de se desenvolverem. O caso do Japão é paradigmático.
- “O Estado Social em Portugal tem um peso relevante”: muito mais têm os países nórdicos, com impostos tão ou mais elevados que em Portugal e com serviços que funcionam na realidade. Cá, quem quiser cuidados médicos, por exemplo, é bom que vá ao privado.

Estes são alguns dos falsos argumentos (na minha opinião) que justificam o falhanço português dos últimos 30 anos mas a realidade é que existem países com as mesmas ou mais dificuldades geográficas, morfológicas, recursos naturais, população, etc, que nós temos e que conseguem estar melhor que nós... maldosamente, poderia concluir que o mal de que padece o País é de ter demasiados portugueses!

Tal como no futebol, termino dizendo: Desculpem lá qualquer coisinha!

MS
publicado por GERAL às 15:12
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Sexta-feira, 26 de Maio de 2006

... e mais Assuntos

Boa tarde,

Um tal Jack Welsh, um dos grandes especialistas internacionais em gestão, está em Portugal e teve uns comentários interessantes acerca do nosso País. Disse o Sr. (ouvi na rádio) que visto de fora a competitividade portuguesa é vergonhosa e que se assiste a uma constante degradação de Portugal e da sua imagem no estrangeiro. Eu não discordo do senhor, ah isso é que não! O que tenho pena é que a nossa clarividente classe política ainda não se tenha apercebido disso.

Quem ouviu o debate mensal desta manhã pode constatar que isto agora é que é. Segundo disse Sócrates, no seu inconfundível estilo de varina da praça da ribeira, o Governo só toma medidas para a melhoria de vida dos portugueses. O problema é que quando confrontado com uma realidade de preços, acusou de demagogia política e que para haver alguma validade nas afirmações tinham que existir estudos... bem, cá para mim os únicos estudos que o interessam são aqueles que confirmam o oásis Português, não interessando a realidade ou análises internacionais.

Bem, mas o que me traz aqui hoje é algo de diferente (digamos que os parágrafos anteriores são os preliminares...). Quero apresentar a minha estranheza acerca das posições tomadas pela SportTV acerca da transmissão dos jogos do mundial. Parece que esse génio da comunicação chamado Oliveira vem agora dizer que não deixa transmitir os jogos em locais públicos (ainda não percebi se se incluem restaurantes ou não) de modo a proteger os interesses dos patrocinadores. Não que a mim me vá afectar muito (nem ligo a futebol) mas agora seria uma boa altura para aqueles que pagam uma fortuna para ter um canal de futebol (e não de desporto) cancelarem a sua assinatura.

Gostaria de saber se a posição desse imbecil e do seu staff da Administração seria a mesma depois de mais de 40% de cancelamento de assinaturas... Não sei porquê duvido! E ele pode sempre contar com a colectiva carneirada tuga que perfere falar muito mas fazer pouco (é por isso que temos o País que temos). É por isso que se podem subir os impostos sem que ninguém faça nada, é por isso que pagamos os serviços bancários mais caros da Europa, é por isso que o combustível sobe, independentemente do preço do petróleo, é por isso que temos o IVA mais elevado da Europa... mas continuamos a dizer “Ah mas o meu País é muito calmo e brandos costumes...”!

Não é não senhor, é exactamente a mesma coisa que nos outros, a nossa “vantagem competitiva” neste aspecto é apenas e tão só o facto da cretina comunicação social ainda não ter descoberto que isso dá para fazer uns programas de televisão e assim dar uns dinheiritos.

Eu gostava que um dia alguém me explicasse porque é tão difícil fazer as coisas, em Portugal e com os Portugueses. Na actual febre futebolística, o tuga endivida-se até ao pescoço apenas porque quer um LCD para vero jogo. Eu não tenho nada contra os LCD’s, antes pelo contrário, também quero um... mas custa ver os meus compratiotas a esquecerem o que se passa no País apenas porque 11 marmelos com uma t-shirt vermela vão andar atrás do “esférico”. Basta ver o que aconteceu aos sub-21 para deixar a malta de pé atrás. Afinal o treinador tuga tinha alguns “génios do jogo jogado” (esta frase é muito estranha... o que é o jogo jogado? É quando se joga em movimento? Ou parado? Ou, basicamente, um perfeita imbecilidade dita por perfeitos imbecis) e mesmo assim ainda não marcou um único golo. Interrogo-me se será por estar a jogar num País estranho? Mas não é em Portugal? Hummmm, estranho!

