Segunda-feira, 20 de Novembro de 2006

Não há mercado!

Bons dias/tardes/noites.

 

Há já uns anos a esta parte, com particular incidência para os últimos meses, venho ouvindo, como desculpa para o nosso Não avanço económico, dizer que temos um mercado pequeno.

 

Qualquer líder que se preze da Terra Estranha diz “à boca cheia”: “O nosso problema (o do país) é não termos dimensão”, “Somos pequenos e Não temos mercado” ou, ainda, “Não temos Massa Critica Suficiente”. Isto é veiculado por todo o tipo de gente importante e menos importante.

 

Mas são unânimes, Não Há Mercado!

 

Mas será que não temos mesmo Mercado?

 

Vejamos, Temos uma população de 10,6 Milhões. Ok! Parece que somos poucos. Olhemos agora para outros países desenvolvidos, normalmente considerados como ponto de referência de bem-estar económico e social e com mercado, com empresas muito competitivas e de classe mundial:

 

            - Suécia – 9 Milhões;

            - Noruega – 4,6 Milhões;

            - Dinamarca – 5,4 Milhões;

            - Finlândia – 5,2 Milhões;

            - Holanda – 16,3 Milhões;

            - Bélgica – 10,5 Milhões;

            - Luxemburgo – 0,5 Milhões;

            - Áustria – 8,2 Milhões;

            - Suiça – 7,4 Milhões.

 

Não oiço dizer que eles não têm Mercado. Parece que não se queixam do seu Mercado diminuto, foram à luta e conquistaram o seu mercado, o seu lugar no mundo.

 

Continuando, como não temos mercado, vem logo à ideia, como grande panaceia para este problema, a Espanha. Esses sim, têm um mercado imenso, mas não ficamos por aqui. De Espanha, o que interessa mesmo é o mercado de Madrid. A Meca do mercado Ibérico.

 

Com tanto que se tem dito e se tem falado, de facto cada vez mais estamos virados para Madrid. Todas as políticas estão viradas para Madrid. Desde a Logística / Transportes, Indústria, Comércio, Bolsa, Banca, Construção Civil, Saúde e mesmo a Cultura, tudo está centrado em chegar e ficar com uma fatia desse imenso Mercado de Madrid, que representa…. 6 Milhões de consumidores.

 

Genial! Portanto, as nossas mentes iluminadas desprezam 10 Milhões para ir lutar por um nicho muito importante de 6 Milhões.

 

Isto faz sentido. Sim senhor!

 

Para isso, toca a desprezar a nossa histórica vertente Atlântica. As nossas relações com pequenos países, de economias débeis (é verdade), com mercados pouco atractivos, como por exemplo:

 

            - Brasil – 184,2 Milhões

            - Angola – 15,4 Milhões

            - Moçambique – 19,4 Milhões

 

Sem falar noutras vertentes atlânticas, como os pequenos nichos de mercado da América do Norte – 329 Milhões; América do Sul – 373 Milhões; Caraíbas – 39 Milhões e  América Central – 147 Milhões.

 

Ou da África, como a Africa do Sul – 46,9 Milhões e Marrocos – 30,7 Milhões, por exemplo, com quem temos um passado (pelos vistos insignificante) de relações tanto comerciais como culturais.

 

Ou ainda a pequena Índia – 1, 104 Biliões, uma História já completamente esquecida, tivemos lá, lembram-se?

 

Mas isto tudo é conversa fiada de quem não percebe nada do assunto, o importante é virarmo-nos para Espanha, quer dizer, Madrid, o resto não interessa, e conseguir uma fatia do seu imenso mercado, talvez ½ milhão (curiosamente nunca ninguém diz qual a meta ou o objectivo a atingir desse mercado, queremos qualquer migalhita, não importa o número).

 

É com este desiderato importante, Madrid, que vamos conseguir massa critica suficiente para nos desenvolvermos e para expandirmos comercialmente e economicamente esta Terra Estranha.

 

Só não percebo o que é que o Espanhóis vêem neste canto da Europa, neste nicho insignificante de mercado, com falta de oportunidades e sem massa critica para crescer?

 

Realmente devem ser uns tipos estranhos, tanto investimento em Portugal, porque será?

 

Nós só temos o Atlântico e uma suposta vocação Atlântica. Muito esquisito.

 

RdS

publicado por GERAL às 09:30
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