Quinta-feira, 21 de Dezembro de 2006

Inflacção ou não?... Eis a questão!

Caríssimos leitores,
 
Muito boa tarde/dia/noite a todos. Acho que é chegado o momento, agora que se aproxima um novo ano, de falar no maior de todos os demónios do mundo ocidental e das suas prósperas economias: a inflação.
 
Todos os anos os povos são vítimas de algo que não conhecem bem e que não tem face visível, essa coisa terrível que nos arrasta, a cada ano que passa, a caminho do descalabro financeiro.
Um grupo de indivíduos afirma que inflacção é, em economia, a queda do valor de mercado ou poder de compra do dinheiro. Isso é equivalente ao aumento no nível geral de preços. Inflação é o oposto de deflação. Inflação zero, ou muito baixa, é uma situação chamada de estabilidade. Em alguns contextos, a palavra inflação é utilizada para significar um aumento no suprimento de dinheiro, o que é às vezes visto como a causa do aumento de preços; alguns economistas (como os da Escola austríaca) preferem o primeiro significado, ao invés de definir inflação pelo aumento de preços. Assim, por exemplo, alguns estudiosos da década de 1920 nos EUA referem-se a inflação, ainda que os preços não estivessem aumentando naquele período. Mas de um modo geral, a palavra inflação é usada como aumento de preços, a menos que um significado alternativo seja expressamente especificado. Outra distinção também se faz quando analisam-se os efeitos internos e externos da inflação: externamente, a inflação se traduz mais por uma desvalorização da moeda local frente a outras, e internamente ela se exprime mais no aumento do volume de dinheiro e aumento dos preços. de preços
Aqui há uns dias atrás sugeri num almoço de amigos que a inflacção (como conceito e como existência) deveria ser abolida das economias. A posteriori, a falar com alguém da área económica alvitrei a mesma ideia e, após o olhar de horror por tal blasfémia, foi-me de imediato dito que se assim fosse não existiriam aumentos de salário. Por mim tudo bem, uma vez que também não existiria aumento de preços.
 
A realidade da Terra Estranha é um pouco desfasada daquilo que considero que deveria ser a normalidade. Entendo que por normalidade devremos considerar que se a inflacção é definida como 2% então os bens de consumo deveriam aumentar proporcionalmente e que, em condições óptimas, os salários deveriam aumentar marginalmente acima dos 2% por forma a garantir a melhoria da qualidade de vida.
 
Ora, a realidade tuga agride-nos com uma violência imparável de ano para ano. A verdade é que os aumentos de preços nunca respeita os 2% a não ser como mínimo valor e os salários aumentam sempre menos que esse valor evidenciando uma constante degradação das condições de vida.
 
Há dias, de passagem por uma das catedrais do consumo – o Centro Comercial – resolvi tomar um café. Recordo-me que nesse mesmo local, o valor do café era de 55 cêntimos (valor já de si bem acima do valor real do produto, das injecções de energia na sua transformação e do prazer relativo do seu consumo) e que passou para 60 cêntimos. Pelas minhas contas isso representa um aumento de mais de 10% apenas porque é entendido que em Portugal não deveria existir moedas de 1 e 2 cêntimos. Se a inflacção fosse aplicada, o café passaria de 55 para 56 cêntimos mas, no entender da alimária proprietária do estabelecimento, há que facilitar os trocos. Mas eu não quero saber de facilidades de trocos, as moedas existem para isso, para dar troco e as unidades de euro só devem servir para anunciar a TV plasma modelo xkz-1 pelo modesto de valor de 999,99 euros – a maneira simpática de dizer que não são 1.000.
 
Mas voltemos ao busílis da questão: é que o proprietário do estabelecimento está a especular de forma criminosa, tabelando aumentos de 10% mas de certeza que em termos de aumentos de salários referirá que neste ano que se aproxima só pode aumentar 1,5%... é a crise!
 
Posso, facilmente, apontar numerosos exemplos de situações semelhantes: basta ver os combustíveis, ver o proposto aumento da electricidade de 15% mas que diminuiu apenas para 6%, etc etc etc. Mas no entanto, continuamos a verificar que os aumentos salariais apenas andam pelos valores de 1% ou 1,5%... porque é a crise!
 