As grandes previsões nacionais e internacionais apontam para que 2007 irá ser um ano de desgraça colectiva. Será que isso não preocupa o cidadão português? Ou será que ele só se vai preocupar com isso quando tiver que vender o LCD para poder comer até ao fim do mês. A acreditar nos discursos de Sócrates (coisa que, por princípio moral, não faço, nem dele nem de nenhum dos que lá estão) temos vantagens competitivas sobre os nuestros hermanos (até me arrepio com isso...). temos mão de obra mais barata, temos a mesma capacidade tecnológica, temos modernas estruturas, etc, mas aquilo que não nos é explicado é porque é que os produtos espanhois são mais baratos que os nossos e o que se pode fazer quanto a isso de modo a melhorar a nossa inserção nos mercados internacionais.

O cânone deste inicio do século XIX é o valor baixo. A qualidade morreu, o cliente foi sodomizado e os recursos humanos foram fuzilados. Nada disso interessa. Interessa apenas o baixo valor do produto que se vai comprar e a melhor maneira de se conquistarem mercados é ter os produtos ao mais baixo valor possível. Ora se nós temos tudo TÃO barato como diz o Primeiro Ministro, porque carga de água não conquistamos mercados?

Termino com uma breve referência a uma outra mentira que foi espalhada propositadamente pelo mundo fora. Recordam-se que há relativamente pouco tempo se dizia que não interessavam empresas grandes, o importante eram as empresas ágeis... Recordam-se? Óptimo! Então, para vossa reflexão, deixo a seguinte pergunta: os grandes grupos económicos internacionais são mais pequenos ou maiores do que há uma década atrás?

Pensem um pouco e vão ter uma surpresa!

MS
publicado por GERAL às 15:27
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Quarta-feira, 24 de Maio de 2006

Assuntos

Como podem reparar, a minha assiduidade como escritor neste blog caiu drasticamente mas razões laborais (e muita falta de tempo) têm-se sobreposto à minha veia de escárnio e mal-dizer.

Bem, mas adiante que o tempo urge...

Durante este período de “calmia” literária (se assim se pode chamar) tenho olhado à volta na expectativa que algo tenha mudado mas infelizmente verifico que a única coisa que mudou foi o tempo e o facto dos tugas começarem a entrar no frenesim das férias e do campeonato do mundo. Para quê preocupar-me com a crise, quebra do poder de compra, que as regiões mais pobres de Espanha terem ultrapassado a riqueza média de Portugal, que o preço dos combustíveis é semelhante à música portuguesa que participou no festival da Eurovisão “Sobe, sobe, balão sobe”, que as previsões da OCDE tenham sido revistas em baixa e que o Sr. Sócrates continue no mesmo estilo berrado... nada disso interessa. O que preocupa o tuga é se o figo comeu uns pastelinhos de bacalhau ou que o Cristiano tenha uma unha encravada e que o Ricardo esteja confortável e nada de problemas na sua vozinha a mandar para o histérico, entre outras preocupações de elevado grau de qualidade e relevância, nomeadamente, onde existe a cervejinha mais fresquinha, os tremoços mais rijinhos e o local de sofá mais confortável. Isso sim, é grave e preocupante!

Gostaria de falar hoje em vários assuntos e vou começar por Timor: Pelo que tenho ouvido e lido, anda tudo ao estalo para aquelas bandas. Há alguns anos atrás, recordam-se concerteza, os tugas fizeram cordões humanos e foram para a rua bater palmas, e fizeram minutos de silêncio, e vestiram t-shirts brancas e chatearam meio mundo por causa de Timor Loro-Sae... bem, lá conseguiram o que queriam (e os políticos esfregaram as suas mãozinhas sapudas a pensar no petróleo) e qual foi o resultado? Temos um país novo na ONU, a Delta conseguiu umas boas colheitas de café e... a GALP perdeu os contratos sobre o petróleo (essa li ontem). Para além disso, conseguimos o queríamos desde 1975 que era entregar um território a incompetentes. Em 1975, depois de algumas situações que a história irá um dia clarificar, entregámos o território que, logo a seguir, foi invadido pela Indonésia. Agora que foi conseguida a independência, a situação está de tal maneira que os Loro-Saenses já pedem ajuda à Austrália, a Portugal e à ONU. Bem, qualquer dia ainda vou ver a pedirem para serem invadidos de novo pela Indonésia que é para as coisas acalmarem. Sei que Timor é(?) um País pobre mas tem muito petróleo (pelo que dizem os sábios, entra em Timor 1 milhão de dollars por dia nos cofres do País). Então porque não existe uma melhor distribuição de riqueza uma vez que começaram de novo e tiveram tempo para aprender com os erros do passado? Ou será que não? O que vão fazer agora os tugas? Um cordão humano mas todos em cuecas desta vez?

