Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2006

Gajas boas - a Saída para a crise

Serve esta minha intervenção para falar de um dos temas mais universais, talvez mesmo o mais universal (não, não é o futebol), de todos os que são comentados, falados, raciocinados por todos nós, homens (- paneleiragem + fufas): As gajas boas.

De notar, antes de mais, e antes que me chamem homofóbico, que não tenho nada contra a comunidade gay. Antes pelo contrário. Eu ambiciono que a comunidade gay se desenvolva, multiplique e deixe-nos a nós, homens heterossexuais, cada vez mais limitados em numero para que depois possamos usufruir do benefício de termos mais mulheres per homini. O rácio de 7 mulheres para um homem não passa de um ditado imbecil (tirando exemplos como o John Holmes, o 3 beiços, e aqueles sultões arábes com preenchidíssimos haréns) mas que poderá vir a concretizar-se no caso de crescimento expectável dos homemsexuais. Espera-se também que ao mesmo tempo haja uma diminuição das lésbicas (vulgo fufismo) ou, em compensação, que as mesmas passem todas a serem bissexuais (qué para ajudar no rácio).

Não julguem também as eventuais leitoras femininas, que o autor destas linhas é um misógino. Nada disso. Eu advogo a emancipação das mulheres, adorei (apesar de não ser nascido na altura) que numa determinada manifestação elas queimassem os soutiens, sou um apreciador da beleza feminina (característica que humildemente não penso ser exclusiva de mim só), e ambiciono que um destes dias as mulheres cheguem ao poder. De facto penso que o mundo seria muito melhor se as mulheres o governassem. Haveria claro está, os seus inconvenientes. Provávelmente os serões de futebol seriam preenchidos com programas da Oprah Winfrey, as tascas seriam substituídas por casas de chá, a literatura de chacha tenderia a aumentar, o tricot seria o desporto nacional, etc. Mas haveria os benefícios inerentes. E tantos mais seriam se o governo fosse composto por gajas boas, o que tentarei explicar mais abaixo.

O conceito de gaja boa tem evoluído ao longo dos anos. Vemos, pelas pinturas que se podem encontrar em qualquer museu, que a gaja boa na Idade Média tinha características diferentes daquelas que tem hoje. Isto tem apenas a ver com uma coisa, os gostos masculinos evoluíram também, e se antigamente uma roliça era considerada a quintessência da beleza, hoje não tem hipótese se comparada com a elegância da mulher moderna e sofisticada, que usa Aseptal.

A gaja boa terá sempre uma vantagem em relação àquela que é menos boa. Neurónios a mais ou a menos, aparece sempre na grelha de partida como tendo uma vantagem face às demais. É lógico que assim seja. De que vale uma gaja inteligente se não fôr boa? Um gajo não come inteligência, que eu saiba.

Depois há a constatar que a gaja boa está, normalmente, em forma e que se cuida. As menos boas começam a criar verdete nos entrefolhos, enquanto que a gaja boa, em virtude das solicitações e do seu (pouco habitual) altruísmo tem sempre a virtude de ser uma máquina bem oleada.

A gaja boa é uma instituição em qualquer país que se preze. O país pode ser pobre, pouco democrático, do 3º mundo, mas se tiver gajas boas, a potencialização desse país é um dado mais do que adquirido.

Vejamos por exemplo o nosso país irmão, o Brasil. Está cheio de gajas boas. São exportadas em pacotes telenovelescos, como manequins, como desportistas. São também responsáveis em grande parte pelo turismo (sexual, of course) que aflui devido a esse "factor". Que seria do Brasil se no seu carnaval não tivesse a desfilar mulheres de bunda apetecível? A gaja boa é pois sinónimo de fonte contributiva para as receitas de qualquer país onde não sejam obrigadas a usar burka.

A gaja boa, utilizando uma metáfora hortícola, é assim como que uma couve. Faz bem à saúde, combina bem com o chouriço, quer-se tenrinha para comer, e quando exposta, está sempre sujeita a que lhe toquem no grelo.

Portugal tem portanto que proceder à plantação deste tipo de couve. Os benefícios serão enormes.

As gajas boas devem ser o nosso desígnio nacional. O nosso fado, e sempre que possível, um fado com as vogais trocadas.

Começaríamos por convencer a UE a criar um programa de fundos para a multiplicação de gajas boas no nosso país. Assim como há os programas "Marco Polo", "Erasmus" (também conhecido pelo Orgasmus), e "Leonardo da Vinci", haveria por exemplo o programa "Ornella Mutti" (fetiche pessoal) ou, para alimentar o nosso egozinho, o programa "Elsa Raposo".

Empresas como os salões de cabeleireiros, os institutos de massagens, os health club para senhoras, seriam consideradas de utilidade publica e passariam a fundações para não terem que pagar impostos.

Tratamentos como os face liftings, a lipoaspiração, a implantação mamária ou a depilação definitiva das virilhas, seriam dedutíveis a 100% no IRS.

Portugal ficaria a ser conhecido pelo país das gajas boas. A nação da pulcritude. O oásis da luxúria possível. O paraíso da beleza. E exportaríamos esse conceito.

Belas portuguesas seriam convidadas para as mais diversas funções no mundo inteiro, nomeadamente aquelas ligadas a profissões de risco com as modelos ou as actrizes de cinema.

A modelo portuguesa não precisaria de ser uma boa profissional. Só precisaria, como a maioria dos modelos, de ser boa.

A actriz portuguesa, não precisaria de ser boa actriz, como a Soraya Peixoto não é. Só precisaria de ser boa atrás.

