Sexta-feira, 12 de Janeiro de 2007

Despenalização do Aborto.

Cumprimentos!

 

Estamos em plena época de mais um referendo. Será que desta vez os habitantes desta Terra Estranha vão-se dar ao trabalho de irem colocar a cruzinha?

 

Já agora coloquem no SIM!

 

Não tenham medo, a Lei não vem com retroactivos.

 

Serve apenas para acabar com a hipocrisia de se penalizar algo que é feito sem as mínimas condições.

 

Este assunto merece um pouco mais de detalhe, debrucemo-nos um pouco sobre o Não.

 

Como é que ainda, em pleno século XXI, temos alimárias supostamente pensantes que são contra a despenalização de quem faz um aborto?

 

Devem pensar que quem procura esta solução tem um certo prazer ou que é completamente destituído de tudo o que são valores humanos. Ou então, este é o verdadeiro pecado, a pessoa andou a “brincar” aos “papás e às mamãs” de forma descuidada e com qualquer um.

 

Era só o que faltava! Pensam que podem andar a fornicar como coelhos por aí?

 

Isso não pode ser! As sagradas escrituras proíbem! A cópula é só para reprodução! O resto é luxúria, Má Vida!

 

O mais vulgar é ouvir-se dizer: “São umas putas! Umas galdérias!”

 

Pois bem, lamento, mas a realidade não é assim. Quem tem o desprazer de ter de recorrer a esta solução não é por gosto ou por outra qualquer razão absurda que, normalmente, as mentes depravadas condenantes pensam (esta gente pensa mesmo?).

 

Mas o curioso disto tudo é que muitos dos que são a favor do Não até já passaram por esta situação e, pior, alguns até a originaram e a financiaram. Sabe-se lá em que condições e com que resultados.

 

Pois é, a hipocrisia no seu melhor!

 

Mas mesmo assim, lá andam, em movimentos supostamente vocacionados para a “vida”.

 

Outra chalaça engraçada. Vamos defender a vida! Mas durante o resto das nossas vidas borrifamo-nos (para ser mais realista devia dizer – cagamo-nos) para os outros. Quando vemos um mendigo, afastamo-nos para o outro lado do passeio; quando despedimos 300 ou mais trabalhadores, dizemos: azar! São as leis do mercado; quando vendemos armas, dizemos: as armas não matam, o que mata é o homem; quando vemos famílias a passar fome, dizemos: vai trabalhar vagabundo, mas se ele for à procura de emprego dizemos: lamento, mas o senhor não tem habilitações suficientes; quando vemos a merda em que esta sociedade se tornou, ouvimos: “foi vontade de deus”.

 

Mas entranhando mais um pouco nesta nojice do Não, vamos só tentar entender como funciona o cérebro de um apoiante deste movimento:

 

Portanto, ele ou ela quando sabe que houve um aborto deve pensar (ou algo semelhante a pensamento, provavelmente será mais um tipo de cólica intelectual, os neurónios de repente tiveram um pesadelo) em algo do género: “Puta! Andou a fornicar (isto para não recorrer ao palavrão) de qualquer maneira e agora quer ver-se livre do empecilho. Desgraçada, só pensa nela, só pode ser para não ficar com barriga. O que ela quer é andar metida com homens. E a criança? Galdéria!”.

 

Portanto, para estas pessoas não existem outras razões. Mesmo as questões financeiras são minimizadas. Por exemplo: “Onde comem 10 comem 11! Vão trabalhar!”.

 

Isto é profundo!

 

Supostamente, preocupam-se mais em condenar a prática sexual e os recursos financeiros, escudando-se na nobre virtude do valor da vida humana, do que em resolver os problemas, as causas ou as razões de tal acto. O que é que essa gente faz?

 

DIZ NÃO À DESPENALIZAÇÃO DO ABORTO.

 

Ponto final! Como grande solução apontam: ABSTENÇÃO, sexual! Isso sim é importante. De resto não fazem mais nada.

 

Enfim, abstenção sexual, vale a pena comentar?

 

Hum! Por agora chega. Fica para outro artigo.

 

Deixo só um último suspiro. Domingo, dia 11, vão votar. A abstenção é pior ou igual ao voto no Não.