Um outro assuto que gostaria de comentar connvosco tem a ver com algo que vi recentemente na Rua Braancamp, em Lisboa: a Loja da Profissionalização do Exército. Como ía a conduzir não me pude atirar para o soalho a rir mas não pude deixar de gargalhar sobre tal “projecto” de atracção – eu diria que turística. Fiquei a imaginar o jovem, 19 anos, sem emprego presente (ou no futuro mais longínquo), brinco na orelha e cabelo comprido a ingressar no exército e depois de uns anitos de especialização sai e tenta mudar de emprego. Quando, finalmente consegue uma entrevista numa fábrica de enchidos de origem espanhola que garante uma qualidade superior e o velho sabor dos enchidos do século XIX, perguntam-lhe:
“- Fale-me da sua experiência profissional!”
“- Bem, eu sou um profissionalizado do exército e...”
“- Interessante! Mas sabe que se candidatou a uma fábrica de enchidos e que solicitámos alguém com experiência?”
“- Ouça, eu posso não perceber de enchidos mas garanto-lhe que desmancho e oleio uma salsicha em menos de um minuto e volto a montá-la, pronta a ser disparada...”
“- OK... seguinte!”
Eu não tenho nada contra as forças armadas, tenho apenas contra a parvoíce. A especialização é importante e a possibilidade de carreira no exército é tão válida como na função pública (embora nesta segunda existam muito mais vantagens, começando logo pelo facto de não se trabalhar), agora ainda mais que se acabou com o serviço obrigatório, mas uma Loja??? Quem será que paga? Porque será que tenho a sensação que me sai do bolso? E porque não deixam abrir uma Loja de Putas???

Gostaria, também, de partilhar connvosco umas breves palavras sobre os 7% de trabalhadores em baixa no primeiro trimestre deste ano: interessante o número... 7%... de facto apoio o Governo em questões de saúde e dos dinheiros públicos para a saúde. Mas não é actual política a ser praticada. Actualmente fecham hospitais, maternidades, centros de saúde, etc mas com este número de enfermos que temos mais vale abrir um centro de saúde a cada quarteirão. O ICEP vende ao mundo a imagem de um Portugal solarengo, com um clima fantástico, gastronomia melhorar e excelente local de férias mas começo a achar que é uma mentira pegada e das duas uma: ou o nosso clima é uma merda e não se adequa à vida humana, ou – tal como nos cigarros – O TABACO ADVERTE QUE O USO DO GOVERNO MATA. Aquilo que eu gostaria de saber é que parte desses 7% pertence à Função Pública... digo isto porque conheço algumas pessoas que diambulam por lá e cada vez que lhes dói a “cona” (em sentido lato e não restritivo) metem uma baixa. Mas considerando o exemplo proveniente da Assembleia da República, nada me espanta. A esses bastou o cheiro a fim-de-semana prolongado e apareceram logo agendas pejadas de trabalho parlamentar... no Algarve!

Vou terminar com uma breve nota: ouvi na rádio que ontem Portugal perdeu com a França no Europeu de sub-21. Os jogadores são Portugueses, o campeonato é em Portugal, a equipa técnica é Portuguesa e o treinador (também conhecido por Mister... mais valia chamá-los por pst! Tipo empregado de restaurante) também é Português. Será que não deveriam ganhar? Digo eu, que não percebo nada de futebol. É que na selecção é tudo Português e o que é Nacional é bom... ou não é?
Podem dizer mal do brazuca Scolari mas ele só tem um pequeno handicap: é que treina a selecção Portuguesa com demasiados portugueses a jogar futebol... e esses fazem sempre lembrar o Partido Comunista: mesmo que percam, jogaram melhor e foi uma vitória moral.... Bah!

Um abraço e até breve

MS
publicado por GERAL às 12:23
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Segunda-feira, 22 de Maio de 2006

A selecção natural

Bom dia,

Pode parecer insistente eu voltar ao mesmo assunto do meu ultimo artigo (Chocolari), ou seja, falar de futebolzinho outra vez, mas desta, é de uma forma um pouco diferente.

