Quarta-feira, 29 de Março de 2006

O Quotidiano.

Cumprimentos aos incautos leitores deste blog!

Hoje não venho falar nem em política nem em gestão /economia, não me apetece! Vou-me debruçar sobre o quotidiano, aquela coisa que descreve a vida do dia-a-dia, se é que se pode chamar vida.

Acordo, olho para o relógio, não acredito! Tenho de me levantar já!

Começa uma nova (velha) rotina diária. Emito uns “grunhos”, que se podem traduzir como Bom Dia (se isso é possível àquela hora da manhã) e dirijo-me para o calvário da casa de banho.

Barba! com os olhos fechados não consigo ver nada, ops! Afinal estão abertos, com o sono dou comigo a barbear as orelhas e o nariz (ou quase). A seguir atiro-me para a banheira, primeiro impacto: levo com a água gelada na cara, sai-me uns palavrões (dignos de um trabalhador das obras quando martela um dedo) pela boca fora e acordo um pouco.

No meio de inúmeros bocejos e do shampoo nos olhos, lá consigo sair do banho sem me espalhar ao comprido. Primeiro passo de humanidade concluído, falta o resto…Vestir!

Primeira tendência: vestir roupa informal, «espera lá! vou trabalhar.». Bolas! Lá tenho de vestir a farda - um fatinho, camisinha (para o tronco, não para …outro lado mais abaixo) e gravata (aquela coisa horrível tipo coleira).

Fase seguinte: Luta com a pirralha para a acordar. Livra! Consegue ter pior feitio que eu, a mãe é quase trucidada e eu, se não calha fugir com a cabeça, sou massacrado em várias zonas do corpo por pés e mãos possuídas por um espírito revolucionário descendente da Revolução Francesa.

Comida! Parte difícil, o estômago ainda não acordou e de repente é forçado a trabalhar e para ajudar o relógio não pára, já estamos todos atrasados. Postos os casacos e as mochilas e as malas e sei lá mais o quê, a tribo arranca para o elevador.

Meto-me no carro e arranco a 500 kmh para a bicha, interminável fila de veículos com ocupantes desejosos de possuírem uma bazuca ou tanque do exército para abrir caminho à força e conseguir circular. Porreiro! Acabei de ser ultrapassado por um caracol.

POR FIM, esgotado e completamente alterado chego ao trabalho, com ar de serial killer e com vontade de o ser. Olho para os colegas e esforço-me por ser humano, missão quase impossível, aliás, tirando raras excepções (seres alienígenas), penso que os outros estão no mesmo barco que eu. Lá nos cumprimentamos todos, com uma certa indiferença e desejosos que o dia acabe e por nos vermos, uns aos outros, pelas costas.

Chego à secretária, agarro no trigésimo café do dia e ligo o PC (isto de chamar partido comunista ao objecto de secretária tem que se lhe diga, além disso é pouco inspirador). Este estrebucha um pouco, também deve gostar à brava de mim, e lá começa a vomitar uma série infindável de mail’s, de memos de reuniões e tarefas. O telefone começa a tocar e o boss ladra uma série incongruente de palavras, supostamente ordens e instruções, …Enfim, o trabalho!

Faço aqui uma pausa, para reflectir num pequeno ponto: Se não houvesse trabalho como seria? Acordar a horas decentes, tomar um pequeno-almoço em condições, ir ler os jornais sem stress, não apanhar “bichas” (leia-se carros pff), ir fazer qualquer coisa agradável …

Ok! De volta à realidade.

A manhã passa, devagar e depressa ao mesmo tempo – isto é esquizofrénico! O tempo passa demasiado devagar, nunca mais chega a hora de sair. Por outro lado, olho para o relógio, epá!...Já está quase na hora de almoço e ainda tenho tanta coisa para despachar, que loucura! Tenho de me apressar. Já sei!...Se desligar o cérebro e entrar em velocidade de produção pode ser que consiga adiantar algumas coisas e comer uma sandes antes da reunião das 15.00 horas.

Chega o fim do dia ou início da noite, depende do ponto de vista. Não me lembro de ter visto o Sol! Saio do emprego a correr e vou buscar a pestinha. Novamente as bichas. A rádio repete incessantemente as mesmas notícias, se calhar são as mesmas da semana passada ou do mês passado (para ser sincero nunca me lembro do que noticiam). Olho para o lado, penso que já começo a conhecer algumas caras, mais uns tempos nisto e ainda arranjo um clube de amigalhaços para o convívio. Uma suecada no pára/arranca sempre tirava a monotonia à coisa.

A tribo regressa a casa. Inspiro fundo e reentro ao trabalho, começa uma nova jornada. Banho da miúda, trabalhos de casa, preparar mesa, arrumar um pouco a casa, preparar o jantar, alucinar com isto tudo, deitar a filharada (no meu caso é mais simples, é só uma)…

A faina chegou ao fim, o corpo já pouco corresponde e os olhos começam a fechar-se, está na hora de ir para a cama.

Hummmm! Que tempo é que sobrou para mim? E para acasalar? Ou para outras coisas?

Vida fascinante!

RdS
publicado por GERAL às 10:08
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2 comentários:
De RdS a 29 de Março de 2006 às 17:30
Fixe, um comentário!

Coisa rara nos tempos que correm, admiro e agradeço o tempo perdido conosco.

Claro que há um zilhão de coisas boas, mas a sátira, também, é divertida e faz parte da vida.

Beijos.
RdS
De Flor a 29 de Março de 2006 às 14:47
Lá estás tu com os teus fatalismos de fotonovela... sê optimista rapaz! A vida não é só o quotidiano laboral e a luta incessante do dia a dia, são tb todas as coisas boas que nos acontecem. O amor dos nossos filhos, da tua companheira, no meu caso, do meu companheiro,a nossa casinha a familia e amigos... enfim todas as OUTRAS coisas ke realmente valem a pena!!!
Beijos e um óptimo dia.

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