Portugal acabaria assim com o défice de conhecimento e reconhecimento que hoje tem no mundo.

Internamente, vários problemas estruturais tenderiam a desaparecer. O bom ambiente no trabalho seria uma constante aumentando o nível de desempenho. O abstencionismo tenderia a desaparecer, porque, qual seria o homem que não iria trabalhar com tanto petisco no escritório? O turismo, tal como já se viu, seria exponenciado, fruto da vinda de todos os homens tarados que há no mundo. O alegado problema demográfico português seria ultrapassado pois o nível de fecundação aumentaria, nem que fosse para garantir mais gajas boas para as gerações vindouras.

A nível governamental, um governo de gajas boas levantaria o moral. Para além da moral, a nós homens, levantaria também outra coisa. E depois, quem seria o tuga que se improtaria de ser fodido por tal governo? Quanto mais no sentido literal do termo melhor. E assim, as reformas ditas pouco populares, poderiam ir avante sem problemas de manifestações constantes à porta da assembleia da Republica que seria palco de autênticas romarias, não de protesto, mas de visitas tipo culturais.

Mulheres como a Marisa Cruz, a Bárbara Guimarães, a Isabel Figueira ou a Catarina Furtado tornar-se-iam conselheiras de Estado, e se possível colaboradoras permanentes de ministérios como os da Economia e dos negócios estrangeiros. Qual seria o empresário estrangeiro que não investiria em Portugal? Era vê-los a assinar de cruz, sempre que se deparassem com uma gaja boa à sua frente a convidá-los a investir cá no nosso burgo.

Se tivermos ainda uma gaja boa como presidente da república, mais o povo quereria uma presidência aberta.

O futuro de Portugal, quer-se queira (eu quero) ou não, está nas gajas boas. Elas são aquilo que o Michael Porter classificava como clusters, só que o gajo nunca se lembrou disso quando fez o estudo em Portugal (pode ser que o gajo seja rabeta).

Vivam as gajas boas. São elas a salvação de Portugal.

JLM
publicado por GERAL às 10:31
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Sexta-feira, 3 de Fevereiro de 2006

Histórias... do caralho!

Todo o tuga que se preza tem uma adoração por uns bons palavrões, mesmo que não saiba a sua origem. Por exemplo, para quem não sabe, a palavra fuck, tão utilizada em filmes e actualmente mais um dos estrangeirismos que assolam a nossa língua – à semelhança de um qualquer tsunami – tem uma origem histórica que não deve ser ignorada.

Era prática corrente durante os séculos XIV e XV, a corte inglesa pedir autorização ao suserano para se reproduzir. Quando a aprovação real surgia, os nobres e outros menos nobres tinham autorização de colocar à sua porta as letras F.U.C.K. que significava “Fornication Under Consent of the King”.

Como podem reparar, o decreto real tornou-se, nos dias de hoje, uma palavra proibida e temida no léxico mundial. O seu sentido é comum em todos os continentes mas o seu conteúdo tem sido deturpado. Hoje em dia, poucos reis existem mas, por oposição, abundam os políticos. Se tal palavra fosse criada actualmente seria mais ou menos assim:
F.U.V.P. (Fornication Under Vote of Parliament) ou F.U.L.D. (Fornication Under Law-Decree).
Por muito estranho que este inicio possa parecer, não é e já vão ver porquê.
O nosso grande contributo para a história foi, sem sombra de dúvida, a nossa gesta marítima. Desbravámos caminhos, abrimos novos mercados, criámos novos produtos, inventámos o comércio triangular, tudo numa perspectiva inovadora e muito anterior à globalização (éramos modernos, então). Tal gesta foi de tal modo importante que deu origem a um estilo arquitectónico único no mundo, o Manuelino, e a nossa portugalidade foi moldada pelo mar.

Ora um dos contributos mais significativos – e também o mais deconhecido – para o enriquecimento da cultura portuguesa foi a palavra caralho. É mesmo! Esta palavra, tão comum nas nossas bocas (salvo seja) tem a sua origem nos descobrimentos.
O que significa tão funesta palavra do nosso léxico? Segundo a Academia Portuguesa de Letras, caralho é uma das palavras que designava o cesto da gávea. Para quem não sabe, era aquele cestinho de madeira no to do mastro mais alto de onde os vigias gritavam “LAAND HO!” em inglês; “TERREEE!” em francês; “MIRA HOMBRE! QUÉ ES LO QUE MIRO! QUE NO TE ENTIENDO COÑO! HODER HOMBRE! QUE NO LO SEI LO QUE MIRO, CARACOLES! QUE MARCHAMOS DAQUI HOMBRE!” em espanhol (estes tipos sempre foram complicados e normalmente encalhavam a nau antes de conseguirem avisar que uma pequenina faixa de terra como a AMÉRICA estava à vista... são mesmo burros aqueles! Em termos modernos é o mesmo que o Real Madrid contratar um ponta de lança genovês e sair-lhe um guarda-redes camaronês na rifa); “DAAA-SE CHEGÁMOS! TAVA A VER QUE NÃO! PALHAÇO DO COMANDANTE QUE ANDA PERDIDO!” como diziam os tugas!

Voltando à origem do caralho: segundo tão ilustre Academia, no caralho, dada a sua situação de muita instabilidade (no alto do mastro), era onde se manifestava com maior intensidade o rolamento ou movimento lateral da caravela. O caralho era, assim, visto como um local de castigo para aqueles marinheiros que cometiam alguma infracção a bordo. O castigado era enviado para cumprir horas e até dias inteiros em tão desconfortável local... o caralho.

