Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2006

Contributo deste blog – O que é urgente fazer neste grandioso país!

Como é Carnaval e ninguém leva a mal, vamos editar dois textos de uma acentada. Não há fome que não dê em fartura e nós queremos “farturar” com os nossos contributos.

Texto 1

Estava aqui a pensar como é que me hei-de dirigir aos leitores deste blog. Será que são muitos? Será que são muito poucos? Será que, para além dos que aqui escrevem, mais alguém perde tempo com estas verborreias?

Bom, como não sei, vou partir do pressuposto que temos mais audiência que um jogo na TV e dirigir-me aos milhares de espectadores, imaginários, destas letrinhas.

Para variar e para poder dizer que dei o meu sábio contributo a esta esplendorosa nação, hoje não venho criticar nada. É verdade, hoje vou contribuir positivamente com um exercício digno das mais altas esferas do pensamento iluminista e doutrinal que este pedaço de terra pariu (a modéstia ficou de cama, está doente e não me pode acompanhar).

Como estava a dizer, vou pura e simplesmente enumerar (acho que ainda sei contar até 15, deve chegar para isto.) as grandes obras e as grandes medidas que devem ser realizadas nesta emblemática República de descendentes de espermatozóides transviados que merece apenas e somente apenas o melhor e o mais magnânimo dos projectos.

Passemos à acção! Começo por enumerar as urgentes obras que tão desesperadamente precisamos:

- Passadeiras rolantes na baixa de Lisboa, com velocidades ultra rápidas (especialmente nas curvas) de forma a dar um toque radical a quem peregrina neste santuário da história e do comércio. Tipo dois em um, o prazer da montanha russa associado ao passeio de consumo.

- Feries diários entre as ilhas e o continente, com paragem nas Berlengas.

- Cimentar o Tejo, o Douro e outros rios para, além de estações de feries, criar parques multiusos: patinagem no gelo, campos de golfe - sem relva (não vá vir alguma vaca desmiolada pôr-se a ruminar) - e demais modalidades desportivas dignas dos tempos imemoriais em terras de Olímpia. Não esquecer a abertura de vários mega-shopping’s com cidades de lojas no seu interior.

- Erigir monumentos às diversas personagens bíblicas por todo o país, tão grandiosas que excedam largamente aquela amostra do Cristo-Rei.

- Instaurar uma rede a sério de Metropolitano, que atravesse obliquamente Portugal: De Bragança à Ponta de Sagres, com saída em escorrega gigante para o mar.

- Construir mais 5 mega Aeroportos, de 7 pistas cada. Um em Trás-os-Montes, outro na Beira Interior, outro no Alentejo (no meio), não esquecer Silves no Algarve e mais um na ilha da Graciosa (se não couber faz-se pistas pelo mar a dentro ou, ainda melhor, sub-aquáticas).

- Túneis, não aquela porcaria que se está a fazer em Lisboa para o Marquês de Pombal. Ligar Lisboa a Faro, Guimarães a Sines, Alcabideche com a Pampilhosa da Serra e tudo com 4 vias de cada lado.

- Pontes, resmas delas. Entre o Porto e Freixe de Espada-à-Cinta, da Serra da Estrela à Serra de Monchique.

- Muito importante, esta é de estrema utilidade pública - ligar, por eléctrico, Coimbra a Beja.

- Construir uma nova Assembleia da República, com 6 torres gémeas de 160 andares cada uma, com os mais modernos equipamentos e tecnologias de ponta como piscinas interiores, saunas e banhos turcos. Não esquecer as pistas de mini-golfe e os campos Squash.

- Mudar o Palácio de Belém para a Madeira e erguer nele uma estátua com 55 metros ao grandioso e nobre político – Alberto João Jardim.

- Queimar o Gerês e, no seu lugar, criar praias de areia branca e coqueiros artificiais.

- Abrir fossos em redor do país e fazer uma parede de muralhas e ameias, para não deixar entrar esses porcos imundos dos espanhóis, esses pobretanas sem visão que não fazem nada e só incentivam os outros ao trabalho - esclavagistas.

De obras já chega, ficamos bem servidos para os próximos milénios. Agora debrucemo-nos nas medidas e nos planos estruturantes, concentradores de mais-valias inadiáveis sob pena de hipotecarmos definitivamente as gerações futuras e perdermos o comboio do sucesso global.

E que medidas são essas? Não vou perder mais tempo, aqui vão:

- Abolirmos de vez qualquer direito do trabalhador. Esta praga tem de conhecer o seu lugar, o que é isto de direitos? Estes animais só podem ter deveres, têm de ser ordenhados até à última gota de sangue.

- Instituirmos a miséria como o grande desígnio nacional, enobrece a alma e fortalece o espírito de sobrevivência, aquele que já tivemos nos gloriosos tempos dos nossos antepassados aquando das suas auspiciosas aventuras por terras do Ultramar.

- Acabar de vez com a educação, só se pode ensinar o servilismo. Revolucionários todos para a forca. Difundir ideias, pensamentos ou, pior, ensinar a pensar só pode dar em asneira, olhe-se para o país. Quanto menos informação melhor, as pessoas não tem capacidade de separar o trigo do joio.

- Proibir a leitura, quanto muito só algumas publicações devidamente autorizadas. Que incutam nobres valores de depreciação do valor humano, obediência cega e total submissão.

- Erradicar o sufrágio universal, isto é, só vota quem reúne condições, previamente definidas, para o efeito e de acordo com o regime instituído.
- Acabar com estas macacadas das repúblicas e das democracias, instituir um conselho de sábios, cujos membros são escolhidos pelas suas inabaláveis virtudes e pragmatismo. Compete-lhes a nobre arte de iniciar na vida toda(o)s a(o)s virgens desta gloriosa nação.

- Proibir a cópula, esse grande mal – isso só é digno de elementos de elevadas estirpes, para apuramento da raça. Impor a sodomização, sem vaselina, dos estratos inferiores.

