Sábado, 14 de Junho de 2008

A queda do 2º Império

 

E hoje? Estão bonzinhos?? Mais bem dispostos com os resultados da selecção?? Conseguiram, durante hora e meia (mais 3 horas de festa) esquecer a crónica falta de dinheiro?
 
Eu ando chato, é verdade mas depois do meu último artigo – longo – que vos pôs à beira da inconsciência intelectual resolvi voltar a escrever umas coisitas mas garanto que este é mais pequeno... embora deva voltar ao tema porque é vasto.
 
Hoje vou falar um pouco acerca da queda do 2º Império!
 
Mas que raio de Império é este? perguntam vocês entre duas dentadas numa sandes de couratos... porque o dinheiro não dá para almoçar todos os dias.
 
Bem, antes de mais eu tenho que começar por vos explicar o que considero o 1º Império:
 
O passado da Europa é rico cultural, social, politica, economicamente e militarmente e o seu marco fundamental é, sem dúvida, o Império Romano. Toda a Europa foi condicionada por estes tipos que apareceram da península itálica e conseguiram criar o maior império europeu. Não existe nenhum País, hoje, que não tenh sido influenciado pela tradição e história dos tempos romanos.
 
Foi, de facto, este império que deixou um legado de cultura mais ou menos unificada, um legado jurídico comum, de lingua comum e que marcou indelevelmente a génese europeia. Sob a pax romana, a europa – na altura meras províncias do império – tornou-se o centro do saber moderno do mundo. Capitalizando os conhecimentos adquiridos aos gregos, aproveitando a fragmentação tribal de então, Roma criou um estado unificado onde a livre circulação e o comércio eram a pedra fundamental da arquitectura romana. Mas sobre toda esta aparente harmonia imperial estava o gládio e a sandália cardada dos legionários. É que apesar de umas ideias mais liberais para a altura e um conceito de globalização muito próprio, os romanos não eram parvos e para manter a população no “bom caminho” tinham que estar sob o jugo das legiões... é que a preguiça não foi uma invenção portuguesa do século XVIII.
 
Começando como uma Republica, Roma depressa se tornou o centro do mundo antigo. O seu legado reflecte-se na lingua, literatura, códigos legais, estilos e formas de governo, arquitectura, engenharia, medicina, desporto, arte, etc. Depois da sua queda, muitos têm tentado re-erguer das cinzas este colosso, esta época dourada do mundo antigo. Refiro-me, claro, ao Sacro Império Romano – que não é mais que uma tentativa de recriar o Império do Ocidente, tendo como expoente máximo Carlos Magno, coroado Imperador cerca do ano 800 e foi de tal modo importante a sua coroação pelo Papa Leão III que esse dia passou a ser o dia de natal (estão a ver que o dia do nascimento de Cristo foi um “bocadinho” manipulado, politicamente falando). O império romano contribuiu com várias coisas, entre as quais o calendário com anos bissextos, a instituição cristã. A extensa rede rodoviária construida pelo exército romano dura até aos nosso dias. Devido a este rede de “alta velocidade”, diria eu, o tempo de viagem entre os destinos da Europa só diminuiu durante o século XIX, com a introdução do vapor.
 
Como vemos, o 1º Império é um dos marcos mais importantes da história da humanidade...
 
Mas qual é, afinal, o 2º Império?
 
Bem, este começa na década de 50 do século XX e refiro-me, claro está, ao pacto do carvão e do aço e que está para a Europa de hoje como a República estava para o Império Romano.
 
Seguindo uma filosofia em tudo semelhante, a pouco e pouco o 2º Império tem crescido passado por denominações como CEE (Comunidade Económica Europeia), CE (Comunidade Europeia) e agora UE (União Europeia). As primeiras fases foram um absoluto sucesso porque o principio inerente era económico, isto é, o interesse de todos os participantes centrava-se no respectivo crescimento económico em que o sucesso individual de cada um dos países servia de trampolim para os restantes. Quando, no seio dos países membros, se garantiu a livre circulação de bens e pessoas dentro do espaço comunitário, todos entendemos isso. Afinal a Europa tem uma raiz comum, uma história comum e que, apesar de ser o continente com mais ódios de “estimação” por km2, tem uma capacidade de tolerância entre-Europeus que não é comparável em mais nenhum ponto do globo.
 