 

RdS

publicado por GERAL às 15:17
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12 comentários:
De joana a 12 de Janeiro de 2007 às 15:47
pela 1ª vez, nas visitas aos blogs q falam de aborto,fiquei impressionada! Concordo com tudo o q escreveu!haja alguem q fale!
De Bidrus a 31 de Janeiro de 2007 às 15:43
Devo te dizer que não concordo minimamente com o teu ponto de vista.
E a despenalização do aborto não é a única coisa com que discordo de ti, acho também que não sou a única pessoa com mais de 2 neurónios no mundo e aceito a opinião dos outros como legitima, quer concorde ou não, quer a ache fundamentada ou não. Entendo um pouco autista de tua parte pensares dessa forma... mas estás no teu pleno direito!
Depois o único argumento valido que apresentas-te foi a da existência de falta de condições para a pratica de aborto clandestino. (cujas instalações devem ser desmascaradas e os responsaveis detidos)
Mas depois disto os teus argumentos foram bastante fracos, centras-te o teu discurso à volta da opinião da religião católica, que é só uma associação de pessoas, e de forma alguma representa a opinião de todas as pessoas que vão votar não.
Para além disto como deves saber mesmo os católicos até os praticantes não concordam com tudo o que a Igreja diz, muito menos no que diz respeito a problemáticas altamente pessoais como esta. E os paladinos do sim usam com muita frequência o “extremismo” da igreja católica para generalizar o movimento do não, o que é altamente errado e negativo para a opinião publica.
Dizes ainda que ao dizermos que estamos a defender a vida estamos a ser hipócritas, pq no dia a dia são despedidas pessoas e há mendigos etc...
O que é que tem a haver uma coisa com a outra?
Sou o primeiro a admitir que há graves problemas sociais no PLANETA, e temos de lutar para os corrigir, mas em que é que o não ou o sim vão contribuir para os melhorar?
O que eu não concordo, é que para defender o direito à escolha de uma pessoa que teve oportunidade de escolha (a mãe) pois em caso de violação já está despenalizado o aborto, tiramos a oportunidade de viver a uma pessoa que está ali sem ter pedido, sem ter culpa nenhuma e sem opção de escolha.
E se vamos entrar na opção de escolha individual temos de despenalizar as drogas seja levas seja duras porque cada um escolhe o que quiser, entre outras problemáticas idênticas que não necessito com certeza de começar a enumerar.
Para mim a mulher tem vindo a ficar cega pela justa igualdade de direitos e habituou-se a estar no papel de vitima, e como tal acha que é egoísmo da sociedade em não a deixar-mos escolher se quer ter o filho ou não.
Pois eu acho que ela se quer escolher que escolha a pílula que quer tomar, a cor ou sabor do preservativo que quer que o parceiro use e tenha a relação sexual, que eu acho super saudável e quanto mais melhor.
Agora depois de ter optado ter a relação sexual, tem de assumir juntamente com o parceiro as consequências dos seus actos, e se engravidar deve assumir os seus filhos.
Não podemos embarcar na Hipocrisia de para dar liberdade de escolha à mulher, não dar sequer uma hipótese ao filho que ela conscientemente gerou. A esta Hipovrisia eu digo não, o Ser vivo mulher não é mais digno do que o Ser vivo filho. É preciso ter coragem para assumir as consequências dos nossos actos.
De MS a 31 de Janeiro de 2007 às 17:13
Caríssimo Bidrus (curioso o nome... é de algum anti-concepcional de inteligência?)

Não vou tomar como minhas as dores do autor do texto mas como eu e o autor partilhamos de opiniões idênticas, não vem nenhum mal ao mundo em responder!