- Expulsar todos aqueles que tem mais que dois neurónios no cérebro. Potenciais arruaceiros, escória do país, divulgadores de libertinagens e de atentados à moral e aos bons costumes.

- Acabar com o Sistema Nacional de Saúde, se está doente que vá para outro lado, aqui somos todos sãos e não nos podemos dar ao luxo de ter doentes, era só o que faltava correr o risco de ter um energúmeno de baixa no emprego. A esmola que se dá é só para quem está disponível para servir 39 horas por dia, 12 dias por semana, 452 dias por ano.

- Acabar com as férias, feriados e fins-de-semana. Mas que merda é esta do direito ao descanso? Isto só leva à preguiça e ao desleixo.

- Instituir o “Chicoteamento” e o apedrejamento público – vamos ensinar de uma vez por todas o que é o respeito e a obediência ao povão.

- Erigir arenas onde os vermes (leia-se populaça) se degladiam como animais por uma côdea de pão de 15 dias, para prazer e deleite de mentes estadistas.

- Instituir de vez a Lei do mais forte e do mais poderoso. Darwinismo puro e duro. Vamos subjugar esta gentalha.

- Arrasar os inválidos, deficientes e os fracos – essa escória não tem lugar numa civilização de excelência e expansionista.

- Greves, só em comédias. Mata-se e acabou.

- Aniquilar a agricultura e a indústria, só interessa os serviços. Quanto muito dedicamo-nos ao cultivo da papoila e da indústria inerente.

E “prontos”, meus amigos. Este é o caminho para a grandiosidade e para a resolução de todos os nossos problemas. Eu já contribui, UFA! O Tico e Teco estão de rastos, tenho de parar ou ainda….

RdS

Texto 2
De acordo com a filosofia da solidariedade e entre-ajuda também julgo que é meu dever participar nesta listagem de sugestões. É importante que o cidadão possa contribuir para o fortalecimento desta Terra Estranha.

Assim, aponto as seguintes sugestões como algo importante para preparar o País para o século XXV (é preciso jogar em antecipação.... sempre)

- Implementar o futebol como religião oficial. Para tal, retirar toda e qualquer contribuição ou fiscalização das instituições futebolísticas.

- Legalizar a prostituição cobrando impostos sobre o número de espermatozóides e não sobre a actividade.

- Obrigatoriedade de entregar o ordenado às empresas e/ou estado sendo depois necessário requisitar vinhetas de refeição.

- Cobrir o país com um telhado de zinco e transformar isto num armazém da Europa.

- Venerar os fósseis vivos da política, presentes desde a implantação da república, como exemplos máximos da virtude e sabedoria. Quem não tiver pelo menos uma foto do Mário Soares em casa tem direito a uma violenta sodomização da parte de um camaronês especialmente contratado para tal

- Transformar o interior do país numa sociedade medieval de modo a promover o turismo europeu para apreciar uma cultura antiga e tradicional.

- Recrutar voluntários (à força) para testes médicos de modo a promover a ciência neste país.

- Conservar os cérebros, depois de retirados, em formol para evitar a fuga de génios

- Construir pontes a ligar Lisboa, Funchal e Ponta Delgada, com portagens e estações de serviço

Pelo acima apresentado, julgamos que a Terra Estranha poderá entrar no século XXV de cabeça erguida.

MS

publicado por GERAL às 11:26
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Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2006

Esquerda / Direita – Ou o descalabro do Centro

Bons Dias / Tardes / Noites ou qualquer outro fuso horário. Cá estou eu novamente nesta terra estranhíssima, eu diria mais, surealissima. Estou convencido que se o Kafka ou o Felini conhecessem bem esta esquina da Europa teriam feito o dobro, não, o triplo de obras-primas e de certeza que se dedicavam à comédia, porque ninguém com um mínimo de sanidade mental iria acreditar que existia.

Ando um pouco abismado com o que se passa, nesta agonizante sociedade em que miseravelmente sobrevivemos, em termos de orientações ideológicas. Aplica-se as terminologias “Esquerda”, “Direita”, “Centro Esquerda” e “Centro Direita” de forma tão estapafúrdia e desconexa que sinceramente já não consigo perceber qual é qual e o que é que cada uma defende de diferente.

Vamos parar um pouco e tirar um retrato do que vemos:

Comecemos pela “Esquerda”, está um bocado na mó de baixo, é muito mal vista e podemos descrever alguns estereótipos com base no que vulgarmente é expelido pelas ventas populares (aqui estou a tentar incluir todas as castas da nossa sociedade – sim CASTAS não pensem que é só na Índia que existe esta estratificação, aqui também há mas com mais ramificações e com um suplemento importantíssimo: a carteira).

Ora vejamos, pode-se definir o Homem de esquerda como:

- Pobretanas;
- Ou pouco instruído – pertence à casta baixa da sociedade – com profissões ligadas ao sector primário e secundário, apelidado de “Comuna” (se é que alguém sabe o que isto significa);
- Muito instruído, com cursos superiores, nestes casos é comum o uso de óculos e de um livro debaixo do braço, com profissões obscuras tipo professor (ou parvoeira do género), apelidado de “Intelectualoíde de esquerda”, fuma charros, com gostos musicais estranhos e pouco recomendáveis, amante das artes e espectáculos;
- Muitas vezes ateu;
- Mal vestido;
- Pensa sempre errado;
- Humanitário – o maior erro que se pode cometer;
- Ambientalista – isto é repelente, onde é que já se viu alguém ter preocupações destas;
- Defensor de causas indefensáveis – tipo aborto;
- Libertino – um péssimo exemplo;
- Tem medo;
- Pensa (este é o seu maior crime);
- Defende um Estado mais intervencionista e menos liberal, ou o comunismo ou outro ismo qualquer;
- Reivindicador – pelo tenta puxar a brasa à sua sardinha.

Debrucemo-nos agora na “Direita”, está na moda, começa a ser comum ouvir-se pessoas a assumir-se de “Direita”, com orgulho, assumem que tem as melhores e únicas soluções.