Daqui surgiu a expressão: “Vai p’ró caralho!!”
Quando terminava o castigo, o marinheiro exclamava, já no convés, “tenho um emprego do caralho!!”

Como poderão constatar, a modernidade portuguesa de então, alcança os nossos dias com uma actualidade e relevância que empalidece Nostradamus. A influência náutica portuguesa estende-se ao longo dos séculos e é multi-disciplinar e transversal à sociedade global. Não há “kámone” que venha à Terra Estranha que não lhe seja ensinado logo os primeiros passos da arte de marear: “Ó kámone, sabes o que é o caralho??? É p’ra onde vais se não passas p’ra cá o guito!”

Actualmente, não existe palavra mais abrangente no léxico tuga que o caralho, daí a sua vertente multi-disciplinar. Vejamos alguns exemplos:
- “Aquela coisa é pesada com’ó caralho!” – visão Newtoniana dos efeitos gravitacionais
- “A fotocopiadora está longe p’ra caralho!” – visão de espaço numa perspectiva cosmológica
- “A gaja era boa p’ra caralho!!!” – visão alimentar e nutricional
- “Aquilo é grande como o caralho!” – visão arquitectónica
- “Mete o pisca nos cornos, caralho!” – visão do taxista
- “Isto está tudo a ir para o caralho!” – visão do funcionário público, depois dos aumentos de 1,5%

A influência do caralho chega tão longe que envolve a esfera política no mais terno abraço de saber e fazer. Por exemplo, ao apreciarmos a passada campanha eleitoral, não podemos deixar de exclamar (com os olhos bem arregalados como de quem veste umas cuecas nr 32 quando na realidade precisava de um 48):
- “Estas presidenciais foram do CARALHO!” – neste caso convém saber quem foi castigado, se os candidatos se o “povão”, que não tinha quem escolher e de bom grado se pirava para o tal cestinho para nem ter de ouvir o “comandante” da nau.
Se ouvimos discursos do Mário:
- “Mas que CARALHO está a ele a querer dizer?”
E se o candidato fala mas não diz nada:
- “O caralho do Aníbal está a pensar o mesmo que nós!”
No futebol também encontramos os vestígios na nossa gesta de coragem. É aqui que o significado de enviar alguém para este posto de trabalho atinge o seu auge com os típicos cânticos:
- “Pinto da Costa.... vai p’ró caralho!” – este marinheiro deverá ter ofendido a maioria dos restantes marinheiros, nesta nau de 10 milhões!

Na verdade, por muito que queiramos esconder esta palavra, o que é facto é que ela existe. Não há nada que não se possa definir, explicar ou enfatizar sem juntar um caralho. Se, por exemplo, vemos aproximar-se uma viatura do Conselho de Ministros ou da Administração do Banco de Portugal não deixamos de exclamar: “Este carro é do CARALHO”.

Esta Terra Estranha vive do seu glorioso passado (distante, claro! Porque o passado recente é de chorar... e não é por mais). Nos livros de história, o nome de Portugal é reverenciado pela sua aventura marítima, pelo seu contributo para a ciência náutica (quem não conhece o estibordo e bombordo, a vela latina, navegar à bolina, etc) e também os diferentes componentes de uma nau.
Por tudo isto, podemos todos dizer com orgulho:
“Este país é do CARALHO!!!!!”
Se um dia, delicadamente, quiserem insultar o vosso chefe podem sempre exclamar “Porque não se vai sentar no cesto da gávea, no topo do mastro?!?!?!” afinal não o estamos a mandar cometer um acto homossexual como até há pouco tempo pensava.

MS
Ostres.s33@sapo.pt
publicado por GERAL às 15:21
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

“O Legislador”

Se estivermos bem atentos, existe uma coisa que, sub-repticiamente, aparece em muitas declarações, justificações e conversas do dia a dia proferida tanto por famosas individualidades como pelo mais anónimo “tuga”. O “Legislador”!!!!

Se repararem quando estamos a discutir algo que está mal na nossa sociedade, que gostaríamos que fosse aplicado mas infelizmente a Lei é omissa, que já foi legislado mas a Lei não está adequada, surge sempre “O Legislador”. Alguém que está muito mal informado da realidade do país ou do assunto mas que legisla e o resultado nunca agrada, nem a Gregos nem a Troianos.

Esquisito, eu pensava que as leis eram “emmanadas” (é mesmo em manadas e não emanadas, com a quantidade de legislação que é defecada diariamente …) da Assembleia da República, mesmo as propostas de Leis do governo, mas afinal parece que não!

Ouço muitas vezes os nossos líderes, governantes, presidentes de organismos públicos, líderes de opinião (opinium makers (uma mistura de latim com Inglês - fica o máximo, não acham?)), etc, afirmarem que “ …o Legislador foi omisso…”, “….tem de se ter em conta o espírito do Legislador…”, “ … a Lei que existe não permite…”, “….temos que cumprir com o que está consagrado…”.

O que é curioso nesta terra estranha, é que as Leis que temos nunca estão adequadas e as que saem nunca estão correctas. Mas o mais extraordinário é que continuam diariamente (incluindo fim-de-semana, deve ser o único departamento do Estado que funciona 365 dias do ano) a ser publicadas e ninguém as fez (mesmo que venham assinadas por um ministro qualquer, não foi ele – Foi O Legislador).