Mas começa a surgir um “pequenino” problema. Ao ser criado um organismo público (outra herança romana, que desenvolveu o serviço público e colecta de impostos como nenhum outro... com excepção da actual UE) que tinha necessariamente de regular e coordenar os esforços económicos comuns, abriu-se a porta ao funcionário público que quer chegar ao poder e quanto maior for o território a gerir, mais ele ambiciona o poder. Com os sucessos alcançados até então, a mente de funcionário público começa a funcionar e a pensar que acima de tudo era fundamental politizar a comunidade europeia. Quanto mais política ela fosse, mais fácil era o seu acesso ao poder e mais estanque se tornava quanto a processos de controle... para além de afastar o cidadão europeu de toda e qualquer decisão. Sim, infelizmente a política serve apenas para isso, para afastar o cidadão de qualquer decisão tornando-o numa amálgama de impostos e trabalho pronta a ser explorada!
 
Têm sido tomadas todas as medidas – mais ou menos óbvias – para tornar o projecto Europeu numa instituição política supra-nacional em que, com a desculpa de apoio financeiro mutúo (do qual Portugal tem sido um ávido receptor e sem o qual já teríamos vendido este canto à beira-mar plantado), se pretende criar um 2º Império do Ocidente. E aqui surgem os problemas!
 
É que se os europeus se toleram economicamente, se se entre-ajudam quando necessário, odeiam-se politicamente. Cada um dos países tem uma história longa, rica e envolvente; cada um dos estados membros tem o seu quinhão de um antigo e magnifico império... e nenhum deles quer abdicar de tal e isso é perfeitamente natural.
 
Além disso, face à adversidade internacional, este “novo” 2º Império (que inclusivé pretende o alargamento territorial em tudo semelhante ao império romano) tem mostrado a sua incapacidade de resolver os problemas. A resposta a este terceiro choque petrolífero é ridicula e é de uma mera aceitação tácita, a resposta às desigualdades dentro da UE é semelhante. O Banco Central Europeu sabe unica e exclusivamente aumentar as taxas de juro como se essa fosse a única resposta que Trichet tem. Em termos militares, a Europa não tem a capacidade de dar resposta aos novos desafios e encolhe-se sempre que alguém bate o pé (basta ver a resposta da UE ao problema das caricaturas de Maomé dos dinamarqueses... todos se encolheram, como se os muçulmanos, coitadinhos, fossem virgens a quem apalparam o rabo). Para além disso tem seguido uma política militar de terceiros, nomeadamente americana, que tem condicionado toda e qualquer veleidade de crescimento autónomo.
 
E hoje, finalmente, mais uma machadada foi dada a essa coisa “mal-parida”, espécie de Constituição Europeia com outro nome, que dá pelo nome de Tratado de Lisboa. Os Irlandeses, a quem agora querem punir, fizeram um referendo e o Não ganhou. Os restantes politicos europeus andavam a fugir disso como o diabo da cruz (veja-se o caso Sócrates com a sua promessa não cumprida de referendo em Portugal) mas os Irlandeses, por imposição legal, fizeram-no e nele é reflectido uma vontade comum à maioria dos europeus: Europa económica sim, Europa política não!
 
Os alarves dos políticos ainda não perceberam que a união politica da europa, forçada e contra-natura, só vai criar o crescimento dos nacionalismos como resposta. Para além disso, se se quer uma UE democrática, onde o cidadão tem uma palavra, não podem fugir às responsabilidades de perguntar ao cidadão europeu aquilo que ele quer. Sempre que fizeram um referendo deste género a resposta foi clara e depois desculpam-se com o tradicional “o cidadão não estava devidamente informado”! mas se não estava informado, de quem é a culpa? Daqueles que a tentarem esconder uma mentira, baralham as coisas de tal maneira que recebem o não.
 
O primeiro império baseava-se numa premissa fundamental: a força do gládio. Agora tentaram criar um segundo mas onde o gládio foi substituído pela demagogia política. Resultado: o 2º morreu antes de nascer e façam agora o que fizerem, quer ratifiquem ou não, a Europa perdeu a legitimidade pois ao fugir do cidadão, alienou-o e hostilizou-o. Tornar um processo económico num processo politico é um erro crasso e foi isso que fizeram com a UE!
 
Um abraço
MS
publicado por GERAL às 01:14
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