Quinta-feira, 11 de Maio de 2006

Portugal e os Comerciantes

Parece-me importante referir alguns elementos que mistificam o histórico Português, confundido mentes incautas e acalentando sonhos de grandeza não condizentes com a realidade deste cantinho à beira mar plantado.

Apesar do que vem referido nos cânones históricos, não posso deixar de lamentar a mentalidade de merceeiro que aflige os tugas. Na Terra Estranha tudo tem a ver com feiras, mercados e caixeiros viajantes. Vejamos alguns exemplos:

- Os dias da semana: Com excepção dos dias sagrados (sábado e domingo), os restantes dias têm todos uma feira. Quando comparamos a nossa definição de dias com as restantes europeias verificamos que não tem nada a ver. A nossa mentalidade de negociante (influência fenícia e árabe) deu para que cada ciclo solar fosse designado por uma feira, local onde se vendem produtos a populações necessitadas numa lógica de centro comercial medievo. No domingo (vem de Domenica) ninguém toca, afinal é o dia do Senhor e o sábado também não que vem da tradição judaica e com esses tipos ninguém mexe. Provavelmente, nas origens dos nomes dos restantes dias tem a ver com algo semelhante a este diálogo: Servo – que dia é hoje? Almocreve – Bem hoje é o dia da minha terceira feira de venda... é... deixa lá ver... terça-feira.
Se comparar-mos com os dias ingleses, por exemplo, verificamos que eles têm o dia da lua, o dia de Thor, o dia de Odin, etc mas nós, pequenos, morenos e de bigode, mareantes de história e preguiçosos de profissão optámos pelas feiras.

- A divisão territorial: Quem tem um negócio aberto ao público, necessita de algo fundamental: o freguês! O freguês é o que compra um bem ou serviço (devidamente inflacionado pelo vendedor sem justificação). Pois bem, na nossa divisão territorial temos o País (até aqui está correcto), os Distritos (nada a acrescentar), Os Concelhos (na maior) e finalmente a Freguesia. Freguesia?? Então se o comprador também é conhecido como freguês, freguesia é o conjunto de compradores, ergo, na divisão territorial temos os conjuntos de potenciais compradores, mais do que habitantes de uma dada região... e lá voltamos nós aos fenícios e aos árabes.

- Imigrantes: Para este caso não é necessário alongar muito a minha explicação. Tuga que se preze e que imigre tem duas grandes áreas de inserção na comunidade que o acolhe: uma primeira é a construção civil (para o qual está devidamente habilitado); e uma segunda que é o negócio próprio (para o qual está geneticamente habilitado).

Pois bem, esta tradição de povo almocreve ditou a forma como perspectivamos e construímos os reinos de além mar. Fomos para lá com o intuito de mercar, puro e simples. Não queríamos perder tempo com outras coisas secundárias como construir um império e uma cultura globalizante, isso era uma perca de tempo; não queríamos usar as riquezas do exterior para desenvolver o nosso reino e torná-lo uma potência económica, industrial, política e militar. O que a malta queria era chegar lá o mais rápido possível, trocar as especiarias, ouro e escravos por contas de vidro (grande negócio! Será que era patrocinado por algum ascendente de Patrick Monteiro de Barros? Ou do Belmiro?), regressar o mais rápido possível e vender a mercadoria em estado bruto, com caravela e tudo. Depois íamos aos reinos que procediam à sua transformação comprar o produto acabado e já está! Não havia trabalhinho nenhum para ter aqui a riqueza. Lisboa era uma cidade que se orgulhava de não trabalhar (facto que se arrastou até aos dias de hoje). E as mais valias, pergunto eu? Eu sei que a economia é uma “ciência” “recente” (as duas palavras entre aspas propositadamente) mas os génios de pacotilha de hoje também existiam antanho, ou não?

Algumas das vitimas apanhadas na leitura deste blog poderão afirmar que eu só digo mal da Terra Estranha mas não é verdade. Neste momento estou a dizer mal dos fenícios e dos árabes que, no seu legado genético e cultural, nos deixaram – para além de algumas tecnologias de “ponta” (que existe de mais avançado que uma picota?) e alfabeto e números – uma veia negociante primária. O sonho da maioria dos tugas é ter o negócio próprio, ser o almocreve moderno, na perspectiva que “em-mim-ninguém-manda-e-só-trabalho-se-quero” mas ela está errada. Nele mandam os clientes (Fregueses, moradores numa freguesia e que só frequentam o estabelecimento em dia de feira), nele mandam os fornecedores e trabalha muito mais do que por conta de outrem uma vez que é o seu ganha pão... e humano que se preze quer sempre mais pão, mesmo quando está de barriga cheia.

Na Terra Estranha tivemos o azar de ser descendentes de vendedores itinerantes, daqueles que pintavam os burros para parecerem mais novos e hoje sofremos essa consequência. Porque há aqui um aspecto que aproveito para referir, que é fundamental: é que, ao contrário dos vendedores do centro da Europa, que tinham uma extrema concorrência de vendedores de outros reinos, nós sempre vivemos em mercados fechados, controlados por feirantes e construídos por e para feirantes. Como as nossas relações com os espanhóis (vendedores ainda mais mal-formados que nós) não eram lá muito amistosas, cada vez que aparecia um lá aparecia a padeira de Aljubarrota e escorraçava o tipinho presunçoso e assim não havia uma concorrência eficaz e capaz de criar vendedores empreendedores.

O que é que aconteceu? Só temos empresas que vivem bem no mercado Português e sem concorrência. Ora como hoje em dia a internacionalização está na moda foram todas para o “cesto da gávea” (quem não sabe, favor ler texto sobre o tema).

Aliás, basta olhar para o nosso primeiro ministro. Veste-se como vendedor (qualquer comercial adora ter uma fato Armani para poder comentar com fregueses e amigos), berra como uma varina na praça a anunciar o carapau fresquiiiinhoooo e mente descaradamente. Para além disso, quando a venda não corre lá muito bem e o produto está estragado trata de se pirar para uma reunião noutro País – o departamento operacional que resolva o assunto que o vendedor está em reunião de trabalho.

Assim, eu não digo mal de Portugal – pelo contrário, o que é espantoso é termos sobrevivido 9 séculos –, eu lamento é o nosso legado genético! Pode ser que um dia possamos eliminar esse gene pernicioso – de comerciante – do nosso ADN mas até lá é como diz o Freitas num final de dia cansativo (coitado): “Está tudo fodido! Amanhã vou ter de trabalhar outra vez”

MS

Nota: a propósito, alguém comprar uns preservativos usados? São duas contas de vidro, que com essas posso ir a Angola comprar um poço de petróleo...
publicado por GERAL às 15:10
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2 comentários:
De Rui KN a 11 de Maio de 2006 às 22:06
Um regresso em grande.
Relativamente ao assunto em epigrafe (eh lá, que palavrão...), basta irmos à margem sul e vermos as dezenas de restaurantes (tascas para quem não conhece) que abriram junto à antiga Lisnave.
Grandes indemnizações = a tasca do zé (ou do chico, ou também do antónio, enfim....)
Quanto ao ADN, talvez com a construção da central nuclear em PT, a coisa dá para o torto, explode e adeus tugas...
Quanto à peixeira Socrates, enfim, está no seu melhor estilo, mãozinha na anca e "óó fregues, a cigana só vende barato e não é roubado...."
De RdS a 11 de Maio de 2006 às 17:37
Estás enganado num aspecto, o que nós herdamos foi o "chico espertismo", olha para o estado dos nossos antigos colonizadores (árabes), um desastre. Como é que querias que aprendessemos algo de jeito?

RdS

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