Terça-feira, 24 de Janeiro de 2006

Um dos S em terras de Sua Majestade (parte 1)

Fui à civilização! Que bela forma de iniciar um texto para alguém que chega de Londres. A ideia deveria ser “Fui visitar os meus parceiros de UE”... mas não! Fui à civilização!

Finalmente descobri porque vamos construir a OTA! Imaginem o cenário:
1. Membros nosso fantástico aparelho governativo deslocam-se a Londres (não para fazer ski mas algo do género) e viajam entre Heathrow e Londres no comboio Heathrow Express (saídas a cada 10 minutos; viagem até ao centro da cidade 15 minutos). Comentam entre si que isto é que é, viajar de comboio, confortável, a ver a BBC News na televisão interna e decidem, no dia seguinte entre duas cervejas (mas sem tremoços – os tipos não os têm o que deixa o tuga logo de pé atrás. Cerveja sem tremoço é como futebol sem casos) decidem que a malta precisa do mesmo em Portugal.
2. No regresso, falam com a Administração do Metro e são desde logo informados que antes de qualquer decisão ser tomada é necessário criar uma comissão de estudo para saber que perguntas fazer ao Administrador, que não está (nem a secretária – curioso heim!), e que apenas dali a 6 meses poderão colocar na secretária do dito (imediatamente após a reunião dos comilões de couratos anónimos).
3. Passados esse período, com as perguntas na mão, são recebidos por Sua Excelência, o Emérito Professor honoris causa e são imediatamente informados que a reunião não poderá demorar mais do que 10 minutos pois a sandocha de couratos caiu mal e será necessária uma reunião ao mais alto nível com o grupo de apoio das pastilhas rennie.
4. Nos primeiros 5 minutos, debate-se a aquisição dos últimos modelos de automóveis e 3 minutos da reunião acabar são informados que só será construída a ligação ao aeroporto se a UE enviar umas “massitas” (os dois minutos anteriores foi para mostrar as fotos das novas Suecas de Pernambuco que estão no Elefante Branco, essa grande instituição nacional, digna de nomeação para o prémio Pessoa).
5. Quando saem da reunião começam a fazer as contas, vêm que parte cabe a cada dos fundos da UE e chegam à conclusão que, mesmo inflacionando os custos do projecto – como habitual – os fundos estruturais são uma ninharia. Mal dá para comprar mais uns imóveis em Portugal e Espanha e oferecer o BMW Z4 à amante. Perante esta terrível notícia e consternação geral, aparece o salvador da pátria: “Porque não reanimar o Projecto da OTA, inicialmente discutido em Janeiro de 1974?” (para quem não sabe, foi a primeira vez que este assunto veio a lume). Olhares de espanto! Arregalar de olhos! E de repente... colectivo suspiro de alívio! Sorrisos de cumplicidade! “YESSS” grita-se a plenos pulmões. Finalmente vamos ter um aeroporto internacional (com duas pistas apenas) e um comboio de ligação... FANTÁSTICO!
6. No meio da euforia do grupo, o economista mantém-se calado a olhar para a calculadora e de repente exclama: “E se em vez de um mero comboio, fizermos um TGV a passar por lá? Seremos únicos na Europa e no Mundo e os passageiros demorarão 78 segundos (exagerado, claro) entre Lisboa e o aeroporto a 250 km/h e com a vantagem que nem vêm as barracas que circundam a cidade... não dá tempo?”
7. Entreolhares de ganância! Suspiros de grandiosidade! E decisão final: vamos para a frente... e assim nascem dois projectos em Portugal!!

Ainda bem que pude ir a Londres! Descobri o mistério!

Mas continuemos sobre um S em terras de Sua Majestade...
Apesar de desencorajado pelo impacte inicial o meu peito encheu-se de orgulho quando cheguei à cidade... Afinal os “britishis” são uns parvos e mãos-largas. Então os tipos não só têm o preço dos produtos igual ao nosso e ainda por cima fazem saldos de 50%, 70% e 90%??? E as margens de lucro dos patrões? E a exploração dos cidadãos? E a inflação artificial dos preços para diminuir os salários?

Não percebo! Se eles não exploram o comprador, se os patrões também têm as suas margens de lucro asseguradas, se os salários são mais elevados que os nossos, como é que podem viver???? Como podem ter os preços iguais aos nossos??

Aqui em Portugal a malta zela pelo que é importante e a nossa classe política é do mais evoluído que há, daí estarmos nesta situação de vantagem competitiva!!!

(continuação em breve)
MS (um dos S’s)
publicado por GERAL às 14:17
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1 comentário:
De RdS a 25 de Janeiro de 2006 às 11:56
Foste abençoado, conseguiste sair desta coisa a que chamamos país, mesmo que seja por poucos dias.

Realmente a civilização deve ser uma coisa engraçada, um dia gostava de experimentar viver nela.

Mas coitados dos empresários desse país, como é que eles conseguem sobreviver sem esfolar os funcionarios, sem aldrabarem os consumidores, a pagarem os impostos e terem lucro?

Deve ser de outro mundo!

Espera,não é de outro mundo é um país civilizado.

RdS

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