Já referi que gosto, adoro, futebol. Mas gosto só do jogo. Das defesas que os guarda-redes fazem, dos golos que se marcam, dos dribles, do público no estádio. Gosto de futebol, não gosto de discutir futebol. É por isso que eu abominei que um jogador como o Quaresma não fosse convocado. Porque o jogo seria sem dúvida mais bonito com ele do que sem ele. E aí, também eu vejo motivos para discutir futebol.

O que se passa hoje em dia, é vivermos um clima de quase-catárse em relação à selecção nacional (não selecção natural) e à sua preparação para o mundial de 2006. Todos os dias, em todos os meios de informação, TV, rádios, jornais, revistas, internets se fala da preparação da selecção. Ele é reportagens sobre os treinos, sobre as conferências dos jogadores, das mulheres dos jogadores, dos filhos dos jogadores, dos empresários dos jogadores. Do que eles comem, do que eles bebem, dos seus enlaces amorosos ou matrimoniais, etc. Todos os órgãos de comunicação dedicam espaço e tempo, mais do que abundante à selecção. O país vive um estado de pré-euforia (que eu posso estar muito enganado mas que será de grande desilusão daqui a umas semanas) e começa a colocar as respectivas bandeiras e cachecóis nas varandas e nos carros. Há inclusivamente acções de figuração no guiness (outra coisa em que somos especialistas) de pôr 18.000 mulheres a formar uma bandeira nacional. 18.000 grelos, numa acção subsidiada inclusivamente por um organismo estatal.

O país profundo, esse, continua com os mesmíssimos problemas estruturais que temos desde o tempo que me recordo. Desemprego, atraso em relação à maioria dos países da UE, falta de produtividade, fosso enorme entre ricos e pobres. Mas do que vale estarmos a debruçarmo-nos sobre esses problemas de pacotilha quando o que interessa é a selecção, ou o futebolzinho no seu geral.

O actual governo não precisa de fazer um bom trabalho para ser re-eleito aquando das próximas eleições legislativas. Basta tão pouco que Portugal seja campeão do mundo. Os jogadores e treinadores da selecção são os nossos verdadeiros ministros. O Pauleta é o ministro da obras públicas, o Nuno Gomes o dos negócios estrrangeiros, o Fernando Meira o ministro da Defesa, e se o Ricardo Rocha lá estivesse seria o da saúde (por tratar da saúde dos adversários). O Chocolari, esse, como não tem habilitações futebolísticas é uma espécie de presidente honorário, do tipo aqueles que existem na Alemanha ou na Itália (alguém os conhece??)

Portugal é dos poucos países (único??) que tem a espantosa tiragem de 3 jornais ditos-desportivos (eu diria futebolísticos) na base diária. O futebol discute-se desde as tascas da esquina até ao Gambrinus, desde o varredor da rua aos gestores de topo de qualquer multinacional que esteja cá radicada, desde a ilha do Corvo até Freixo-de-Espada-à-Cinta, e no fundo, isso é que importa.

Nós queremos ser conhecidos e reconhecidos na Europa e no mundo. Somos reconhecidos por aquilo que há de pior, ou seja, o nosso atraso em relação aos outros, a nossa diferença enorme entre classes, os nossos sinistros automóveis, o nosso nível de alcoolémia ao volante. Ou seja, há que sermos conhecidos e reconhecidos por algo de bom. E à falta de sermos conhecidos pelo país bonito que estragámos, pela óptima gastronomia que poucos estrangeiros conhecem, por alguns bons artistas que temos que nunca ninguém lá fora ouviu falar, pelos desportistas-sem-serem-futebolistas que pura e simplesmente não temos conhecidos quanto mais reconhecidos, à falta de tudo isso, o país está dependente do futebol. Não é a religião que é o ópio do povo, como dizia Marx. No caso do povo português, é o futebol.

JLM
publicado por GERAL às 12:22
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Segunda-feira, 15 de Maio de 2006

Chocolari

Boas tardes,

Hoje venho aqui falar do assunto mais popular de todos os assuntos que a nação tuga aborda. Não, não é a crise nacional, não é o problema das deslocalizações, nem tão pouco o facto de termos ou não que construir uma central nuclear, um aeroporto na OTA ou um TGV a ligar o Porto a Lisboa. Vou falar do futebolzinho, ou melhor, da selecção de todos nós (não, não se trata do nosso governo).