Voltando à conversa que tive com a tal pessoa de economia, passado o horror momentâneo, aquela sensação de falta de ar e as palpitações cardíacas após tão vil sugestão da minha parte, a reacção é passar ao terror disfarçado e emocional, isto é, não haveria aumentos. Mas se não existiriam aumentos, então não haveria necessidade de aumentar os bens de consumo, logo haveria uma interrupção da degradação das condições de vida.
 
Podem sempre referir que a inflacção é um motor da economia mas a pergunta que se faz é: motor de quem e para quem? A realidade é que o Governo de cada nação é soberano e tem como desígnio a protecção daquilo que compõem as nações: Território, Cultura e Lingua Comum e, finalmente, Cidadãos.
 
A defesa do território passa pela existência de forças que o protejam de inimigos externos ou internos, nomeadamente pela existência de exército e polícia. A defesa da Cultura e Língua Comum é feita pelos processos educativos de cada País que difundem a sua história e maneira de ser pelos mais jovens. A defesa dos Cidadãos passa, sempre, pelo seu bem estar e modo de vida. O primeiro e segundo caso, com alguns soluços e sobressaltos, têm sido conseguidos na Terra Estranha mas quanto ao terceiro caso já não é bem assim.
 
Entende-se, na Terra Estranha, que a protecção dos cidadãos passa pela construção de um aparelho Legislativo repressor e retrógrado e por uma constante exploração do mesmo em benefício de um Estado que, mesmo cobrando impostos, obriga ao pagamento dos restantes e fundamentais princípios de sobrevivência como saúde, educação, etc. Mas infelizmente a unidade de medida aqui (como em qualquer ponto do mundo) é o dinheiro e essa preocupação o nosso Governo aparenta não ter.
 
Voltemos à inflacção. A realidade é que o valor que pagamos por todos os bens não reflecte aquilo que na realidade eles valem. Se forem a um hipermercado, olharem para as prateleiras e verificarem os preços interrogar-se-ão se um valor pedido corresponde à realidade. É minha opinião que a esmagadora maioria dos bens vale cerca de metade do que aquilo que nos cobram mas o efeito pernicioso da ganância humana faz com que se inventem e criem conceitos e fórmulas de cálculo para justificar os mecanismos de preços.
 
A maioria dos economistas dirá que existe o valor real e o valor que a pessoa dá a um objecto e são estes dois factores que definem o preço. Isto é, é o valor da matéria prima + o custo energético da sua transformação + o custo do trabalho na sua transformação + mais o transporte/distribuição até ao consumidor + o VALOR que o CONSUMIDOR lhe atribui que lhe confere o valor final de custo.
 
Sei que é uma forma simplificada – pelos padrões economicistas tão em moda mas acredito que as coisas não são muito complexas, são simples até ao momento em que aparece alguém a querer ganhar dinheiro com isso – mas a realidade é, como é que esses animais podem atribuir um valor expectável para algo que é tão volúvel como uma emoção? De uma forma mais simples ainda: o valor que um gajo atribui a uma foda varia consoante gosta de foder ou não... mas mesmo o gajo que não gosta, alturas há em que lhe apetece loucamente dar uma e outras não. Ou seja, a puta, antes de fazer o preço terá que lhe perguntar “Ó querido, tu hojes queres muito ou pouco? Se for muito custa 20 euros a mamada, se fôr pouco são só 15 euros”.
 
A realidade é que a inflacção é um falso problema, ela só existe de um ponto de vista teórico e artificial, servindo apenas o benefício de alguns e, em última análise, a contínua pressão exercida sobre as multidões de cidadãos que, assim, não têm tempo para pensar sobre as “benfeitorias” propostas pelos Governos. É fácil acabar com a inflação, basta querer... mas o problema é que os patrões dos políticos, esses, nunca vão permitir tal blasfémia.... e os patrões dos políticos não são os partidos nem os eleitores!
 
Um abraço
 
MS
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Quarta-feira, 20 de Dezembro de 2006

Monólogos secretos

Ora bom dia,
Andando desinspirado como estou, deparei-me há uns dias atrás com um
famoso texto que me foi enviado.
Sendo este espaço um espaço onde também o humor pode imperar, e como
não deixo de fazer referências nos textos que escrevo, lembrei-me de
citar o texto abaixo, que julgo fabuloso, e um dos que me traz as melhores
memórias deste que foi indubitavelmente, e durante muito tempo, o nosso
maior humorista. Prudência na leitura para não ferir susceptibilidades...!
 
