Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2006

O Professor... esse desconhecido!

Caríssimos leitores,
 
Muito boa tarde/dia/noite a todos. Hoje resolvi escrever sobre algo que passa totalmente despercebido e que muitos foram – e são – vítimas: o Professor Jubilado.
 
Já anteriormente foi referido, por mim e pelos outros colaboradores deste blog, que a guilda dos professores universitários escapa por todas as malhas e continua a dizer que são os melhores do mundo. A interrogação que deixámos antes era que se eles eram assim tão bons porque raio os seus discípulos conseguiram levar a Terra Estranha até este pântano.
 
Se seguirmos um simples lógica, eu diria que lógica socrática (não, não estou a falar do Primeiro-Ministro), podemos facilmente chegar a uma conclusão totalmente errada. Eu explico:
 
- Os professores universitários são uns fulanos espantosos e do melhor que há;
 
- Escolhem para seu séquito os melhores alunos (que por acaso até são familiares) e para assistentes os melhores dos melhores (que por acaso até são os filhos uns dos outros);
 
- Eles (professores) e o séquito (alunos brilhantíssimos e assistentes iluminados) assumem cargos de relevo na administração da Terra Estranha onde podem aplicar as suas conclusões fruto de investigações aturadas;
 
- Logo a Terra Estranha é um paraíso de gestão e um sucesso social e económico sem paralelo!
 
Errado!
 
Esta, entendo, deveria ser a lógica da “coisa” mas não é. Vejamos algumas razões porque tal não acontece.
 
  1. A maioria dos professores universitários, depois de atingir os pontos mais elevados da sua carreira tendem a olhar com desdém para ideias novas e tendem a agarrar-se aos conhecimentos que adquiriram há 40 anos atrás, continuando a deíficar livros e trabalhos que, sendo relevantes e revolucionários na época em que foram escritos, estão visivelmente ultrapassados;
  2. Existe uma continua perpetuação de modos de visionamento do mundo por parte dos membros do seu séquito uma vez que têm que ser iguais para poderem ser aceites. Todos aqueles que estiveram em desacordo com professores universitários, nas universidades, nunca foram além de notas medíocres, depois de 10 anos a fazerem a mesma cadeira;
  3. Numa lógica de protecção de grupo e de classe, é curioso ver o currículum de todos os assistentes por eles escolhidos. É curioso ver que são familiares directos ou próximos de outros colegas de profissão na certeza que os seus próprios filhos serão protegidos por outros colegas. Isto é, considero curioso que os filhos de professores universitários sejam, invariavelmente, professores universitários, deixando-me sempre a interrogação se em dezenas de milhares de outros jovens estudantes não se aproveita mais nenhum para ensinar ou investigar;
  4. Os métodos de avaliação são no mínimo caricatos. Os velhos gurus do ensino universitário são aqueles que, normalmente na primeira aula, começam por afirmar que com eles nunca nenhuma aluno tirou acima de 14 ou 15 e que normalmente chumbam acima de 50% dos alunos. Pena é que ninguém lhes explique que esse tipo de atitude apenas realça que eles (professores) são uns péssimos profissionais, em primeiro porque não sabem ensinar e depois porque não sabem avaliar ou reconhecer as capacidades dos seus alunos;
  5. Tal como qualquer outra guilda, os elementos constituintes apesar de aparentados de víboras – tal o vitríolo que distalam uns pelos outros – protegem-se mutuamente e quando uns dos velhos (dos magníficos) diz uma bacorada de proporções bíblicas ninguém apareça a dizer que que o senhor está enganado. Eu sei que é complicado para eles mas os professores também ficam xéxés apartir de certa idade;
  6. A tendência de assumir que aquilo que um professor universitário diz está sempre correcto e deve ser interpretado como lei não pode estar mais longe da verdade. Apesar de eles o apregoarem, não são conhecedores de todas as áreas (nem da deles sabem tudo) e tal como qualquer outro ser humano comete erros. Já alguém ouviu um prof a admitir que errou? Nunca! Eles devem estar perto da perfeição divina, coisa que os restantes mortais não.
 