Começo por lhe perguntar uma coisa caro Bidrus (de facto o seu nome é estranho! É a versão curta de “Bird droppings”?), uma mulher resolve decidir e escolhe, por exemplo, a pílula da marca Minulete (existe esta marca... a minha mulher compra), toma a respectiva e sai com uns amigos (devo dizer-lhe que a mulher é bonita, solteira e está lavadinha... sem problema nenhum), bebe uns copos e cai de amores por uma noite por alguém, digamos, o caro Bidrus (lá vem o nome outra vez...). Acorda no outro dia, olha para o lado, está num quarto estranho, passou a bebedeira e depois do choque inicial de ver alguém como, digamos, você ao lado a dormir de boca aberta, levanta-se, veste-se e foge... ai! Não era isso... saí e vai para casa. Passa umas semanas descansada, esqueceu o assunto e depois o período não aparece... hummm... é só um atraso, embora para quem tome a pílula não costuma acontecer. Mais uns dias e nada! Preocupação! Faz o teste predictor (vende-se na farmácia) e verifica que está grávida... Corre para o folheto informativo da pílula e verifica que está lá escrito que a pílula não é 100% eficaz e que pode falhar por variadíssimas razões. Nesta caso caríssimo Bidrons, a mulher exerceu o seu direito de escolha do anti-concepcional mas ficou grávida... tem ou não o direito de escolher outras alternativas (caso o queira fazer) sem ter medo de arriscar a uma pena de prisão?

Tanto eu como o autor do texto não defendemos o SIM para que este se torne, em sim, um método anti-concepcional. Aquilo que defendemos é que todos têm a liberdade de escolha e alternativas à sua disposição, sem medo de represálias criminais, mesmo que não queiram seguir essas vias.

Por outro lado, tenho assistido à mistura do SIM com o “vamos agora liberalizar a cocaína ou o haxixe” mas é no mínimo imbecil. Sabe uma coisa? Cocaína cria habituação, é um vicio mas que eu saiba abortar não deve dar gozo a ninguém e se uma mulher disse “Hoje estou em ressaca, não faço um aborto há 3 dias” necessita de ajuda psicológica imediata e gratuita... urgente, eu diria.

É curioso como os defensores do NÃO, paladinos da verdade e da moral, preferem retirar o direito de escolha, o acompanhamento para se certificar que o aborto é o melhor caminho, a saúde das mulheres, etc pela janela, à semelhança das melhores práticas de Torquemada, esse grande profissional da Inquisição espanhola de séculos passados. No limite, creio que os defensores do NÃO deveriam impor um julgamento às mulheres: atiravam-nas para dentro de um poço, as que soubesse nadar seriam depois queimadas pois tinham feito um aborto e como ficavam mais leves flutuavam, as que se afogavam... bem, afinal não tinham feito mas tinham ido para perto dos anjinhos e estavam melhor assim!

Sobre as questões da Igreja, bem... alguém que proibe a utilização de métodos anti-concepcionais (excepto os naturais... como o não fazer nada.... no sex, no problem) e que com isso fecha os olhos à disseminação de doenças e o recurso a abortos clandestinos... pouco há a dizer.

Aquilo que o artigo (e o seu autor) defende é o livre-arbítrio, o direito de escolha e não a obrigatoriedade de escolha que o NÃO o faz tão bem ao punir mulheres, legal e moralmente. Já que o senhor Bidróilios está tão moralmente impoluto, faça-me um favor, não vá a discotecas... é que se uma mulher engravidar depois de uma noite consigo não sei se o mundo aguenta outro ser perfeito... era demasiado! Mesmo!