 
 
BATISTA BASTOS: Estava eu um dia na Brasileira do Chiado e então o saudoso 
Sérgio Castanheira que foi quanto a mim, e há que dizer isto com frontalidade, o maior 
lenhador da língua portuguesa; lá vinha ele, com o seu castor debaixo do braço, 
o Castanheira naquela sua maneira de ser, marialva a fazer lembrar... o Geraldo Nunes, 
mais velho mas meu amigo, bom e quanto a isso, há que dizer com frontalidade, 
um dos símbolos emblemáticos de Lisboa, e um dos seus fundadores, e retorquiu assim:
"O retarquismo sublima o Homem e fá-lo atingir o auge na sua proporção".
Serve isto, para apresentar o meu convidado de hoje, que fez tudo na vida e ao mesmo 
tempo, não fez nada. Já perceberam que vou conversar com Orlando Barata. 
Ó Orlando, tu foste um grande combatente anti-fascista, e isso é ponto assente, mas 
foste também um bocado fascista, ou não?
ORLANDO BARATA: Bem eu de facto... o que se passou é que...
BATISTA BASTOS: Desculpa lá, antes de me responderes, eu gostava de te contar aqui 
uma história curiosa que se passou na redacção do Piolho, esse pasquim anti-fascista, 
de onde saíram grandes jornalistas como o Sousa da Mota Lara, grande amigo meu, o 
Romão Branco, mais velho, bom e o genial César Serafim, era genial, há que dizer isto 
com frontalidade. Certo dia, entrou o Sérgio Castanheira com o seu castor debaixo do 
braço e deu de caras com um estagiário que lhe atira: "Estás bom ó Castro?". Eu achei 
que era importante contar isto. Mas, Orlando, estamos aqui para falar de ti, olha diz-me
uma coisa, onde é que estavas no 25 de Abril?
ORLANDO BARATA: Por acaso é curioso referires isso...
BATISTA BASTOS: Tu és um homem de esquerda... és um homem de esquerda, e há 
que dizer isto com frontalidade, apesar se seres também um pouco fascista; estavas 
ligado à direita, namoravas Salazar e eras o que a gente chamava na altura um pulha 
pidesco... Tu foste da PIDE ou não?
ORLANDO BARATA: Não, eu...
BATISTA BASTOS: Onde é que estavas no 11 de Março?
ORLANDO BARATA: Bom, no 11 de Março, tem graça, eu...
BATISTA BASTOS: Nessa altura já eras bissexual?
ORLANDO BARATA: Perdão, Batista Bastos...
BATISTA BASTOS: Digo bissexual na medida em que estavas envolvido com a direita e 
com a esquerda. Eras o que a gente chama uma prostituta política. Eras, de resto, 
conhecido como a maior puta da política nacional, há que dizer isto com frontalidade, 
não é?
ORLANDO BARATA: Desculpa lá ó Bastos, mas eu não estou a gostar, enfim...
BATISTA BASTOS: Olha lá, ó minha porca... onde é que estavas no dia 36 de 
Setembro, da parte da manhã?
ORLANDO BARATA: Bom, no dia 36 de Setembro, da parte da manhã...ó minha porca?!
BATISTA BASTOS: Porca no sentido de porca fascista, do capital, da ausência de 
valores. Tu sempre te apresentaste nesse sentido, aliás tu como homem de esquerda 
assumes essa tua faceta de molúsculo paneleiróide, salazarista pestilento, que ao fim 
ao cabo eu acho que és uma besta, não é? Há que dizer isto com frontalidade, és uma 
besta e digo-te isto com o respeito que me mereces e no bom sentido da palavra.
ORLANDO BARATA: Desculpa lá ó Bastos, mas eu não posso permitir que tu 
continues a aviltar a minha pessoa dessa maneira, olha que caralho! Mas enfim... 
eu vou-me mas é embora, porque isto é sempre a mesma coisa contigo, chiça!... 
foda-se!...caralho!... Para que é que me convidaste para aqui?!
BATISTA BASTOS: ó Orlando, vai-te foder, pá!... vai levar dentro da peida!... vai fazer 
broches a cavalos, cabrão!... Bom, estavamos aqui a noite toda na conversa, há que 
dizer isto com frontalidade, mas temos que terminar. P'rá semana, aqui estarei para 
mais um Monólogos Secretos. Bom, mas antes, queria contar-vos uma história que se 
passou comigo em Paris, em 71, estava eu com o Salgado Matias, outro grande 
paneleiro, chefe da redacção do Furúnculo e mais tarde director da Galocha. Esse 
anti-fascista, às tantas, entra o Sérgio Castanheira com o castor debaixo do braço...
hum?!... ah! já não tenho tempo para contar... bem mas esta história de não ter tempo 
faz-me lembrar outra história que é a história... há?!...olha, isto de vocês me estarem 
a levar faz-me lembrar ainda outra história, que era que eu estava justamente em 
Peniche...
publicado por GERAL às 09:10
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Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2006