Já aqui disse, num artigo anterior chamado de "embaixadorzinhos" que a nossa popularidade a nível mundial está muito dependente do pontapé na bola. No fundo, no fundo, à falta de termos artistas / museus / gastronomias / governantes ou outros desportistas que não futebolistas de renome mundial, temos que nos cingir de facto àquilo que nos faz algo famosos. E é aí que entra o nosso bem amado futebolzinho.

Apesar de pensar que há coisas na vida muito mais importantes que o futebol (ao invés de muitos tugas), confesso que adoro o jogo, e apesar de ser um benfiquista confesso, não sofro própriamente de clubite, ou seja, se o Luisão der uma cacetada em plena grande área ao Sá Pinto (apesar de pensar que este ultimo deveria levar cacetadas em todos os jogos) eu digo que é penalti, e também não me coíbo de dizer que, caso aconteça, o Benfica jogou uma merda em determinado jogo e mereceu perder.

O Benfica é assim para mim, uma espécie de paixoneta que mais vezes me dá tristezas do que alegrias, já que não tive oportunidade (por ainda nem sequer andar nos testículios do meu progenitor) de ver ao vivo o glorioso nas décadas de 60. Mas a este respeito, também não vivi no século XV e XVI onde Portugal dava cartas no mundo.

Há no entanto um "clube" que para mim está acima do Benfica, e que é a selecção nacional. Vibro com as vitórias desta e sofro com as derrotas ou com jogos mal jogados, passe o pleonasmo.

Portugal apurou-se há já algum tempo, para o mundial de 2006 a ocorrer na Alemanha este ano, facto que toda a gente sabe, mais do que saber quem foi o nosso primeiro Rei. Hoje, são conhecidos os seleccionados para essa grande epopeia, e quem efectuará essa escolha é um senhor brasileiro chamado Luis Felipe Scolari.

O Sr Luis Felipe Scolari tem, ou teve, um grande "mérito". Pôs, na altura do Euro 2004 (o tal que "obrigou" a construção de mais estádios do que seriam de todo necessários) Portugal a embandeirar em arco no sentido restrito da palavra, ou seja, bandeiras era coisa que não faltava nas janelas ou nos vidros de trás dos carros (que se fodesse a boa ou má visibilidade do vidro traseiro). Penso que nem no nosso 25 de Abril de 1974 houve tanta bandeira a esvoaçar pelo país (embora bandeiras só vermelhas nessa altura era coisa que não faltava). Foi pois necessário que um imbecil de um brasileiro dissesse para empolarmos o nosso patriotismo para que toda a nação tuga sofresse de taquicardia cada vez que a nossa selecção jogasse.

Esse foi pois o grande mérito do Sr Scolari, porque, vendo bem as coisas, o que é que essa besta conseguiu para Portugal? Conseguiu o 2º lugar, que é como quem diz, conseguiu o primeiro dos ultimos lugares, obtido contra esse verdadeiro portentado do futebol mundial chamado Grécia. É que nós nem nos vimos gregos para os vencer. Vimo-nos pura e simplesmente impotentes, com disfunção eréctil prolongada, para em 2 jogos aquando do Europeu, não termos logrado vencê-los. Estavam criadas todas as condições para que Portugal vencesse o Europeu. Tinhamos jogadores, atmosfera, um campeão europeu de clubes. Só não tinhamos treinador. O jogo da final do Euro 2004 foi consfrangedor e julgo ter sido o pior jogo que já vi Portugal fazer.

Depois, lá nos apurámos, conforme dito para o mundial deste ano. Com um grupo daqueles, até o Vilafranquense teria hipóteses de ir ao Mundial, mas enfim, o que é certo é que lá estamos. E dizem os entendidos que com hipóteses de chegar ao título (onde é que eu já ouvi esta história).

Serve tudo o acima, para dizer que, com grande pena minha (e tenho a certeza da maioria das pessoas que vê e gosta de futebol) o jogador Ricardo Quaresma não foi convocado para o mundial. Eu já o referi antes, sou manifestamente benfiquista, mas acima de tudo, tento ser justo. E justo é dizer que o Ricardo Quaresma é, de longe, o melhor jogador português a actuar no nosso campeonato. É um verdadeiro génio que se calhar, tem toda a sua inteligência nos pés, mas é para isso que lhe pagam.

