Segunda-feira, 29 de Janeiro de 2007

Aborto... esse mistério incontornável

Caríssimos leitores,
 
Muito boa tarde/dia/noite a todos.
 
Até agora não tenho escrito nada sobre o aborto, tenho-me limitado apenas a ver um “chorrilho” de alarvidades e posições peregrinas sobre o assunto.
 
Sem querer ferir muitas susceptíbilidades e sem querer – pelo menos nesta fase inicial do texto – insultar, vamos analisar a questão do aborto da forma como EU entendo que deve ser discutida (o EU está com letra grande propositadamente uma vez que reflecte a MINHA posição).
 
Antes de mais, o problema do aborto é uma questão económica e de saúde que, pela sua natureza, é transversal a todas as esferas da sociedade. Em primeiro lugar, não creio que nenhuma mulher, no seu estado de juízo perfeito, vá fazer um aborto entre um café e a compra de uma blusa em saldos. A escolha de uma I.V.G. (como é fino agora dizer), para uma mulher, é algo delicado e, esquecendo casos clínicos de demência, e podem resurmir-se ao seguinte:
     1. Casos de risco de saúde para a mãe e/ou feto;
     2. Dificuldades financeiras sérias que colocam em risco a sobrevivência da unidade familiar;
     3. Gravidez inesperada e fruto de um “namorico” ou “saída com amigas”;
     4. “Ainda não ser o momento adequado...”;
     5. Violação
 
O que leva realmente uma mulher a tomar uma decisão que é, sempre, dificil?
 
Situação 1: É inegável o direito de protecção da saúde da mãe e, também, evitar o nascimento de fetos que por variadas razões são vítimas de deficiências incapacitantes. Neste caso, criminoso é o médico que se recusa a efectuar esta intervenção que, assumindo uma posição de Deus Supremo, se recusa a efectuar o tratamento – sim, quer gostem quer não, é um tratamento. Ainda neste domingo, no jornal da TVI foi noticiado o caso de uma mulher paraplégica e a sofrer de vários outros problemas de saúde (inclusivé útero desviado que lhe impedia de levar uma gravidez até ao final) que engravidou por incompatibilidade entre pílula e outros medicamentos e que os médicos se recusaram a realizar o aborto no hospital (mesmo com a recomendação de vários especialistas que referiam o risco para a mãe e para o feto) tendo a senhora de ir a Espanha... Mas que raio de médicos temos? Objectores de consciência? Ou homens e mulheres que prestaram o juramento de Hipócrates? Entendo que perante situações de risco de saúde é um DEVER dos médicos e não algo para discussões morais.
 
Situação 2: Esta é talvez o móbil por detrás da maioria dos casos de aborto. A realidade pode ser dura mas a maioria das famílias que toma este caminho fá-lo porque não pode garantir a sobrevivência de um modo digno, dos seus filhos. Podemos tentar minimizar, podemos dizer que não mas a realidade é que a sociedade impôs regras de aceitação que passam por indices de consumo que não podem ser cumpridas por todos. A pobreza é uma realidade, não é uma estatística. O mundo moderno diz-nos que para sermos aceites no “Clube dos In” temos que ter a tv plasma, o carro, a casa, a roupa com a marca X, ir de férias para o sítio Y, jantar aqui, passar o fim-de-semana acolá, vestir os filhos com a roupa tal, dar-lhes os presentes coisa-e-quê, etc. No fundo a sociedade diz-nos que a forma de alcançar a felicidade é pelo consumo e show-off. Ora na Terra Estranha nem todos têm essa possibilidade, muitos nem têm comida até ao fim do mês, outros passam fome, são familias em que a única refeição que comem é na escola nos programas sociais de apoio e depois querem que essas mães, para quem as dificuldades financeiras são feridas abertas todos os dias não considerem fazer um aborto quando engravidam? Se já é mais do que difícil sustentar a familia, como será com mais um ou dois, ou três filhos?
 