O Professor... esse desconhecido!

Caríssimos leitores,
 
Muito boa tarde/dia/noite a todos. Hoje resolvi escrever sobre algo que passa totalmente despercebido e que muitos foram – e são – vítimas: o Professor Jubilado.
 
Já anteriormente foi referido, por mim e pelos outros colaboradores deste blog, que a guilda dos professores universitários escapa por todas as malhas e continua a dizer que são os melhores do mundo. A interrogação que deixámos antes era que se eles eram assim tão bons porque raio os seus discípulos conseguiram levar a Terra Estranha até este pântano.
 
Se seguirmos um simples lógica, eu diria que lógica socrática (não, não estou a falar do Primeiro-Ministro), podemos facilmente chegar a uma conclusão totalmente errada. Eu explico:
 
- Os professores universitários são uns fulanos espantosos e do melhor que há;
 
- Escolhem para seu séquito os melhores alunos (que por acaso até são familiares) e para assistentes os melhores dos melhores (que por acaso até são os filhos uns dos outros);
 
- Eles (professores) e o séquito (alunos brilhantíssimos e assistentes iluminados) assumem cargos de relevo na administração da Terra Estranha onde podem aplicar as suas conclusões fruto de investigações aturadas;
 
- Logo a Terra Estranha é um paraíso de gestão e um sucesso social e económico sem paralelo!
 
Errado!
 
Esta, entendo, deveria ser a lógica da “coisa” mas não é. Vejamos algumas razões porque tal não acontece.
 
  1. A maioria dos professores universitários, depois de atingir os pontos mais elevados da sua carreira tendem a olhar com desdém para ideias novas e tendem a agarrar-se aos conhecimentos que adquiriram há 40 anos atrás, continuando a deíficar livros e trabalhos que, sendo relevantes e revolucionários na época em que foram escritos, estão visivelmente ultrapassados;
  2. Existe uma continua perpetuação de modos de visionamento do mundo por parte dos membros do seu séquito uma vez que têm que ser iguais para poderem ser aceites. Todos aqueles que estiveram em desacordo com professores universitários, nas universidades, nunca foram além de notas medíocres, depois de 10 anos a fazerem a mesma cadeira;
  3. Numa lógica de protecção de grupo e de classe, é curioso ver o currículum de todos os assistentes por eles escolhidos. É curioso ver que são familiares directos ou próximos de outros colegas de profissão na certeza que os seus próprios filhos serão protegidos por outros colegas. Isto é, considero curioso que os filhos de professores universitários sejam, invariavelmente, professores universitários, deixando-me sempre a interrogação se em dezenas de milhares de outros jovens estudantes não se aproveita mais nenhum para ensinar ou investigar;
  4. Os métodos de avaliação são no mínimo caricatos. Os velhos gurus do ensino universitário são aqueles que, normalmente na primeira aula, começam por afirmar que com eles nunca nenhuma aluno tirou acima de 14 ou 15 e que normalmente chumbam acima de 50% dos alunos. Pena é que ninguém lhes explique que esse tipo de atitude apenas realça que eles (professores) são uns péssimos profissionais, em primeiro porque não sabem ensinar e depois porque não sabem avaliar ou reconhecer as capacidades dos seus alunos;
  5. Tal como qualquer outra guilda, os elementos constituintes apesar de aparentados de víboras – tal o vitríolo que distalam uns pelos outros – protegem-se mutuamente e quando uns dos velhos (dos magníficos) diz uma bacorada de proporções bíblicas ninguém apareça a dizer que que o senhor está enganado. Eu sei que é complicado para eles mas os professores também ficam xéxés apartir de certa idade;
  6. A tendência de assumir que aquilo que um professor universitário diz está sempre correcto e deve ser interpretado como lei não pode estar mais longe da verdade. Apesar de eles o apregoarem, não são conhecedores de todas as áreas (nem da deles sabem tudo) e tal como qualquer outro ser humano comete erros. Já alguém ouviu um prof a admitir que errou? Nunca! Eles devem estar perto da perfeição divina, coisa que os restantes mortais não.
 
