Segunda-feira, 6 de Novembro de 2006

Gestão do Caos na Terra Estranha.

Saudações a todos!

 

A Física, uma das ciências mais importantes da humanidade, com grandes princípios e grandes teorias, muitas das quais têm vindo a ser alargadas e aplicadas a diversos domínios e outras ciências do mundo. Uma das mais interessantes é a Teoria do Caos que, muito resumidamente, tenta explicar o acaso, muito aplicada no estudo de fenómenos naturais.

Uma das mais conhecidas bases desta teoria é o chamado "efeito borboleta", teorizado pelo matemático Edward Lorenz, em 1963. Que defende, de forma ilustrativa, que o bater de asas de uma simples borboleta pode influenciar o curso natural das coisas e, assim, talvez provocar um tufão do outro lado do mundo.

O que é que isto tem a ver com Gestão?

 

Tem tudo, na terra estranha vivemos no perfeito Acaso, por acaso encontramo-nos, por acaso vamos votar, por azar, quer dizer, por acaso temos os líderes que temos e por aí fora.

 

Como não temos cultura de planeamento, o que por si só implica que exista uma visão que também não temos, vivemos do Acaso.

 

Logo, é fácil concluir que a Gestão e a Física Quântica na terra estranha têm muito em comum, ambas desenvolvem a sua doutrina no Acaso!

 

No entanto, ainda ninguém se debruçou a sério sobre isto. Lapso terrível! Como é que vamos conseguir viver nesta confusão!

 

Calma, pode não existir ainda uma teoria da Gestão do Caos aplicada à Terra Estranha, mas temos anos, séculos e porque não dizer, milénios!, de prática nesta matéria. Os nossos líderes, sejam eles gestores de empresas, economistas, opinion makers ou políticos, são versados, não! Espera, são especialistas, seriam de renome mundial, verdadeiros Gurus da Gestão do Caos se Portugal fosse mais reconhecido nos meios académicos do planeta.

 

Obviamente que nem todos se podem incluir neste saco. Alguns, as ovelhas negras, têm aplicado e, pior ainda, pensam que podem aplicar os paradigmas da Gestão neste canto do mundo. Por Acaso, estão a ver como uma teoria desta natureza é importante?, até se têm safado muito bem, mas só por acaso.

 

Mas, voltando à Teoria da Gestão Caos na Terra Estranha, como estava a debitar, somos realmente exemplares neste assunto. Mas em que é que se baseia a Gestão do Caos?

 

Ao contrário da Física, na terra estranha não se procura prever o Acaso, mas sim viver bem com ele ou de preferência viver dele. Claro que, como todas as teorias, existem alguns postulados importantes, em que é que consistem?

 

Vou já responder a isso, Princípios da Gestão do Caos na Terra Estranha:

 

1)      Nunca ter uma Visão do futuro.

 

Se o futuro é incerto e se tudo acontece por Acaso, para quê andar com ideias absurdas de ter uma Visão? Francamente, numa empresa o que interessa é o dia a dia, perder tempo em definir coisas como – como será a minha empresa daqui a 10 anos? Ou que rumo deverá seguir o país na área da saúde nos próximos 15 anos? – é perder tempo!

 

Estas coisas não interessam nada, o que interessa é ir fazendo qualquer coisa e logo se vê.

 

2)      Nunca definir Estratégias.

 

No caos não se definem estratégias, tenta-se sobreviver e….pouco mais.

 

3)      Nunca Planear.

 

O planeamento, evidentemente, não existe. O que existe são meras abordagens utópicas da designação de plano. Quanto muito, talvez este seja um ex-líbris, o que existe é o plano horizontal. Normalmente desenvolvido pelos dois elementos de sexo oposto.

 

4)      Objectivos.

 

Aqui sim, a verdadeira natureza da Gestão do Caos na Terra Estranha. Tudo e todos têm objectivos. Obviamente em consonância com a Visão, a Estratégia e o Plano. Este alicerce fulcral, é de longe, só mesmo comparável com o acessório, dos pontos-chave de toda esta Teoria, o mais importante.

 

É extremamente importante fixar objectivos, de preferência Hercúleos, se possível contraditórios e, aqui sim a cereja no topo do bolo, impossíveis de realizar. Sem isto não há organização que resista na Terra Estranha.

 

5)      Recursos.

 

Este ponto é sensível, imprescindível mesmo. Qualquer bom Gestor do Caos tem de gerir muito bem os seus recursos, principalmente a Agenda. O Outlook e os pocket PC’s assumem, hoje em dia, um papel determinante.

 

Os contactos, vulgarmente conhecido por networks, são extremamente importantes. Os Almoços, o Golf, o Ténis, a Bola, o carro de topo de gama, os gadgets, etc, são o motor dos negócios.

 

Tudo o resto é secundário.

 

6)      Controlo.

 

Igualmente importante, nada escapa ao bom Gestor da Teoria do Caos, para isso ele aplica a seguinte Máxima: relatórios só de uma página, A5, com o resumo importante da empresa: Volume de negócios, dinheiro à ordem nos bancos e número de trabalhadores a despedir.

 

7)      O Acessório.

 

Uma boa performance está, obviamente, ligada a uma implacável gestão do acessório. Nada de excessos ou pequenos luxos. Alguns exemplos ilustrativos:

 

Recursos Humanos, uma verdadeira praga, sorvedouro de recursos financeiros e não só.

Nunca se deve pagar acima do salário mínimo nacional, prémios só quando for absolutamente impossível de disfarçar os lucros e mesmo assim, os menores possíveis.

 

O único RH realmente imprescindível, para além do(s) Gestor(es) é a secretária.

 

Equipamento, outra praga com custos inacreditáveis: gastar dinheiro em mobiliário, pc’s, iluminação, comunicações, regalias, ou outros luxos prescindíveis é um erro. Quem quiser trabalhar que traga as coisas de casa, era só o que faltava a empresa ter de esbanjar recursos financeiros em algo mais do que providenciar espaço.

 

Só para quem é imprescindível é que existe excepções. Aí sim, todos os gastos são poucos.

 

Claro que estes princípios não explicam tudo, ainda há mais, muito mais mesmo, mas por hoje chega. Voltarei a este assunto oportunamente. Até lá desejo a todos

 

UMA BOA GESTÃO DO CAOS!!!!!

 

RdS

Ostres.s33@sapo.pt

publicado por GERAL às 12:47
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1 comentário:
De MS a 6 de Novembro de 2006 às 13:28
Pois... referiste mais umas quantas palavras que entram, com honra e distinção, na secção das palavras proibidas... excepto CAOS, sinónimo real da palavra governação em Portugal.

Por outro lado, o matemático estava errado apenas num pequeno aspecto: é que se a borboleta bater as asas, não provoca um tufão... provoca apenas mais uma decisão governativa em Portugal o que, bem vistas as coisas, vai dar ao mesmo.

MS

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