Sábado, 28 de Junho de 2008

Adeus Scolari

 

Adeus Scolari de Portugal
 
 
Eis-me de volta com um tema tão do agrado dos portugueses em geral, e do meu em particular – o pontapé na bola. Básicamente, sou o unico escrevinhador neste humilde espaço que se debruça sobre esta tão importante manifestação socio-patológica, particularmente manifestável na Tugolândia, mas enfim... gosto mesmo de futebol. É pena, dirão alguns de vós
 
Dos 10 milhões de portugueses que vivem aqui neste rectângulo à beira mar plantado, e com as supostamente costas quentes guardadas por essa espécie de pseudo-nação-maldosa que é Espanha, que já era melhor do que nós em tudo, e agora até no futebol o é, eu sempre fui um dos 435 tugas que criticou ferozmente o Sr Scolari. Já o fiz neste espaço, e para manter a coerência volto a fazê-lo, numa altura que me parece apropriada.
 
Estava Portugal contente e esperançado da vida antes mesmo do começo do Euro2008. Muitos já pensavam que éramos campeões antes mesmo de o sermos (e já agora, que não seremos). E confesso que depois das primeiras vitórias e exibições da nossa selecção (contra essas referências mundiais do panorama futebolístico que são a Turquia e a actual República Checa) até eu me entusiasmei pelo facto de a selecção ter jogado benzinho. Bom, depois veio a derrota contra a Suíça, país organizador, mas com uma equipa me(r)diana, e logo por 2-0, e calhou-nos a Alemanha, tendo eu prognosticado desde logo que não passaríamos. Não porque a Alemanha seja assim um papão tão grande. Já o foi. Nos tempos em jogavam um Klinsmann, um Matthaus, um Moeller, um Rummenigge, um Augenthaler, um Bremhe ou um Littbarski, só para referir alguns. Hoje em dia têm um Ballack e muito pouco mais. Mas apenas porque tinha a (quase e infeliz) certeza que mais uma vez, sem a ajuda da Nossa senhora do Caravaggio, Portugal não teria uma liderança capaz de suplantar uma equipa tácticamente forte e, importante, muito mais humilde do que a nossa.
 
Levámos pois dos “hunos” 3-2, e saímos de cabeça baixa e muito merecidamente.
 
O saldo final deste Euro2008 para Portugal salda-se em 2 vitórias e 2 derrotas. 6 golos marcados e 5 golos sofridos. 2 exibições boazinhas, e 2 exibições medíocres.
 
O reinado de Scolari chega ao fim, e chega ao fim felizmente para a equipa das quinas.
 
Durante 6 longos anos, o povão adorou-o, lambendo-lhe a peidola, e nem sequer o criticando quando o merecia, tendo havido muitas vezes em que o mereceu.
Durante 6 longos anos, o Sr Scolari fez o que quis, como quis, quando quis, tomando decisões de lesa-pátria que qualquer um treinador dito-normal nunca tomaria (apenas como exemplo o não ter levado o Qauresma para o mundial de 2006 quando tinha sido de longe o melhor jogador da liga portuguesa – em vez disso levou o Boa Morte que fez triste figura nos palcos alemães)
Durante 6 longos anos, o Sr Scolari auto-promoveu-se em anúncios publicitários pagos a peso de ouro, e sendo orador (bem pago) em diversas instituições onde o mote era liderança, motivações e afins
Durante 6 longos anos, o Sr Scolari tentou várias vezes fugir das suas responsabilidades, tendo inclusivamente às portas do mundial 2006 arranjado maneira de encetar conversações com a Federação Inglesa de Futebol.
 
E nós, panhonhas, sempre o perdoamos, e inclusivamente, glorificamos.
 
Nunca entendi muito bem as razões para tal.
 
2º lugar num campeonato da Europa realizado em portugal quando tínhamos provávelmente o melhor naipe de sempre de jogadores ao serviço da selecção? Tendo perdido na final com uma equipa reles, depois de já termos perdido com a mesma na primeira fase da competição? Ultrapassando a Inglaterra nos penálties? Tendo tido todo, mas todo mesmo, o apoio de todo o Portugal, sabendo quais deveriam ser as debilidades do adversário? Jogando depois na final aquele que foi provávelmente um dos piores, senão o pior jogo que já vi de Portugal (a melhor oportunidade foi um remate que passou 3 metros ao lado da baliza). Ocasiões destas – ter um naipe de excelentes jogadores, jogando em casa na final contra uma equipa sofrível – só acontecem uma vez e são de aproveitar. Ele não aproveitou. 2º lugar? É o primeiro dos ultimos.
 
4º lugar na Alemanha com quase o mesmo naipe de jogadores? Tendo tido uma primeira fase a jogar contra monstros do futebol como Angola, Irão ou México? Depois batalha campal contra a Holanda e mais uma vez penalties ganhos contra a Inglaterra? Claro está que depois de tão difícil como sortuda missão perdemos jogos contra equipas a valer. Mas um 4º lugar é um 4º lugar dir-me-ão. E eu direi que é o 3º dos ultimos.
 
