Sexta-feira, 31 de Março de 2006

Dois em Um!

Amantes da terra estranha, Saudações!

Hoje saí dose dupla, um mal nunca vem só, aqui ficam dois textos, aparentemente, sem relação, mas só aparentemente!!!!......


Incongruências da Terra Estranha.


Estou confuso com as notícias económicas que veiculam pela terra estranha, existe uma incongruência (in)explicável nisto tudo.

Ouvimos, lê-mos e vê-mos por todo o lado que: “estamos em crise”, “a economia arrefeceu brutalmente nos últimos anos”, “para sairmos da crise é preciso tomarmos medidas drásticas”, “agilizar o desemprego, quer dizer, o emprego”, “criar condições para competir no mercado global”, “estamos a perder competitividade”, “não somos produtivos”, etc, etc, etc.

Mas na “página ao lado”, lê-mos e ouvimos, igualmente, notícias com: “lucros recordes”, “Investimentos avultados”, “OPA’s”, EBITA’s fantásticos, fusões, aquisições, crescimentos de quotas de mercado, and so on, and so on…

Queixamo-nos que o nosso mercado é pequeno, somos marginais, de expressão ridícula (até parece que o Dinamarquês é grande), que existe muita concorrência (é pena, ainda, não ter conseguido arranjar outro fornecedor de energia eléctrica, a culpa deve ser minha, sou pitosga não consigo ver a imensa concorrência que existe neste sector), que existem demasiadas regalias para os trabalhadores e ordenados principescos (só se for em comparação com África), que os nossos impostos são uma loucura (curiosamente temos alguns impostos, IRS e SS, abaixo da média da EU – daí a loucura desenfreada dos últimos governos em querer aumentar taxas e impostos).

Também, temos uma das maiores desigualdades salariais da Europa, com um dos custos mais baixo da EU em formação e em Investigação & Desenvolvimento, com o desemprego a acompanhar em passos rápidos o exemplo Europeu, com a maior taxa de propensão para o consumo “low cost” (bom, não é só o consumo que é low cost, os meios de produção laborais também são), entre outros bons exemplos.

Contraditoriamente, os bens e serviços são vendidos a preços Europeus, nunca se viu tantos automóveis de topo de gama a circular pelas nossas estradas (é quase difícil encontrar carritos de média ou baixa gama), as novidades electrónicas batem recordes de consumo, as casas estão a preços de palácios e as mais caras são as primeiras a ser vendidas, helicópteros-aviões-barcos particulares começam a ser “mato”, até já temos um “tuga” inscrito para a primeira viagem turística ao espaço…

Afinal, em que é que ficamos? Há ou não crise?

Pois é, a verdade é que, se há ou não crise, continua a ser um dos grandes mistérios... eu diria mesmo, um autêntico mistério da fé, uma vez que é absolutamente necessário ter muita fé para manter a sanidade. Ora por falar em sanidade, cada vez é mais certo que os tugas têm um comportamento mais errático face à crise e ao verão.

Existe uma escola de pensamento que diz que os tugas ainda estão deslumbrados pelo relógio digital e como tal existirá uma relação directa entre crise e verão. Contudo, existe uma outra escola de pensamento que diz que um dos erros crassos dos tugas tem a ver com a descida das árvores. Perante tal dicotomia estético-prosaica, a reacção da malta em tempo de crise é aproveitar o tempo de verão para esquecer os problemas e fingir que está tudo bem. E qual é a resposta óbvia para tal? O regime dietético


Corpos 100%.


Estamos a chegar àquela época do ano conhecida pela designação de “Corpos Danone”, passe a publicidade, a obcecação pela gordura, ou melhor, pela eliminação da gordura no corpito atinge o seu auge.

Começam as dietas, é a corrida aos ginásios, às piscinas, ao Estádio Nacional para uns crossesitos, a banha é para abater, o músculo e a “alimentação equilibrada entram nos léxicos do nossos dia-a-dia. Em duas palavras: QUEREMOS EMAGRECER!

E para quê?

Para ir-mos para a praia, para usarmos calções / saias, T-Shits apertadas de onde sobressai (entre outras coisas) os mamilos, sem vergonha das banhas que durante o resto do ano escondemos sobre quilos de roupa, enfim, com a ilusão de podemos ficar esbelto(a)s como as estrelas das passereles e do cinema.

Mas, agora pergunto eu, e o resto do ano, não conta?

Parece que não! No resto do ano dedicamo-nos à comezaina, a enfardar e a espreguiçar. De repente chega a Primavera, tocam os alarmes…É chegada a hora do desespero, toca a entrar na linha! Durante dois árduos meses (é o tempo que, normalmente, dura esta excitação) trabalhamos afincadamente para perder umas gramitas e ganhar uns musculozitos. Depois chegam as férias, regressa a normalidade: “Viva os Humburgueres”, venha daí a cervejola e os gelados!

Pois, mas para quem se está nas tintas para a linha, esta altura do ano é terrível, normalmente acabo sempre por ouvir: “essa barriguinha, hein? está um bocado para o grande, e que tal fazer um exerciciozito, hein? Só te fazia bem!”

Acontece que eu não estou muito interessado em fazer parte do rol de modelos esculturais que se vão pavonear para a praia ou para outro lado qualquer. Gosto de um pouco de banhinha, é fofinho e redondinho. Nunca tive pachorra para aqueles corpos translúcidos, tipo espinha de peixe. Nem gosto de “roer” ossos, não sou cão, gosto de ter, de ver e de sentir carne. Afinal sou humano.

Portanto não entendo esta loucura das dietas e do exercício físico nesta altura do ano, se for um hábito, interesse saudável, ao longo do ano, compreendo e concordo, há que manter a linha. Mas, sazonal?

Até porque não se fica em forma em meia dúzia de semanas, nem é por se deixar de comer durante um mês, que se vai ficar mmmmuuuuiiiiittttooooo mais magro e esbelto. Aliás, a beleza é subjectiva, há gostos para tudo.


Tenho uma teoria para a explicação desta excitação sazonal, acho que é um tipo de alergia aos primeiros raios de Sol, enquanto o corpo e a mente não se habituam ao calor e à intensidade da luz solar, o cérebro entre em desvario alucinante e provoca estas reacções, a maioria delas inúteis, depois, gradualmente, a sanidade (e a gordura) vai regressando ao normal.

Pronto, chega, isto foi um massacre.

RdS e MS
publicado por GERAL às 14:04
link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Outubro 2013

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.posts recentes

. Nas voltas e reviravoltas...

. A Austeridade...

. Portugal e a Crise

. Jogo FMI

. FMI e afins

. O outro lado da exuberânc...

. Os Sufrágios!

. As idio(ti)ssincracias da...

. O país de betão

. O salário minimo e Portug...

.arquivos

. Outubro 2013

. Setembro 2012

. Maio 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

.tags

. todas as tags

.Contador

.Contador

blogs SAPO

.subscrever feeds