Afinal, parece que ninguém faz a Lei, todos temos de cumprir a Lei, mas esta surge vinda “Não se sabe de onde”. Se repararem bem, nunca existe um nome ou um rosto (O ministro é o Fantoche que assina) por detrás de uma Lei, é sempre algo etéreo, vago, indistinto, é quase esotérico.

E então surge a designação de: “O Legislador”! Esta personagem que é completamente inexistente. Quem é o Legislador? Será um Homem? Será uma Mulher? Será um Hermafrodita? Tem sexo? Faz sexo? Tem cara? Pelo menos parece que tem ouvidos (apesar de ser um bocado surdo e de só perceber parte dos assuntos) e mãos (escreve).

Este ser digno do jogo Cluedo, devia sair uma versão em que o objectivo não fosse descobrir o assassino mas sim descobrir quem é “O Legislador”, consegue, através de manobras completamente invisíveis, ser o Verdadeiro Poder deste país.

Vejamos, nós elegemos (supostamente) os nossos representantes no poder através de eleições democráticas e livres. Esses representantes tornam-se governantes, portanto governam, mas nunca são responsáveis. Apenas e somente cumprem a Lei, esta é que pode estar desadequada ou incorrecta, O Legislador é que é o culpado.

Voltamos à questão, Quem é O Legislador?

Deve ser alguém, ou algo, com um poder imenso. Os governos e os representantes do povo mudam, aparecem caras novas (algumas com um aspecto mais velho que a múmia de Ramsés) que vêm governar, mas O legislador permanece.

Será que não somos governados pelos representantes que elegemos? Dá ideia que estes senhores quando chegam ao poder têm de ir ao “beija-mão” de uma identidade superior – O Legislador.

Se calhar era preferível elegermos Legisladores em vez de Ministros, Deputados e Presidentes da República, pelo menos ficávamos a saber quem era O Legislador e podíamos, finalmente, responsabilizar alguém por esta incongruente diarreia legislativa.

Assim, ficamos na ignorância. Quem será O Legislador? È quase tão sinistro como os Serviços Secretos, ou a Máfia ou as seitas secretas. Sempre na sombra. Obscuro. Podia ser um Deus, sabemos que existe mas não sabemos como é. Está em todo o lado, há Leis para tudo e para nada.

Isto dava um bom argumento para um livro ou mesmo para um filme. Algo do tipo sinistro, perturbante, com mistério. Mas qual seria o título? “As teias do Legislador”, ou “Na pista do Legislador”, “ O código Lex”. Se quiserem inventem e enviem para nós (ostres.s33@sapo.pt). O problema seria definir o sexo da personagem, estão a ver o Al Pacino na pele do Legislador e vir-se a descobrir que, afinal, o Legislador é uma mulher!

Uma pergunta que me atormenta é saber se O Legislador tem pais, ou se os pais do Legislador sabem que o filho é O Legislador. Talvez aqui encontremos a resposta para que a célebre Lei do Aborto, que acabe a condenação infame às mulheres que se vêm obrigadas a recorrer a esta solução, não veja a luz do dia. Se calhar esta personagem tem receio dos possíveis efeitos retroactivos da Lei.

Bem, acho que estas perguntas nunca vão ter resposta. Se alguém descobrir que passe a palavra, adorava saber.

RdS
publicado por GERAL às 10:17
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2006

A merdiocridade

Hoje pouco tenho a acrescentar excepto colocar este contributo de JLM (não só se tornou leitor do nosso blog como os seus contributos são muito úteis). Julgo que será necessário uma reunião entre os S’s de modo a atribuir uma designação de S honorífico, digno da Ordem do Infante (é de aproveitar agora que o palhaço do PR anda a distribui-las - às ordens, claro - como água, antes da chegada do outro palhaço, esse só quer bolo-rei).

