Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2006

Democracia, Pátria...... e batatas fritas!

Hoje vou falar sobre alguns problemas (na minha perspectiva, claro!) que assolam esta Terra Estranha, abençoada por Deus e amaldiçoada pelos homens (ah! aviso já os leitores incautos que estou com um humor estranho hoje, deve ser do frio...)

Durante 8 séculos conseguimos manter a estabilidade das nossas fronteiras à custa de pancadaria na mãe, padeiras, navegantes e tremenda capacidade de adaptação a novos meios (neste sentido, acho que os tugas representam a súmula de capacidades adaptativas do ser humano... não há nenhum sítio nesta pequena esfera azul que não encontremos um luso, poeta e de bigode).

Se no início deste Condado havia uma certa estratégia (lá volto eu a ela) que, numa explanação simplista e tipicamente tuga se pode resumir a: chatear os espanhóis, porrada nos mouros, vinho verde e não fazer a ponta de um corno; a realidade é que essa estratégia funcionou e conseguimos, rapidamente, criar um reino autónomo e estável. A certa altura da nossa história constatámos que estávamos numa posição complicada: de um lado os chatos dos espanhóis (castelhanos) donde nem bom vento nem bom casamento (aliás historicamente bem exemplificado no drama de Inês de Castro de Castela que armou uma confusão no nosso pequeno reino que só visto. Se fosse uma mulher tipicamente lusa, de pêlo na venta, tinha armado uma peixeirada de tal ordem que casava e casava mesmo, obrigava o desgraçado do D. Pedro I a casar na hora, ainda vivinha da silva), e do outro o oceano Atlântico.

Ora a nossa estratégia já era, então, não trabalhar mas para isso era necessário dinheiro, cacau, pilim, etc. O que resolvemos? Se de um lado os tipos já eram muitos e dava trabalho conquistá-los, toca a derrubar o pinhal de Leiria e construir umas casca-de-noz. E lá partimos! O que é facto é que conseguimos chegar a algum lado.

Com o passar dos séculos, a Monarquia caiu, surgiu a República e começou a falar-se num conceito, já da Antiguidade, denominado Democracia. O que a Wikipedia diz acerca deste conceito é o seguinte:
QUOTE
“Democracia é um sistema de governo onde o poder de tomar importantes decisões políticas está com o povo. Para usar uma frase famosa, democracia é o "governo do povo para o povo". Democracia opõe-se às formas de ditadura e totalitarismo, onde o poder reside numa elite auto-eleita.
Democracias podem ser divididas em diferentes tipos, baseado em um número de distinções. A distinção mais importante acontece entre democracia directa (algumas vezes chamada "democracia pura"), onde o povo expressa sua vontade por voto directo em cada assunto particular, e a democracia representativa (algumas vezes chamada "democracia indirecta"), onde o povo expressa sua vontade através da eleição de representantes que tomam decisões em nome daqueles que os elegeram.”
UNQUOTE

No seu livro “Politica”, Aristóteles distinguiu seis formas de governo, dependendo da forma de exercício do governo e se este era justo ou injusto. Ele caracterizou “demokratia” (ou democracia) como um governo injusto, governado por muitos (e faziam pouco, acrescento eu) e denominou um sistema justo, governado por poucos como “politeia”, normalmente traduzido como “República” (do latim Res Publica, a “coisa publica”). Ora o que a mim me perturba – é uma questão de feitio mesmo – é a palavra COISA. Coisa tenho, entre as pernas; coisa é aquilo que vimos à 14 anos atrás, não prestámos atenção e não nos lembramos; coisa é aquela coisa.... como se chama.... humm!... sei lá.... estás a ver.

Ora se temos uma coisa publica isso é grave. Significa prostituição, isto é, o “governante tem uma coisa publica”. Desculpem lá mas eu não quero a coisa do Sócrates – não filósofo, mas sim o político!!! Deus me livre! Lagarto-lagarto-lagarto, isola-isola-isola....

O mais giro no meio disto tudo é que nós, habitantes de uma Terra Estranha, esgrimimos estes conceitos como se fosse uma guerra de pastéis de nata e as cúpulas superiores fazem isso em meu nome (e do vosso também). Mas eu não quero que falem em meu nome! Eu até queria votar lá no padeiro do bairro que me parece um tipo bem certinho mas não me deixam!! Que raio de Democracia é esta? Ou será que temos uma Oligarquia disfarçada, onde o poder é partilhado por alguns que se auto promovem eternamente num ciclo fechado? O governo actual faz lembrar uma cebola: cada camada da cebola é composta pelos mesmos, que se repetem a cada 4 anos (ou menos, depende do Presidente da República) mas a malta chora sempre quando a descascamos. Mas se existe uma elite que se perpétua por intermédio dos seus rebentos (que, como diria Bocage: “abençoado seja o vosso fruto, mas como é bruto... mas como é bruto”) então deveremos ter uma “Demo-tadura” ou uma “Demo-talitarismo” ou uma “Dita-demo” ou, finalmente, uma “Totali-demo” (embora esta última pareça mais um jogo de play-station 2).

