Quarta-feira, 28 de Fevereiro de 2007

Os grandes Portugueses

Bom dia aos habitantes da Tugolândia

Confesso que não gosto, nunca gostei, nem nunca irei gostar dos chamados "reality shows". Desde que essa praga apareceu com o felizmente longínquo "Big Brother" (George Orwell deve andar a dar voltas no túmulo ao saber que esta expressão andou a ser utilizada para estes fins) que o nível da já pobre televisão que temos tem descido, algo que pensava ser impossível.

O programa "Os grandes portugueses" acaba por ter parecenças com os reality shows, nem que seja pelo facto de estarmos perante personagens que estão sujeitas a votações. Mas tenho que confessar que apesar de não gostar do formato, ou mesmo do fim do programa em si, que é menos mau do que os restantes que podem ser classificados neste tipo de programas.

Escolher os grandes portugueses acaba por ser uma réplica do que já foi feito em diversos países do mundo em relação aos seus grandes. Com a diferença que em muitos desses países as personalidades escolhidas, ou muitas delas, serem de facto conhecidas a nível mundial ou quase. Em Inglaterra, estavam sujeitos a votação nomes como o de Winston Churchil, John Lennnon ou Shakespeare. Nos Estados Unidos uma série de presidentes desse país. Em França nomes como os de Luis XVI, De Gaulle ou Cousteau.

Em Portugal temos os nomes que temos. Para consumo interno, tirando talvez o Vasco da Gama. Já havia falado nisso num texto que escrevi denominado de "embaixadorzinhos" em que opinava sobre o verdadeiro grau de (re)conhecimento que Portugal (não) tem no estrangeiro, quer por falta de produtos/marcas/características da nossa nação, como principalmente da falta de "ícones universais"que temos a diversos níveis que vão da política ao desporto passando pelas artes, ciências e coisas afins.

Mas adiante,, falemos então dos 10 nomes finais escolhidos para a escolha do Grande Português de todos os tempos. A ordem é aleatória.

Fernando Pessoa - Um dos mais famosos poetas portugueses com direito a estátua no Chiado à qual os turistas acham graça sem perceberem muito bem de quem se trata. Autor de várias obras utilizando diversos heterónimos. Segundo parece, tinha pancadas das grandes. Reputação estrangeira - quase nula.

Camões - O mais famoso poeta português, que zarolho e a nadar com apenas um braço, conseguiu salvar o manuscrito mais famoso da história da literatura poética portuguesa - os Lusíadas. O nosso presidente da república não sabe quantos "cantos" a obra tem. O resto do mundo também não.

D. João II - O rei português que "os teve" no sítio. Empreendedor, visionário e instigador de grande parte das descobertas portuguesas. O mundo talvez não o saiba. E julgo que grande parte dos portugueses também não.

Marquês de Pombal - A obra mais visível deste senhor é a baixa pombalina que teve que (re)construir em virtude de um terramoto, ou seja, se o terramoto não tivesse existido, provávelmente não teríamos ouvido falar dele e não haveria direito a estátua na Rotunda, se bem que tenha também sido um gajo com "eles no sítio" e dos poucos que tentou remar contra a tristemente famosa sina portuguesa do coitadinho. Mas enfim. Para além da baixa, ainda fez algumas baixas na população que não estava propriamente de acordo com as suas ideias, muito "Stalin Style" portanto. Dizem os entendidos que foi o ministro europeu mais revolucionário do seu tempo em toda a Europa, mas eu ainda não tive o prazer de ver um estranja a olhar para a estátua e dizer outra coisa que não "mas quem é o domador de leões lá em cima?"

Aristides de Sousa Mendes - Para mim um herói, mas por estranho que pareça, e ao que sei, não tem direito a estátua ao contrário do Eusébio (já agora, sendo Portugal um país tão futebolísticamente dependente, até acho estranho a "pantera negra" não estar presente na eleição dos 10 mais). É sobejamente conhecido no entanto em Israel onde tem direito a nomes de ruas e a estátuas. Salvou cerca de 30.000 judeus da chacina nazi. Não há dinheiro em Portugal para restaurar a casa onde viveu. Salazar que consta no role dos 10 mais não gostava muito dele;

Salazar - Já que falei nele...filho da puta que governou em regime de ditadura o país durante 42 anos. Teve o mérito (ou demérito - vide plano Marshall para os países afectados pela 2ª grande guerra) de não envolver Portugal na guerra mundial. Envolveu depois Portugal em outras guerras nos agora PALOP's. Era teimoso, sovina e não tinha visão. Não é o que se chama de figura consensual, mas ao que parece há ainda quem goste e se lembre dele ao ponto de o pôr a figurar nesta galeria