MS
De Bidrus a 1 de Fevereiro de 2007 às 20:36
Vou pôr-lhe as coisas de forma simples para que compreenda claramente o meu ponto de vista.
Mas para que tal seja possível peço-lhe que faça o esforço de descer do seu pedestal de iluminada, e junte-se ao mundo dos comuns mortais que reconhecem o direito a ter um ponto de vista, e respeitam o dos outros.
A minha opinião, de comum mortal, é que a partir do momento da concepção já seria o meu filho (utilizando o seu exemplo) que estaria na barriga da mulher que tomou a Minulete. E o que eu acho é que a mulher teve todas as oportunidades de escolha, até esse momento. Para além disso, e sem fazer qualquer tipo de juízo de valor, a mulher, sabia que para alem da pílula podia e devia utilizar um preservativo, principalmente no caso de uma noite de sexo ocasional. Que para além de a proteger de doenças sexualmente transmissíveis, diminuía consideravelmente o risco de uma gravidez.
Mesmo assim já sabemos que o conjunto dos métodos anticoncepcionais não é 100% infalível, mas não será essa % de gravidezes indesejadas (gravidezes que acontecem mesmo utilizando os 2 métodos anticoncepcionais existentes) que me vai fazer alterar o meu sentido de voto no referendo.
Eu tenho relações sexuais sempre que posso, adoro.... mas estou consciente do risco que corro, e sei que se me acontece-se o azar de ficar perante uma gravides indesejada assumiria a criança, pois entendo que eu tive todas as oportunidades de escolha não posso negar isso ao meu filho.
Vocês não percebem que ao dizerem que a mulher deve ter o direito de escolha, estão a nega-lo ao bebé.
Quanto à questão das drogas se pensar um pouco não é assim um exemplo tão descabido.... se estivermos a falar em dar o direito individual à escolha, sobre uma situação como a vida de outra pessoa (o filho), qualquer pessoa tem o direito de escolher o que quer fazer da sua vida.
O tabaco e o álcool também são alteradores de humor que viciam e que matam se consumidos em excesso e estão liberalizados (com as devidas restrições etárias).
E agora você quer que eu aceite que uma mulher pode decidir se uma criança chega a ver a luz do dia ou não e não pode decidir se pode fumar um charro ao fim-de-semana ou mandar um Linha de coca. Esta parcialidade no direito individual do cidadão à escolha é que acho incongruente.
Posso decidir sobre se deixo ou não o meu filho viver mas só posso beber álcool e fumar tabaco porque o resto eu não tenho capacidade para decidir se devo fazer ou não. E até lá vão os traficantes ganhando dinheiro para patrocinar o terrorismo etc. Está a ver um pouco melhor o incoerência?