QUOTE
Ora viva.
Há quem diga que os gostos não se discutem...não se discutem? Nós passamos a vida a discutir os nosso próprios gostos e os gostos dos outros. Faz parte da natureza humana. Quantas não são as vezes que (principalmente) as mulheres falam do modo como outra está vestida? Ou que a expressão "piada de mau gosto" é referida? Ou que certo tipo de construções (para não falar de muitas outras coisas) são de "mau gosto"?
Os gostos discutem-se e devem ser discutidos. É pela discussão dos mesmos que se pode tentar atingir, senão um consenso, pelo menos uma ideia do que é que é bom (ou de bom gosto), o que é mediano, ou o que é mau ou medíocre.
Serve o acima como preâmbulo para o que venho aqui verborrear.
Portugal é um país cheio de maus gostos. Recuso-me por enquanto a dizer que é um país de mau gosto. Talvez o bom gosto seja uma excepção à regra, mas ao menos (felizmente) existe. Agora, o mau gosto, a mediocridade (que vou passar em diante a chamar de merdiocridade por motivos óbvios) impera em muitos aspectos da nossa alma lusitana.
Comecemos com uma coisa que desde logo, é cartão de visita para qualquer país - a arquitectura, a paisagem, o ordenamento territorial. As pessoas viajadas (como humildemente penso que sou) estão habituadas, quando viajam para países mais civilizados (vou restringir a comparação a estes uma vez que nada nos interessa estarmos a comparar-nos a países do 3º mundo - valha-nos ao menos isso), vêem cidades equilibradas, bons ordenamentos territoriais, respeito pela harmonia dos espaços, edifícios antigos devidamente restaurados, etc, etc.
Chegamos a Portugal e o que vemos? Litoral completamente destruído com construções em cima da areia, desordenamento territorial por todo o país. Vamos ao Minho e vemos arquitectura importada por nossos emigrantes de casas tipícas da Suíça (neva muito no Minho), as cidades estão cheias de mamarrachos, as vias públicas dentro das cidades estão agora afectas à moda das rotundas (parece que houve aquela ideia de que a grandiosidade de um país é directamente proporcional ao numero de rotundas que as cidades têm). O país sofre com tanta poluição visual. Os resultados são catrastóficos. A qualidade de vida deteriora-se. E o que mais custa é que tinhamos (já não temos) tanto potencial para que as coisas fossem feitas de forma ordeira, equilibrada, justa. O lobbying da construção impôs-se de sobremaneira a todos esses princípios.
Mas o acima é apenas um exemplo, talvez o mais perceptível, à primeira vista, a todos nós. Mas o que dizer da merdiocridade que nos entra todos os dias em doses cavalares pelos meios de comunicação? Ou que é visível no dia-a-dia em praticamente todos os aspectos da nossa vivência?
Ele é reality shows todos os dias, musica pimba a rodos, indíces de leitura elevadíssimos para as revistas e jornais de chacha que por aí abundam em detrimento da leitura de jornais e de livros de interesse. Parte da população, que eu arrisco-me infelizmente de pensar que é a maioria, tem como heróis o José Castelo Branco, o Frota, o gajo (que nem sei o nome nem quero saber) do "Fiel ou Infiel", a Ágata, o "cocó, facada e ranheta" (nome escatalógicamente original) entre tantos outros. E o que é certo é que o povinho gosta. Eleva a seus heróis o Zé Maria e a Lili Caneças. Devora as revistas ditas sociais onde supostamente famosas (?) figuras nacionais proferem frases do mais irrelevante possível. Delira com os "poemas" cantados do Quim Barreiros. É certo que há muitos que pensam como eu. É também certo que as liberdades individuais estão constitucionalmente proclamadas e defendidas. Mas penso ser também consensual quando digo que os gostos se discutem. Eu por mim, se tivesse algum cargo político, se fosse ministro da cultura, se fosse um ditador, construiria uma grande casa (tinha que ser mesmo muito grande) e punha lá todos os personagens merdíocres, mais o publico a eles afecto (o mercado também a este respeito manda, e neste caso é enorme) e obrigava-os a ver em ecrã gigante o canal Mezzo, o canal Arte e canais noticiosos (não podiam ser a Sic ou a TVI) de preferência estrangeiros que era para os obrigar a entender linguas estrangeiras até para melhorar o seu já pobre português. Quanto a leitura, só existiriam livros do Flaubert, do Paul Auster e quando muito do Júlio Verne. Música só clássica. Estas medidas não serviriam obviamente para nada, mas ao menos tentava-se alguma coisa para minimizar a extrema poluição cultural que o país, ou parte dele, vive.
Por outro lado, costuma-se dizer que o exemplo vem de cima. Não é que eu considere a classe política aquela que vem de cima (quando muito deviam estar por baixo a serem sodomizados pelo Frota), mas é uma classe com responsabilidades. A merdiocridade vem ao de cima todos os dias. Nem falar português sabem alguns. Há uns tempos tinhamos um ministro que dizia "Há-dem" (nem sei se é assim que se escreve), depois tivemos recentemente um parlamentar que dizia póssamos com um acentuado acento (passe o pleonasmo) no "ó". Já para não falar daquela outra famosa personagem política (ao mesmo tempo "socialite") que dizia que a sua obra clássica preferida eram os concertos para violino de Chopin. Enfim, entre tantos outros exemplos.
Dizer que a merdiocridade pode ser combatida pelo maior acesso à educação, por uma maior formação, é uma falácia. Eu frequentei o ensino superior (nem me orgulho muito disso), e era ver o pessoal universitário a não saber quem tinha sido o Afonso Henriques, a dizer que o Maomé foi um dos apóstolos de Cristo ou a dizer, com convicção que a língua do Brasil é o brasileiro. Já para não falar nos testes escritos onde em vez de "ir-se-á" escrevia-se "irá-se", onde em vez de "interveio" lia-se "interviu", ou ainda "estou desde à dias" em vez de "estou desde há dias" . A educação não vem (só) da escola. Vem de berço e grande parte dos berços portugueses é feita de palha (daquela onde os cavalos cagam - desculpem a merdiocridade do termo).
A merdiocridade não é exclusiva de Portugal. Há um pouco disso em todo o mundo. É impossível querermos que hajam (bons) gostos consensuais. Mas ao menos devíamos cingir-nos à merdiocridade nacional que já de si é bastante má. Agora, para além disso, importá-la?? Quer seja em programas televisivos, musicas, "socialites"??
Não querem por aí criar uma brigada terrorista? Nome já poderíamos ter - BTAM - Brigada Terrorista Anti Mediocridade. Acções a empreender - raptar a Cinha Jardim, amarrá-la e pendurá-la na ponte 25 de Abril com um cartaz a dizer "a bem de certa população portuguesa vou emigrar para Vanuatu", fazer o mesmo à Lili Caneças com outro cartaz a dizer "o contrário de estar pendurada é não estar", pôr uma bomba nos estúdios da TVI, dinamitar os mamarrachos existentes um pouco em todo o lado, coser a boca (com fio de aço) a determinadas - muitas personagens, dar um dildo de 86 centímetros ao José Castelo Branco para que ele ficasse entretido para o resto da vida - entre muitas outras acções de protesto.
Bom, é melhor parar por aqui, senão ainda me entusiasmo muito e começo a lembrar-me de muitas outras coisas que poderiam estar acima descritas. A merdiocridade não passará, são os meus votos para o resto da minha vida.
Adeus e até mais logo.
UNQUOTE
Palavras para quê? É um S, no verdadeiro sentido da palavra. Como podem reparar, aguardamos mais contributos, não só do caríssimo JLM como de outros leitores.