Situação 3: Bem, neste caso as mulheres que me desculpem mas no século XXI já não acredito em descuidos ou coisas desse género. Aí a responsabilidade está nos dois intervenientes do acto uma vez que ele é um imbecil por, em encontros fortuitos, não se proteger devidamente... é que hoje pode ser uma gravidez mas amanhã pode ser um HIV. Quanto a ela é uma idiota chapada se não pensa da mesma maneira e não se protege. Adultos saudáveis gostam de sexo... é normal, é um acto de prazer, mas gaita! Não pensam um pouco? Nestes casos só mesmo à chapada uma vez que é uma roleta-russa... ou melhor, uma foda-russa!
 
Situação 4: Custa-me engolir esta, mesmo considerando o caso de mães adolescentes. Não é que seja contra o aborto, sou, sobretudo contra a estupidez e se não é o momento certo tomem as devidas precauções. A sensação que dá é que a malta fode primeiro e pensa depois! E isso irrita-me. Temos informação por todo o lado e pode-se resumir ao seguinte: os meninos têm um pilinha, que colocam no pipi das meninas, agitam-se, todos suspiram e depois saiem umas coisas que parecem girinos muito pequeninos e são uns sacaninhas a nadar direitos a umas bolas também pequeninas que estão escondidas nas meninas e depois as bolas crescem e olha! Saiem bebés... Porra! Anda tudo estúpido?
 
Situação 5: Neste caso acho que nem vale a pena falar muito e os cretinóides que estão contra o aborto deviam ser violados até engravidarem... eles e elas!
 
As razões porque sou favorável à despenalização do aborto são três, que passo a explicar:
  1. Livre-arbítrio → acredito no preceito fundamental da liberdade e que esta começa pela nossa própria consciência. A nossa racionalidade levou-nos pelo caminho da escolha, a cada segundo que passa tomamos decisões que alteram o nosso futuro imediato ou a longo prazo e somos nós que vivemos com o peso da nossa consciência. Desde que eu não prejudique terceiros, tenho o DIREITO fundamental de escolher o que quero – e por favor não me venham com as merdas que um zigoto com 10 dias ou um feto com 10 semanas tem consciência e é uma vida autónoma porque não é! Ainda não vi nenhum na fila do pão ou nos bancos da universidade... embora alguns abortos circulem pelos circulos do poder mas isso é outra conversa que não é para aqui chamada – e como tal acho que os outros podem escolher sobre eles.
  2. Inteligência → dizer que as mulheres que optam por esta via é crime é, em si mesmo, crime. Isso é uma maneira moderna de tentar chamar estupidas às mulheres que por acaso – mas só por acaso hã! Vejam lá! – são tão inteligentes como os homens. Não acredito que elas sejam “burras”, coitaditas!, e que tenham ido a uma espelunca às escondidas fazer um aborto. Sabem de uma coisa? As mulheres não têm pickles na barriga nem assim os consideram... elas sabem que são crianças, filhos que podem nascer mas que, naquele momento e sob aquelas condições, não o podem fazer. Acho que forças estas coisas (ou impedi-las) às mulheres é uma idiotice igual à imposição das burkhas, na escala de richter dos idiotas... grau 10,5!
  3. Governo → Todos nós temos Governo, votamos nuns tipos que supostamente ajudam-nos a viver porque o cidadão é imbecil, na perspectiva deles. Ora eu não sou imbecil, nem os outros são e eu não admito que o Governo me diga se posso ou não morrer ou se uma mulher pode ou não fazer um aborto. Se eu me suicidar, a escolha é MINHA e se uma mulher decidir seguir o caminho do aborto, a escolha é dela. Provavelmente ela até pediu ajuda ao Governo para ter uma vida melhor, para que os filhos tenham uma educação condigna, saúde gratuita, direito ao emprego, etc mas teve como resposta escolas a fechar e propinas mais caras, saúde a ser cobrada com novas taxas moderadoras e médicos que se estão nas tintas e com o aumento do desemprego. esta tem sido a resposta do Governo aos apelos dos desesperados, dos que passam fome, dos que sofrem e dos que querem apenas viver.
 