Quando diz que tanto você como o autor do texto não defendem o aborto como uma pratica anticoncepcional eu até posso acreditar, mas eu duvido que a sociedade Portuguesa esteja preparada para ver as coisas da mesma forma.
Sabe onde é que eu também discordo de si, é que para se ter uma opinião valida nesta problemática, não é preciso ser muito inteligente, é preciso saber onde é que nós próprios consideramos que há vida.
E sabe que mais... não me considero uma paladino da moral e bons costumes, nem me considero pouco um ser prefeito, agora não considero é que a mulher pela sua condição tenha o direito a decidir terminar uma vida.
Se tem o dom de gerar uma vida, com tudo o que a isto está inerente, entendo que tem também uma grande responsabilidade associada a ela.
E se a coisa que tem crescido na nossa sociedade é o egoísmo, cada vez mais as pessoas só olham para o seu umbigo a sua vida é que conta, e como dizia a autora do texto inicial e muito bem se virmos um mendigo na rua até o enxotamos, mas eu acho que o sim ao aborto é também mais uma passo para o egocentrismo desta era.
Mas olhe... não leve a mal são tudo opiniões.
De MS a 2 de Fevereiro de 2007 às 13:59
De forma simples, então, respondo-lhe o seguinte:
- A primeira parte da sua resposta recorda-me a anedota do tipo que vai de autocarro e compra 2 bilhetes. O motorista pergunta-lhe para que os 2 ao que ele responde se perder um, tem o outro como garantia e quando o motorista lhe pergunta se ele perder os dois, o indivíduo responde que ainda tem o passe social e mostra-lho.
O que quero dizer com isto? Simples! Na sua perspectiva a pílula não chega, é preciso ainda o preservativo (concordo que é uma excelente barreira contra DST’s) mas o melhor ainda seria “acoplar” a estes dois métodos uma laqueação de trompas! Só para ter a certeza!
Por outro lado, vejo que é importante manter a vida independentemente das consequências que a sua geração ocasional cause no futuro da criança. Todos se preocupam com o nascimento mas não vejo ninguém preocupar-se com o futuro. Basta ver os partidários do SIM e do NÃO que unem esforços na discussão da problemática das familias mono-parentais ou disfuncionais. Segundo a sua lógica, um encontro furtuito que tenha o azar de gerar uma criança deve mantê-la mesmo que pressuponha um casamento forçado, seguido de um divórcio ou, por outro lado, sujeite que a criança na escola seja vítima das perguntas tipo “Onde mora o teu pai/mãe? Porque não estão contigo?”.
- Depois faz umas referências à vida no momento da concepção. Neste caso é mais uma questão pseudo-filosófica que outra coisa ou objecto do referendo. Caso não saiba, os médicos só emitem certidões de óbito a partir do sétimo mês e a Igreja só efectua as exéquias funebres a partir do sétimo mês.
- Custa-me, ainda, ver que a mentalidade humana não evoluiu do seu antropocentrismo. É só ver o chorrilho de disparates acerca da liberdade de escolha. Eu não sou contra a penalização das drogas, pelo contrário. O meu sentido de liberdade para com os outros é no sentido de cada um ter o DIREITO de escolher o caminho que quiser, sofrendo por isso as consequências. A minha opção de fumar, por exemplo, tem as suas consequências (poderei vir a falecer de tumor ou outra maleita semelhante) e respeito os não fumadores ao máximo nomeadamente por aceitar a proibição de fumar em locais devidamente sinalizados. Mas gosto de ter o direito de opção de acender um cigarro ou não, isso depende de mim e não de fundamentalistas bacocos.
- Refere, ainda, e passo a citar “E até lá vão os traficantes ganhando dinheiro para patrocinar o terrorismo etc. “. Interessante pois de acordo com a sua opinião é pelo facto de ser proibido que o tráfico ilegal prospera e gera fortunas que depois são aplicadas em outras más causas, não refere o caríssimo que que o facto do consumo ser ilegal acabe com os consumidores mas espera, justificando a sua decisão moral de julgar terceiros, que o aborto ilegal irá acabar com o mesmo. É, no mínimo, aberrante esse tipo de justicação. Em vez de se criarem condições sanitárias e de apoio/acompanhamento (acompanhamento este que poderá, se bem feito, evitar alguns abortos), não, proíbesse liminarmente, permite-se a existência escondida de clinicas abortivas, a venda desmesurada de pílulas do dia seguinte e a morte de mulheres, apenas para satisfazer a colectiva consciência culpada de um grupelho que pretende impôr aos outros – pela força – a sua própria maneira de pensar. É algo do género: “engravidaste? Azar! Fode-te com isso sozinha senão vais de cana!”.
- Tem depois uma pérola do pensamento “democrático” do NÃO. Refiro-me a, cito, “(...) agora não considero é que a mulher pela sua condição tenha o direito a decidir terminar uma vida “. Qual é a condição da mulher? Estúpida? Imbecil? Uma “avariada dos cornos” que não sabe foder sem engravidar? Alguém que quando engravida deixa de pensar ou sentir, devendo isso ficar a cargo dos puritanos? Não é nada disso... não foi nem nunca o será, para aflição das sociedades ditas “morais”. Mas não se preocupe, entendo o seu pensamento democrático e o próximo Hitler ou Stalin que por aí aparecer pode candidatar-se a cconselheiro democrático e, acredito, todos serão livres... desde que escolham aquilo que você quer.
Por agora termino, trepidante de antecipação por uma eventual resposta profunda, livre e amoral...
De Bidrus a 2 de Fevereiro de 2007 às 19:32
Para mim cada um escolhe o numero de protecções que bem entender, se quiserem até nem usem nenhuma...
Agora se a mulher engravidar no meu ponto de vista os parceiros devem assumir o filho, independentemente do azar que ela tenha e do que tenha contribuído para isso ou não, é uma questão de assumir os nossos actos.
Se todos os abortos que são feitos no mundo, fossem só nos casos em que a pílula falha pode ter a certeza que não havia tantos médicos nem enfermeiras a viver as custas do aborto ilegal. Nem sequer estaríamos hoje a discutir esta problemática pois seria um numero “marginal”, o problema é o numero de abortos que se fazem pela pratica sexual sem protecção, e ai é que devíamos investir na sensibilização da população para o uso de contraceptivos.
Quanto às preocupações para o futuro, e o que fazer com as crianças que nascem em lares desfeitos, lares sem capacidade de possibilitar uma vida digna (que é uma problemática que em muitos casos ultrapassa esta discussão – aborto), também me preocupa muito, só que na minha opinião nenhuma das medidas a tomar para melhorar esta situação passa pela legalização do aborto. Podia falar-lhe de algumas mas acho que não seria o local apropriado...
No caso do seu exemplo em que diz que isso iria dar num casamento forçado seguido de um divorcio... por amor de deus... em que século é que vive?
Ninguém quer obrigar ninguém a um casamento forçado, o que eu acho é que os pais e ambos devem assumir o resultado da sua noite, e que uma vida não é algo que a mãe ou o pai, e muitas vezes altamente pressionados possam decidir. Quanto às perguntas do onde está o teu pai etc se acha que isso é sofrimento está a precisar de sair de casa e abrir esses olhinhos para o mundo que a rodeia.....................
Quanto aos médicos que só emitem certidões de óbito a partir do sétimo mês etc mais uma vez lhe digo rejo a minha vida pela opinião dos outros, e esta problemática é uma questão de sensibilidade pessoal, e para mim a vida existe no momento da concepção pois se esta não for interrompida 9 meses depois nasce uma criança.
Quanto a “colectiva consciência culpada de um grupelho que pretende impor aos outros” em conjunto com “...próximo Hitler e Stalin que por ai aparecer...” entendo que está embriagada pelo discurso fácil e populista do sim e não está a conseguir entender que ninguém quer impor nada a ninguém todos nós, apoiantes do sim e do não, estamos a exercer o nosso direito de cidadãos, a votar, e eu só defendo o meu ponto de vista o meu voto não lhe imponho nada a si. Consegue ver a diferença?
De Anónimo a 2 de Fevereiro de 2007 às 19:37
CORRECÇÂO

