Quarta-feira, 15 de Novembro de 2006

Notas soltas

Ora bom dia aos visitantes deste espaço.

Pois é...já há algum tempo que aqui não vinha. Confesso que tinha saudades. Mas o ritmo de trabalho e a momentânea desinspiração levaram ao hiato de tempo registado entre a minha ultima crónica e esta que humildemente deixo hoje aqui.

Não me vou debruçar sobre nenhum tema em particular. Vou apenas deixar aqui algumas reflexões sobre o que se vai passando em Portugal, e também no mundo. Já que estamos na era da chamda globalização, falar do nosso país torna-se um pouco redutor. Mas começo de facto por aqui:

* Função pública

Pois é...tanto que se podia escrever aqui sobre esta..coisa ...da função pública. Sim, concordo que a culpa, não morrendo solteira, e sendo acima de tudo, da responsabilidade dos nossos (geralmente maus) governantes, existe no funcionamento e na atitude de muitos funcionários públicos. Não são meras opiniões. São factos acontecem na vida dos portugueses, e que inclusivamente eu já sofri (literalmente).

O problema da função pública é que a generalidade da mesma não conhece o termo "concorrência". Não têm a noção que para terem sucesso e serem viáveis têm que ser melhores, ou mais competitivos do que o vizinho do lado. Trabalhando, como trabalho, no sector privado, eu sei que os clientes da minha empresa, os tais que me pagam e aos meus colaboradores o salário, têm que ser convencidos que nós somos melhores do que os outros. E se não formos, então corremos o risco de estar fodidos, passe o termo.

É claro que isto da concorrência tem muito que se lhe diga, e não é líquido que per si, a coisa fique melhor para os clientes, nomeadamente no que se refere a sermos beneficiados com preços mais competitivos. Já foi aqui comentado noutros artigos, e não me vou estender muito mais em relação a isso. Mas que a concorrência traz, na generalidade, benefícios para as pessoas é um facto. Na generalidade, repito.

Ora isto não acontece na função pública, onde de facto não há termo de comparação. E como não há termo de comparação e não estão própriamente com a cabeça na guilhotina qual Marie Antoinette, sabem que de uma maneira ou outra podem fazer a chantagem que querem.

Vejamos um exemplo típico: Os professores. A chamada FENPROF, entidade ABUSADORA e que só defende o que lhes convém (sim o que lhes convém, nada de defender por exemplo os alunos, talvez a peça mais importante do ensino em geral) tinha até há pouco tempo qualquer coisa como 1300 associados. Ou seja, 1300 pessoas activamente sindicalizadas, pagas pelo erário público, que reclamavam isto e aquilo do Governo, do Estado, enfim, dos portugueses. Os professores são uns coitadinhos? Estão constantemente em risco de terem esgotamentos como é sabido por todos nós? Eu apenas quero apontar uma ou duas coisas em relação a isto. Um professor é BEM PAGO. Sim, leram bem, é BEM PAGO. Se não nos primeiros anos, após alguns a leccionar ganha relativamente bem. Mas façamos as contas - um professor, ao que sei, trabalha activamente (ou seja, dá aulas) cerca de 10-20 horas por semana. Eu e a maioria das pessoas nunca, mas mesmo nunca, menos de 35 horas semanais. Sem direito a horas extraordinárias, que isso, a não ser em certos sectores da função pública (como os professores) não existe. Depois, os profs têm entre 3 a 5 meses de férias. Ele é férias de verão, férias da Páscoa, férias de Natal, férias de Carnaval, e claro, os dias de greve que não são assim tão poucos. Trabalham em casa? Sua obrigação. Que compense as poucas horas, sempre intervaladas de pelo menos 10 minutos para descanso, que passam no local de trabalho. E quanto a trabalhar em casa, eu também o faço. Têm uma actividade difícil ao aturar os fedelhos e ficam doentinhos da cabeça? Eu também conheço fedelhos que ficam doentinhos da cabeça com os professores que têm (já vos contei que tive uma professora de português que escreveu no quadro o verbo haver sem "h"?). Assim como conheço pessoas que ficam doentinhos com os patrões que têm. Ou colegas. Ou clientes. Ou governos. Agora dividam o ordenado que usufruem pelas horas de trabalho. Mal pagos? Mal paga é a generalidade da população..