Ora vejamos, pode-se definir o Homem de direita como:

- Conservador – antigamente é que era bom;
- Dogmático – não se discute, “se é assim é para ser assim, este é o caminho que me foi apontado e é o correcto”;
- Ou muito instruído e neste caso com muitas posses (mesmo que não as tenha, finge que tem), normalmente ligado ao empreendedorismo e a cargos de chefia de topo, de gosto refinado, muitas vezes ouvinte de música mais do tipo clássica, apreciador de algum tipo de artes e de espectáculos, como livros de cabeceira lê bibliografias de grandes Ícones mundiais (mais ligados a ditaduras – exemplos máximos de liderança) e fuma charutos (de preferência enrolados entre as pernas, por virgens de 12 anos);
- Ou com uma instrução básica, neste caso tanto pode ser muito rico (normalmente com heranças, ligado a qualquer sector ou indústria) como muito pobre (muitas vezes ligado ao sector primário), com gostos muito duvidosos (é melhor não chamar gosto sequer), ouvinte de música pimba e tem por ídolo o Marco Paulo, ler nem pensar estraga os olhos;
- Normalmente veste bem, muito arranjadinho e penteadinho;
- Pragmático – esta é a principal arma e atropela tudo em nome do pragmatismo;
- Politicamente correcto – Só fala de mega assuntos e estratégias de ultra-top;
- Católico – com a hóstia expurga os pecados que faz deliberadamente durante todo o santo dia;
- Defensor de limites nas liberdades – menos no número de amantes;
- Gosta de se mover em círculos elitistas – De preferência com nomes sonantes da praça;
- Defende o Liberalismo e o Capitalismo puro – Choooo! Estado.
- Detesta o “povo” e não quer pertencer a ele – o que é o “povo”? essa amálgama de inúteis que só servem para escravos;

E agora o mais difícil, o que é o “Centro Esquerda” e o “Centro Direita”?

Aqui tenho muita dificuldade, existe uma mistura de crenças, atitudes e pensamentos que torna quase impossível de, sem legendas – ou seja a pessoa definir-se claramente, identificar uma facção. Tão depressa enaltece as virtudes mercantilistas como é um defensor acérrimo das causas sociais e dos pobrezinhos. Tão depressa odeia o povo como a seguir empalava o patrão. Tanto enforca o prevaricador como o santinho. Defende o consumo e a poupança.

Quanto a gostos, é praticamente impossível de definir um estereótipo, consome tudo e todos. Há de tudo e para todos os gostos e feitios. Diz mal de tudo e de todos. O cominho é sempre em frente, mas com muitas curvas, rotundas e bifurcações. Parece uma vela desgovernada pelo vento, roda em todas as direcções e não pára em nenhuma. Um verdadeiro Homem moderno. Defende e ataca tudo

Portanto, é o descalabro total do “Centro”, aliás alguém consegue definir o “Centro”?

Continuando ás apalpadelas nesta terra estranha, no entanto existem muitos comportamentos, atitudes e pensamentos idênticos, transversais às castas que povoam habitam este rochedo perdido do mundo, o mais emblemático é a inveja. Verdadeiro pólo aglutinador de estratos sociais e de orientações ideológicas (porra isto ainda existe? Tenho a impressão de que era mais útil abolir esta palavra do vocabulário nacional. Pô-la num museu, ou qualquer coisa do género – vejam houve uma altura em que se falava em ideologia, mas não se consegue perceber o que é ao certo).

Engraçado! Com isto tudo perdi-me. Devo ser do Centro. Pelo menos já me conheço melhor, ou se calhar não.

“Acho que era urgente começarmos” (adoro esta expressão tão utilizada por toda a gente que pensa…, pensar?) a definirmo-nos, afinal qual é o lado BOM, a esquerda, a direita ou o centro?

O melhor é inventar uma nova orientação ideológica (mas que mania a minha em utilizar esta palavra), que tal a RODA, ou para ser mais erudito a ESFERA, daqui podia surgir um grande movimento - o esferismo, caracterizado, para usar uma linguagem matemática, pelos seus 360 graus de opiniões. “Eu sou esférico”, soa bem não acham?

Meus caros leitores, porque não participam? Enviem ideias para inventarmos um novo sentido político, um novo “ISMO”, deixo aqui o nosso e-mail: ostres.s33@sapo.pt

RdS
publicado por GERAL às 09:48
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Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2006

A Solução Final....

Embora o título pareça assustador – como se recordam, a última pessoa que utilizou esta expressão desenvolveu a arte do forno e a mão-de-obra barata e tinha a mania do Arbeit macht frei, ou seja, o trabalho liberta – não se preocupem que este texto não vem emitir considerações sobre esse período histórico.

Nada disso! Aquilo que vou referir é a solução final para a Terra Estranha. Hoje, anunciado com pompa e circunstância, apareceu o novo investimento da SOPORCEL, de cerca de 900.000.000,00 de euros e que vai gerar 335 novos postos de trabalho.

Um dos grandes problemas desta nau desencabrestada, dirigida por esse animal político – o Sr. José Sócrates (omissão do titulo propositada uma vez que não sei em que Universidade e com que média terminou o curso) – que mesmo para discursos de Estado escolhe uma forma gritada (já repararam que parece que o homem está sempre aos berros e em comício?), tem a ver com o índice de desemprego.

Se não há emprego, não há riqueza. Até aqui é perfeitamente lógico e não há “espinhas”. Perante esta premissa, o programa do PS prometia a criação de 150.000 postos de trabalho (considerando que o Governo PS já vai com mais de 2.000 nomeações, então já só precisa de criar 148.000 postos de trabalho, mas isso é outra questão).