Um abraço
MS
Ostres.s33@sapo.pt
publicado por GERAL às 16:39
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2006

Embaixadorzinhos...

Hoje tenho mesmo de deixar aqui o contributo, recebido por mail, de JLM.
De facto, temos que lhe agradecer a dedicação à leitura e contributos para este espaço de má-lingua, mais importante que qualquer Blog do Pacheco Pareira.
Assim:

QUOTE
Boa tarde,

Hoje venho aqui falar de uma coisa que me anda a atormentar...Desde já desculpas pela prolixa mensagem.

Será que existe alguma relação entre a projecção dos países e o numero de individualidades / produtos conhecidas(os) que esses mesmos países têm?
É uma daquelas dúvidas que me assalta frequentemente, e leva-me a cogitar se Portugal é de facto um país conhecido no mundo devido à iconoclastia (ou não) das pessoas que cá temos e tivemos, dos produtos/marcas de que dispomos e fazemos dispôr, etc.

Vamos por partes.

Um país pode ser identificado, não só mas também, pela analogia imediata do quê ou de quem é conhecido a nível global. Ninguem tem dúvidas que ao falarmos do Bush ou da Microsoft, estamos a falar intrinsecamente dos EUA. Quando estamos a falar do Pélé ou do samba, o Brasil surge-nos inevitavelmente na cabeça. E a França aparece-nos no seu esplendor quando falamos de vinho ou quando referimos o nome da Brigitte Bardot. Quer-me parecer que os ilustres referidos, quer se goste deles ou não, são de facto "globais" e identificam os seus países de origem.

E Portugal? Quais as personagens que podem ser associados ao conhecimento universal desses mesmos ao nosso país? Confesso que já foi pior. Agora temos o Durão à frente da UE, temos o Mourinho a dar (e a receber com toda a certeza) cartas em Inglaterra, temos o Figo, tivemos o Eusébio...e pouco mais. E será que a universalidade dos acima ditos é assim tão premente?

Vejamos, provavelmente se formos à Conchichina, Durão será mais sinónimo de bife com batatas fritas do que associado à posição que tem na UE. E Mourinho, Eusébio e Figo estão dependentes acima de tudo da cultura futebolística que um país pode ter, ou não (estão a ver os americanos que nem sequer sabem as regras do "soccer" a perguntarem "Figo who?")

Penso que há diversas áreas que permitem aos países serem conhecidos e reconhecidos a nível mundial. Entre elas, a política, as artes, o desporto, os negócios ou o próprio país e seus produtos, para citar alguns.

Vejamos Espanha aqui ao lado. Tem Velasquez, Dali, Picasso, Miró, Cervantes, Pizarro, Cortez, e até nos roubou o Fernando Magalhães, o Saramago ou o Colombo à Itália. E tem a iconoclástica família real, organizou verdadeiros eventos globais como os campeonatos do mundo de futebol em 1982, os JO de Barcelona em 92 ou a exposição universal (não mundial como a nossa de 98) em Sevilha no mesmo ano. E tem desportistas reconhecidos em áreas como o futebol mas não só. São uma potência no ténis, no golfe, no atletismo, no andebol, basquetebol, agora na fórmula 1 e até, pasme-se, no ski onde inclusivamente ganharam medalhas de ouro nos JO de inverno. E tem ainda um turismo fabuloso, com o maior numero mundial de cidades património Unesco, ou museus como o Rainha Sofia ou o Del Prado. E mais exemplos haveriam como a Tortilha ou a Paella, ou a língua espanhola que é falada por mais de 400 milhões de pessoas.

Se formos a Itália temos os renascentistas todos (Miguel ângelo, Leonardo da Vinci), temos os músicos como o Verdi ou o Rossini, temos a gastronomia, temos a boazona da Sofia Loren e da Cicciolina, e temos a Máfia e a Camorra, instituições conhecidas em todo o mundo.

Outros países há que até são conhecidos por alguns filhos-da-puta que lá habitaram. Nós nem filhos da puta famosos tivemos. A Alemanha teve o Hitler, a Russia o Estaline, o Cambodja o Pol Pot, a Hungria o Atila. Até a Mongólia teve o Ghengis Khan. Nós quando muito tivemos o Salazar que em termos de reconhecimento mundial devia ter para aí um milésimo do seu conterrâneo aqui do lado, o Franco.

E sem ser de filhos da puta, poderia falar ainda de França, India, China, Inglaterra, Russia, Polónia, Alemanha, Brasil, Estados Unidos entre muitos outros. Países maiores que o nosso? Sem dúvida, mas o que dizer de países similares em tamanho e população ao nosso como:
- a Bélgica com a capital Bruxelas sede da UE, com vários produtos belgas famosos (cervejas, chocolates),
- a Suíca (Alpes, relógios, chocolates, bancos, cantões, vacas leiteiras),
- a Holanda (Rembrandt, Van Gogh, as putas e os charros de Amsterdão, o maior porto da Europa, etc),
- a Suécia (gajas muita boas, a Ikea, os Abba - lá está, gajas boas, a Volvo, a Tetra Pak, enfim, bué de marcas)
- ou a Grécia - país que disputa (puta) o maior indice de pobreza com Portugal, mas caramba, os JO nasceram lá, e têm aquela camada toda de ilustres pensadores, que não tinham mais nada para fazer do que cogitar e que...pronto, lá são mais conhecidos do que os nossos navegadores? Dúvidas? o Sócrates (o pensador, não o outro nosso que a esse ninguém conhece) dá uma abada ao Diogo Cão. O Pitágoras que tem um teorema matemático estudado em todo o mundo, mete num buraco o Pedro Alvares Cabral. Só eventualmente o Vasco da Gama pode discutir esse campeonato mas cá para o fundo da tabela (o abaixo assinado é por acaso uma pessoa viajada e quando, nas minhas viagens, dizia que era do país do Vasco da Gama, invariavelmente lá me aparecia a famosa questão - "who?")