Tenho ouvido alguns dos debates acerca deste tema e por vezes fico chocado com o que ouço. No entanto creio que podemos facilmente identificar os defensores do NÃO e do SIM:
 
NÃO: Classe média-alta, alta ou muito alta, sem problemas financeiros, maioritariamente bem colocada no circulo do poder na Terra Estranha com tendências medíocres para uma moralidade hipócrita e uma falsa religiosidade. Não nos faltam exemplos na tv, na rádio e nos jornais. Usa, por norma, argumentos cretinos e egoístas e mistura ciência com moralidade faltando apenas o argumento “estive a falar com Deus a semana passada, na loja Channel, e ele disse-me que... blá, blá, blá!”.
 
SIM: Classe baixa, classe média e algumas franjas da média alta. A padecer maioritariamente de problemas financeiros ou pelo menos consciente da sua existência, assume uma posição moderada, deixando à mulher o ónus da decisão não se querendo intrometer sobre a consciência dela. Por normaé ateu, agnóstico ou moderado. Também consegue cativar algumas figuras publicas e poder, sobretudo de esquerda, que acham que agora é que vai ser bom, um regabofe geral em que se engravidarem alguém deixam de ter problemas de consciência.
 
No meio disto tudo, aparecem homens a debater acesamente um assunto que, sinceramente, não lhes diz respeito. É ver o Marcelo Rebelo de Sousa, Paulo Portas, Marques Mendes, Sócrates, Gentil Martins, Bagão Félix entre tantos outros aos berros a todos os que lhes prestam atenção (ou não) sobre este assunto. Tudo bem que alguns homens gostariam de engravidar mas a natureza não nos fez assim e por muito que apanhem no “nhóf” não engravidam... azar! Continuem a tentar!
 
A realidade é que este é um assunto de mulheres e nós podemos eventualmente ser solicitados a emitir uma opinião... nada mais. Além disso, considero que não era necessário um referendo para tratar disto. Se tivéssemos um verdadeiro Governo, limitava-se a modificar a Lei sobre a penalização e acabava-se isto. A realidade é que a problemática do aborto é essencialmente económica (para as mulheres que não podem sustentar a sua familia, para as clinicas abortivas, para a Indústria farmacêutica mais as suas pílulas do dia seguinte, para as parteiras clandestinas e médicos com ou sem escrúpulos, etc) e por muito lamentavel que isso possa parecer deixe-mo-nos de cinismos e hipócrisias.... é assim que o mundo é feito: és julgado pelo que tens, não pelo que és!
 
Uma última palavra acerca da Igreja. Eu entendo a posição da Igreja, na sua vertente mais global. A Europa está envelhecida, decadente, a cair de podre onde os jovens nem têm hipótese de sobrevivência. Cada vez há menos nascimentos, é necessário sangue novo se a Europa quer seguir em frente. Esta é a preocupação fundamental da Igreja... mas por amor do Senhor!! Arranjam cada besta e cada argumento para falar que mais valia estarem calados. Para além disso não basta existirem mais jovens se os velhos tubarões que estão sentados nos seus poleiros de lá não saírem... jovem ou não, se tiveres o azar de nascer numa familia fora do circulo do poder... estás fodido! E mais não digo, por agora...
 
Um abraço
 
MS
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publicado por GERAL às 02:04
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8 comentários:
De GERAL a 29 de Janeiro de 2007 às 10:22
Excelente!

Concordo, no entanto vou só acrescentar mais uns pontos. Não essa notícia sobre os imbecis da medicina que se recusaram a fazer um aborto que ainda por si é clinicamente aconselhado. Lamentável. Isto apesar de a Lei, nestas condições, já permitir o aborto.

Realmente, o problema ultrapassa a Lei, está nas mentes perversas dos hipócrates da nossa Sociedade e no atraso mental desta Terra.