"mais uma vez lhe digo rejo a minha vida pela opinião dos outros"

deve ler-se:

"mais uma vez lhe digo não rejo a minha vida pela opinião dos outros"
De MS a 5 de Fevereiro de 2007 às 15:51
Em primeiro lugar devo expressar a minha surpresa na sua insistência em considerar o autor do texto uma autora. Não é... é homem, marido e pai. Por outro lado referiu a que eu estava embriagada. Irra! Ainda não percebeu que também sou homem, marido e pai? Fico é preocupado é se este é o seu tipo de conversa de engate... não deve ter muita saída!

Vamos a coisas sérias, então.

Acho interessante... a sério que acho, sem sarcasmos!... que o seu sentido de justiça e equilibrio diga que os pais têm de assumir os seus momentos de “fraqueza”. Que assumam os dois mas curiosamente, sempre que existe uma punição no caso de aborto é a mulher que está no banco dos réus, sozinha e sem lá estar o “outro” responsável. Para além disso, os tais “pais” que refere que deveriam ser responsáveis não vão a julgamento nem os vejo a oferecerem-se para tal.

De facto, caro Bidrus, são precisos dois para fazer um filho mas só um é que paga as consequências. Isso é baixo, vil e carregado com um estigma de julgamento do próximo que me deixa de boca aberta. Para além disso diga-me lá uma coisa: Uma mulher decide fazer um aborto clandestino (porque não faz parte do grupo de hipócritas com dinheiro que vai a Espanha ou Inglaterra), é apanhada no acto, é presa, vida devassada, julgada pelos moralistas e as clínicas e médicos continuam em actividade. Sabe uma coisa, os abortos não são feitos sozinhos. Tal como os filhos são precisos dois: uma que leva o útero e outro(a) que faz a “raspadinha”® (o termo é sarcástico e não reflecte a opinião real do AUTOR da mesma, estando registada...). mas eu não vejo os puristas a pedirem para perseguir as clinícas abortivas ou donos das mesmas. Valha-nos Deus, isso é blasfémia!! Dizer mal de um médico ou enfermeira... NUNCA!

Além disso só um aparte: curioso como uma boa parte dos que defendem o NÃO até conhecem quem, onde, como e quanto custa fazer isso. Eu sou a favor do SIM e não conheço nenhuma mas tudo bem... sou um criminoso sacripanta!

Queria ainda dizer-lhe que se não percebeu o que quis dizer com “casamento forçado” lamento... mas eu explico um pouquinho mais. O “forçado” não é fisicamente, é moralmente. É a poder dizer aos amigos o quão justos e morais são, na sua desgraça. Se ainda não sabe o que estou a referir, azar o seu!

