Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2006

Um dos S em terras de Sua Majestade (parte 2)

Continuando as minhas aventuras (e desventuras) por terras estrangeiras, devo dizer que apesar do que anteriormente disse, sinto-me orgulhoso da minha terra estranha.

Estive numa cidade cuja área urbana tem cerca de 10 milhões de habitantes, ou seja, o equivalente aos habitantes da terra estranha mas reparei que o trânsito de final de dia, embora compacto e complicado, não tinha as filas intermináveis que caracterizam o centro de Lisboa. Com isto não estou a dizer que lá não existem problemas de trânsito... existem pois! Mas o que estranhei (e que me deixou orgulhoso) é que por oposição à Terra Estranha vi um número reduzidíssimo de rotundas – melhor dizendo, 0. Ora, os técnicos de trânsito urbano têm dito que um sinal de desenvolvimento prende-se com a regulação de trânsito e fluidez do mesmo e que a “rotunda” é a melhor solução, daqui sou obrigado a concluir que a Terra Estranha está mais evoluída que o estrangeiro!

O nosso cantinho está absolutamente povoado de rotundas! Se há confusão de trânsito logo aparece uma rotunda... Ora em terras estrangeiras, pelo que pude reparar, primeiro analisa-se o problema e depois aplica-se a melhor solução e, na maioria dos casos, esta passa pela sinalização luminosa.

Ainda não percebi porque hoje em dia só se colocam semáforos de controle de velocidade e se gastam fortunas na construção de rotundas (para além das confusões de trânsito e intemporalidade da construção). É verdade que resolve alguns problemas nalgumas situações mas nem sempre é assim. Acho que deve ser devido a questões energéticas e com a EDP ninguém brinca!! oh oh!

Outra coisa que achei estranha foi a comparação de períodos de saldos e visão mercantilista da sociedade, como motor do desenvolvimento interno. Vejamos: os outros ganham mais que nós; o preço dos bens essenciais são iguais aos nossos; o valor do m2 é igual ou superior ao nosso; o preço de compra do petróleo é igual (obedece ao mercado internacional); os custos ambientais são iguais ou superiores aos nossos... e que vemos nós!
- Eles têm saldos a 50%, 70% e 90%
- Nós temos a 30% e 50%
- Eles têm uma dinâmica mercantilista (ao nível de consumo interno, exportações, importações)
- Nós temos Decretos-Lei para expansão dos mesmos factores
- Eles têm um IVA mais baixo que o nosso
- Nós temos o IVA a 21%

A pergunta que faço vem na sequência de um artigo de um outro caríssimo S sobre a estratégia. Afinal que queremos nós?
- Politiquice de café?
- Supostos “casos” jornalísticos sem interesse e sem relevância?
- Uma sociedade tipo telenovela e Big Brother?
- Um País de segunda numa Europa de primeira?

Bem, mas diga-se em abono da verdade que, estando eu de partida, os ditos “kámones” tiveram a delicadeza de me fazer sentir importante na altura do embarque (na altura pensei que era por pertencer à Terra Estranha e ter mais rotundas por habitante que qualquer outro país Europeu – com excepção do Chipre pois mesmo que a malta queira fugir de carro, começa numa ponta e volta ao mesmo sítio numa lógica de rotunda gigante – mas no fundo cheira-me que era para terem a certeza que eu saía de lá): no mesmo voo encontrava-se essa figura incontornável da história portuguesa, o Exmo. Sr. José Mourinho (ou como dizem os ingleses, “the-arrogante-portuguese-bastard-who’s-winning-all-games-and-I-wish-he-would-drop-dead-being-sodomized-by-the-russian-kgb-agent”). Como estou habituado à organização portuguesa para entrada nos aviões aproximei-me do gate na esperança de poder entrar rapidamente com a familia e ter lugar para arrumar os sacos quando a hospedeira de terra exclama:
- Cheguem-se para trás porque para entrar a bordo a ordem é primeiro velhos com acompanhantes (que também são velhos porque nenhum jovem no seu estado de juízo perfeito acompanha um velho), depois famílias com crianças e finalmente por número de lugar a bordo.
Assim, tive toda a legitimidade para me virar para o Mourinho e fazer um nham-nham-nham... até a minha filha é mais importante que tu!!

Ora aí está algo para a futura OTA!

Só que o problema na OTA seria distinguir os velhos das crianças dos políticos e dos animais de colo, principalmente entre estes dois últimos mas deixo uma sugestão:
- É que animais de colo costumam obedecer ao cidadão que os escolheu! O resto, entre uns e outros, é igual.... até o pelo!

MS
publicado por GERAL às 15:08
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