Ora as dificuldades nacionais são sobejamente conhecidas de todos e o P.E.C. está a ser posto em causa pela União Europeia por isso há que arregaçar as mangas e fazer isto andar para a frente. Assim, para dar uma ajuda ao Sr. José (ou Zé para os compinchas) e por isso aqui vai:

Ó Sr Zé, repare numa coisa: a SOPORCEL investe 900 milhões de euros e recebe 178 milhões de benefícios e incentivos fiscais (são quase 20% do investimento) para criar 335 postos de trabalho. Ora utilizando a regra dos três simples (ainda não percebi porque raio este nome porque não tem nada a ver com sexo, virgens e afins) para criar 150.000 postos de trabalho só tem de criar um investimento em Portugal de 402.985.074.626,87 euros (por extenso é algo do género: quatrocentos e dois mil novecentos e oitenta e cinco milhões e setenta e quatro mil e seiscentos e vinte seis euros e oitenta e sete cêntimos) e já está. Para conseguir isso terá, também, de garantir um pacote de incentivos na mesma ordem, ou seja, de 80.597.014.925,37 (oitenta mil quinhentos e noventa e sete milhões, quatorze mil novecentos e vinte e cinco euros e trinta e sete cêntimos). [nota: nunca esquecer os cêntimos senão está o fisco à perna...]

Como nesta fase o “caga-milhões”... desculpem!... o Zé só anuncia projectos grandiosos, poderá com esta simples medida resolver de uma vez só todos os problemas da Terra Estranha. Perante os números apresentados, não será difícil para nós apresentar projectos nesse sentido e com um pouco de calma ainda pedimos à UE para entrar com uns dinheiritos para a malta.

Agora poderão perguntar que tipo de investimentos podemos fazer. É legítima a pergunta e aqui estão algumas sugestões:

► Substituir a linha de metropolitano de Lisboa por metropolitano de alta velocidade.
► Não controlar as despesas e derrapagens causadas pela Administração do Metro do Porto (neste caso nem é necessário criar infra-estruturas, basta deixar os animais à solta).
► Ligar, por pista de aterragem e taxi-ways o aeroporto da OTA e da Portela. Isto até é porreiro porque o avião aterra na OTA e deixa os passageiros na Portela.
► Pedir aconselhamento de investimentos ao Belmiro de Azevedo e participar nos planos económicos do Grupo SONAE.
► Permitir a substituição da frota automóvel da função pública (toda) uma vez por ano. Este processo tem uma dupla vertente: permite que Portugal tenha a frota automóvel mais nova da Europa e desenvolve o comércio automóvel bem como toda a industria automóvel europeia, sobretudo a BMW, Mercedes, Audi, Jaguar, etc.
► Ajustar os salários às reais necessidades Nacionais e proceder à equiparação Europeia.
► Organizar o Euro 2008 (com estádios novos, um para cada jogo), as Olimpíadas 2008 e o campeonato do mundo de F1, construindo para este efeito uma pista que ligue Lisboa ao Porto para não haver questões regionais.
► Ligar Faro e Lisboa por metropolitano ao mesmo tempo que se constrói uma via rápida panorâmica entre estas duas cidades a 100 metros da costa, com portagens, para o tuga que vai de férias poder parar e pescar um pouco.

O futuro está nas mãos do Zé... vamos todos ajudar o Zé a foder... perdão... promover o País.

NOTA FINAL: se não existir dinheiro suficiente para isto, não te preocupes Zé, tiras umas fotocópias de umas notas de 500 euros e já está...

MS
publicado por GERAL às 17:24
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O Funcionário

Nos últimos tempos temos escrito um bocado sobre gestores, chefias, lucros, etc. Agora é a vez de descermos um pouco na hierarquia e falarmos dos funcionários, essas “bestaças que estão na empresa só para receber o salário e não fazer nenhum”.

O que vemos na comunicação social e nos escritos e ditos dos opinum maker do nosso portugalzinho, passa sempre pela produtividade e resultados do tugazito trabalhador.

Ouvimos e lê-mos expressões do tipo:

“É preciso apostar na formação”, “A nossa mão-de-obra é pouco qualificada”, “É preciso apostar na flexibilização dos funcionários”, “Para sermos competitivos temos de gerir os nossos recursos humanos de forma flexível e racional”, “Neste mundo global não há lugar para desperdícios nos Recursos Humanos”, “Já não existe trabalho para a vida”, “Os portugueses tem de se habituar a viver com menos e sem esperança de carreira numa empresa”, “Em nome do desenvolvimento tem se modernizar as empresas e reduzir a mão-de-obra”, etc.

Portanto podemos concluir que os trabalhadores de hierarquia inferior estão claramente abaixo das expectativas das classes dirigentes e que uma empresa não necessita, ou cada vez precisa menos, deste recurso. Aliás a designação Recurso é muito bem aplicada, porque é absolutamente necessário encarar o funcionário como um mero meio para atingir um determinado fim.

Se observarmos atentamente, é lógico e correcto que estas posições surjam e que sejam apregoadas em alto em bom som.

O Funcionário / Trabalhador tem de perceber de uma vez por todas que ir trabalhar não é o mesmo que estar em casa. Tem de se considerar como um serviço, nas imortáveis palavras de Tom Peters, tem de ser uma marca que se vende ao seu cliente e este apenas adquire se quiser ou se for convencido que esse serviço é indispensável à organização.

Palavras como “reivindicações” e “pensar” já não tem lugar no léxico de um prestador de serviços de trabalho, o que as organizações pretendem é que se contrate um serviço especifico, que seja executado no menor espaço de tempo, ao menor custo e com a máxima qualidade.

Daqui podemos derivar para apresentar o IDEAL FUNCIONÁRIO:

- É barato;
- Está pouco tempo;
- Tem uma formação divinamente qualificada
- Não pensa;
- Satisfaz todos os desejos;
- Não tem hora de almoço, nem idas à casa de banho;
- Não fala com ninguém (só executa);
- É um comercial;
- Não tem hora de sair, passa a noite na organização (sem cama, não dorme);
- Tem uma família virtual;
- Idade entre os 25 e 35 anos.

Todos nós desde chefias ao mais insignificante trabalhador de qualquer organização temos de pensar assim, para o bem do país e para o bem das organizações com quem interagimos.

