Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2006

“A Produtividade”

Hoje venho trazer para aqui um tema que me anda a preocupar, e pelos vistos ao país também, que é a “PRODUTIVIDADE”.

O que é que se passa neste país com a produtividade?

Só ouço notícias sobre a nossa falta de produtividade, que não produzimos, que comparado com outros países temos pouca produtividade, que os nossos trabalhadores não produzem, etc, etc,…

Na nossa vida profissional interagimos com um sem número de pessoas, uns conhecemos melhor outros pior, uns são amigos e outros nem por isso, enfim, trocamos opiniões com resmas de gente, de todo o tipo de actividade e de sector, tanto do público como do privado. Nas conversas que temos, quando este assunto vem à baila, normalmente ouvimos coisas como:

“…este país tem uma produtividade péssima. Ninguém faz nada…”, “…isto está assim porque não se faz nada…”, “…as pessoas não querem é trabalhar…”, “…andam por lá a passear papeis e a limpar o pó às cadeiras…”, “…o nosso mal é a produtividade. Somos muito bons profissionais, mas a produtividade…”, “…lá fora é que é. Lá é que se produz a sério.”…and so on, and so on!

Também sabemos que os nossos trabalhadores são muito apreciados pelos estrangeiros e que lá fora temos, pelo menos, a mesma taxa de produtividade que os indígenas locais. Os nossos críticos e líderes de opinião dos media têm feito inúmeras divagações sobre este tema, todos devidamente suportados com extraordinários estudos e métodos analíticos.

Em resumo: Péssima Produtividade!

E agora o paradoxo!

Curiosamente, a seguir a estas declarações costumamos ouvir dizer “…mas, eu cá estou cheio de trabalho…”, “…a minha empresa é um furacão, não temos tempo para nada…”, “…isto está uma loucura, não paro um minuto…”. Aliás, nós somos o país da Europa com o maior número de horas de trabalho por pessoa. Em determinados cargos (leia-se chefias intermédias e de topo) um profissional que se preze pede desculpa por sair às 23.45 horas. Todos estamos entupidos em trabalho e o dia devia ter 48 horas. As reuniões são sucessivas, Himalaias de apresentações, blá, blá, blá, non stop.

Mas, continuamos a ter a pior produtividade do planeta.

No entanto, continuamos a apresentar lucros, produtos, serviços….

Estranho! Algo se passa.

Portanto: O Tuga não consegue despachar o trabalho que tem, os outros é que não fazem nenhum, a quantidade de trabalho que existe é digna de Hércules, as reuniões e demais “ões” não têm fim, não temos tempo para coçar… os “ões”, MAS A PRODUTIVIDADE É BAIXA!

Vamos analisar um pouco isto e tentar desmistificar “A Baixa Produtividade”. Temos várias possibilidades:

1) Andamos todos a mentir quando dizemos que estamos com as mãos cheias de trabalho – mas se elas estão cheias, de que é que estão cheias?

2) O trabalho que andamos a fazer não tem rigorosamente interesse nenhum, não serve para nada – que raio, então para quê que me exigem que faça isto?

3) A distribuição do trabalho é ilógica, sem nexo, nem promotor de qualquer mais-valia – Afinal o que se pretende que se faça?

4) Os métodos de avaliação da produtividade estão desfasados da realidade – quais são os critérios de produtividade? Alguém sabe? Alguém já foi submetido a um daqueles métodos que os nossos analistas mediáticos referem?

5) A produtividade é especulação – como a da bolsa, nós sabemos que as acções sobem e descem, mas as suas razões são obscuras;

6) A produtividade só se aplica na indústria - como temos vindo a dar cabo dela e a virarmo-nos só para serviços, é naturalíssimo que a esta esteja também de rastos;

7) A produtividade é um conceito só de analistas e de professores universitários – os comuns mortais como eu apenas ficam com a ideia de que ela existe - não sei como é, mas existe - mais um dogma desta terra estranha;

8) Não fazemos a mínima ideia do que queremos, para onde queremos ir e do que devemos fazer para atingir o que queremos (UAU! que confusão) – daí que a produtividade se possa caracterizar como uma sucessão de S’s, tão depressa estamos a produzir para o objectivo A, como desviamos 180º para atacarmos o objectivo B (este sim o verdadeiro objectivo), e a seguir aceleramos afundo para o objectivo Z (afinal este é que é a meta), como, de repente, retornamos a 500 KMH para o primeiro grande objectivo – Ufa! Parecemos uns elevadores, ora para o piso A, ora para o B…. – Onde fica a produtividade? Sei lá! Deve estar uns pisos abaixo, se calhar tenho de a ir procurar!

9) Andamos todos a trabalhar em estrela, cada um para seu lado, e nunca nos encontramos. Logo a produtividade é duvidosa.

Depois disto tudo, estamos com certeza muito mais esclarecidos. Bolas! Socorro! Alguém me explique - onde está a lógica disto? Acho que fiquei na mesma. Continuo a não perceber porque é que a nossa Produtividade é tão baixa!

Bom, como chefe e sabendo que a produtividade é baixa tenho que dar o exemplo - só tenho um caminho a percorrer: Chatear tudo e todos para aumentar a produtividade!

Como? Não interessa! O que interessa é que estejam todos cheios de trabalho. Se o resultado serve para alguma coisa? Logo se vê! De tanta coisa “produzida” tem de sair algum sumo bebível.

RdS (Mais um S improdutivo, ou serei produtivo? Deixem-me ver a escala de produtividade! Senão vou morrer na ignorância.)
publicado por GERAL às 17:35
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1 comentário:
De MS a 17 de Fevereiro de 2006 às 15:16
Seria interessante se os padrões de medição não incluíssem margens de lucro.

É que sincaramente acho que por produtividade, os patrões querem dizer Margem de Lucro Pessoal, ou MLP para os peritos

MS

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