Terça-feira, 18 de Dezembro de 2007

Fillius da Putorum est ou o Filho da Puta

Caríssimos leitores,
 
Muito boa tarde/dia/noite a todos.
 
Como podem ver voltei mesmo! Já sei, já sei... grande seca, desespero galáctico, pior que que o Governo... desculpem mas esta última não aceito! É que pior que a anormalidade governativa só mesmo ser sodomizado por um porco espinho com pila de baleia a sofrer de um caso terminal de gonorreia e mesmo assim não sei! É que nem o diabo cá quer vir pois o Teixeira dos Santos pode fazer-lhe uma penhora à forquilha.
 
Bem, mas vamos a coisas sérias, o tema de hoje. Pensei longamente sobre este assunto, hesitei alguns momentos mas lá me decidi. Creio que é importante neste espaço de má-lingua referir uma personagem de extrema importância na cultura portuguesa, eu diria mesmo indelével do imaginário histórico nacional e chave-mestra do nosso presente sucesso nacional, europeu e mundial. Não! não estou a falar dos políticos liberais, nem do republicanismo, nem estou a falar dos monarcas visionários que tivémos e muito menos dos valorosos navegantes e exploradores... estou a falar de algo transversal a todos eles que tem, nas últimas décadas impulsionado o país, estou a falar, senhoras e senhores, do Filho da Puta.
 
Falar do Portugal moderno, dos séculos XX e XXI sem falar do Filho da Puta – também conhecido por FdP – é o mesmo que falar do Islamismo sem referir Maomé (ups! Lá vou ter umas ameaças em cima), ou falar da génese do País sem mencionar Afonso Henriques. A presença do FdP faz-se sentir em todos os meios e todos os dias. Saímos de casa e vemos o dito a passar de carro, vamos almoçar e ele alimenta-se alarvemente, de boca aberta e com um palito à laia de sobremesa, vamos ao cinema e lá está o animal a cheirar mal dos pés, a falar ao telefone e a rir à gargalhada de uma piada brejeira. É ele que nos dirige, que nos ensina e serve de role model; é ele que nos leva para o caminho do desenvolvimento, que abre a empresa de duração definida (seis meses depois vai à falência e o pai, que por acaso é funcionário de um banco e extremamente religioso, perdoa a dívida); em suma, é o animal sempre atento que aguarda a sua presa e que ataca quando menos se espera... até para morrer este tipo chateia!
 
Mas falar do Filho da Puta sem dar alguns exemplos pode não ser demonstrativo e por isso aqui estão alguns modelos, modernos e actuais, de Filhos da Puta:
 
O Filho da Puta do Político: visto nalguns locais da chamada socialite, é por norma um tipo pernicioso, relaxado com os outros e consigo mesmo e que se pode gabar de nunca na vida ter trabalhado. É perigoso porque só conhece a política da terra queimada, lixa tudo e todos em nome de algo que nunca consseguiremos entender. Não raciocina e destrói, é um animal instintivo mas com uma verborreia por vezes interessante, levou a arte da mentira a novos expoentes e nunca disse algo que não contradissesse rapidamente. Não se lhe conhece um posição ou opinião coerente e consistente. Os mais antigos gabam-se dos seus tempos de exílio em França e do seu papel contra o Filho da Puta do Salazar. Sempre viveram bem, mesmo quando já estão xéxé (como é o caso) e depois de se sentarem na cadeira é difícil como o caraças desalojá-lo. A pequena parte dos reformados acima dos 5.000 euros mensais acham que é um tipo porreiro – há quem diga que é fixe – e estão sempre de bem com ele. Os modernos já são de outra laia. Por norma são filhos de outros Filhos da Puta e assim o comportamento sai-lhes naturalmente. Raramente se sabe como e onde tirou a licenciatura, diz-se amigo do povo mas nunca se lhe reparou nenhuma medida nesse sentido, promete uma coisa e faz exactamente o oposto. Assim se ele vos disser bom dia vão a correr à janela confirmar se não é noite (como usualmente acontece).
 
