Segunda-feira, 27 de Março de 2006

Emigrantes... e economistas, claro!

Olá caríssimos cidadãos,

Recentemente um outro leitor do blog referiu que eu estava com a tendência para me “atirar” aos mesmos e que deveria diversificar (afinal matéria-prima não falta). Fiquei a matutar sobre isto, não por achar que não fosse verdade mas por receio de estar obcecado e cheguei à conclusão que ainda não estou obcecado – embora para lá caminhe – mas que o problema prende-se com o manancial de temas, incapacidades e incompetências de tais aventesmas.

Eu hoje tentarei mudar um pouco de alvo embora reconheça que é um pouco difícil. Para melhor entenderem, parte da minha inspiração provém de notícias que surgem ou via electrónica ou via eucalipto (entenda-se jornais!) e que provocam um certo mal-estar meníngico, justamente por constatar que inexistência dessas mesmas células pensantes (ou, pelo contrário, pelo elevado índice de filha-da-putice detectado no sangue após teste do balão). Ora hoje ouvi na rádio e li nas notícias que alguns médicos (esta palavra é gira; tanto pode significar 1% da população médica como 99% da população médica) recebem 100 euros por hora nalguns (outra vez a mesma palavra vaga) serviços de urgência. Estava eu a preparar-me mentalmente para me lançar numa verborreia ácida sobre o tema, que eles são isto e aquilo, e que não fazem aquilo e aqueloutro quando, de repente, na Agência Financeira leio duas notícias que me deixaram estarrecido e com falta de ar:

- a primeira tem o seguinte título:
“A Galp Energia atingiu em 2005 os melhores resultados líquidos de sempre, ao obter lucros de 442 milhões de euros.”

Se alguns ficam surpresos com esta notícia, eu não. Não sou vidente, clarividente ou algo desse género mas acho que dá para perceber porque assim é. Quem me dera a mim ter uma empresa como a GALP. Ter a exclusividade de um mercado deve ser porreiro. Mesmo quando estas alimárias vêm clamar que não estão sós no mercado, convém perguntar às referidas alimárias onde a BP, a REPSOL e outras vão comprar o seu combustível em Portugal. É sempre dinheiro em caixa! É só facturar.

Diz a notícia que o aumento de lucros, comparado com o ano anterior é de cerca de 33% e aparece uma citação do comunicado que refere “um novo recorde de vendas de gás natural”. Bem, se não existe mais ninguém a vender gás natural e se, por decreto, é obrigatório a construção de habitações com pré-equipamento e canalização para gás natural, não me parece que seja muito difícil, a cada ano que passa, ter um novo recorde de vendas.

- a segunda tem o seguinte título:
“O presidente da Comissão Executiva da Galp Energia garantiu, esta sexta-feira, que a petrolífera pratica os mesmos preços de venda dos combustíveis em toda a Península Ibérica.”

Segundo Marques Gonçalves, em Outubro do ano passado, a gasolina em Portugal até se vendia 4% abaixo do valor em Espanha e o gasóleo estava cerca de 1,5% mais barato.

A minha dúvida existencial é a seguinte: a quem é que eles vendiam mais barato? A mim é que não foi, nem aos milhares de outros portugueses que atravessam a fronteira diariamente para abastecerem as viaturas (já nem falo da compra de bens de primeira necessidade, como o pão ou carne). Eu só acho estranho é que estes milhares de portugueses queiram deitar dinheiro fora, com a vaidade de ir a Espanha, uma vez que pelo que diz o Excelentíssimo Sr. Marques Gonçalves a GALP até está baratucha quando comparada com os nossos vizinhos.

Cá para mim e para os meus botões, como descobriram a galinha de ovos de ouro – ou seja, toca a chular que os gajos até deixam – não há nada como andar a dizer umas mentiritas saudáveis para calar os chatos dos tugas.

Só para esclarecer um pequenino (muito pequenino mesmo, tão pequenino aliás que é preciso um microscópio electrónico para leitura nas notícias) contratempo: Um Tuga que ganhe 1.000 euros mês (limpos, claro) – que já está bem pago – e pague a gasolina a 1,25 euros o litro, se calhar pesa-lhe na carteira bem mais que a um espanhol, com as mesmas funções e a fazer a mesma coisa, que ganha cerca de 1.800 euros mês (limpos, claro) e paga a gasolina a 1,24 euros o litro.

Será que sou eu que estou de mau humor? Ou andamos a brincar às economias globais?