Apenas como curiosidade, o conceito de democracia proveniente da Europa de Leste (também da wikipedia) diz o seguinte:

- Qual a diferença entre uma democracia e uma democracia popular (ou democracia socialista) ? Resposta: A mesma diferença que entre uma cadeira e uma cadeira eléctrica

O que é mais curioso é que 8 séculos de história não serviram de nada, senão vejamos: tivemos cá os romanos, os fenícios, os visigodos, os ostrogodos, os muçarabes, os concheiros de muge, etc e o que aprendemos? NADA. Isto é dizer que a mentalidade lusa, se assim se pode chamar, fica entre as amibas fecais e os vermes funiculares das fumarolas atlânticas.... bem-vindos à Terra Estranha!

Uma realidade incontornável do nosso imaginário é o conceito de Pátria (ou Nação). Mais uma vez recorri à Wikipedia (afinal é de borla, embora esteja escrita numa língua estrangeira: o brasileiro) e reza o seguinte:
QUOTE
“Nação é um termo cujo significado varia muito consoante a perspectiva política de quem a emprega, e consoante se dá maior ou menor importância aos vários factores comumente assinalados para definir um grupo de indivíduos, ou comunidade humana, como uma nação. São esses factores: tradições culturais comuns (onde se inclui a etnia, língua, religião, mentalidade predominante, educação); diferenciação geográfica, história, e, essencialmente, um sentimento generalizado nesse grupo de indivíduos que comungam de uma mesma vontade (ou destino), apesar das diferenças individuais de cada um (diferenças essas que podem incluir muitos dos factores acima mencionados), o que os leva a defender o seu direito de autodeterminação.
O termo, proveniente do latim, natio, era, inicialmente utilizado pelos estudantes das Universidades medievais (em que se destacava a Universidade de Paris - Sorbonne), que se organizavam em grupos com esse nome, devido ao facto de terem proveniências diversas. Em cada nação falava-se a língua materna dos estudantes, sendo estes regidos pelas leis dos seus próprios países.
Com a revolução francesa, o termo "nação" foi utilizado para identificar o povo. É nesta acepção política que emergem os Estados-nação europeus.”
UNQUOTE

Bem, devo dizer que fiquei desapontado. Afinal o conceito de Nação provém de uma série de estudantes universitários (e toda a gente sabe o que eles faziam: bebedeiras, gajas e borgas) que resolviam falar a sua língua natal. Pensava eu que provinha de algo mais elevado, mais esotérico mas não, vem dos copos! Embora no caso da Terra Estranha faça algum sentido porque se repararem, em qualquer ponto do mundo lá está o tuga agarrado ao garrafão de vinho e a uma sandocha de couratos (se for quadro dirigente do Metropolitano).

Finalmente, quanto às batatas fritas, é porque estive a comer um pacotito enquanto escrevia estas linhas.... nada de mais! Até agora, que eu saiba, nenhum país foi invadido por causa das batatas fritas.... mas temos de dar tempo ao tempo!

MS
(não se esqueçam, se quiserem deixar sugestões ou artigos, utilizem o mail ostres.s33@sapo.pt ou qualquer pombo correio disponível. Sinais de fumo ainda não estamos habilitados mas já nos candidatámos a fundos comunitários... quando tivermos um jipe avisamos!)
publicado por GERAL às 13:01
link do post | comentar | favorito
|
1 comentário:
De Um S Estranho a 30 de Janeiro de 2006 às 10:20
A Demo-bebedeira deu origem a uma copofónia e o resultado está à vista: um país com dirigentes que se julgam os melhores e no entanto....Vai mais um coponho para a estrada?.

Isto só pode ter um resultado: um brutal acidente.

RdS

Comentar post

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Outubro 2013

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.posts recentes

. Nas voltas e reviravoltas...

. A Austeridade...

. Portugal e a Crise

. Jogo FMI

. FMI e afins

. O outro lado da exuberânc...

. Os Sufrágios!

. As idio(ti)ssincracias da...

. O país de betão

. O salário minimo e Portug...

.arquivos

. Outubro 2013

. Setembro 2012

. Maio 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

.tags

. todas as tags

.Contador

.Contador

blogs SAPO

.subscrever feeds