Nós por cá contentamo-nos com os (pequenos) "embaixadores":
- vinho do porto - talvez a grande excepção à regra mas que está cada vez mais a ser roubado por outros (é vê-los a serem produzidos na...Califórnia)
- o Saramago (que até mudou para Espanha, e cujo passado (e presente) de bolchevique não abona muito a seu favor)
- o Camões, autor dessa obra universal chamado os Lusíadas (estão a ver uma obra conhecida a nível mundial com esse nome?!?)
- o Manoel de Oliveria (...sem comentários que o gajo de conhecido só por se calhar já estar na vetusta idade de acima dos 90 e ainda fazer filmes(?))
- os nomes já acima referidos num parágrafo anterior dos quais tenho dúvidas que sejam assim tão universais
- o fado (mas quem conhece fado? quem conhece a Amália? O flamenco e o Tango são conhecidos em toda a parte. O fado? conhecem danças de salão ou campeonatos de dança com música fadista? E já agora, porque não o vira do minho para nos tornar famosos?).
Por outro lado, já repararam no orgulho que nos enche a peitaça quando um acontecimento mundial tem base em Portugal? É parangonas de cabeçalhos e primeiras páginas no jornal. Foi ver o campeonato da Europa em 2004 (outra vez o futebolzinho), os prémios MTV, a Expo 98, o nobel do Saramago (nóbeis na América é mato. Os gajos nem devem saber o que um nobel é, mas enfim) - o tal que vive em Espanha e não paga impostos cá, ou ainda a visita do Bill Gates (mas que porra, o gajo veio cá dar uma conferência, era mesmo necessário enchermo-nos tanto de orgulho e abrirmos telejornais por termos tido a honra da visita de brochelência???). E que dizer da pseudo-felicidade que foi termos o Pedro Lamy na fórmula 1. Por momentos parecia que o gajo era o leitmotiv das nossas vidas Ele era anuncios (imbecis) na televisão, era abertura de telejornais sempre que havia um treino nos grandes prémios, etc. Agora temos o Tiago Monteiro que por ter ganho um terceiro lugar (os primeiros pontos alguma vez alcançados por um português na F1) foi assunto de discussão, reflexão e alegria desmesurada durante umas semanas.

Não será tudo isto um sinal óbvio da pequenez que rege o nosso país? Porque será que não promovemos e treinamos verdadeiros ícones, não apostamos em valores, quer sejam eles no desporto, nas artes?...porque é que não incentivamos o marketing de marcas portuguesas para que elas sejam conhecidas a nível mundial? A Benetton começou do nada, caramba...e porque é que temos de ter a já citada mesquinhez de ficarmos todos contentes quando Portugal aparece nos noticiários estrangeiros?? É que até com factos tenebrosos como os incêndios ou o desastre de entre-os-rios, lá aparecem na televisão e jornais notícias a confirmar que o facto foi noticiado lá fora. Julgo mesmo que há da parte de alguns orgulho nisso. Já que não temos assim tantos filhos da puta universais, ao menos que tenhamos desgraças naturais. Um terramoto vinha mesmo a calhar, digo eu.

Ai, é tão bom ser pequenino...
publicado por GERAL às 16:17
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

Língua da Terra Estranha... mais conhecida por "lingua de sogra"!

Qualquer cidadão mais atento à televisão, rádio e jornais e que esteja mais atento à nossa língua materna encontra cada “calinada” que mete medo ao susto. Sem querer entrar no debate sobre o ensino, pois acho que o mesmo é despropositado e não é um elemento aglutinador do desenvolvimento nacional, uma vez que a preocupação demonstrada quer pelas autoridades quer pela maioria dos professores do secundário tem a ver com questões de pormenor e não com a qualidade de ensino, julgo que deveremos chamar a atenção para os erros grosseiros na nossa língua.

Analisemos, pois, alguns exemplos:
É muito frequente, quando alguém coloca uma pergunta sobre a opinião do entrevistado surgirem respostas do género:
- “é minha opinião pessoal... bla, bla, bla”
Debrucemo-nos nesta pequena frase. Eu acho que se é a opinião dele, então é pessoal ou será que pode ser algo do género “é minha opinião impessoal...” ou “é minha opinião de grupo...”? Se surgir uma questão impessoal ou de grupo deixa de ser dele... sei lá, digo eu!
- “foi entregue pelo Dr. X, pelo Engº Y e por mim próprio... bla, bla, bla”
Ora aqui está outra absolutamente fantástica. Expliquem-me lá uma coisa: se é entregue por mim, não sou próprio? Ou será que posso entregar por mim impróprio? Sinceramente julgo que se se disser “... e por mim...” já inclui os próprios e impróprios. A não ser, claro está, que exista um clone desconhecido!
- “é absolutamente imperdível!”
Esta é daquelas palavras novas que surgem do nada e entram no uso corrente – nem na wikipedia, em brasileiro, aparece tal referência. Se o prefixo de negação im/in é para ser usado assim, temos várias palavras novas para desenvolver, nomeadamente: impolitico: alguém que não gosta de politica; imburocrata: alguém que não é burocrata nem gosta deles; imgoverno: força política que está do lado oposto e contra o governo; imloira: pessoa de cabelo escuro ou ruivo.
Por outro lado podemos cortar esses ditos prefixos e passamos a ter: becil (por oposição a imbecil): alguém arguto e inteligente; teligente (por oposição a inteligente): alguém tão burro que até dói na alma