Álvaro Cunhal - complementar ao anterior, ou seja, filho da puta que dizem que lutou pela liberdade quando o que ele queria era instaurar um regima ditatorial "de esquerda marxista" em Portugal. Quase que o conseguiu através do Gonçalvismo, mas felizmente para nós houve uma coisa chamada de 25 de Novembro que devia ser tão feriado nacional quanto o 25 de Abril é. E não me digam "Olhe que não";

Vasco da Gama - descobriu o caminha marítimo para a India atravessando o Cabo das Tormentas e navegando Indico acima até Calecut. Ajudou a fundar umas feitorias aqui e ali. Tido como o homem mais famoso das descobertas portuguesas, e com ampla representatividade nominal nos dias de hoje em coisas tão distintas como aquátrios e pontes com o seu nome. Gostava de bater nos indianos e trouxe bué de especiarias para a Europa ajudando Lisboa a tornar-se um dos mais importantes pontos do mercantilismo europeu da altura;

Afonso Henriques - Ajudou a criar um país batendo na mãe e nos mouros ao mesmo tempo. Uma facção importante de habitantes da nossa terra lamenta a sua existência por pensar que Portugal estaria melhor se não fosse mais que uma província autónoma espanhola, ao jeito da Catalunha;

Infante D. Henrique - Reconheço grande mérito pelo sua visão e por ser o grande impulsionador do período mais aureo da história portuguesa - os descobrimentos. Mas tinha mesmo que ser rabeta?

 

Ou seja, entre políticos, descobridores, diplomatgas e poetas haverá um que será escolhido como o grande português entre os grandes portugueses. Como já referi e tenho vindo a referir, a noção de grande deve ser levado à nossa escala uma vez que a quase totalidade da fama dos nomes acima é quase só para consumo interno, da mesma forma que os hoje-em-dia-chamados-de-famosos são os que aparecem em reality shows chamados de "Big Brother Famosos" e em capas de revistas de gosto (muito) duvidoso. Enfim, é o que temos, e já tenho que me dar por contente por não aparecerem aqui nomes como o do Cláudio Ramos, da Lili Caneças, do Figo, da Floribella, do Zé do Telhado ou do 3 beiços...mas já não poderei estar muito contente de encontrar nesta lista dos "grandes" verdadeiros filhos da puta" como o Salazar ou a sua antítese política (daquelas que "muda o balde que a merda é a mesma") Álvaro Cunhal.

A minha escolha? Entre o D. João II, o Aristides, o Infante D. Henrique ou o Vasco da Gama que apesar de tudo, parecem-me ser os mais consensuais e os que, apesar da fama, fizeram menos merda. Isto para além claro está de considerar como grande portuguesa a minha filha de 5 anos.

Por ultimo, estranho a falta de um nome aqui que teria o meu voto. Nós não temos no mundo inteiro, e do pouco que sei, nomes de terras, de cidades, de paisagens, de montanhas, de "whatever" , ligados a personagens históricas portuguesas. De facto não conheço nenhuma "cordilheira da Gama" ou "Cunhalândia" entre outras milhares de hipóteses de baptismo institucional. Não temos? Temos sim. Temos o famoso estreito de Magalhães, homenagem feita a Fernão de Magalhães, português que (quase por si) deu a primeira volta ao mundo. Morreu algures a meio mas foi sob a sua responsabilidade e comando que a expedição foi feita e terminada depois por Sebastião Del Cano. Engraçado Magalhães não estar contemplado quando até temos direito a um local geográfico importante com o seu nome. Se calhar foi por estar a mando de Espanha. Os que lamentam a existência de Afonso Henriques têm mais uma razão a seu favor.

JLM

publicado por GERAL às 17:46
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1 comentário:
De GERAL a 1 de Março de 2007 às 14:24
Concordo em absoluto!

Acho um asco estarem o Salazar e o Cunhal nesta...competição? Que raio de programa! Só tem um mérito, dar um pouco de cultura aos tugas, se bem não é perfeito.

Ao menos não aparecem os nomes dos actuais "socialites" desta terra, o que já não mau.

Já agora, aqueles que queiram ser espanhois, aproveitem a boleia e partam para Espanha. Vão-se embora! Deixem esta terra para quem gosta de Portugal.

Viva O D. Afonso Henriques, só teve o mérito de inventar uma...Nação!

RdS

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