Acerca do último parágrafo devo dizer-lhe que eu também não quero condicionar ninguém nem muito menos impor seja o que for. Custa-me ver a estupidez a proliferar mas, como dizia Shakespeare, “contra a estupidez até os deuses lutam em vão”! o que me custa é que a moralidade de uns retire as condições necessárias de dignidade a outros e impeça a criação de centros de apoio e aconselhamento a quem decide que o aborto possa ser uma alternativa. É a “moralidade” suja do NÃO que se faz valer da lei para impedir a liberdade de decisão dos outros... e não vejo, hoje em dia, os paladinos da moral e justiça a lutarem com tato fervor contra o aumento do IVA... mas isso é outra história não é? Essa mete medo, dizer ou fazer algo contra o Governo ou contra a injustiça institucionalizada... e muito mais mete medo olhar o problema da miséria como deve ser olhado, mais vale esperar pelo o Natal para ajudar o próximo... afinal é a época indicada.

É a sua “não” imposição de ideias que pode enviar mulheres até 3 anos para a cadeia... Deus nos livres se quisesse impor algo, você e outros!

MS
De Bidrus a 6 de Fevereiro de 2007 às 15:12
Que o facto de só um pagar as consequências está errado mas eu só não percebo como é que você pensa que o aborto é a melhor solução para isso.... que falta de imaginação!!! Ou será preguiça e opta pela opção mais fácil?
Quanto aos medicos e enfermeiras, lá esta você a dizer asneiras... e perdoe-me mas não vejo outra forma de classificar o que está a dizer.... claro que os criminosos devem ser descobertos e condenados. E esses sim de facto os verdadeiros criminosos e oportunistas não a mulher!
Quanto ao casamento eu percebi à primeira dá-me a ideia que vc é que não!
No entanto vejo que começa a ficar sem argumentos e a voltar-se para questões que nada tem a haver para a discussão como o IVA etc. o que claramente significa que a nossa discussão chegou ao fim, devo dizer-lhe que foi agradável em alguns momentos, e por isso deixo-lhe aqui esta imagem para que reflicta e pense só numa coisa, será aceitável que uma vida decida sozinha sobre o destino de outra?

http://www.gineco.com.br/dez.htm

Bom domingo...

De MS a 6 de Fevereiro de 2007 às 16:09
É deveras curioso e mistificante que ao longo desta conversa tenha sido um defensor do SIM (eu, neste caso) o primeiro a propor que mais do que uma mulher estar só em julgamento, deveria também estar o outro participante. Parece que depois de alguém se lembrar de algo aparecem os “rapazes” do NÃO a proporem exactamente a mesma coisa, por outras palavras... quando se dão a esse trabalho.

Interessante, também, a forma displicente com que diz “aborto = opção mais fácil”. De facto a sua capacidade de persuasão situação entre o egoísmo (que referiu umas mensagens anteriores) e o “estou-me nas tintas para o resto pois a moralidade Divina está comigo”. Não deve ainda ter entendido ainda que os problemas resolvem-se olhando-os de frente, não os escondendo debaixo do tapete como o NÃO o pretende fazer. De modo a evitar a realidade, escondem-se os números, permitesse a continuidade da ilegalidade, impede-se o apoio e aconselhamento, tudo debaixo de uma capa de pseudo-moralidade, assente no Código Penal. Chama-se a isso fuga à realidade e não é por se continuar a impedir a liberdade de escolha que o problema do aborto desaparece ou que as muheres portuguesas o deixarão de fazer.

Até hoje, de tudo o que tenho ouvido, não vi ninguém do NÃO apresentar uma solução para o acompanhamento de mulheres que considerem o aborto. Tiveram 8 anos para o fazer e até agora nada. Se considera os disparates propostos como válidos então de facto deixaram de existir argumentos (meus por ficar cansado com ileteracia e rigidez intelectual demonstrada por terceiros e você porque é incapaz de sair do seu cantinho protegido e ilusório da certeza moral) porque aquilo que têm aparecido como propostas posso defini-las como “boa merda”! Então os senhores propõem grupos de apoio para algo que, face à letra da Lei é uma ilegalidade... interessante! Já temos as propostas para salas de chuto, porque não criar um grupo de apoio estratégico para assaltos a bancos? Os bancos continuam a dar lucro, roubar é ilegal mas na lógica proposta pelo NÃO nada impedirá a sua criação.