Ainda existem mais situações que podem levar ao recurso do aborto, mas as que estão servem perfeitamente para ilustrar esta problemática.

Quanto ao estéreotipo de quem vota no não, penso que é constituído, essêncialmente, por individuos das classes muito altas e das muito baixas. Os extremos tocam-se. Quanto à formação, esta também apresenta forma extremas, ou extremamente iliterados, incluindo-se a futilidade extrema, ou extraordináriamente letrados, mas em que a manutenção do "statos" quo e da imagem, em proveito próprio, fala mais alto.

Ambos refugiam-se na opinião dos "padres da paróquia", ilibando-se, assim, de pensar em outros aspectos e na tomada de decisão propriamente dita.

Por outro lado, acho que não é só um assunto de mulheres. Que saiba, elas não fazem o feto sózinhas, não que a posição masculina, normalmente, seja do mais consciênciosa e correcta, a maioria das vezes ou foge ou assume o pagamento do desmancho.

Mas, esta questão ainda pode ir mais longe. Além das condições financeiras, ainda existem os problemas afectivos. Neste campo nem se fala, não considero um casal egoísta por querer fazer um aborto. Se as coisas não estão bem, não é um filho que as vai melhorar ou trazer mais responsabilidade ou amor.

Um filho deve e tem direito a ser desejado e amado, não a ser um estorvo e um "empata vidas". Há muitos casais que têm filhos e não deviam ter nenhum. A bestialidade humana muitas vezes é descarregada nos filhos. Mais, são eles que sofrem e carregam o fardo de terem nascido, muitas vezes inconscientemente.

É uma decisão problemática que deve ser tomada por cada um e por si só. Não deve ser alvo de julgamento, principalmente quando esse julgamento não é feito de forma isenta ou desviada de valores que, normalmente, não têm nada a ver com o assunto.

RdS

De squirrel a 29 de Janeiro de 2007 às 23:21
Sou pelo não. Quem me dera pertencer à tal classe média ou´média alta de que falas...Aquilo que uma mãe carrega no ventre será chamado sempre filho, é ser humano quer ela faça aborto às dez semanas ou às não sei quantas...e que acabado de nascer também não encontrarás na fila para o pão...
Fazer um filho não é só responsabilidade da mulher...têm 50% de responsabilidade, por isso 50% desta questão diz respeito ao homem. Contigência da vida: o feto não pode passar 4,5 meses na barriga da mulher e outros 4,5 na barriga do pai. calhou à mulher a responsabilidade dos primeiros tempos de vida...depois caberá ao pai a responsabilidade no resto da vida.
Agora fazer filhos e dizer à mulher: -agora desenrasca-te porque isso é assunto de mulheres...é no mínimo assumir que se é imaturo e irresponsável.
De MS a 30 de Janeiro de 2007 às 14:44
Exma Sra Vicência, com todo o respeito que me merece... a senhora não faz a mínima ideia acerca do escrevi!
Vamos lá por partes para ver se nos entendemos:
1. A discussão acerca do aborto, este referendo em particular, tem a ver com uma questão expressa no codigo penal... Punição das mulheres! Ninguém anda a promover o aborto como uma nova terapia ou como bónus em caixas de cereais. Os defensores do NÃO tem levado as coisas ao extremo como se a lei existente fosse justa. Curiosamente, muitos dos defensores do NÃO são os mesmos que, quando surgem notícias de mulheres condenadas pela prática do aborto, vêm a terreira mostrar toda a sua hipocrisia e a falar das "coitadinhas das mulheres".

2. Não só as mulheres não são coitadinhas como têm o direito de decidir e parece-me que por detrás do NÃO existe uma parafernalia de argumentos que caminham para a capacidade dessas pessoas poderem julgar moralmente outros - tendo atrás de si uma verdade cósmica, consagrada aos defensores do NÃO - como se paladinos da moral e ética se tratassem. A realidade é que todos usufruímos de Livre-arbítrio (e se a senhora já leu um pouco sobre a religião católica, perceberá que é motivo de inveja dos anjos quando Deus atribuiu essa faculdade ao homem). Eu sei que os defensores do NÃO gostariam de ser eles a decidir quem, quando, porquê e em que circunstâncias podem as mulheres efectuar aborto.