O Filho da Puta do Economista: normalmente chega a político, ou seja, ascende de um modo de filho da putice a outro como quem muda de camisa. Costuma ser mau num lado e noutro e afirma que sabe tanto, mas tanto, da poda que cada vez estamos mais na cauda da Europa. Provavelmente a besta tem uns óculos que lhe mostram as coisas como o negativo da fotografia e para ele o fim é o principio... enfim é uma besta do piorio! Temos vários exemplos brilhantes de incompetência que devíamos exportar como modelos do “não fazer assim” mas um dos principais até chegou a Presidente da República. Era um “excelente” economista que sabia tanto disto que se não fosse o dinheiro da Europa já nos tínhamos oferecido para experiências médicas. Depois o animal retira-se, é substituído por uma anormalidade maior, passa pelo deserto (foi ao freeport de Alcochete) e volta como salvador da pátria. Expliquem-me lá uma coisa: era uma besta antes e ficou esperto depois? Ou uma besta é e será sempre uma besta? Temos um outro tipo de FdP da economia, o tipo calado, que vai para os bancos ou para as empresas, que como única solução para aumentar lucros é pelo despedimento puro e duro; este animal – incapaz de um rasgo de imaginação criativa – sabe apenas foder o que mexe e muito particularmente a secretária... enfim, o homem é um perigo pois tenta disseminar a sua semente... e infelizmente consegue!
 
O Filho da Puta do Empresário: este vive à volta do FdP político e contrata o FdP Economista. É um atavismo da natureza pois não é empresário de coisa nenhuma. Gosta de mandar pelo simples facto de mandar, não costuma saber o que produz, para quem produz e com que materiais. Fica sempre surpreendido quando tem lucro e ao mesmo tempo tem de pagar ordenados... e vai daí reage da única maneira que sabe: despede. É um perigo para a sociedade pois não investe, ataca tudo o que mexe, leva empresas à falência e fala com uma arrogância de suposta sabedoria de tal forma inflamada que esconde o seu 9º ano mal tirado. No entanto temos que lhe prestar uma homenagem. Graças a este Filho da Puta, Portugal consegue ser um perfeito case study sobre como todas as regras mais básicas da economia podem falhar, mesmo quando não têm razão para falhar. Na sua forma mais simples, este Filho da Puta aparece como Gestor Público ou Director do Funcionalismo Público. Tem uma pelagem mais cinzenta, pardacenta e uma curva cervical que denotam uma constante posição de servilismo face ao Filho da Puta do Político. Vive à conta impostos dos outros e nunca criou riqueza para o País. Pensa-se, por análise de registos fósseis, que se um dia contribuir para o bem estar e riqueza o mundo acaba!
 
Poderíamos muito falar sobre esta espécie de Fillius dei Putorum est mas com estas três sub-espécies conseguimos definir as grandes linhas de força da sua alma. No nosso dia-a-dia surgem-nos várias sub-espécies, mais simples e inofensivas mas de algum modo perturbadoras das meninges. Refiro-me ao taxista, ao empregado de balcão brasileiro, à vaca dondoca que se passeia e incomoda toda a gente, à tia de cascais que acha que o oxigénio surgiu apenas para inflar os seus pulmões, entre tantos outros formatos de Filho da Puta.
 
O que interessa, porém, é que nós vamos no bom caminho, segundo diz um excelente espécime de Filho da Puta, e creio que podemos dizer, tal como diria o poeta: “Com Filhos da Puta como estes como é que podemos falhar?”
 
Voltarei em breve, espero, para vos chatear um pouco mais
 
Um abraço
 
MS
publicado por GERAL às 23:57
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1 comentário:
De GERAL a 19 de Dezembro de 2007 às 14:44
YYEEEEEEESSSSSSSSSSS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Este artigo deve, no mínimo, ir para uma Enciclopédia!

Realmente, FdP's há muitos e de diferentes tipos, mas estas 3 subespécies conseguem destruir e avacalhar tudo e todos.

Genial! Colossal! Brilhante!

Retrato fidedigno do nosso país, Putagal no seu melhor!

RdS

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