Bem, a minha crítica aos professores, tal como hoje em dia eles se comportam, está feita. Não quero com isto dizer que todos os professores são maus. Como em qualquer profissão há aqueles que são bons, alguns que são mesmo muito bons, mas não é o ser bom que está aqui em causa.

O resto da função pública? O resto é muito vago. Há serviços que funcionam, outros nem tanto. Mas usufruidor como sou de serviços públicos, detecto muitas mais anomalias do que em empresas privadas. Muitas mais, a primeira das quais nos atendimentos. Desde ficar à espera que me atendam enquanto a pessoa que me deveria atender rápida e eficazmente ter uma conversa com a colega sobre a telenovela durante 10 minutos antes de me atender, ao facto de ser mal-educadamente atendido por muita gente de serviços públicos. Pois é...precisamos deles. Não há concorrência.

9/11

Americanizados como cada vez mais estamos (coca-colas, Mc Donalds, Microsofts, Hollywood e demais) o 9/11, ou melhor, o "nine-eleven" é um dos tópicos que vem sempre à baila de tempos a tempos. Falo, claro está, do ataque às torres gémeas, etc e coisa e tal. Ora bem, eu sou português, e como tal europeu. E 9/11 para mim é 9 de Novembro, não é 11 de Setembro. E 9 de Novembro é uma data tão ou mais importante que o "nine-eleven". Não se lembram? Fez na 5ª feira passada, 9 de Novembro de 2006,  que se passaram (e se deviam ter comemorado por toda a parte) 20 anos da queda do muro de Berlim. Ou seja, o começo do verdadeiro declínio do bloco soviético e suas repúblicas ditas democráticas afins. Aquele que era o muro da vergonha e símbolo da desgraça, foi pura e simplesmente deitado abaixo por uma população (a do lado de lá, obviamente) que se fartou desse regime. No fundo, o regime acabou por cair de podre. Como podre sempre foi desde o início. Para quem não se lembra, há pouco mais de 20 anos atrás, o mundo em geral vivia o MEDO constante de um qualquer energúmeno premir um botão e o planeta pura e simplesmente extinguir-se. O medo, esse medo, já lá vai. Mas que existia, lá isso existia. E muitas eram os documentários, notícias e filmes (lembram-se do "Day After", do "War Games" ou do "A teia") que prognosticavam o fim do mundo. O mundo está mais perigoso agora? No minimo discutível. E se estiver mais perigoso é porque não sabemos quando é que um estafermo com um turbante na cabeça se decide a explodir-se (e aos outros em redor) num qualquer lugar do mundo.

Barcelona

Tive a oportunidade de em Outubro passado, visitar de férias a cidade de Barcelona pela primeira vez. Gostei. Gostei muito. É uma cidade muito bonita, cheia de quarteirões bem esgalhados, onde as ruas têm passeios sem carros e estão devidamente arborizadas. A cidade é um misto de zonas antigas e modernas, mas existe uma harmonia, e um aproveitamento de espaços por toda ela. Algo que, por mais que queira não consigo encontrar em praticamente nenhuma cidade portuguesa. E Barcelona tem 3 milhões de habitantes. E candidatou-se, e ganhou os jogos olímpicos de 1992. E tem um ritmo empresarial de fazer inveja a qualquer outra cidade na europa. Cada um tem o que merece, como se costuma dizer. Barcelona tem o Gaudi, arquitecto, com edifícios por toda a Barcelona muitos deles classificados como património mundial, e Lisboa tem o Taveira. Os famos de Barcelona são o Picasso, o Dali e o Miró (entre outros) e os de Lisboa são a Elsa Raposa, a Lili Caneças, ou a Floribella. Palavras para quê?