Depois termos sido seleccionados para o Euro2008? Onde não ganhámos um, repito, UM jogo contra nenhum dos nossos adversários mais directos (e tããããão difíceis que eles eram...Sérvia, Polónia, Finlândia, todos eles com diversos Ronaldos, Decos, Quaresmas, Nanis, Simãos, Ricardo Carvalhos, Bosingwas a jogar lá) tendo Portugal corrido o risco de ser eliminado no ultimo jogo contra a Finlândia quando a 3 minutos do fim viu uma bola a passar um metro ao lado dos postes da baliza. Salvou-se em todas as elimminatórias o “quase soco” de Scolari a um jogador Sérvio. Quase-soco do tipo “quase-ganhei-o-campeonato-da-Europa-em-2004” .
 
E depois, o que vimos agora na Suíça.
 
Scolari sempre protegeu os seus meninos queridos. É por isso que pôs o frangalheiro Ricardo na baliza, grande co-responsável pela derrota da Alemanha. Digo co-responsável porque responsável mesmo é Scolari. Que não se coibiu de pôr outros dele queridos a titular como o Simão que não jogou um corno no jogo contra a Alemanha, ou um Paulo Ferreira (que ele fez questão de dizer que seria o primeiro dos convocados antes mesmo da lista geral sair) que deu casa durante todo o campeonato. E é por causa também, mas não só dessa casmurrice, e desse verdadeiro conluio pseudo-emocional, que lá nos afundámos outra vez.
 
Provávelmente estarei a ser injusto se não referir o que Scolari fez de bom enquanto cá esteve. Foi a única pessoa que pôr 70% da população portuguesa a pôr bandeiras na janela. Se pensarmos bem, os portugueses não têm assim tantos motivos para pôr bandeiras nas janelas, algo que noutros países acontece com frequência seja porque motivo fôr, ou mesmo não havendo motivo nenhum. O futebol é o nosso ópio, e talvez uma das poucas razões do nosso contentamento. Só que eu não consigo é perceber o porquê e de estarmos contentes com o nosso futebol, mas isso deve ser erro meu, com toda a certeza.
 
Por outro lado, Scolari sempre se protegeu e aos amigos. As consequências vêem-se. Mas muitos (que não eu) referirão que isso é positivo. Diz-se que pôs presidentes de clube que interferiam na selecção na linha. Pois...se eles interferiram por exemplo no campeonato da Europa de 2000 onde fomos de longe, com mérito, a melhor equipa, eliminados por um AZAR, então, venham as interferências pá, que eu não me importo.
 
Finalmente nestas coisas boas que ele andou cá a fazer...bom...já referi que alguns dos anúncios televisivos eram patéticamente engraçados?
 
Por tudo o acima, Scolari de Portugal, vai-te, e vai com sorte para o Chelsea. Essa contratação que quiseste ver anunciada durtante mesmo a realização do Euro2008 quando dias antes tinhas proibido outros (jogadores, nomeadamente) de falarem durante o Euro sobre hipotéticas contratações para a próxima época (já agora, engraçado ter visto o suposto menino-bonito Ronaldo a falar do suposto enamoramento com o Real Madrid, minutos depois da eliminação com a Alemanha...não se ensina respeito no balneário..??..). Frei Tomás não faria melhor, Mister Scolari. E, Scolari de Portugal, tenhas mesmo muita sorte, porque talento nem por isso terás porque nunca o tiveste. E não penses que em Inglaterra vai ser como cá. Os bifes não gostam de lamber cús a ninguém. E a imprensa inglesa não é tão doce e subalterna como a portuguesa. É bom no entanto que não saibas o mínimo dos mínimos de inglês pois assim, não ficarás chateado quando os jornais tiveram expressos na sua primeira página um “fukk Off Filipe”. Pode inclusivamente acontecer que penses que é um elogio. Não me admiraria. E o Abramovich pá, o Abramovich quer é equipas que dêem guito. Aquilo é outro campeonato, e não estás preparado para tal. Dou-te 6 meses, vá lá, uma época, antes de levares aquilo que os comentadores portugueses designaram de “chicotada psicológica” (aqui para mim, designação mais ridícula era difícil de se encontrar).. Pode ser que me engane. Mas mesmo que não me engane, terás com certeza um Portugal inteiro para te receber e voltar a dar, sem mácula, o cargo de treinador da equipa das quinas pelos bons serviços prestados à nação. Nós somos assim pá. Reconhecemos sempre quem tem mérito. Nem que seja para seu proveito próprio.
 
Adeusinho, e please...don’t come back (traduz lá esta)
 
Beijos e abraços para os leitores que decerto me crucificarão por tão mal ter dito daquilo que é um símbolo nacional, possívelmente com direito a estátua (não me admirava NADA)
 
JLM
publicado por GERAL às 21:17
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