Interessante, ainda, como o NÃO tenta colar ao SIM o rótulo de “bandidos sanguinolentos que pretendem o aborto obrigatório”. Só mesmo de quem não considera o livre-arbítrio, a possibilidade de escolha, como um direito inalienável da sociedade moderna e dita “civilizada”. Existe um pavor latente aos membros do NÃO que se possa escolher livremente, que exista essa possibilidade de escolha, mesmo que ela não seja a seguida. Será que é pelo facto de se proibir o aborto que ainda existem nascimentos em Portugal? Será que depois da possibilidade de opção, deixarão de existir nascimentos em Portugal? Nem uma nem outra são verdade e até mesmo você consegue ver isso.

Lamento que não tenha percebido a mensagem acerca do IVA... prometo que me vou deixar dessas subtilezas e ser um pouco mais directo, tipo “senta”, “rola”, “busca”, “tráz”, etc.

Quanto a opções solitárias de uma vida sobre a outra, acho a afirmação brilhante pela sua cavalar injustiça: o NÃO proibe e pune, não cria mecanismos de apoio, perpétua a ilegalidade e empurra as mulheres para uma decisão solitária pois não têm ninguém a quem recorrer (Instituições, médicos, psicólogos, Governo, etc) e depois tem a monumental lata de perguntar se uma pessoa pode decidir sobre outra proto-vida (se não sabe, vá ao dicionário ver o que é)? É fantástico o grau de hipocrisia que conseguiu demonstrar numa pequena frase/interrogação. Esse tipo de “profundo” argumento é semelhante ao usado para justificar a escravatura pois afinal quem não era Europeu, nesses tempos, não tinha alma... e eles estavam tão acertivos quanto o caríssimo Bidrus.

Eu estou à espera, no meio de todo esta problemática do aborto, de ouvir de alguma alimária algo semelhante a: “sorte têm as mulheres, podem fornicar à vontade que nunca têm que se preocupar em engravidar um homem!”

Uma ultima palavra acerca do link que enviou. É pena ter escolhido um site brasileiro, é que eles têm regras bem mais permissivas de apoio a mulheres grávidas que pretendam abortar e, inclusivé, têm grupos de apoio e aconselhamento... Que isso nunca aconteça neste País, terra de virtudes e moral!
De GERAL a 6 de Fevereiro de 2007 às 21:37
"!Nunca um coxo treinou atletas para a maratona nem um mudo deu aulas de dicção.
Só os padres não prescindem de dar conselhos sobre a reprodução e a sexualidade!"

"Já que o coito - diz Morgado -
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou - parca ração! -
uma vez. E se a função
faz o órgão - diz o ditado -
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.

( Natália Correia - 3 de Abril de 1982 )"

Pois e...para mim ate fica dificil fazer comentarios sobre este assunto, de ultrapassado, antiquado e bacoco que ja esta...
Pela data do referendo de 1998? tinha umas ferias marcadas, ( "oportunamente" foi marcado para os feriados de junho...talvez para que a camada mais jovem e esclarecida da populaçao se abstivesse?) mas fui descansada. Achava inocentemente, vi depois, que ha excepçao dos "ratos de sacristia" o sim iria ser esmagador...Escusado sera dizer que fiquei siderada com os resultados que todos conhecem. Apercebi-me nessa altura que as mentes deste estranho pais nao eram o que ate ali pensara e que havia um mais longo caminho a percorrer para uma sociedade civilizada do que me parecia do meu "microclima" pelos vistos, de "elite"...
Ainda mais decepcionada(se possivel) tenho ficado agora ouvindo as campanhas para este referendo. Nada mudou. Muita gente continua a fingir que nao ve a realidade, optando por enfiar a cabeça no buraco como a avestruz.
Nao sei. Pode ser que as vozes sejam mais que as nozes e desta vez se de mais um passinho no sentido certo, afastando-nos um pouquinho mais do obscurantismo mediaval ainda reinante.

P.S. Desculpem, mas o meu teclado nao faz acentos...
De GERAL a 7 de Fevereiro de 2007 às 11:03
Gostei particularmente deste comentário, apesar da assinatura ser a mesma, não fui eu que o escrevi. "A César o que é de César". De qualquer forma agradeço. Espero que não tenha marcado férias, é que afinal esta Terra Estranha consegue surpreender tudo e todos. Quando pensamos que estamos a caminho da evolução....UPS.....lá voltamos nós à cepa torta.

Cumprimentos,
RdS (o autor do post)

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