O resto é acessório, quem não se encontra dentro destes padrões o melhor é mudar de país, de preferência desaparecer. O país não se pode dar ao luxo de ter tanta gente a trabalhar e a receber ordenados, existe o grande risco de o consumo aumentar e lá de o país não cumprir os critérios junto da União Europeia dos Gurus da economia. Por outro lado as empresas também ficam muito prejudicadas não podendo apresentar os fabulosos resultados que se espera que atinjam.

É ultrajante imaginar que o mero trabalhador tenha a ousadia de pensar que pode constituir família, consumir produtos que goste, possa divertir-se, ir ao cinema e comprar umas pipocas, ter um carro e uma casa, por outras palavras – quem se atrever a viver.

Isso não faz bem às empresas e aos países. Não pode ser!

Tem de existir disciplina, as empresas tem de esmagar os seus gastos supérfluos (aqui não estão incluídos os Ferraris, as despesas com as amantes, nem as jóias, ou as casas de luxo – estamos a falar do que não é indispensável). E a palavra de ordem é vender!

Vender de tudo e de todo o tipo!

Só me pergunto é a quem?

RdS
publicado por GERAL às 13:42
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Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2006

Há dias e dias

Ora muito boa tarde,

Hoje nenhum dos S’s está inspirado e, como tal, o texto será curto.

Estive eu hoje a almoçar e na tertúlia de debate surgiu, para variar, os problemas da Terra Estranha e dos seu habitantes. Estávamos nós a debater o papel dos trabalhadores quando foi indicado que algo está errado nisto e que algo tem de ser feito, nomeadamente no que concerne:

Os trabalhadores deixaram de ser um recurso da empresa. Isto é dizer que, ainda na década de 80, afirmava-se que os funcionários eram um recurso fundamental da empresa. A solidez dos seus Recursos Humanos (RH) reflectia-se na solidez da empresa face ao mercado. Contudo, se isso era assim, actualmente os RH são vistos como meros consumíveis das empresas. É a filosofia do “mastiga-e-deita-fora”, da substituição selvagem de um recurso da empresa em nome de uma mais valia financeira do momento. E isto porquê?

a. Em primeiro lugar, começou por se confundir produtividade com margens de lucro. Numa selvática (sim, não tem outro nome) campanha de marketing global, um grupelho de economistas e gurus do management começaram a dizer que as empresas produtivas tinham margens de lucro fabulosas e que isso só se conseguia com redução de custos, essencialmente custos de pessoal.

b. Em segundo lugar, a existente classe política – eles mesmos funcionários dessas empresas – permitiram que o ónus da degradação social provocada por massas de desempregados caísse sob a alçada do Estado, não por achar que Estado desempenha, de facto, esse papel mas sim porque isso era conveniente ao segmento patronal que, em última análise, são também os patrões da classe política.

c. Em terceiro lugar, o papel social das empresas foi totalmente posto de lado em nome do lucro. Eu não tenho nada contra o lucro, bem pelo contrário, mas tenho tudo contra as teorias da economia de que o mercado se auto-regula e tudo contra a destruição do papel social de qualquer entidade organizada.

Aquilo a que assistimos actualmente é uma degradação completa e total do Estado social e da organização da sociedade, em paralelo com uma constante degradação da própria força produtiva interna das organizações. Deixa de existir uma cultura interna e passa a existir uma cultura de margem de lucro, pura e dura.

Muito há para dizer ainda sobre isto (e prometo que a ela voltarei em breve) mas depois de olhar à volta apetecem duas coisas: ou o assassínio directo dos cretinos, ou o suicídio... e eu até gosto de viver, o que me limita as opções.

MS
publicado por GERAL às 17:46
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Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2006

A OPA, a Casa... e a Arte

O tema de hoje, ou melhor; os temas de hoje, são um contributo de CMS e referem dois temas em voga na Terra Estranha. De um lado, o génio da finança, o ponta-de-lança do capital, o guru do Norte e, por outro lado, algo que tem a ver com muitos tugas que por aí andam preocupados se o Benfica ganha ou perde, nomeadamente o pagamento de um tecto para habitação condigna, direito inalienável da Terra Estranha e garantido pela Constituição.
[pausa para gargalhadas sonoras e limpar os olhos das lágrimas que brotaram em catadupa]
Bem, agora que já passou a crise de riso, vamos lá aos textos:

QUOTE
Já descobri...O Belmiro quer que as cores da PT sejam o branco leitoso e o azulado. E como consegui saber o segredo mais bem guardado dos últimos quinze dias?

Fui ao dicionário de Língua Portuguesa 6ª edição da Porto Editora e li que opa é uma "espécie de capa sem mangas mas com abertura para enfiar os braços, usada pelos membros de irmandades e confrarias em actos solenes". Este primeiro passo autoriza a pensar que a opa que a comunicação social anda a falar todos os dias não será porque o Belmiro - homem que não é dado a graças -queira que os membros que dirigem a PT se apresentem com uma capa para não sujar os fatos e se assim é só pode ser referente a uma palavra mais comprida, que pela lei do menor esforço foi reduzida. Podia ser opacidade mas...opaco, sombrio...não, não é! O Belmiro nada tem a esconder e se tivesse o Público divulgaria de certeza. Só pode ser opalino que é o que brilha como a opala, que tem côr leitosa e azulada.

Cá está! Adepto confesso do FCP (é visto com alguma frequência com adornos azuis e brancos nas Antas e/ou Dragão) o Belmiro quer que tudo em Portugal seja a seu gosto. muito bem! Já mostrou ao País e aos Portugueses que querer é poder e que, portanto, a sua vontade é a vontade dos portugueses (penso que ele concorda que só são alguns portugueses)

Se um indivíduo, seja ele quem fôr, rico, muito rico, milionário, bilionário, seja quem fôr que, publicamente diz aos Representantes da Soberania do seu próprio País que não tem tempo a perder com eles, mas que condescende ouvi-los às tantas horas do dia tal é capaz de tudo. Até de arremessar OPA's com hostis, ameaçadoras, o que se quiser, desde que seja desagradável.