A parte mais gira no meio disto tudo é que os génios apontados para a Administração da GALP são, na sua maioria ex-membros de Governo (Ministros, Secretários de Estado, etc) que aplicam as queixas habituais nas conferências de imprensa, ou seja, a culpa é do Governo com a aplicação de uma excessiva carga fiscal sobre os combustíveis. Mas então eles não estiveram (ou estão) lá? Que argumento mais mixuruca!

Não será antes um caso de “aumentem-à-vontade-que-os-papalvos-pagam-sempre-e-nem-se-queixam”?

Mas de facto deixemo-nos destas coisas da economia e falemos de outros assuntos. A comunicação social de hoje está de barriga cheia com entrevistas dos emigrantes tugas expulsos do Canadá, entrevistas antes de embarcarem em Toronto, depois da chegada a Lisboa, depoimentos e outras tretas do género.

Pelo que percebi depois da leitura/audição das notícias, o Governo Canadiano é mau porque expulsou cidadãos ilegais do seu País e o nosso Governo é mau porque pouco fez para evitar esta situação (género: não declarou guerra ao Canadá ou invadiu a chafarica). Perante este “descalabro” internacional fico confuso. Quando os tugas vão para o Canadá sabem que, como em qualquer outro País do mundo, são necessários os papéis de legalização e residência para poder viver e trabalhar no destino. Como o Canadá é daqueles destinos apetecíveis por todos os movimentos migratórios, as leis internas e soberanas desse país são precisas e, ao contrário do que se passa na Terra Estranha, são para cumprir.

O que eu acho mais estranho é que os entrevistados pela comunicação social sabiam dessas regras e estiveram em situação ilegal no Canadá durante anos a pensar que eram mais espertos que os outros. Por outro lado, os que foram expulsos entraram no Canadá com o título de refugiados!!! Refugiados??? Do quê? De onde? Eu sei que o nosso país não é nada bom, mas refugiados? Eu sei que os nossos governantes deveriam estar presos por tentativa de homicídio por Decreto-Lei (tento em conta os disparates de Leis e gestão que têm praticado), mas refugiados?

Que raio de emigrantes temos nós que não param para pensar (ou se informar) antes de se sujeitarem a este tipo de situações? E depois vêm chorar para a Comunicação Social, a clamar justiça do Governo que foi enganado e os correu por causa disso e a clamar justiça do Governo de origem que passa mais uma vergonha em termos internacionais!

Sejamos honestos:
- premissa 1: Os emigrantes tugas tentaram enganar o Governo Canadiano, ainda imbuídos da espertice tuga.
- premissa 2: O Governo português não sabia que estes emigrantes tinham partido nestas condições.
- premissa 3: O Governo Canadiano agiu sobre os emigrantes ilegais como qualquer País soberano o deveria fazer.
- premissa 4: Perante os factos, o representante português no Canadá tenta minimizar o embaraço e a vergonha que é obrigado a reconhecer.
- Conclusão. Os Governos é que são culpados! Uns por cumprirem as suas leis e outros porque não obrigaram o país recebedor a amochar perante uma ilegalidade perpetrada por meia dúzia de irresponsáveis.

Emigrar é salutar e é uma fonte de riqueza para as nações mas este fluxo de emigração (e imigração) está sujeito a regras. Quem cumpre e passa o filtro institucional pode ficar, trabalhar e enriquecer, quem se arma em esperto deverá ser punido, de acordo com as Legislações nacionais.

Imaginem convidar uma pessoa para vossa casa que tem a mania de cuspir no chão. Vocês deixavam? Ou impunham as regras próprias de vossa casa?

Por hoje é tudo

MS
publicado por GERAL às 16:11
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1 comentário:
De RdS a 27 de Março de 2006 às 16:52
Estou chocado!

Então estas escabrosas e constantes alterações no preço da gasolina (sempre para mais) em 2005 não se deveram às oscilações dos mercados internacionais e aos desastres naturais ? Pelos vistos foi só para gamar o Tuga.

E o governo perante isto o que faz? aplaude, brilhante gestão.

Quantos aos emigras, pois! Não fomos nós que ainda há pouco tempo andávamos a dizer que: Os chinocas na Madeira não põe o pé, ou, os pretos que vão para a terra deles, ou, os Arabes deveiam ser explulsos. Pelos vistos no Canadá estamos ao mesmo nível.

Sem comentários. Triste terra a nossa, estranho 3º mundo.

RdS

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