3. O rídiclo da questão é que o novo argumento dos NÃO's tem a ver com o facto de que a vida começa no momento da concepção. Sobre este aspecto tenho apenas a referir duas pequeninas coisas: em caso extremo, qualquer dia estão a dizer que a masturbação deveria ser punível por crime de genocídio (qualquer punheteiro mata milhões de uma assentada só) e a segunda - e talvez a mais importante - é a seguinte; se a vida se inicia no momento da concepção então EU EXIJO que os médicos comecem a emitir certidões de óbito a, digamos, um feto de 9 semanas ou menos e que de seguida a Igreja tenha a coragem de efectuar as exéquias fúnebres.
A realida é, caso a Sra não saiba, que isso só é efectuado a partir do sétimo mês de vida, quer por uns quer por outros. Mas então antes não há vida? não há alma? ou ela vem em comprimidos após os sétimo mês??

4. Em último lugar, acerca dos homens: eu pensava que o complexo machista era uma prerrogativa masculina mas fico feliz por saber que essa idiotice existe e é fundamentada pelas mulheres portuguesas. Adorei o argumento que referiu acerca que depois do nascimento o Pai deveria cuidar das coisas, tipo vai lá trabalhar malandro que tens uma mulher para sustentar. Eu pensava que as igualdades, direitos e deveres eram comuns a homens e mulheres mas agora percebo porque é que os partidos políticos têm de implementar quotas de participação feminina tal e qual vacas premiadas... é que se não for assim, elas não participam nem decidem e aí está o argumento chave do NÃO. Só falta dizer: "Mulher é burra, não decide!"

É uma vergonha que se castre a capacidade de decisão das mulheres, é uma vergonha que não se queira olhar para a questão do referendo como ela deve ser olhada, remetendo-a a uma discussão de moralidade que os Srs do NÃO são únicos representates iluminados e agraciados por DEUS.

Termino por dizer, en passant, a Sra. é uma besta!

MS
De squirrel a 30 de Janeiro de 2007 às 19:53
Meu caro senhor, não retiro uma virgula àquilo que disse e muitas são as mulheres que sabem que foi e é infelizmente a realidade para muitas delas. Existem na verdade, citando-o agora a si, "muitas bestas" do género masculino que argumentando a defesa da mulher que se vê empurrada para uma situação de aborto, dizem que o aborto é uma decisão que só cabe à mulher. Quando apenas defendem a sua própria cobardia em não querer assumir também a sua reponsabilidade. E caro senhor, são precisos 2 para fazer um filho, como espero que do alto de toda a sua sapiência arremessada espero que hipotéticamente o saiba.
Não me revejo nesse seu registo sujo de insulto com que o senhor finaliza a sua opinião. Sabe porquê? porque respeito a VIDA( e respeito-a na sua totalidade ainda que o senhor me ofereça argumentos para eu o não fazer- e já que a sua sapiência passa também pela biblia, fará o favor de a consultar mais vezes e verificar se não existe lá uma passagem que diz: "se te baterem numa face dá também a outra").
Direi NÂO em defesa da VIDA. Como vê é apenas uma questão de respeitar elementares princípios. Mas pelo seu tom de conversa não acredito que saiba o são. É pena.
As verdadeiras convicções não se exprimem com insultos porque os seus argumentos são suficientemente verdadeiros e válidos para valerem por si só. Dixit
De MS a 31 de Janeiro de 2007 às 16:24
Cara Vicencia, ainda bem que teve a oportunidade de vir dar resposta ao meu comentário e melhor ainda por tomar tão a peito o desiderato de eu defender o SIM, embora, repito, a senhora continue a não perceber a mínima daquilo que referi.