E como foi assim que vejo o assunto, conjugado com o ruído que as caudas dos mamíferos fazem nos lugares adequados para o efeito começo a acreditar que, talvez, o Belmiro admita que pode lançar uma operação em que fique com a PT como, aliás, ficou com outras coisas, isto é, fica com algumas coisas.

Tal como o Prof. Marcelo tentou explicar na RTP o que era uma OPA eu, cidadão de categoria social indefinida, fiz um esforço mental para entender que, se eu quero comprar um bem não preciso ter dinheiro, basta-me dar a garantia de que vou vender esse bem, depois fazê-lo, pagar ao banco o empréstimo que serviu de garantia e ficar com a mais-valia resultante da diferença entre o que eu disse que pagava e aquilo que irei receber com a venda.

O Prof. Marcelo aproveitou a ocasião para dizer que a ideia partiu do Presidente português do Banco espanhol e o Belmiro não viu inconveniente em assumir o projecto como seu.

Para quem me leia quero pôr bem claro e sob palavra de honra que nada tenho contra o Belmiro, não conheço o Belmiro, não invejo o Belmiro, quero que Deus lhe dê muitos anos de vida ; mas como cidadão deste rectângulo, cumpridor das suas obrigações, pai e avô sinto-me insultado pelas espertezas saloias do Belmiro quando desrespeita gravemente a soberania do Estado, quando desrespeita os portugueses trabalhadores com afirmações presunçosas como as proferidas num programa de televisão, onde afirmou que nas empresas dele quando os empregados se estavam a habituar à alcatifa iam para o armazém, quando requer o apoio do Estado para os investimentos que depois reclama como seus como muito bem se viu em Tróia confesso que, não é só a revolta que sinto perante semelhante personagem, é a certeza que tenho que o atraso deste País se deve a ele; é a certeza que a falar apenas e só a verdade o Portugal de Belmiro de Azevedo se resume a uns tantos supermercados, a umas escassa centenas de trabalhadores pagos a cinco reis de mel cuado ao bico e ao nome do patrono numa revista internacional de gente rica.

Já afirmei várias vezes que as tentativas frustradas de Belmiro de Azevedo para ser banqueiro talvez fossem formas de se equiparar a um ídolo que, por pouco, não foi patrão dele. Estou a referir-me ao falecido António Champalimaud que em princípios da década de 70 do século passado ia comprando a banca com sede no norte, a começar com o Cupertino de Miranda tendo em 2º lugar o Banco Pinto Magalhães. Era o que, na altura, constava.

Não fora a oposição do governo de Marcelo Caetano e o negócio tinha sido concretizado. E falei de ídolo porque, segundo consta, o Champas terá comprado o Sotto Mayor com o dinheiro do próprio Banco. Fala-se que quem conhece bem o assunto é a família Espírito Santo que se terá sentido indignada porque a sinalização para a compra veio dum empréstimo que o Champas contraiu no Espirito Santo, dando como garantia as acções Sommer, acções que, anos mais tarde, obrigou a uma disputa judicial, com fugas para França, etc. Mas quem sabe bem deste último assunto é o Proença de Carvalho.

Ora, branco é galinha o põe: a OPA do Belmiro é a compra do Sotto-Mayor não a um proprietário, mas em Bolsa e o Banco não é o Espírito Santo mas o Santander. Há, no entanto uma grande diferença: o Espírito Santo não sabia da esperteza e o Marcelo (o Caetano, obviamente) uns anos mais tarde não permitiu outra do mesmo género. Desta vez e segundo o Marcelo (o Rebelo de Sousa, está claro) o Santander é que apresentou a jogada e o José (o Sócrates, concerteza) vai achar que o País está mais moderno graças ao Belmiro.

O lugar à pôpa do navio europeu que Portugal mantém com uma consistência digna de apreço não se deve aos empresários residentes mas antes aos trabalhadores que nunca perceberam que a fábrica, a empresa ou organização só é rentável e, portanto, produtiva quando os trabalhadores levarem para casa ao fim do mês o orgulho de terem contribuído para mais uma OPA do Belmiro.

Termino com um pensamento de Seneca : "O que as leis não proibem,pode proibir a honestidade"
UNQUOTE

E o outro texto aqui está:

QUOTE
O Arrendamento e a Colecção Berardo

O venerando Jorge Tomás - perdão - Jorge Sampaio, Presidente da Republica de Portugal (reparem que não digo Portuguesa, única e simplesmente porque sou cidadão português) aceitou os argumentos do Governo Ratiforme - Liberal para promulgar a Lei das Rendas em linguagem tout-court como é conhecida toda a linguagem que é praticada por quem frequenta o Largo do Rato em Lisboa. Quero esclarecer que um governo ratiforme nada tem a haver com esse Largo mas, antes, porque se apresenta e comporta como o tartaranhão que é uma ave de rapina, segundo o Dicionário da Língua Portuguesa 6ª edição - Porto Editora.

A Lei das Rendas não agrada, pelo que temos lido, a ninguém.

Não agrada aos senhorios, porque, estes, entendem que 4 ou 4,5% de rendimento pelo espaço que disponibiliza é pouco porque têm que pagar impostos e que, portanto, com tão pouco rendimento, não se sentem encorajados a investir neste Mercado. Têm toda a razão do Mundo, mas não é despropositado perguntar quem foi que lhes pediu para investirem? De qualquer modo é estranho porque o Amorim da cortiça não quer outra vida, senão arrendar, (basta ler o caderno do imobiliário do Expresso) e não consta na praça que o Amorim considere alguém a não ser ele PRÓPRIO; não agrada aos inquilinos, porque já sendo proprietários não querem abrir mão do andar de dez assoalhadas nas Avenidas arrendado pelo avô há tempo suficiente para duas substituições da canalização, uma delas ele ainda lá vivia. Grosseiramente, será o que está em jogo.

