Quarta-feira, 22 de Março de 2006

Entrevista

Prezados sofredores (tal como eu),

Este blog está cada vez mais importante. É verdade, sim senhor! Hoje, pela primeira vez na história deste ou de outro blog, conseguimos desvendar o segredo da mente por detrás dos 3 últimos prémios Nobel da economia.

Ao contrário do que tem sido dito, as teses e trabalhos que têm justificado os mais recentes Nobel, não foram realizados pelos respectivos vencedores mas sim por um tuga. Embora espantoso é a mais pura das realidades. A pedido do entrevistado, alterámos o seu nome para Economista F.P. (ou EFP) e passamos a transcrever a entrevista, em exclusivo a esta figura pardacenta... desculpem... parda.... não!... sombria... ups! Ok, vamos passar à entrevista:

Ostressss(Os): Sr. Professor, gostaria de agradecer a oportunidade que nos dá...

Economista F.P.(EFP): Pare lá com isso! Eu sou muito bom! Eu sei tudo! Eu sou o maior! Um génio! Passemos à próxima questão...

Os: Er.... Humm!... Bem, a nossa primeira pergunta tem a ver com o seu trabalho na área dos Nobel. Quer comentar?

EFP: Não, não quero! Mas de qualquer maneira gostaria de salientar o meu trabalho pioneiro e inovador que permitiu que empresas Portuguesas em situação de concorrência feroz e de mercado aberto tivessem lucros o ano passado na ordem das centenas de milhões de euros. Refiro-me a empresas como a PT, a GALP, a EDP que seguiram as minhas indicações e ultrapassaram as respectivas concorrências para uma situação de maior estabilidade numa vertente macro-económica que irá lançar um approaching a novas concepções de...

Os: Desculpe interromper mas as empresas que referiu não têm concorrência interna e agem numa situação de monopólio que....

EFP: Ouça lá! Eu é que sou o Dr. Eu é que sei e você parece-me uma aventezma! Eu sou Dr., percebeu! E como sou Dr. e você não é economista por isso não percebe nada. Eles têm concorrência e muita! Se acha que pertencer ao Conselho de Administração é fácil tente lá a ver se consegue. Olhe que ser Presidente Semi-Executivo é uma daquelas situações extremamente competitivas nos aparelhos do partido, percebeu?

Os: Pois... acredito! Mas continuemos. As actuais políticas do mercado global de trabalho pressupõem uma paridade entre Trabalho e Remuneração...

EFP: Nem me fale nisso, nessa blasfémia das Remunerações... Eu estou a fazer um estudo que terá impacto profundo nos Governos MUNDIAIS que prova que o grande milagre moderno é saber como é que ainda existem empresas que pagam salários. O objectivo é os trabalhadores pagarem aos patrões e assim contribuírem activamente para a produtividade dos lucros da empresa.

[Neste momento tivemos de fazer uma pequena pausa porque o entrevistado, que parecia uma alforreca, começou a espumar e a berrar incontrolavelmente sobre essa perfídia dos salários]

EFP: não me volte a repetir essa coisa dos salários...

[copo de água pela goela abaixo, um arroto delicado, coçou os tomates e lá continuámos]

Os: Fale-nos um pouco do seu trabalho Nobel.

EFP: Como sabe, eu sou muito bom, um génio e, de uma forma sucinta, acho que... blá, blá, blá, blá... [3 horas e 17 minutos depois]... e assim posso dizer que tudo começou quando, aos 12 anos de idade assumi o cargo de vice-director de produção na mercearia do meu pai. Enquanto subia a um escadote, caiu uma lata de tripas à moda do porto nos cornos e tive a minha primeira visão de como se deveria proceder à gestão. Com uma calculadora Texas Instrument [desculpem a publicidade, mas o homem estava engrenado na altura] e em apenas 3 meses de gestão executiva aumentei o índice de dividas da mercearia [ficámos mais tarde a saber que antes não tinha] em nome de uma empresa off-shore [pronunciado como Ó-ve-xóire] e despedi o meu pai, recontratei-o administrativamente como porteiro e também me despedi durante o processo de falência. Apliquei uma auto-OPA por cotação da mercearia na Filarmónica do Bairro e... [lamentamos a interrupção mas como ele estava a falar virado para a janela aproveitámos para tirar uma soneca... mas o gravador continuou]... mais tarde, já a Kátia Vanessa era a minha secretária e tinha feito dois abortos que aproveitei para meter as facturas no IRS, despedi-a com justa causa porque a mini-saia que trouxe não condizia com as minhas cuecas...

