Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2006

Zé Barlaitas... herói desconhecido

Hoje estou chateado! Estou com frio, resmungão, lixado (com f...) e em baixo!
Esteva eu a arregaçar as mangas para dizer mal quando me lembrei de uma coisa: os latinos só dizem mal. Arrepio de frio pela coluna, gotas de suor pululam na minha testa após tão terrível constatação, as pernas tremem de ansiedade e a boca fica seca como cortiça. Porque raio teremos de passar o tempo a dizer mal e a criticar, à semelhança de Marcelo Rebelo de Sousa e outros comentadores do género?

Pois bem, hoje resolvi mudar (mas é só por hoje, por isso aproveitem) a minha atitude e ser mais pró-activo, virado para o exterior, uma atitude positiva de crescimento de produtividade “blogista”, numa vertente macro-informática, tendo em conta as flutuações de mercado..... ops! Lá estava eu de novo! Vou contar-vos a história do Zé Berlaitas, Jovem Empresário de Elevado Potencial (JEEP – só não descobri foi ao ano de matrícula e o modelo) e a sua ascensão ao poder e sucesso na Terra Estranha.

O Zé Berlaitas é filho de uma família de empresários humildes ligados à industria das lãs (lanocício ou lenocínio para os mais eruditos) provindos do interior profundo da Terra Estranha. Tão profundas são as suas origens, na realidade, que a GNR de Alcunfões de Cima ainda procura uma razão para o desaparecimento de um rebanho de 1.000 ovelhas adquiridas com fundos do Governo para a referida indústria de lãs.

Ora o Zé Berlaitas teve uma infância rica de experiências de meninice que o marcaram profundamente e que o levaram ao sucesso almejado. Aos 3 anos de idade decidiu que queria aprender coisas da vida e passou a espreitar por baixo das saias das vizinhas em busca do Santo Graal (dizia ele). Perante tal apetência, o pai inchado de orgulho, leva o pequeno rebento à tasca do bairro onde, curiosamente, tinha umas empregadas estrangeiras que desapareciam com os clientes durante cerca de 1 hora para acompanhamento terapêutico, dizia-se. O pai Berlaitas, sempre com olho para o negócio, começa um longo processo de aprendizagem ao rebento, intercalado com várias sessões físicas de chapadas, sobre a forma de gerir o futuro negócio que se avizinhava. Quantas vezes não recorda o Zé as doutas palavras de seu pai: “As gajas só têm de pensar que gostas delas, enquanto lhes dás umas ronfadelas, perspega-lhes umas bofetadas mas lembra-te! Nunca deixes marcas!! As tipas abespinham-se todas se deixas marcas!”.

Na sua adolescência, Zé Berlaitas decide conhecer o mundo e, numa acção arriscada, decide ir tirar um curso para o estrangeiro. Seu pai, sempre atento, decide falar com uns amigos italianos (todos de nome começado por “Don” e todos empresários na área da consultoria, importação e exportação) de modo a proporcionarem livre acesso à Universidade e aprendizagem contínua. Assim, passa pelas melhores casas Europeias, sempre acompanhado pelos mentores que moldam a sua personalidade e ditarão o seu percurso futuro. Regressa à Terra Estranha e, logo por azar, rodeia-se de uns amigos estranhos que lhe trazem alguns problemas com a bófia. O emérito juiz, amigo do pai devido a umas fotos que apareceram dele com umas crianças (era tudo a fingir! Claro! mas era preciso ter cuidado com a carreira), põe água na fervura e diz apenas que o Zé Berlaitas – apesar de apanhado com um TIR de 20 tons cheio de erva até às goelas – estava a montar um novo negócio de chá medicinal e, por isso, iria ser deportado até uma pequena estância balnear tropical, mesmo no equador. Apesar deste revés, o juiz não o proibiu de continuar a exercer a sua profissão o que lhe permitiu manter-se actualizado.

Ora, com o seu regresso, dedica-se a 100% à sua actividade com um fervor digno de um sacerdote copta. Num golpe de sorte – sim, porque foi uma sorte o pai conhecer as pessoas certas e ter algum material escondido que poderia ser considerado por alguns má-línguas como comprometedor – arranja um emprego no estrangeiro, numa terra onde as pernas de rã são vistas como uma iguaria a papar e onde os caracóis são animais sagrados, dignos de veneração. Durante esse período de contínua formação conheceu as novas perspectivas do crime... desculpem! do trabalho e do negócio.

Nessa mesma altura a catástrofe abate-se na sua vida. O pai Berlaitas falece depois de ter comido umas ostras já um pouco ultrapassadas (p’rá aí uns 5 meses fora do prazo, ao sol, mas como era uma pechincha o pai Berlaitas não resistiu). Por momentos, Zé Berlaitas assusta-se pois perdeu o seu protector divino. Mas no dia seguinte é-lhe entregue uma carta com a indicação onde se encontra o arquivo do pai. Após uma breve vista de olhos, Zé Berlaitas descansa! Todo o material que necessita para assegurar o seu futuro está lá... que alívio!!!

Com o passar dos anos decide casar e para tal escolheu alguém com uma cultura elevada, uma formação refinadíssima, obtida na recta de Pegões e Intendente. Casamento feliz e com muitos convidados, Zé anuncia aos convivas que a mulher está grávida de 2 meses. Ele está eufórico embora ainda não tenha percebido porque é que a altura da gravidez coincidiu com aquela viagem de negócios ao continente africano em que ele foi sozinho mas isso são coisas de mulheres e afinal ela disse-lhe que tinha usado umas cuecas dele enquanto fazia a limpeza e sempre é possível essas coisas acontecerem. Três meses após o casamento, nasce um bebé prematuro de 5 meses, com 4 quilos e 52 cm. Cada vez mais cheio de si, Zé apregoa ao mundo que com ele, até os bebés prematuros são uns verdadeiros animais. Que ele não tem espermatozóides, tem girinos e salamandras. Uma punheta do Zé Berlaitas equivale a um ensopado de enguias...

Os anos passam, as proezas de Zé Berlaitas multiplicam-se, a sua rede de apoio é cada vez maior e o filho é cada vez mais parecido com o padeiro! Berlaitas, agora já com alguns doutoramentos honoris causa e com 15 livros de 1.000 páginas cada, escritos em 6 meses, abraça um novo desafio... Vai para a rua, berra, pede apoios, insulta os outros, cospe nas velhinhas, baba-se nas boazonas, utiliza o material de “apoio” que tem guardado, dorme pouco e “pina” menos mas tudo isto permitiu-lhe chegar onde queria... Aquilo que começou com um negócio de lãs (lanocínio ou lenocínio, repito) atingiu o seu apogeu de vida, finalmente eram reconhecidos os seus esforços. Além de JEEP (aos 80 anos) era POLÍTICO eleito!!!

Hoje estou chateado!
E como podem ver resolvi falar sobre uma história de sucesso, de pureza de atitudes de motivação, em suma, uma história da Terra Estranha

MS
publicado por GERAL às 14:26
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