Quarta-feira, 1 de Março de 2006

As “Pontes”.

Saudações!

Hoje o tema vai ser mais sério! Pois não vou satirizar, vou apenas apresentar um outro ponto de vista, muitíssimo discutível, mas que também pode ter lugar nesta sociedade. Hummm! Se calhar não, ainda vou ser rotulado de comunista, vou ousar por em causa algumas das premissas maximizadoras da economia mercantilista.

Ouvi na rádio as brilhantes conclusões da Ordem dos Economistas sobre o elevado prejuízo que as “pontes” (não as obras de engenharia, é sobre aqueles dias complicados que ficam entre um feriado e o Fim-de-Semana) trazem para o país e fiquei a saber que, segundo esta conceituada organização, representam pelo menos 1% do PIB.

Interessante, comecei por fazer uma pesquisa sobre o PIB e só consegui descobrir o valor do PIB nacional referente ao ano de 2002: 128458 milhões de euros. Ora 1% será: 1284,58 milhões de euros. Estou a ver…. Se trabalharmos todos os dias, incluindo fins-de-semana e feriados o PIB aumentava em, pelo menos, mais 106% (106 sábados e domingos, sem contar com os feriados). De certeza que é aqui que vamos encontrar a solução para o problema financeiro do país.

Fiquei apenas com uma dúvida, gostava de perceber em que é que se basearam para achar o tal 1%? Terá sido única e exclusivamente na divisão do PIB pelos dias úteis de trabalho? Não! Deve ser outro método muito mais analítico. Só pode ser!

Bom, voltando ao assunto. Será que assim conseguimos resolver as finanças públicas do país e entrar no crescimento sustentado?

Resolvi perder um pouco de tempo e dediquei-me a analisar este assunto por outro ponto de vista igualmente economicista. O PIB, entre outras variáveis, inclui as receitas obtidas pelo sector da hotelaria e, pelo menos, parece-me que estes apreciam bastante os lucros que obtêm das “pontes” e dos fins-de-semana prolongados. Já para não falar das férias e dos eventos extraordinários tipo Lisboa-Dakar ou campeonatos da bola.

Se acrescentarmos, ainda, as receitas provenientes dos espectáculos, cinemas, restaurantes e do comércio em geral, que nestes períodos, ditos não laborais, registam a sua maior afluência de consumidores, temos aqui um valor incluído no PIB que talvez não seja de menosprezar.

Portanto, se retiramos do PIB o tal 1% devido a um dia de “ponte”, quanto é que retiraremos do PIB se não houvesse pontes, fins-de-semana e outras actividades extraordinárias? Alguém fez contas a isto?

Continuando, e se para estas contas todas incluíssemos, ainda, mais dois outros factores para serem contabilizados? Que tal o índice de motivação e o efeito descanso dos trabalhadores no índice de produção. Será que vamos produzir o mesmo se trabalharmos non-stop? Será que as “pontes” (para quem tem o privilégio de as usufruir) têm algum efeito na produtividade? Alguém já estudou isto?

E a motivação? Alguém já se debruçou sobre os efeitos que estas medidas podem ter ao nível de motivação e nos seus reflexos produtivos? Não nos podemos esquecer que estamos num contexto de contenção salarial e que os ordenados pouco, para ser mais realista, nada sobem. Já para não falar naqueles que perdem o emprego e que quando arranjam outro, é a ganhar metade.

Mas regressando ao espírito economicista puro sobre os períodos de trabalho. E porque não fazer um estudo sobre o efeito de trabalhar de 24 horas de seguida, ainda deve ser mais interessante!

Se só trabalharmos, sem pausa para dormir ou descansar, devemos atingir a perfeição laboral e o máximo da produtividade! Genial! De certeza que conseguimos aumentar o valor do PIB em, deixa lá ver…. 10.000%.

Só temos é de eliminar alguns postos de trabalho acessórios, por exemplo tudo que esteja relacionado com empresas e pessoas de actividades menos dignas como as que estão ligadas às áreas do espectáculo, literatura, televisão, imobiliário (sim! vejam a vantagem, deixamos de precisar de casas e de carros, Fantástico!), supermercados (comemos no emprego.), aparelhagens, divertimento, bebidas, etc.

Esperem lá! Quanto é que isto vale em percentagem do PIB?

Está-me a parecer que isto não passa de mais uma manobra demagoga de alguns imbecis que querem agradar ….Não sei a quem!

Em resumo, se calhar as pontes também tem o seu quê de produtivo, economicamente e numa perspectiva alargada da sociedade talvez tragam alguma mais valia. Como nem tudo fecha, antes pelo contrário, se calhar os volumes de negócio de determinados sectores até aumentam. E como as pessoas desanuviam, vulgarmente chamado de “carregar as pilhas”, quando regressam ao trabalho até se pode dar o caso de pelo menos manter o mesmo nível produtivo (a propósito de Produtividade, leiam o artigo já publicado neste blog).

Nem tudo funciona com máquinas altamente sofisticadas e auto-suficientes que não podem parar, até porque é suposto, num clima de verdadeira globalização, que essas tenham sido transferidas para países subdesenvolvidos de forma a não contribuírem para o aumento da poluição do ambiente e para que as empresas possam usufruir dos baixos custos de produção praticados nesses países.

Se uma empresa está a laborar numa “ponte” e se tudo o mais fecha, o que é que ganha com isso? E mesmo que estejamos todos a trabalhar? O nível de produtividade é igual? Afinal o que é que ganhamos com especulações destas? Além do tempo que alguns iluminados perdem com estas coisas, se calhar …Nada!

Como disse no início, vou de certeza ser crucificado, isto é blasfémia! Onde já se viu defender as “pontes”, ainda por cima vindo de um gajo que não é comuna. Preguiçoso! Vai trabalhar!

RdS
publicado por GERAL às 13:21
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1 comentário:
De MS a 2 de Março de 2006 às 12:07
Espectacular!
quer parecer que os "génios" da economia, cada vez que agarram uma calculadora só sai merda. Perguntaste quem eles querem agradar... essa é mais fácil... é o grupelho de amigos igualmente incompetentes!

Temos de continuar... acredito que cada vez mais gente vai começar a pensar... mais que não seja pensar em desligar o computador!!!

MS

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