Sexta-feira, 13 de Outubro de 2006

O Autismo social.

OOOOOOLLLLLLÁÁÁÁÀÀÁÁ!!!!!!!!

 

Caros bloguistas, para mal dos vossos pecados REGRESSEI a este espaço, que tem estado um pouco abandonado, bem sei, de escárnio e mal dizer.

 

Apesar de ter estado afastado da escrita, os olhos e a mente continuaram a observar a terra estranha. Há medida que o tempo passa, fico cada vez mais maravilhado com este promontório da Europa e, pelo o que a nossa comunicação social e o nosso governo dizem, pela senda do novo sucesso económico e social que é, ultrapassando todas as expectativas, digno do século XXIII.

 

Mas, sobre estes assuntos voltarei, oportunamente, para aplaudir o trabalho e o resultado dos nossos líderes, que merecem um destaque especial neste espaço.

 

Em plena época de prosperidade e pujança empresarial, é com alguma estupefacção e mágoa que constato que existe uma certa, como hei-de de dizer, indiferença no ar por parte dos habitantes da terra estranha.

 

Curiosamente, eles continuam a agir de forma pouco condizente com as mudanças que se têm operado e com as perspectivas daquelas que se advinham para um futuro próximo.

 

Vejamos, as pessoas aparentam uma crescente insatisfação, cada vez mais se reprimem nas suas vidas, os conflitos aumentam, tanto no seio familiar como na vida social, os níveis de tolerância estão a bater no seu ponto mais baixo, já não falando no desinteresse generalizado por tudo o que seja política, acções sociais, etc.

 

E Porquê?

 

Sinceramente estou confuso, segundo os analistas e demais “opinium makers” da nossa praça, estamos no bom caminho, aliás o estado em que vegetamos é o único caminho para relançar a “tugólândia” no mundo.

 

Se com este esforço todo estamos nesta situação, o que aconteceria se, porventura (mal estaríamos nós se tal desgraça abatesse no nosso quintal), fossemos confrontados com uma época menos abonatória? Com elevados níveis de desemprego, baixos salários, de chefias incompetentes, de incongruências organizativas, agitação social, fome, saída de empresas do país, deslocação de capitais para o exterior, corrupção……

 

Penso que caímos num novo paradigma – O AUTISMO SOCIAL.

 

Por muito que se faça os resultados são sempre marginais, não satisfazem nunca as expectativas e raramente se avizinha a saída da “desordem global do desenvolvimento”.

 

Se olharmos para as características do autismo e inferirmos na sociedade “tuga” facilmente encontramos muitos paralelismos, vejamos algumas características do Autismo:

 

  • Dificuldade na interacção social:
    • Dificuldade em fazer amigos;
    • Apresenta dificuldade em compartilhar suas emoções;
    • Dificuldade em demonstrar reciprocidade social ou emocional.
  • Prejuízos na comunicação:
    • Para aqueles onde a fala é presente, verifica-se uma grande dificuldade em iniciar ou manter uma conversa;
    • Uso estereotipado e repetitivo da linguagem;
    • Falta ou dificuldade em brincadeiras de "faz de conta".
  • Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses e actividades:
    • Preocupação insistente com um ou mais padrões estereotipados;
    • assumir de forma inflexível rotinas ou rituais (ter "manias" ou focalizar-se em um único assunto de interesse);
    • preocupação insistente com partes de objectos, em vez do todo (fixação na roda de um carrinho, por exemplo).

Isto não é familiar?

 

Porque será que acontece?

 

Ou será que também estamos perante um caso de Autismo Governamental?

 

Aprofundemos:

 

Comecemos pela dificuldade na interacção social, se aparentemente qualquer um de nós diz que conseguimos fazer amigos, o que constato é que a especialidade na “tugólândia” está em fazer contactos, isso sim onde não se partilham emoções nem pensamentos e sim troca-se “ideias feitas” e de “socialite”. A reciprocidade assume uma nova postura que se caracteriza em “sacar o máximo e dar o mínimo”.

 

Ao nível da comunicação o que dizer, quem não apresentar comportamentos padronizados e não comunicar através de “chavões” aceites universalmente é marginalizado. Quem pensar pelo seu próprio pensamento é no mínimo excomungado, não queremos “choques” de comunicação, sob pena de levar à terrível consequência – O Pensamento.

 

Por último, padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses e actividades, aqui encontramos claramente inúmeros exemplos. Tudo é estereotipado, tudo assenta em rotinas, desde a simples conversa mundana ao jogo de futebol, inclusive no coito.

 

Além disso cada vez mais nos preocupamos em “focalizar”, “especializar”, “nichos de mercado”, em vez de olharmos para o “todo” e daí iniciar as estratégias, planos, actividades, etc…

Enfim fico-me por aqui.

 

Até à próxima.

 

RdS

publicado por GERAL às 10:36
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