Sejamos realistas sobre alguns assuntos: em primeiro lugar o facto de um indivíduo ser inteligente, brilhante ou bom investigador não faz dele automaticamente um bom professor. Ensinar pressupõe um determinado número de características quenem todos têm. É o mesmo que dizer que para se ser um bom médico é absolutamente fundamental ser um aluno de pelo menos 23 numa escala de 0 a 20. o que ele é, isso sim, é um excelente estudioso mas daí até saber interagir com o paciente, ler os sinais que o atormentam, etc é outra coisa. Em segundo lugar como é que um individuo pode afirmar que nunca dá notas acima de um determinado valor, apenas porque é professor e não pelo valor dos alunos que estão à sua frente. É verdade sim senhor, existem indivíduos brilhantes que são muito melhores que os seus professores mas, infelizmente, não têm nomes sonantes. Este tipo de atitudes que os professores transmitem aos seus alunos reflecte-se na vida das empresas uma vez que os alunos, em cargos de chefia, nunca vão reconhecer o trabalho do funcionário ou a sua mais valia, afinal ele nunca dá mais do que uma certa avaliação! É isso que eles aprenderam e é com isso que foram humilhados.
 
Como é que se pode esperar que os gestores portugueses saibam efectuar uma avaliação ou reconhecimento de trabalho se, na sua fase de preparação para o mundo do trabalho uma múmia paralítica de 103 anos que mal consegue falar o humilhou repetidamente e lhe disse que ele, aluno, nunca será melhor que ele, professor!
 
Finalmente uma ultima consideração: essas velhas múmias paralíticas dão aulas em várias instituições académicas, a várias disciplinas a diferentes anos. Como é que ninguém pergunta se isso é possível? Como é que hoje dão 2 aulas diferentes em Lisboa, amanhão estão na Covilhã a dar uma outra diferente e depois estão no Porto na quarta-feira a dar 3 aulas ainda diferentes, voltando a Lisboa na quinta-feira para dar mais 2 numa outra faculdadee ficam com o fim de semana para tratar de mestrados? Eu sei que a resposta que eles dão é que os assistentes dão as aulas e eles coordenam.... mas então, nesse caso, deixam de ser professores universitários e passam a ser gestores de escravos que trabalham para ele.
 
Se forem comparar com as outras instituições de prestígio internacional verificarão que os prémio nobel, por exemplo, são professores numa universidade – digamos, Cambridge – e mais nenhuma. Essas universidades impõem aos seus professores uma coisa muito simples e que em termos mais leigos se pode resumir a: “Tu sabes muito! Não te importas, vais por os nossos alunos a saberem muito!”
 
O que se passa na Terra Estranha é, em termos leigos, o seguinte: “EU SEI MUITO! Os meus alunos são uma merda que não vão saber o mesmo que eu senão eu deixo de saber MUITO e todos vêm que, afinal, não passo de uma merda que cheguei a professor porque o meu paizinho, em 1888, também era professor!”
 
Esta, infelizmente, é uma realidade incontornável da Terra Estranha e enquanto não acabarem com os velhos jubilados das faculdades – que comem à esquerda e à direita com pareceres e consultoria – não há qualificação ou plano tecnológico que nos valha. Os professores são importantes, inegável, mas apenas enquanto indíviduos capazes de replicarem os seus conhecimentos pelos mais novos e servirem de alicerce a novas investigações, não enquanto auto-intitulados génios.
 
Para finalizar, um exemplo: a Faculdade de Ciências de Lisboa é das maiores da Europa em termos de Professores Doutores e afins e é uma das que menor produção científica tem na Europa! Curioso não é?
 
Eu pelo menos acho!
 
Um abraço
 
MS
publicado por GERAL às 16:56
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