Sejamos realistas sobre alguns assuntos: em primeiro lugar o facto de um indivíduo ser inteligente, brilhante ou bom investigador não faz dele automaticamente um bom professor. Ensinar pressupõe um determinado número de características quenem todos têm. É o mesmo que dizer que para se ser um bom médico é absolutamente fundamental ser um aluno de pelo menos 23 numa escala de 0 a 20. o que ele é, isso sim, é um excelente estudioso mas daí até saber interagir com o paciente, ler os sinais que o atormentam, etc é outra coisa. Em segundo lugar como é que um individuo pode afirmar que nunca dá notas acima de um determinado valor, apenas porque é professor e não pelo valor dos alunos que estão à sua frente. É verdade sim senhor, existem indivíduos brilhantes que são muito melhores que os seus professores mas, infelizmente, não têm nomes sonantes. Este tipo de atitudes que os professores transmitem aos seus alunos reflecte-se na vida das empresas uma vez que os alunos, em cargos de chefia, nunca vão reconhecer o trabalho do funcionário ou a sua mais valia, afinal ele nunca dá mais do que uma certa avaliação! É isso que eles aprenderam e é com isso que foram humilhados.
 
Como é que se pode esperar que os gestores portugueses saibam efectuar uma avaliação ou reconhecimento de trabalho se, na sua fase de preparação para o mundo do trabalho uma múmia paralítica de 103 anos que mal consegue falar o humilhou repetidamente e lhe disse que ele, aluno, nunca será melhor que ele, professor!
 
Finalmente uma ultima consideração: essas velhas múmias paralíticas dão aulas em várias instituições académicas, a várias disciplinas a diferentes anos. Como é que ninguém pergunta se isso é possível? Como é que hoje dão 2 aulas diferentes em Lisboa, amanhão estão na Covilhã a dar uma outra diferente e depois estão no Porto na quarta-feira a dar 3 aulas ainda diferentes, voltando a Lisboa na quinta-feira para dar mais 2 numa outra faculdadee ficam com o fim de semana para tratar de mestrados? Eu sei que a resposta que eles dão é que os assistentes dão as aulas e eles coordenam.... mas então, nesse caso, deixam de ser professores universitários e passam a ser gestores de escravos que trabalham para ele.
 
Se forem comparar com as outras instituições de prestígio internacional verificarão que os prémio nobel, por exemplo, são professores numa universidade – digamos, Cambridge – e mais nenhuma. Essas universidades impõem aos seus professores uma coisa muito simples e que em termos mais leigos se pode resumir a: “Tu sabes muito! Não te importas, vais por os nossos alunos a saberem muito!”
 
O que se passa na Terra Estranha é, em termos leigos, o seguinte: “EU SEI MUITO! Os meus alunos são uma merda que não vão saber o mesmo que eu senão eu deixo de saber MUITO e todos vêm que, afinal, não passo de uma merda que cheguei a professor porque o meu paizinho, em 1888, também era professor!”
 
Esta, infelizmente, é uma realidade incontornável da Terra Estranha e enquanto não acabarem com os velhos jubilados das faculdades – que comem à esquerda e à direita com pareceres e consultoria – não há qualificação ou plano tecnológico que nos valha. Os professores são importantes, inegável, mas apenas enquanto indíviduos capazes de replicarem os seus conhecimentos pelos mais novos e servirem de alicerce a novas investigações, não enquanto auto-intitulados génios.
 
Para finalizar, um exemplo: a Faculdade de Ciências de Lisboa é das maiores da Europa em termos de Professores Doutores e afins e é uma das que menor produção científica tem na Europa! Curioso não é?
 
Eu pelo menos acho!
 
Um abraço
 
MS
publicado por GERAL às 16:56
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Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2006

A Oposição.

Cumprimentos aos caríssimos cibernautas que visitam este blog!