O Sr Scolari gosta de proteger quem o protege. Gosta do Figo porque este faz anúncios publicitários com ele. Gosta do Costinha convocando-o apesar de este não jogar há mais de um ror de tempo. Gosta do Quim, que nem sequer é titular na equipa. Gosta do Boa Morte porque este disse a dada altura num pasquim desportivo (que é o que mais temos) que o Sr Scolari é um grande treinador.

Os critérios do Sr Scolari são, no mínimo, discutíveis e controversos, se é que de facto existem critérios. O Sr Scolari, apesar dos 30.000 contos que aufere mensalmente, não se dá ao trabalho de ir ver jogos de futebol. Basta ter o Sr Scolari um núcleo duro de jogadores (normalmente aqueles que falam bem dele) para formar uma equipa. O que interessa que sejam suplentes, estejam em péssima forma, ou pura e simplesmente não joguem? Não interessa nada.

Assim sendo, os extremos que Portugal vai levar ao mundial são o Cristiano Ronaldo (nada a apontar), o Figo (que já não se aguenta nas canetas), o Simão Sabrosa (que nunca joga na selecção aquilo que faz no Benfica) e o Luis Boa Morete (que há-de ser a boa morte de Portugal se jogar). O Quaresma, pelo critério do Sr Scolari, não merece a chamada, apesar de comummente ser qualificado dos melhores extremos mundiais.

Considero a não convocação do Ricardo Quaresma um crime de lesa-pátria. Numa altura em que o futebolzinho é de facto o assunto que mais tempo leva os portugueses a filosofar, tenho pois que, infelizmente, considerar este tema tão importante como o défice, o desemprego, a produtividade, ou o envelhecimento da população.

Como tal, resta-me apenas dizer que o Sr Luis Felipe Scolari é um teimoso, um cego, um egoista, um casmurro, um péssimo profissional. No fundo, uma verdadeira besta. Talvez aquilo que merecemos.

JLM
publicado por GERAL às 17:20
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Quinta-feira, 11 de Maio de 2006

Portugal e os Comerciantes

Parece-me importante referir alguns elementos que mistificam o histórico Português, confundido mentes incautas e acalentando sonhos de grandeza não condizentes com a realidade deste cantinho à beira mar plantado.

Apesar do que vem referido nos cânones históricos, não posso deixar de lamentar a mentalidade de merceeiro que aflige os tugas. Na Terra Estranha tudo tem a ver com feiras, mercados e caixeiros viajantes. Vejamos alguns exemplos:

- Os dias da semana: Com excepção dos dias sagrados (sábado e domingo), os restantes dias têm todos uma feira. Quando comparamos a nossa definição de dias com as restantes europeias verificamos que não tem nada a ver. A nossa mentalidade de negociante (influência fenícia e árabe) deu para que cada ciclo solar fosse designado por uma feira, local onde se vendem produtos a populações necessitadas numa lógica de centro comercial medievo. No domingo (vem de Domenica) ninguém toca, afinal é o dia do Senhor e o sábado também não que vem da tradição judaica e com esses tipos ninguém mexe. Provavelmente, nas origens dos nomes dos restantes dias tem a ver com algo semelhante a este diálogo: Servo – que dia é hoje? Almocreve – Bem hoje é o dia da minha terceira feira de venda... é... deixa lá ver... terça-feira.
Se comparar-mos com os dias ingleses, por exemplo, verificamos que eles têm o dia da lua, o dia de Thor, o dia de Odin, etc mas nós, pequenos, morenos e de bigode, mareantes de história e preguiçosos de profissão optámos pelas feiras.

- A divisão territorial: Quem tem um negócio aberto ao público, necessita de algo fundamental: o freguês! O freguês é o que compra um bem ou serviço (devidamente inflacionado pelo vendedor sem justificação). Pois bem, na nossa divisão territorial temos o País (até aqui está correcto), os Distritos (nada a acrescentar), Os Concelhos (na maior) e finalmente a Freguesia. Freguesia?? Então se o comprador também é conhecido como freguês, freguesia é o conjunto de compradores, ergo, na divisão territorial temos os conjuntos de potenciais compradores, mais do que habitantes de uma dada região... e lá voltamos nós aos fenícios e aos árabes.

