Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2006

A Estratégia

Muito se fala hoje em dia em Estratégia. Não há “cromo” não fale em estratégia, “do que o país precisa é de uma estratégia”, “tem de se definir uma estratégia para o sector”, todos somos peritos em estratégia e sabemos tudo acerca de estratégia.

Os nossos políticos falam em estratégia, definem estratégias (kilos delas por hora) para tudo e para todos, pedem a todos que os ajudem a definir estratégias. Os nossos empresários também falam em estratégia, são os reis da estratégia e querem que o governo defina uma estratégia para o país, para a indústria e para os sectores.

É só estratégia por todo o lado – Portugal vive embrulhado na palavra estratégia.

No entanto há algo que não bate certo. Se todos falam, definem, pedem e aplicam estratégias o que é que se passa? Porque é que isto está cada vez pior?

Ontem estava numa reunião de “alto nível”, só grandes “craques” do sector, representantes de todos os actores das actividades que estão relacionadas com o mar. (Só craques não, eu também lá estava, não sei a fazer o quê, mas lá estava).

O objectivo da reunião era precisamente começar a definir uma estratégia portuguesa para o Mar, que se vai enquadrar na estratégia da União Europeia para o Mar, com um horizonte de 14 anos (até 2020).

Lindo, fantástico, até estava entusiasmado. Uma oportunidade destas é única.

Então o organizador, por acaso representante do Estado, desta sessão teve a infeliz ideia de fazer esta pergunta: o que é que o Senhores pretendem para os próximos anos? Como vêm os vossos negócios no médio prazo? E do que necessitam para os dinamizar, implementar e consolidar?

Houve um vazio.

Começaram todos a dizer que o que precisavam não estava englobado nos objectivos desta sessão, que actuavam em nichos de mercado e que era impossível previsões a médio prazo, que temos um mercado pequeno, que os Espanhóis é que sabem aproveitar e fazer as coisas andar, que não temos infra-estruturas, que o Estado não apoia, que o Estado não define a Estratégia, que não temos os meios financeiros, que temos problemas laborais (esses sim são importantes, tem de ser resolvidos, mas não neste contexto), que existe muita burocracia, blá-blá-blá.

Em resumo, ninguém fazia a mínima ideia do que queria, não tinham a mais pequena ideia do que pretendiam da sua empresa para os próximos anos, muito menos do que era preciso fazer e do que necessitavam para lá chegar.

Estavam todos à espera que alguém dissesse o que deviam fazer, apontasse o rumo e definisse a estratégia.

Saí um bocado desiludido, para ser sincero saí triste. De facto devo ser muito novo e ingénuo, esperava bastante mais. Tantas personalidades, todos a falarem com expressões e palavras de “50€”, só eruditos da linguística, quadros de “topo” do mais “alto nível”.

Pois é, antes de falarmos em estratégia, exigir estratégias e desejar estratégias se calhar temos que pensar NO QUE QUEREMOS e PARA ONDE QUEREMOS IR, só depois é que podemos pensar no “como vamos fazer”.

Pelos vistos este país continua órfão de liderança, precisa de alguém que aponte o caminho, que decida e que imponha uma via. No dia em que ressuscitarmos os mortos talvez consigamos vingar. O melhor é começar pelo D. Afonso Henriques, se ele criou este país é porque tinha uma ideia qualquer, devia era ter deixado escrito qual era e com o respectivo manual de instruções.

Esta gente só sabe funcionar com ditaduras e reis, pelo menos aí existe alguém que pode fingir que sabe o que faz e que diz aos outros (isto é o principal) o que fazer. Talvez a Comunidade Europeia acabe por pegar nisto, põe cá um Alemão ou um Italiano para dar um rumo qualquer a este “país”….

Fico-me por aqui.

RdS
publicado por GERAL às 12:41
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Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2006

Incompetência ou Competência.

Nesta Terra às avessas em que vivemos (ou se calhar sou que estou às avessas com esta Terra) a designação de competente / incompetente, de pessoa competente / incompetente para ser mais correcto, é algo que me está ultrapassar. Se for ao dicionário vejo que competente é: adjectivo 2 géneros, 1) DIREITO que tem competência legal para tomar conhecimento de uma matéria e julgá-la; 2) apto; 3) capaz; qualificado; 4) próprio; 5) devido;

E incompetente: adjectivo 2 géneros, 1) que não é competente; 2) que não tem aptidões e conhecimentos necessários à boa execução de determinadas funções; 3) sem capacidade; inábil; 4) DIREITO que não tem estatuto legal para determinada matéria. substantivo 2 géneros, indivíduo que não domina as aptidões e/ou conhecimentos necessários para a boa execução de determinadas tarefas ou funções;

Isto faz sentido, realmente coincide com o que me foi transmitido em novo, pelos meus pais, escola, amigos, em resumo pelo processo de socialização.

De repente cresci, na minha boa fé vou interagindo nesta sociedade portuguesa convencido que tenho as ferramentas adequadas, que utilizo a linguística, no pressuposto que me enquadro dentro dos usos e costumes e demais valores deste pequeno país.

Aqui começam as minhas dificuldades….Vou-me restringir apenas ao tema deste blog.

Oiço falar que se uma pessoa for um BOM profissional e COMPETENTE consegue vencer na vida, atingir bons lugares (supostamente bem remunerados), estar no topo, coisas extraordinárias. Fantástico. Entusiasmante.