Vamos então recapitular:

- Em que momento da pergunta do referendo se diz que descriminalizar o aborto é oferecer uma passe gratuito para fazer um aborto? Será que vamos assistir a promoções nos hipermercados de compra de uma embalagem de cereais e um passe para um aborto? Não me parece!

- Por outro lado, caso o homem (no seu eterno egoísmo) diga à namorada, amante ou mulher para fazer um aborto e ela não quiser onde ficou a decisão a dois ou, por oposição, caso a mesma namorada, amante ou mulher decida fazer um aborto e ele não quiser como ficam as coisas? Aí já não interessa e passa a ser a decisão da mulher que conta não é? No primeiro caso deverá um homem “agredir” a mulher para provocar o aborto e no segundo caso amarrá-la à cama para ter o filho? Quer queiramos ou não, é a mulher que toma a decisão do sim ou não e o homem deverá dar todo o apoio possível em qualquer uma das decisões, poderá argumentar contra uma ou outra mas é ela que irá sofrer a intervenção.

- Quanto ao facto de serem precisos 2 para fazer um filho, escuso-me a apresentar argumentos acerca do facto de hoje em dia existirem variadíssimos métodos para que uma mulher engravide, até a senhora já deve ter ouvido falar deles...

- Quanto a referências bíblicas, gosto de ver a utilização do cliché do Sermão da Montanha. Deverei eu presumir que uma mulher que recorre ao aborto deverá “dar a outra face” na prisão ou com a sua vida devassada em tribunal, para gáudio de todos os outros mórbidos que gostam de comentar a vida alheia. Interessante!

- Refere a senhora que “As verdadeiras convicções não se exprimem com insultos porque os seus argumentos são suficientemente verdadeiros e válidos para valerem por si só” mas curiosamente o NÃO apresenta o desejo expresso e firme de julgar a capacidade de decisão de qualquer pessoa que queira usufruir do seu livre-arbítrio. Parece mais um caso de “todos são livres... desde que pensem como eu”. Não só é idiota como representa uma ideia própria da Inquisição que eu não perfilho e não aceito.

- Se é uma questão de votar NÃO para acabar com o aborto, gostava que me explicasse as mortes de mulheres, o enriquecimento de parteiras clandestinas e de alguns médicos sem escrúpulos, das idas a Espanha ou Inglaterra (para quem pode, claro). Devo eu presumir que neste momento, em Portugal, não existe aborto!

- Falemos de principios: o principio fundamental do ser humano é a sua liberdade. Não é apenas uma liberdade consagrada por lei, é uma liberdade de escolha e decisão desde que a mesma não prejudique terceiros. Eu proponho o seguinte a todos os arreigados de principios que em vez de votar NÃO se ofereçam para tomar conta de todas as crianças indesejadas, que recebam em suas casas todas as crianças que são agredidas, mutiladas, violadas, passam fome, são indesejadas, são forçadas à prostituição, etc. Proponho que as pessoas de “principios”, como julgo a senhora tenha, contribuam para acabar com a fome (Não, não estou a falar na compra do briquedo X ou do perfume Y que dizem oferecer 1 cêntimo por cada unidade para acabar com a crise de carraças da mongólia, falo de actos concretos, diários e constantes para acabar com 800 milhões que morrem todos os anos de fome e miséria), solicito que os paladinos dos “principios” não julguem os outros gratuitamente apenas pelo facto de ter algo que comentar no chá das 5.00H, solicito que entendam, de uma vez por todas, que este refendo não e mais que uma discussão de letra de lei no código penal e não uma carta branca para o assassínio... sabe uma coisa, já se pratica o aborto há muitos anos em Portugal! Ainda não sabia? É verdade... e que tal, pela primeira vez, criar verdadeiras condições de apoio e saúde (bem como aconselhamento para não o fazer)? Ou acha que uma mulher que o vá praticar, sabendo que é punida por lei, vai pedir apoio a alguém? Só se a senhora for totalmente obtusa é que acredita (e ainda não vou tão longe... pelo menos por agora)

Quod erat demonstrandum... a senhora é uma besta!
De squirrel a 4 de Fevereiro de 2007 às 23:51
A baixeza dos seus argumentos não me merecem o esforço do meu pior comentário. Como já o disse não comento insultos muito menos de quem se pensa no direito e se dá ao trabalho ao trabalho de proferi-los. Tenha decência!!!
De MS a 5 de Fevereiro de 2007 às 15:10
É bonito de ver que quando não há outras respostas a argumentos apresentados, fala-se´em decência e baixezas e outras que tais.