Por pouco importante que este assunto possa parecer, o que é facto é que assassinamos a nossa língua todos os dias, começando pela cúpula dirigente. Basta prestar um pouco de atenção e ouvimos na rua:
- quaiqueres, fize-o, quiseo, puseo, vou ligar a ele, há-dem, vivendas germinadas, véstorias, etc, etc, etc.

O desenvolvimento civilizacional das sociedades passa por mais do que simples construções faraónicas ou pequenos (e exclusivos) pólos de investigação. Ouvi ontem, na TSF, uma Professora Doutora a comentar uma notícia sobre a descoberta de um sub-tipo de células que destroem células tumorais. Ora dizia a senhora que “esta... este... “finding” como dizem os americanos... esta descoberta como dizem os portugueses...” o que me faz um pouco de confusão. É que aparentemente, aquilo que os americanos fazem é diferente do que fazem os tugas. Se o comentário é para uma rádio portuguesa, a emitida em território nacional não me parece muito correcto referir que os portugueses têm descobertas e os americanos findings. Para além disso, a equipa de investigadores é francesa mas é melhor não baralhar mais com a introdução de mais um estrangeirismo.

Uma das coisas mais irritantes que pode existir são as pequenas elites (atenção que eles é que se intitulam elites) que tratam a restante população como perfeitos ignorantes. Isso é o mesmo que aquela mania de berrar devagarinho, em português, uma indicação a um cidadão inglês que não percebe corno da nossa língua. Ainda não percebi porque razão berram – pausadamente – em português: “VAI... EM... FRENTE... E... DEPOIS... VIRA... À... DIREITA... ENCONTRA... A... PADARIA... PERCEBESTE?????”. Já lhes ocorreu que o outro pode não ser surdo e não ser português? É quase tão idiota como dizer a um cego para ir frente até uma porta laranja!!

Outra coisa bonita e interessante de se ver neste país tem a ver com a utilização de estrangeirismos. Sei que este tema não é novo mas de facto nós não temos cota de mercado mas market share; não temos os 10 mais, temos top ten; e por aí fora... então na economia e na informática não faltam exemplos.

Retomando o desenvolvimento civilizacional, aqui na Terra Estranha partimos do princípio que somos desenvolvidos porque temos banda larga, telemóveis, televisões planas (ou flat screen para os incautos), TGV, OTA, rotundas, túneis e pontes mas nunca vos aconteceu responderem a um anúncio e não obterem, sequer, uma resposta? Os tugas não respondem a esse tipo de carta. Existe sempre a presunção de negação nestas situações o que é aflitivo. É que não custa nada responder, mesmo que seja para dizer que não. Assiste-se a uma filosofia de desresponsabilização na Terra Estranha que é pouco digna de um elevado índice civilizacional. É que actualmente, quem responde a anúncios, costuma ter caixa de correio (também conhecida por mail box) e basta ter uma minuta para enviar, mas não... nunca respondem! É que o candidato gostava de saber se ao menos receberam o CV ou se os CTT cometeram uma argolada. Para cúmulo, em boa parte dos casos, as moradas vão parar a empresas de vendas por correio que nos enchem as caixas de correio com conversa parva, sem nós sabermos como conseguiram obter o nosso endereço.

Para além disso é tão habitual que já nem notamos, aquela nova espécie de ser: o escarro voador. Automobilista que se preze vai com o braço pendurado na janela (naquela atitude “sou-muito-bom-condutor-e-o-carro-é-meu”) e de repente sai aquela coisa (como diria a investigadora, aquele “finding”) verde pela janela. Existem várias espécies de escarros voadores mas isso não interessa por agora.

O que é inegável é que o chamado “crescimento sustentado” tão caro aos nossos políticos não tem apenas uma perspectiva. É o somatório de vários elementos que compõem a sociedade. Que interessa a mim saber que as escolas estão todas ligadas por banda larga se depois não têm aquecimento ou condições para os alunos? Que interessa a mim saber que o Bill Gates quer dar formação a 1 milhão de portugueses se depois temos um nível de vida mais elevado que os espanhóis e uns salários mais baixos que os espanhóis?
O que será mais importante? O plano tecnológico na sua vertente de investigação e parcerias universitárias ou os mais de 500.000 portugueses que passam fome? É que se por banda larga chegar um bife de pimenta eu assino já!!

MS
Ostres.s33@sapo.pt
publicado por GERAL às 16:07
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Outubro 2013

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.posts recentes

. Nas voltas e reviravoltas...

. A Austeridade...

. Portugal e a Crise

. Jogo FMI

. FMI e afins

. O outro lado da exuberânc...

. Os Sufrágios!

. As idio(ti)ssincracias da...

. O país de betão

. O salário minimo e Portug...

.arquivos

. Outubro 2013

. Setembro 2012

. Maio 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

.tags

. todas as tags

blogs SAPO

.subscrever feeds