 

Chega de dizer mal do governo. Mal ou bem, estes têm feito alguma coisa. É verdade, neste governo tem existido medidas que vão além das finanças públicas (Esta sim, o grande e único objectivo dos governos que tivemos nos últimos anos). O que não quer dizer que sejam todas boas.

 

Ora bem, é tempo de “atacar” outras “gentes”, portanto começo por perguntar: Temos Oposição?

 

Em qualquer sociedade dita democrata, onde supostamente nos inserimos, existem, normalmente, pontos de vista diferentes sobre os vários assuntos da governação de um país.

 

Será o caso da Terra Estranha?

 

É curioso, mas tenho reparado que, ou ando muito mal informado, a oposição e a contestação só tem tido expressão nos movimentos populares e sindicais. Por exemplo, o “passeio” organizado pelos militares, o buzinão em Estarreja, as inúmeras greves (bom, quase todos os sectores da sociedade já estiveram em greve, aliás já perdi a conta, já foram tantas), enfim e em resumo, o Povo tem vindo para a rua.

 

Mas e os distintos representantes do povo? O que é que essa “gente” tem feito?

 

Além de receberem os ordenados, para estarem a dormir nas bancadas da Assembleia da República, que eu tenha reparado, eles não têm feito -  NADA!

 

Vejamos a Esquerda, o PCP, anda desorientado, as suas reduzidas intervenções resumem-se a… olha, nem sei! O discurso é de tal forma ultrapassado que não encaixa em lado nenhum. O Bloco, enfim, parece uma cassete, dizem sempre as mesmas coisas, mesmo que não tenham nada a ver com o assunto. Sinceramente, resultados práticos: 0.

 

Olhemos para a Direita, O PSD, ainda existe? É que dá a ideia de que apoiam incondicionalmente tudo o que o governo tem feito. Parece que se esgotaram, que estão vazios, será que o PS lhes roubou o programa? Ao menos queixem-se à PSP ou à Sociedade Portuguesa de Autores. A verdade é que nem se conseguem ver, talvez seja devido à dimensão do seu líder. O facto é que temos de estar de binóculos ou de lupa para encontrar algo proferido por este partido.

 

Quanto ao CDS, esse parece que está com falta de pontaria, são os únicos que têm feito algo parecido com oposição mas, interna? Ó, meus amigos, é suposto fazerem oposição ao governo, já se esqueceram?

 

E os media?

 

Pois, como os opinium makers deste país estão em total sintonia com tudo o que se tem feito, pelos vistos resta-lhes o papel de servirem de público, aplaudindo efusivamente toda e qualquer medida apresentada.

 

Enfim, o panorama de oposição é confrangedor. Mas não seria justo se não referisse os Lone Rangers da oposição, nem sequer têm acento em S. Bento, o Garcia Pereira e o ….. Estes, pelo menos, quando lhes dão hipótese, trazem uma lufada de ar fresco.

 

Afinal estamos ou não em democracia? Ou estamos perante um caso de total ausência de soluções?

 

A Terra Estranha é assim, emprenhamos por consensos, quem emitir opinião contrária é mal visto e corre o risco de perder a corrida para um tachinho. Logo, não pode haver oposição.

 

RdS

publicado por GERAL às 10:24
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Quinta-feira, 7 de Dezembro de 2006

Poesia... oral!

Caríssimos leitores,
 
Este espaço não é apenas um espaço de escárnio e mal-dizer... não! É também um espaço de cultura, onde as nossas almas se podem desenvolver e desabrochar para ela.
 
Nesse sentido, aqui está um poema que, entendo, poderá ajudar a esclarecer as dificuldades do mundo moderno. Quem sabe, talvez um de vós tenha a explicação mas de qualquer forma deixo-vos um poema belo e contemplativo... numa forma de certo modo... eu diria... “enchouriçada”!
 
 
Porque é que uma coisa
Que se usa ao peito de lado
Se pode confundir com outra
Que não vem ao caso?
 
Porque é que uma decoração feminina
Séria ou louca
Se pode confundir
Com uma coisa que se mete na boca?
 
Perdão!
 
Não querias dizer isso
Foi uma malvadez, desculpem a tirania
Sei que para algumas é prazer
Mas para outras essa beleza agonia
 
Bom, eu gostava era de matar a dúvida.
Saber muito mais sobre a palavra
Se foi um artesão ou uma dança macabra
Porque é que o broche se chama broche?
 