Kubrick

Adepto feroz de cinema como me considero, é sempre com enorme prazer que vejo um filme bom, ou que me diga algo. Aconteceu há 2 semanas, no canal, disponível na TV Cabo, do TCM. O TCM é um canal onde exclusivamente passam filmes, com o problema (ou não) de não estarem legendados. Há duas semanas tive a oportunidade de revêr o "2001 - Odisseia no Espaço" do mestre Stanley Kubrick. Opiniões podem haver muitas, como é lógico, mas a beleza subliminar da 7ª arte encontra-se aqui em todo o filme. É um portento. E Kubrick, infelizmente já desaparecido, deixou-nos verdadeiras obras-primas como não só o 2001 mas também o "Laranja mecânica", o "Barry Lindon", o "Shining", a "Lolita", o "Dr Strangelove" entre outros. Não ganhou, que eu saiba, nenhum óscar para melhor realizador, nem acho que tenha sido até à data agraciado com um Oscar post mortem de carreira. Injustiças em Hollywood é mato, como se costuma dizer. É por isso que o "Apocalypse Now" perdeu para o "Kramer contra Kramer", o "Pulp Fiction" perdeu para o "Forrest Gump" ou o "Saving Private Ryan" perdeu para aquela coisa estrambólica chamada de "Paixão de Shakespeare". Injustiças não acontecem só em Portugal.

Quaresma

Para aqueles que se deram ao trabalho de ler artigos meus de há uns meses, sabem que sou um fervoroso adepto do jogador em referência , tendo achado em devida altura que houve uma grande injustiça (lá está, em Portugal) e mesmo cegueira por este não ter sido convocado para o Mundial. Eis enfim que aparece a convocatória para o jogo de hoje contra o Cazaquistão. Provávelmente não vai ser titular. Não que não mereça. Mas já é bom estar nos convocados, e poder proporcionar aos que gostam de futebol (não aos que gostam de discutir futebol), jogadas, fintas e golos que não estão ao dispôr de qualquer um. Scolari, o publicitado, o tal que recebeu ao que dizem 16 milhões de Euros (???) da Caixa Geral de Depósitos - empresa PÚBLICA - lá abriu os olhos. A bem da nação, que isso dos 16 milhões de euros nem se podia discutir publicamente. Tradicional inveja portuguesa? Nada disso. Tradicional estupidez tuga, com ares do lado de lá do Atlântico.

Plágios, mulheres, islamismo e hipócrisquerda

Numa altura em que se fala muito de plágios, muito à mercê do conhecido processo do Miguel de Sousa Tavares (desde já escritor e "opinion" maker que admiro) venho aqui dizer que não tenho problema nenhum em plagiar ou defender opiniões que outros escrevem e sustentam. Basta que me identifique com elas. E no outro dia, estava eu a ler o "Correio da Manhã", ultima página, onde diáriamente escreve um senhor chamado Ferreira Fernandes (FF). Escreve artigos curtos, mas que por vezes me deixam a pensar. E como tal, não plagiando, o FF escreveu que em Barcelona, houve algures há umas semanas um congresso de mulheres islâmicas. Básicamente foi um congresso onde se discutiram e onde se defenderam os direitos das mulheres de orientação religiosa islâmica. Direitos esses que passam por não haverem "coisas" como as que existem actualmente e por todo o lado no mundo islâmico. Coisas como a excisão do clitóris, como a poligamia - a história de um homem poder ser casado com 4 mulheres (na minha humilde opinião, se calhar a única coisa que nós, homens europeus, poderíamos aproveitar da actual cultura islâmica) e o contrário não acontecer, como o apedrejamento em praça pública de mulheres que cometeram adultério, como a utilização da pílula, como o direito ao trabalho, como tanta, mas mesmo tanta coisa que, felizmente para as mulheres do mundo dito ocidental, são um facto aqui do lado "não islâmico". Dizia FF que a extrema esquerda, tão hipócritamente defensora dos direitos das mulheres em Portugal (vidé aborto, ou a defesa de quotas mínimas no parlamento) nem sequer ousou em comentar esse congresso. Terminava FF a dizer que no mundo islâmico, os amigos da extrema esquerda não eram as mulheres (de quem, com as suas ideias progressistas, sempre acatam uns votitos a mais aqui na Tugolândia), mas sim os homens. Brilhante artigo FF. Nós não nos podemos esquecer que quem é contra o grande "Satâ" terá sempre a simpatia ou o apoio da extrema esquerda. O grande Satã, esse país também conhecido como Estados Unidos da América, onde situações atrozes como a ditadura, o não direito ao voto, a censura e a falta de liberdade contrastam com os regimes ultra-democráticos da Coreia do Norte ou de Cuba. Para quem se quiser dar ao trabalho, releiam o artigo que escrevi intitulado "hipócrisquerda". Qualquer semelhança não é mera coincidência