Agora, parece que, o arrendamento depende dos rendimentos dos inquilinos o que, a ser bem compreendido pelos cidadãos, poderá começar a revolução de 1974 que ficou retida em Santa Apolónia nas comemorações da chegada a Portugal do Representante Legal do Czar e seus acompanhantes e isto porque aconteceu que muito boa gente aprendeu a ver aquilo que em todos os países de mundo se chama roubo.

Então o valor que deve ser atribuído ao rendimento de qualquer bem ou serviço não depende do valor que esse bem ou serviço tem?
Depende dos rendimentos do comprador?

Porque é que não se tem a coragem de dizer com firmeza e autoridade que os povos tendem a não tolerar os entes que vivem exclusivamente de rendas? Porque não se tem a coragem para entregar aos senhorios os andares arrendados por tuta e meia a gente que vive confortavelmente em apartamentos de luxo de sua propriedade?
Porque é consentido que um andar de 1930 seja proposto para arrendamento tendo por calculo o valor dum mesmo espaço ainda em construção? Porque não se diz, com toda a clareza, que Portugal é um País pobre em tudo e não apenas para justificar o gamanço?

Veja-se um exemplo acabado de gamanço, de desfaçatez e despudor: o "investidor" Berardo anda à rasca com a conservação das peças de arte que foi comprando com a mais valia decorrente dos rendimentos de capital que pratica um pouco sobre todo o tecido económico de Portugal e pensou que Portugal podia fazer-lhe o favor de pagar a manutenção das peças contra o "orgulho" de exibir um pouco de arte contemporânea cujo interesse é muito limitado no que diz respeito a visitas. Não custa nada lançar o "barro à parede" embora seja incontestavelmente uma atitude tuga.

E qual foi a resposta do Governo Ratiforme - Liberal ? Foi do melhor que se tem visto nos últimos 15 anos.

O Chefe Liberal empatou o tuga Berardo enquanto um serviço ratiforme alinhavava um protocolo em que dava ao tuga a possibilidade de não mais se preocupar com a colecção de arte. E de que maneira...e de que maneira? Apenas isto : o tuga Berardo doava a colecção a um Museu qualquer onde o governo ratiforme tenha mão.

Termino com Samuel Butler : "se no mundo houvesse mais tolos que velhacos, os velhacos não teriam de quem se aproveitar para viverem"
UNQUOTE

Para finalizar, à laia de um texto a publicar em breve com o tema HIPOCRISIA, recebi um e-mail sobre uma publicidade censurada e proibida nos E.U.A.. Muito rapidamente, o primeiro slide tem uma fotografia da Brooklin bridge com as torres em chamas de fundo e um individuo sentado na ponte com um cartaz a pedir ajuda porque é HIV positivo. A legenda diz:

“2863 pessoas morreram. Há 40 milhões de infectados pelo vírus HIV no mundo. O mundo uniu-se contra o terrorismo. Já se deveriam ter unido contra a SIDA”.

A segunda foto é idêntica excepto que desta vez está sentada uma criança. A legenda diz o seguinte:

“2863 pessoas morreram. 824 milhões de crianças passam fome em todo o mundo. O mundo uniu-se contra o terrorismo. Já se deveria ter unido contra a fome”.

A terceira foto é idêntica às anteriores excepto que desta vez está sentado um sem-abrigo. A legenda diz o seguinte:

“2863 pessoas morreram. 630 milhões de sem-abrigo no mundo. O mundo uniu-se contra o terrorismo. Já se deveria ter unido contra a pobreza”.

Este anúncio passou uma vez na MTV e depois foi censurado pelo Governo Americano.

Depois digam-me se o ser humano não é um animal estranho!! É que se aparecer na televisão tipo filme do Rambo a morte de um punhado de individuos é chocante mas se aparecer a “morte lenta” a que milhões dos nossos semelhantes estão votados isso já não interessa.... não tem acção. É uma mera estatística!

Para conclusão:
“It has been said that man is a rational animal. All my life I have been searching for evidence which could support this.”
Bertrand Russell (1872 - 1970)

“I have discovered that all human evil comes from this, man's being unable to sit still in a room.”
Blaise Pascal (1623 - 1662)

“I think that God in creating Man somewhat overestimated his ability.”
Oscar Wilde (1854 - 1900)


MS
(ostres.s33@sapo.pt)
publicado por GERAL às 15:10
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Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2006

Gestão, Religião e H5N1

Coube-me a mim (e também me ofereci para tal) escrever sobre a existente classe de gestores, as suas venturas e desventuras, a sua capacidade e competência e sobre a sua inerente filha-da-putice!

Hoje ouvi na rádio que as medidas do Plano de Estabilidade do Governo não serão suficientes para diminuir a despesa pública – portanto mais medidas serão necessárias – e que, actualmente, o índice de riqueza dos tugas (ou será índice de pobreza?) está abaixo dos 70% da média europeia.

A crer nesta notícia, ela entra em contradição com alguns pontos que têm sido divulgados nos últimos tempos, nomeadamente:
- apresentação de vários mega-projectos de investimento em diferentes áreas;
- situação “saudável” das finanças públicas e eficácia do Plano de Estabilidade;
- confiança dos tugas a aumentar;
- condição saudável da economia nacional, demonstrada pela recente OPA do Belmiro à PT;
- entre outros factores.

Ora se a actuação do Governo é boa e positiva, se a economia está a crescer então porque razão cada vez estamos mais tesos? Se, de acordo com a classe dirigente “iluminata” que temos, a liberalização de mercados é o caminho certo, porque razão assistimos a um constante aumento de preços em sectores recém liberalizados, em tudo contrário às normais regras (que me foram transmitidas na faculdade) de mercado? Por outras palavras, se o Governo e a acção governativa está bem, se as normas por ele criadas estão bem mas o tuga está cada vez pior então significa que existe algo no meio (entre a concepção e a execução) que não funciona. Este algo é o GESTOR, público ou privado.