Acho que tem muito a ver
Com a forma como se diz
Isto é, abre-se a boca em flor no Bró
E no che fica-se feliz
 
Há quem diga que serva para engolir
Uma tarde, uma noite inteira
Confesso que estranho seria ouvir
Querida, faz-me uma pulseira!
 
Há quem diga que é para admirar
Por respeito e indicar o caminho e a luz
Mas que estranho seria escutar
Querida, faz-me um fio com uma cruz!
 
Outros afirmam convictos
Que em vez de broches deviam ser brincos
E outros revelam-se satisfeitos
Que não se deviam só fazer os peitos
 
Que deviam preencher também o corpo
Transformar-se em paisagens
E quando alguém se quisesse adornar
Mostravam-se... as tatuagens
 
Mas porque é que um broche se chama broche?
Isso confunde com algo de impulso
Que esquisito seria ouvir
Querida, faz-me um relógio de pulso!
 
Tentaram chamar-lhe felattio, juncoso
Mas que italiano mais maldoso
Vai-se logo buscar aquilo
Que sem maldade se coça abaixo do umbigo
 
Chamaram-lhe os mais ordinários
O que se chucha de maneira exagerada
Será que se pode por no peito, pergunto
Uma mamada?
 
Já ouço estas confusões há muito
Bom, desde o tempo passado da minha avó
Que lembro o meu avô dizer
Querida, vamos sair, põe o bóbó!
 
Mas reza a lenda que foi um cavaleiro
Que perto da sua dama com uma tocha
Lhe chegava os pêlos à boca
E ela pintava o castelo com uma brocha!
 
Mas será que a mulher do broche pintava?
Será que nas horas vagas fazia desenho?
Que ruim seria dela ouvir
Deixa-me agarrar no pincel que te ordenho!
 
Chega! Basta de falar no que se repete
As palavras são aquilo que se quer
Então que se faça a um homem um alfinete
E se arranque um broche de uma mulher
 
Que infeliz! Que estranha designação
Eu não esqueço mas dou de froche
Só gostava de saber mas por que raio
Um broche se chama broche?
 
 
A quem encontrar resposta a este enigma, por favor deixe o seu comentário.
 
Um abraço
 
MS
publicado por GERAL às 15:31
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Quarta-feira, 6 de Dezembro de 2006

Licenciados, Uni-vos!

Boas Tardes!

 

O artigo de hoje vêm em defesa de algo que não devia ter de ser defendido mas, a Terra Estranha é assim, por isso resolvi escrevinhar sobre este assunto.

 

Eu ouço e vejo e, sinceramente, estou a começar a perder a paciência, para o que se diz dos licenciados neste nojo de país.

 

Pois é! Hoje em dia, ter um curso é quase um crime, um pecado digno de 500 Avê Marias.

 

Duvidam? Deixem recordar-vos. Vou reproduzir algumas frases, usualmente ditas, quando falamos nos Drs.:

 

1)      Têm a mania que são mais do que os outros!

 

Por acaso até somos e que isso entre de vez na cabeça das pessoas. Se andamos a marrar 5 anos foi para alguma coisa, não acham?

 

Esta história de sermos todos iguais (ideais da Revolução Francesa) pode ser muito bonita e eu até a tenho defendido, mas perante as coisas que se têm dito dos licenciados e de quem as diz (normalmente seres por acaso semelhantes aos humanos), começo a reequacionar, seriamente, as minhas ideologias.

 

2)      Não servem para nada!

 

Se calhar a maioria nem sabe o que anda a fazer nem com que objectivo, quanto mais avaliar as funções dos licenciados. Portanto, limitem-se a serem energúmenos profissionais e deixem em paz os outros.

 

3)      Não sabem nada!

 

Esta, então, é de morte. Se, quem diz isto, não faz a mínima ideia do conhecimento de um licenciado, está a referir-se a quê? Se calhar ao que aprendeu na 4ª classe. Vou partilhar com vocês um exemplo, muito ilustrativo, do tipo de afirmação usualmente proferido por quem, normalmente, verborreia estas considerações: “Ao menos na minha altura sabíamos de cor as estações de comboio e as Serras!”