Olho à minha volta, à procura de exemplos que confirmem as minhas expectativas… o que vejo?

Esperem!

Devo estar a ver mal… Se calhar preciso de novos óculos…Alguma coisa não bate certo….Deve ser impressão minha…

Estou a ver cargos importantes ocupados por gente (se é que se pode enquadrar essa espécie nesta denominação) que não cumpre minimamente qualquer requisito. Não fazem a mais pequena ideia do que é suposto ser feito, não têm qualquer tipo de conhecimento sobre o assunto ou o trabalho, não trazem nada de interessante ou novo. Em termos de liderança e chefia são completamente inaptos, centralizadores, mesquinhos, com a mania do controlo de tudo e todos (sem fazerem a mínima ideia do que é o controlo e como se faz).

Mas isto acontece em todo o lado, tanto no público como, estou pasmado, no privado!

O sector público, com politização de tudo, pode não surpreender tanto. Aceito, embora contrariado. Mas no privado! Como é possível? Não é suposto o privado ser eficiente, dinâmico, impulsionador, empreendedor? Como é que isto se conjuga com o que vemos em matéria de competência / incompetência?

Mas, então, em que ficamos?

O que vejo é pessoas a fazerem-se passar por aquilo que não são, assumirem-se Dr. sem o serem, ocuparem cargos de responsabilidade com a maior irresponsabilidade, definirem novas políticas / metas / objectivos incongruentes, sem qualquer plano ou estratégia. Sem a mínima noção de como se aplica na prática (para ser mais correcto, sem a mínima ideia do que fazer e como fazer).

Aplicando chavões e termos apregoados por líderes de opinião (aqueles que vêm nos jornais) sem a mínima noção das suas implicações. Mudando o discurso consoante o interlocutor, contradizendo-se se necessário. Pior, falando de competência e de “ser BOM” como se tivessem a mínima ideia ou faculdade para tal.

(A propósito isto de “ser BOM” dava muito que falar mas, por agora, não é o momento).

Por isso este país está como está…Já começo a perceber alguma coisita (ainda pouco, assumo, mas estou a abrir um pouco os olhos), se calhar competente / incompetente é algo mais intrínseco, deve estar no sangue ou em algo muito próximo (amigos). Também está relacionado com Lealdade e Confiança. E com a palavra SIM (muito importante), pessoas a que se atribui o termo “yesman”. Contorcionistas de espírito de actos, sem qualquer tipo de espinha dorsal, com habilidades únicas de… “sobrevivência”?

Revelação….Habilidades únicas!!!. Exacto, afinal o dicionário está correcto. Ainda que não esteja completo, mas aqui o erro deve ser meu. Falta-me capacidade interpretativa ou então algo na minha educação foi desvirtuado. Se calhar não tenho capacidade, sou incompetente, para abarcar estes significados tão simples. Ou serão tão complexos que só algumas mentes iluminadas são capazes (competentes) para os atingirem?

Fico-me por aqui. Até breve.
Um dos três S’s,
RdS
publicado por GERAL às 11:49
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Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2006

Hoje é o primeiro dia do resto dos nossos blogs...

Hoje é o primeiro dia do resto dos nossos blogs...
Isso quer dizer que é um espaço de maledicência, critica, cinismo, análise... ops! Pára! Já fui atacado por uns tugas...

Estava eu a tentar escrever algo elevado e interessante quando fui interrompido por um problema com uma “grande” empresa: a SOTAGUS – para quem não sabe é o operador de terminal de Santa Apolónia.
Como segunda e terça-feira foram dias de greve para os trabalhadores portuários europeus, não foi possível efectuar levantamentos nos respectivos terminais. Assim, hoje, teremos de pagar à referida empresa a estrondosa quantia de Euros 5,16 de armazenagem, referente aos dias 17 e 18 deste mês.
Ao tentar falar com as pessoas da SOTAGUS (em caps lock para não haver dúvida), entre outros argumentos foi referido que estavam alheios à greve (que é um facto) mas que isto era como a greve dos transportes públicos, que os utentes vão de táxi. Foi a seguir referido a extraordinária frase do léxico tuga “sabe, os grandes safam-se e quem se lixa são os pequenos...”
- Em primeiro lugar, fico satisfeito por saber que existem empresas que se intitulam grandes e os outros são pequenos
- Em segundo lugar, é bom saber que os supostos grevistas nunca são responsabilizados por nada
- Mas mais extraordinário ainda é esta terrível calamidade portuguesa do “tsss! São sempre os mesmo, safam-se e quem se lixa é o mexilhão...”

Bom! Estou cansado de ser mexilhão, estou cansado do País de fatalismo, fado e touradas; mais importante ainda, estou cansado da história do pobrezinho mas limpinho e honradinho... Isso era do tempo do pai do Mário Soares, do padrinho do Marcelo Rebelo de Sousa, do tio do Manuel Maria Carrilho e de todos esses...

Caros tugas.... não acham estranho que são os filhos deles que são os mesmos que lá estão? Eu até queria votar no padeiro ou no leiteiro lá da zona (têm qualidades, qualquer um deles) mas não me deixam... sou obrigado a escolher entre doutores, engenheiros e afins... Ah! e todos com média de curso acima de 23 (escala de 0 a 20)

MS
publicado por GERAL às 15:59
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