Na área da Comunicação está perfeitamente reconhecido que a informação perde-se e transformação ao longo das cadeias de emissores e receptores. Mas para que tal aconteça, primeiro é necessária a existência de informação. No caso dos gestores da Terra Estranha, o problema é que eles nem se preocupam com a informação. Isso é algo que poderá não corroborar as alarvidades que no dia-a-dia ele transmite na sua empresa e, assim, o melhor caminho é sem dúvida a ignorância.

Quando vamos a livrarias como a FNAC vemos na secção de gestão uns tipos de aspecto sinistro, sempre de fato de cor escura, a tirarem livros dos expositores, a folhearem e a recolocarem no local. Para quem não sabe, o que eles estão a fazer é a aprenderem e em acções de refreshing tecnológico. De facto, esses pinguins da gestão, esses gurus da discoteca Kapital, lêem a introdução, seguidos da conclusão e já está! Já podem debitar, no local de trabalho, uma bosta que leram num livro qualquer. Ou seja, aquilo que eles querem é passar dos preliminares ao orgasmo sem sexo. Isso pode ser agradável mas normalmente o “corpo” do livro contém informação vital e importante e que diz como fazer.

Se atentarmos um pouco mais na figura do gestor, ocorrem-nos várias definições mas a mais comum é a de “Filho da Puta”. Muitos ficarão ofendidos com esta expressão mas acho que quem deveria ficar ofendido eram as ditas trabalhadoras... é que com filhos daqueles, é um desgosto.

Vejamos alguns tipos de filhos:

- Filho da Puta Tecnicista: é aquele génio da gestão que só sabe o que aprendeu na faculdade, em termos técnicos. Usa sempre estrangeirismos, palavras caras e sabem que para a acção A são necessários parafusos B e se o subordinado lhe diz que também é importante a porca C, ele despede-o na hora por incompetência. Normalmente este Filho da Puta é conhecido como tecnocrata e está directamente colocado na esfera do poder político. Provém de uma área científica – tipo engenharia – e adapta-se a qualquer coisa como, por exemplo, os Recursos Humanos. Associado a um elevado índice de incompetência só tem conversas na área da técnica, com muitos números e fórmulas matemáticas. Responsável por péssimos resultados nas empresas onde passou, termina sempre numa Administração.

- Filho da Puta Financeiro: este é estruturalmente um filho da puta. Desde pequeno que lixava os colegas e fazia as queixinhas às professoras. Associado a uma língua grande, suave e profunda, lambe todos os “sacos” num raio de várias empresas e acusa indiscriminadamente os subordinados. Normalmente tem um figura pálida e que passa despercebido, tem uma capacidade de audição notável e capaz de detectar maneiras de lixar os subordinados a e-mails de distância. É o tipo de pessoa que conta os rolos de papel higiénico que os funcionários gastam, que conta os clips e material de escritório e acha que o sucesso das empresas passa por não pagar salários (ou pelo menos pagar o mínimo indispensável para o funcionário respirar) enquanto agrega a si o maior número de benefícios pessoais possíveis. Nunca emite uma opinião nem nunca define uma estratégia, sobrevive numa área cinzenta e tem a capacidade de chantagear as Administrações (e o Estado) de forma eficaz. Se existisse uma escala de desprezo, atingiria um valor máximo.

- Filho da Puta Profissional: este subiu na hierarquia a pulso. Fodeu os colegas à esquerda e à direita. Entra no escritório às 5.00 da manhã e sai às 23.00 horas (mínimo). Embora lá esteja essas horas todas não trabalha, está atento às movimentações dos funcionários para ver quem está a tentar subir. Por norma, sempre que aparece um funcionário com ideias é imediatamente fodido e despedido. Nunca se pode mudar nada uma vez que este é o ambiente que permitiu a sua ascenção. O imobilismo intelectual é a sua bandeira e o berro a sua arma. Nunca está bem disposto nem confraterniza com os restantes funcionários, nem com a Administração e ai daquele que pedir alguma coisa (tipo as férias a que tem direito)... está entalado e posto de parte.

- Filho da Puta Religioso: este é o mais perigoso porque nem um resquício de consciência tem. Por muita merda que este verdadeiro animal da gestão faça, ao domingo fala com o pároco local, confessa os seus pecados e recomeça tudo de novo na semana seguinte. Perfeitamente incompetente, entrega as suas decisões a um poder mais alto e divino. Por detrás de uma capa de humanismo esconde-se uma verdadeira alma destruidora de postos de trabalho e de empresas. Com um sorriso beato nos lábios, escolhe um dia que está a correr bem e a seguir destrói emocionalmente o funcionário, sempre com referências de intervenção divina. Este gestor consome os recursos da empresa com uma intensidade voraz, não partilha informação e exige que os funcionários saibam o que têm a fazer com se de intervenção divina se tratasse. É o mais perigoso de todos pois nunca reconhece a sua má gestão e tem sempre a consciência tranquila. Repete incessantemente as mesmas merdas e é incapaz de ter um pensamento lógico-racional.

Perante a apatia tuga, esta corja de gestores prolifera tal como os fungos em zonas húmidas e de fraca iluminação. Nunca seguem uma directiva superior e se a isso se vêm obrigados (sob ameaça de arma branca) dão instruções erradas aos funcionários. Por outro lado, nunca reconhecem o valor de mais ninguém (excepto do superior, a quem lambem os sacos e entregam as próprias mulheres para actos de sodomização) e nunca irão passar informação relevante para um dossier. Para além disso, nunca reconhecem que, nalgum momento das suas longas e vernáculas vidas, tenham errado.

Com tanta preocupação sobre as modernas pandemias como a gripe das aves, é pena que o vírus H5N1 não sofra uma mutação de virulência absoluta que ataque esta corja de animais que, no fundo, poderão ser caracterizados por assassinos em massa. Assassinos de esperanças, de sonhos, de crescimento, de aprendizagem, de saber, de desenvolvimento, de postos de trabalho e, acima de tudo, assassinos de empresas.

MS
publicado por GERAL às 17:53
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