 

Realmente demonstra muita sapiência. Isto sim, puro conhecimento! Ó Senhores Professores Doutores, não se esqueçam de colocar estas matérias nos programas da faculdade!

 

 Já estou a ver um médico, no seu consultório, a auscultar um paciente e a dizer: “Olhe o seu caso é curável, apanhe o comboio em Sta Apolónia e vá para a Serra do Marão. Assim morre longe e não chateia, porque eu não faço a mínima ideia do que tem, mas posso enumerar-lhe de cor as estações e os apeadeiros que existem entre Lisboa e o Porto.”

 

Ou então, um Engenheiro numa obra a falar com o dono: “Olhe, lá por o tecto ter caído, não quer dizer que eu não saiba de cor as Serras de Portugal. Aliás, se olhar com atenção, vai ver que é melhor não ter tecto. Assim pode apreciar a vista da Serra da Estrela, mesmo estando no Algarve”.

 

Isto são apenas uns exemplos mas, há mais! Temos, ainda, outras expressões, por exemplo esta, muito ligada ao mundo da Gestão e exclamada, muitas vezes, por quem tem cargos de liderança. Um verdadeiro ex-líbris: “Gerir é puro bom senso, o resto é conversa.”.

 

Isto normalmente é vomitado, em voz alta, por quem não é gestor ou economista, também, por isso, temos o país no estado em que está.

 

E nos empregos?

 

Bom, neste capítulo as coisas estão vergonhosamente absurdas. Temos autênticos “carroceiros” em cargos de topo e/ou em chefias intermédias. Ou seja, a escória da sociedade, aqueles que, por artes “mágicas” (isto para não usar termos mais brejeiros, como: “lambe botas”, “Yes Man”, “amigalhaços”, etc), surgem tipo cogumelos e que, quando se vêem com qualquer poderzito, a primeira coisa que fazem é “espezinhar” aqueles que estão abaixo na hierarquia.

 

Claro que a maioria nem sabe o que é um canudo, devem pensar que é uma espécie de telescópio, mas adivinhem qual o seu alvo de eleição? A sua principal função na organização? Chatear os licenciados! Com qualquer coisa, melhor, com tudo mesmo. Até a posição de “mictar” (mijar -para aqueles que não perceberam) no WC é alvo de criticas.

 

Aliás, os critérios de avaliação usados por qualquer líder da praça estão normalmente focados em 3 pontos: 1) Se chega antes da hora; 2) Se sai depois da hora; 3) Se diz sim a tudo. O resto é ficção. Conhecimento? Capacidade? Produtividade? Isso são tudo chavões que os Srs. Drs. Utilizam para enumerar estes 3 aspectos essenciais.

 

Pelo andar da carruagem, qualquer dia estamos a pedir desculpa por ter tido o desplante em perder tempo a estudar. Já me estou a ver numa entrevista de emprego: “Peço imensa desculpa, mas realmente na minha juventude fiz alguns desvarios e como resultado tirei um curso, espero que tenham em consideração o esforço que tenho feito para esquecer tudo o que aprendi.”

 

Outro aspecto curioso, é a política de emprego deste país. A maioria dos desempregados são licenciados, o que é estranho para um país que habitualmente fala na falta de qualificação da nossa mão-de-obra. A verdade é que os empregadores preferem mão-de-obra não qualificada. Assim, podem pagar as misérias que pagam.

 

Sei que muitos dos licenciados desempregados estão ligados às áreas das Ciências Sociais e que existe a ideia, mesmo entre outros licenciados, de que não servem para nada. Não concordo, acho que quem perdeu tempo a estudar pode desenvolver, com melhor performance, funções muitas vezes ocupadas por quem não estudou.

 

Estou-me nas tintas, quem não teve a arte ou o engenho ou a hipótese de seguir em frente nos estudos, azar! Agora, deixem-se de “merdas” e assumam a vossa insignificância. Ponham-se no vosso lugar e deixem em paz aqueles que se esforçaram por fazer alguma coisa.

 

Por outro lado temos a questão da educação, que também podia ser aqui incluída mas, acho que este tópico merece ser desenvolvido noutro artigo. Lá irei!

 

Em resumo, tenho habilitações superiores e tenho orgulho nisso. Não critico nem escarneço de quem não tem mas, estou farto de ver o contrário.

 

RdS

publicado por GERAL às 15:17
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