Os: Desculpe Sr. Dr. mas poderia relacionar essa situação com o Nobel?

EFP: Lá está você a interromper de novo. Eu não lhe tolero isso eu sou mais velho que você, pertenço à Administração de 15 empresas e sei tudo. Isto está ligado com o Nobel porque...

[Tocou o telefone e o gajo esteve 48 minutos ao telefone com o porteiro sobre se deveria ou não colocar umas flores na porta de entrada...]

EFP: Estes gajos não me largam... Isto de Gestão ao mais alto nível é complicado, está a ver? É por isso que sou bom! Passemos à próxima pergunta.

Os: Segundo temos lido, o consumo interno poderá ser um patamar para o desenvolvimento das Nações num enquadramento mais global e...

EFP: Pare! Pare! Pare lá com isso do consumo interno! Você é uma besta comunista com essa história! Eu sou economista e eu é que sei!

Os: Bem, nesse caso poderia talvez elucidar-nos sobre os combustíveis e a sua evolução de preços. [pergunta feita um pouco a medo devido ao ar lupino assumido pelo entrevistado. Por momentos passou pela minha cabeça “paletes” de tubarões – alimentados a iogurte magro 100% durante seis meses – a nadar à volta do trabalhador ensanguentado]

EFP: Essa é uma pergunta muito boa... muito boa mesmo. Na minha humilde opinião de génio que sou [pequeno fiozinho de baba a escorrer da boca do EFP] acho que deviam colocar o preço do combustível a 10 euros cada meio-litro por duas principais razões. A primeira porque a mim e aos meus amigos pouca diferença faz uma vez que o combustível, carro, casa e amante são pagos pela empresa... e muito bem uma vez que estamos a zelar pela prodruta... pridutiv... produtavii... enfim essa merda que falam agora; e em segundo lugar porque as minhas projecções de lucros para a GALP sairiam somente 2% acima do que seriam na realidade.

Os: E em relação à...

EFP: Olhe se vai falar nessa merda dos salários e trabalhadores aviso-o desde já que lhe lavo a boca com sabão... de qualquer maneira vou ter mesmo que sair porque as duas aulas de faculdade em Lisboa e no Porto que tenho para dar já começaram há 30 minutos e tenho que ir para lá imediatamente.

Os: Muito obrigado pela sua disponibilidade, mas só por curiosidade como consegue dar aulas em Lisboa e no Porto em simultâneo?

EFP: Vídeo-conferência sua besta!!! Não ouviu falar no choque tecnológico?? Fui eu que o fiz!!!

Por esta altura levantei-me apressadamente e enquanto me retirava ouvi EFP telefonar para a amante a dizer que ia sair agora para passar lá por casa para um rapidinha. Pensei para com os meus botões a maravilha que é o choque tecnológico. Até permite fodas virtuais!

MS
publicado por GERAL às 12:18
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2 comentários:
De c monteiro de sousa a 23 de Março de 2006 às 01:23
Gostei da entrevista e não estranho que o homem saiba muito,pois deve ser um amigo do Mirinho das OPAS.Já,em tempos, me inscrevi para um curso semelhante ao do entrevistado mas chumbei a cadeira nuclear onde é obrigatório sodomizar um orfão de pai e mãe doente e sem emprego.Ainda cheguei a baixar-lhe as calças mas...o que querem sou um madraço
De RdS a 22 de Março de 2006 às 15:06
Grande Entrevista, digna de horário nobre, com a Judite de Sousa.

Fiquei ilucidado! Só por mero acaso, ainda, existe economia na "tugolândia".

Este artigo espelha divinamente a mente retorcida dos nossos governantes.

De facto a cultura do "Eu" e a brilhante performance, ao nível da (in)competência, dos nossos quadros dirigentes é insuperável a nível mundial, finalmente somos os primeiros nalguma coisa.

Este artigo é GENIAL!

RdS

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