Em nenhum momento apresentou a senhora qualquer argumento sobre modos de evitar mortes desnecessárias ou acabar com perseguições de lei sem ser umas comiserações acerca da vida.

Quem lhe disse a si (ou qualquer outro defensor do NÃO) que sou contra a vida? Só uma mente torpe, fria e insensível utiliza esse argumento para perpetuar um estado de perseguição... Começo a achar que a senhora até acha que o Salazar era um compincha!

Para sua última irritação, se a penalização das mulheres fosse o meio para acabar com o aborto, então no mundo não haveriam crimes, todos são criminalizados.

Tenha decencia a senhora e pense em ajudar o próximo e não em punilo!

MS
De GERAL a 31 de Janeiro de 2007 às 10:32
Interessante troca de opiniões.

De facto cada um acredita e defende aquilo que entender e como entender. Isso é saudável e é salutar.

Não resisto, contudo, em acrescentar “lenha à fogueira” pela simples razão de que estou com alguma dificuldade em entender os argumentos da leitora Vicencia. Vou por partes:

Finalmente, (acho isso positivo) começo a ver que as pessoas estão a chegar à conclusão de que, já que são precisos 2 para conceberem um feto, o homem também deve ter um papel nesta decisão. Já não é mau, apesar de, com a actual Lei, só um, a mulher, é que corre o risco de sofrer “na pele” as consequências dessa decisão. O autor, sob a capa do sarcasmo, desmascara esta situação e, no entanto, é precisamente este ponto que a vicencia discorda. Mas discorda do quê? Que o homem não deva ter uma palavra consciente neste assunto?

Não acho que uma decisão destas caiba só à mulher e sim do casal. Se o casal decide neste sentido é porque deve ter as suas razões, e não sou eu nem defendo que seja o tribunal, a igreja, ou qualquer outra pessoas ou entidade que vá decidir por eles. A decisão é deles e só deles. Não deve ser alvo de julgamento, seja legal seja na praça pública. Cabe aos próprios julgarem-se e a mais ninguém. Será isto, assim, tão estranho?

Outro ponto que também não percebo, onde é que o autor do texto expressa que é contra a vida? Não vejo em lado nenhum. Percebo que se considere o aborto como retirar uma vida, acontece que não é sobre isso que se está a discutir. Que eu saiba, ninguém pretende tirar vida nenhuma nem impor que se diga que tirar uma vida é bom. Não é nem nunca será essa a questão. Moral, lógica ou racional, o aborto nunca será uma solução positiva ou boa ou mais ou menos, será sempre a pior decisão na vida de quem a tiver que tomar, no entanto o que se o autor diz é que essa decisão deve ser tomada com condições e sem julgamento.

É um facto que existem milhares de abortos clandestinos por ano, quer se queira quer não, há quem recorra a esta medida tão extrema. E o que está em causa é a sua não criminalização em condições não clandestinas. Não é o mesmo que dizer, vai abortar obrigatoriamente ou bom abortar. É isso que está escrito. Não vejo em lado nenhum o autor a defender que “a vida não interessa”.

Para concluir, espero que tenha a possibilidade de explicar mais detalhadamente com o que não concorda efectivamente, porque o que está em questão neste texto são os julgamentos hipócritas a quem fez abortos, ou a quem terá de os fazer, a imposição de uma pena por terceiros que não têm rigorosamente nada a ver com o assunto e a defesa de uma liberdade e responsabilidade que todos devemos ter e com a qual todos devemos saber conviver.

RdS

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