- Imigrantes: Para este caso não é necessário alongar muito a minha explicação. Tuga que se preze e que imigre tem duas grandes áreas de inserção na comunidade que o acolhe: uma primeira é a construção civil (para o qual está devidamente habilitado); e uma segunda que é o negócio próprio (para o qual está geneticamente habilitado).

Pois bem, esta tradição de povo almocreve ditou a forma como perspectivamos e construímos os reinos de além mar. Fomos para lá com o intuito de mercar, puro e simples. Não queríamos perder tempo com outras coisas secundárias como construir um império e uma cultura globalizante, isso era uma perca de tempo; não queríamos usar as riquezas do exterior para desenvolver o nosso reino e torná-lo uma potência económica, industrial, política e militar. O que a malta queria era chegar lá o mais rápido possível, trocar as especiarias, ouro e escravos por contas de vidro (grande negócio! Será que era patrocinado por algum ascendente de Patrick Monteiro de Barros? Ou do Belmiro?), regressar o mais rápido possível e vender a mercadoria em estado bruto, com caravela e tudo. Depois íamos aos reinos que procediam à sua transformação comprar o produto acabado e já está! Não havia trabalhinho nenhum para ter aqui a riqueza. Lisboa era uma cidade que se orgulhava de não trabalhar (facto que se arrastou até aos dias de hoje). E as mais valias, pergunto eu? Eu sei que a economia é uma “ciência” “recente” (as duas palavras entre aspas propositadamente) mas os génios de pacotilha de hoje também existiam antanho, ou não?

Algumas das vitimas apanhadas na leitura deste blog poderão afirmar que eu só digo mal da Terra Estranha mas não é verdade. Neste momento estou a dizer mal dos fenícios e dos árabes que, no seu legado genético e cultural, nos deixaram – para além de algumas tecnologias de “ponta” (que existe de mais avançado que uma picota?) e alfabeto e números – uma veia negociante primária. O sonho da maioria dos tugas é ter o negócio próprio, ser o almocreve moderno, na perspectiva que “em-mim-ninguém-manda-e-só-trabalho-se-quero” mas ela está errada. Nele mandam os clientes (Fregueses, moradores numa freguesia e que só frequentam o estabelecimento em dia de feira), nele mandam os fornecedores e trabalha muito mais do que por conta de outrem uma vez que é o seu ganha pão... e humano que se preze quer sempre mais pão, mesmo quando está de barriga cheia.

Na Terra Estranha tivemos o azar de ser descendentes de vendedores itinerantes, daqueles que pintavam os burros para parecerem mais novos e hoje sofremos essa consequência. Porque há aqui um aspecto que aproveito para referir, que é fundamental: é que, ao contrário dos vendedores do centro da Europa, que tinham uma extrema concorrência de vendedores de outros reinos, nós sempre vivemos em mercados fechados, controlados por feirantes e construídos por e para feirantes. Como as nossas relações com os espanhóis (vendedores ainda mais mal-formados que nós) não eram lá muito amistosas, cada vez que aparecia um lá aparecia a padeira de Aljubarrota e escorraçava o tipinho presunçoso e assim não havia uma concorrência eficaz e capaz de criar vendedores empreendedores.

O que é que aconteceu? Só temos empresas que vivem bem no mercado Português e sem concorrência. Ora como hoje em dia a internacionalização está na moda foram todas para o “cesto da gávea” (quem não sabe, favor ler texto sobre o tema).

Aliás, basta olhar para o nosso primeiro ministro. Veste-se como vendedor (qualquer comercial adora ter uma fato Armani para poder comentar com fregueses e amigos), berra como uma varina na praça a anunciar o carapau fresquiiiinhoooo e mente descaradamente. Para além disso, quando a venda não corre lá muito bem e o produto está estragado trata de se pirar para uma reunião noutro País – o departamento operacional que resolva o assunto que o vendedor está em reunião de trabalho.

Assim, eu não digo mal de Portugal – pelo contrário, o que é espantoso é termos sobrevivido 9 séculos –, eu lamento é o nosso legado genético! Pode ser que um dia possamos eliminar esse gene pernicioso – de comerciante – do nosso ADN mas até lá é como diz o Freitas num final de dia cansativo (coitado): “Está tudo fodido! Amanhã vou ter de trabalhar outra vez”

MS

Nota: a propósito, alguém comprar uns preservativos usados? São duas contas de vidro, que com essas posso ir a Angola comprar um poço de petróleo...
publicado por GERAL às 15:10
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