 

E pronto meus caros, hoje fico por aqui. Já vai longa a vossa paciência para tudo o que acima foi escrito.

Abraço grande

JLM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por GERAL às 09:14
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1 comentário:
De GERAL a 16 de Novembro de 2006 às 17:45
Ena!

É o que se chama de regresso em grande. Isto obriga-me a comentar por partes:

1) A Função Pública, pois é, muito coisa se tem dito. Bem vou só dizer mais 2 ou 3. Realmente só existe 1 Estado, mas será que não existe concorrência? Ou melhor, será que não existe outro tipo de concorrência dentro do Estado?

Infelizmente o Estado está pejado, atulhado, ou melhor, entupido de partidaristas e respectivos boys. Portanto se calhar existe muita concorrência, não a desejada, infelizmente, mas existe. O problema é que essa concorrência não possuí os alicerces tipicos, como a eficiência ou a produtividade. Tem outros muito importantes, não para o país nem para os tugas em geral, como por exemplo o "Amigo" ou o "Boy" ou outra trampa qualquer.

Portanto o problema não é de "concorrência" (está entre aspas porque não é a concorrência típica) e sim o excesso de "networking". Existem tantas redes que já está tudo num caos e nós a pagar esta merda toda.

2) Sindicalismo, esse grande grupo de networking, outra merda deste país. Mas enfim é o que temos, só há uma correcção a fazer, não é o errário público que paga, são as quotas, ou seja por quem desconta. Agora se disseres que lá por pertencerem à merda do sindicato têm de ter determinadas regalias, como poder faltar ao trabalho para reuniões e coisas desse género..... Já agora estendesse aos partidos. Porquê que os candidatos e seus michachos podem ter 1 mês de balda para campanha?

Isto sim, é gozar com o resto da malta. Vão fazer reuniões e campnhas fora do horário de trabalho!

3) Quanto ao 9/11 ou 11/9, para mim representa apenas mais 1 exemplo da capacidade entrópica do sistema americano..

4) Kubrick, outro bom exemplo do melhor e do pior nos EUA. Adoro os filmes e pelos vistos o reconhecimento é global, ou seja, a mediocridade é que acaba sempre por imperar.

5)Islamismo. Sinceramente nem tenho palavras para descrever a estupidez de determinados actos que são cometidos em seu nome. Deixo apenas 1 exemplo e acho que deve ser seguido pelos restantes paóises: Os EUA tiveram a coragem de condenar 1 besta muçulmana que foi o responsável (era o pai, se é q se pode chamar pai) pela mutilição genital de uma míuda. Dou os meus parabéns à justiça Norte Americana e acho que deve ser 1 exemplo a ser seguido pelos restantes países, incluindo o nosso.

RdS

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