Segunda-feira, 24 de Julho de 2006

Não vou dizer mal... "No way, Jose!!"

Ora muito boa segunda-feira a todas(os)

Já estava com algumas saudades de aqui vir e destilar um pouco do vitríolo que caracteriza a construção deste blog mas, por vezes – e tal como qualquer cobra, é necessário deixar carregar baterias.

Tenho apreciado a situação nacional e internacional dos últimos dias numa perspectiva distanciada uma vez que resolvi assumir uma atitude “governativa” e, depois de ter reparado nos últimos artigos deste blog, vou expurgar os meus pecados e NÃO vou dizer mal.

Hoje, ao contrário do que é habitual, vou dizer bem!

Recuso-me a dizer mal do constante aumento do preço dos combustíveis, que atingiram este fim-de-semana valores recorde. Não vou dizer mal porque entendo que, coitadas das empresas de combustível prestam um serviço à nação, abnegadamente e sem olharem a meios para permitir que o tuga ande nas vias rápidas, ao fim-de-semana, a 33 kms/h. É preciso ver que a zona de onde nós compramos está sob cerrado ataque por parte de forças do Hezbollah (será assim que se escreve?) e que... esperem um momento por favor! Está a tocar o telefone...

- Sim?
[pausa]
- A sério? Não é de lá?
[pausa]
- Ahhh! Ok! Eu corrijo e...
[pausa + interrupção]
- Peço imen.....
[telefone desligado nas trombas]

Tenho que fazer uma correcção e lamento os inconvenientes causados... é que afinal quem andam ao “estalo” com bunker-busters e rpg’s não tem nada a ver com o local onde compramos o petróleo. Parece que no sul do Líbano existem calhaus, cabras e tipos de cu para o ar virados para Meca mas NÃO existem poços de petróleo.

Mas adiante! Estava eu a dizer que não vou dizer mal da especulação selvagem feita sobre o preço dos combustíveis e muito menos vou criticar a consertação de preços. Temos de respeitar as leis da concorrência e é o nosso mau-feitio que nos cega face a essa lei da concorrência “vamos-ver-quem-entala-mais-os-Tugas”. E nem sequer vou mencionar o facto das gasolineiras terem criado a moeda-nova, o milésimo de euro. Mencionar tal facto é um atentado contra as leis da economia e hoje nem me atrevo a tal. Onde já se viu tamanho desaforo? Criar uma invenção de uns economistas que dizem que a partição minima do Euro é o cêntimo mas depois querem negociar em milionésimos e microns de Euro para sacar umas massas com uns arredondamentos que ninguém conhece? Como disse, não vou dizer mal!!!

Nem tão pouco vou dizer mal da nova lei sobre as reclamações do IRS feitas pelos cidadãos e empresas a um bando de facínoras. Eu não tenho legitimidade para dizer mal da nova tendência da Moda “Legislativas 2005” do estilista Jean-José Sócrátèz. Eu não vou criticar nem dizer mal do pelintra que, sendo espoliado pelo Estado, vai humildemente – e a medo – a uma repartição de finanças dizer que afinal ele tinha razão e houve um engano e que, numa primeira reacção, saltem uns porteiros de discoteca do guichê 7 (Reclamações) e comecem por agredir a pontapé o desgraçado e de seguida o ameacem com o fim do sigilo bancário e com uma “lavagem ao cólon financeiro”. Apesar de isto me fazer lembrar a história do miúdo que chega ao pé do pai a pedir uns ténis novos (afinal o ranhoso já calça o 37 e tem uns ténis 34) e a primeira reacção é levar uns estalos e depois o pai pergunta o que é, eu NÃO vou dizer mal.

Também me recuso a criticar as manobras numéricas sobre o nosso poder de compra ou valores reais de emprego. Afinal o governo tem anúnciado mega-projectos que irão revitalizar o emprego e a economia, por isso acredito que – mesmo sem ver nada a ser concretizado – temos que acreditar que estão a zelar por nós. Creio que temos de acreditar – tal como fizémos com a selecção nacional – que somos capazes... de continuarmos a ser violentamente “sodomizados” administrativamente e manter a esperança no D. Sebastião.

(Agora sou obrigado a fazer uma pequena interrupção: expliquem-me lá uma coisa. Afinal o D. Sebastião é de que partido? PS ou PSD? O Guterres também se pirou e a malta não quer que ele volte nem com nevoeiro nem com sol. O Durão fez o mesmo e a malta deixou de saber dele no deserto europeu e ninguém quer saber se ele volta ou não! Afinal o que é que o tipo foi fazer para o Norte de África? Eu começo a desconfiar que o fulano era um iluminado e já queria defender as fronteiras europeias dos emigrantes ilegais. É que aquilo que nós queremos aqui na Terra Estranha – de ilegais – são as putas de leste e do Brasil... mais nada. O resto tem tudo de ter papelinho, comprado na candonga e plastificado nos plastificadores de rua que estão ao pé do Arquivo de Identificação)

Continuando, eu também não vou dizer mal de, apesar de todos gritos virginais provindos do Governo (e acreditem, eu trabalho ao pé do parlamento e da praça da ribeira e os dois sons misturam-se. Eu ouço todos os dias) sobre o corte de despesas da função pública e o respeito pelo déficit e depois ficamos todos a saber que, afinal, só no ano passado, foram admitidos 22 mil funcionários (mais ou menos uns trocos), reformaram – compulsivamente ou não – 12 mil funcionários (mais ou menos uns trocos) tendo assim a função púb(l)ica uma saldo positivo de 10 mil funcionários (mais ou menos uns trocos). E nem me atrevo a dizer mal das atitudes prepotentes (contra os mais fracos), de força (contra os mais fracos), de servilismo (para com os mais fortes) e de cobardia (face aos mais fortes). E muito menos levanto a minha voz à incompetência governativa face aos “Mais-Altos-Desígnios” face aos crimes cometidos pelos professores, médicos, juízes, economistas e afins!

Muito menos vou dizer mal dos sindicalistas portugueses que, depois de começarem a receber somas elevadas por actividade sindicais e aparecerem na televisão, são incapazes de apresentar uma ideia concreta. Eu não me atrevo a dizer que o sindicalismo, em Portugal, parece uma mistura de CIA, a NSA, MI5 e GSG9 uma vez que todos sabem que esses organismos têm as suas acções e operações mas nunca ninguém vê nada. Assim parece o nosso sindicalismo, toda a gente sabe que ele existe mas ninguém vê nada!
Longe de mim dizer mal dos grevistas que preferem perder um dia de trabalho no vencimento e irem para o centro comercial, à praia ou ficar em casa em vez de se manifestarem correctamente, à porta das entidades “Entaladoras” dos desgraçados e oprimidos da função pública.

Nem, sequer, me atrevo a dizer mal da especulação selvagem de que este país é vítima e muito menos vou chamar filho-da-puta a um filho-da-puta do FMI que esteve aqui em Portugal, numa conferência no Parlamento, com deputados e membros (encolhidos e enrugados) do Governo onde esse tal de quadro do FMI disse que Portugal ía no bom caminho mas que tinha um problema grave: salários altos. Longe de mim criticar ou dizer mal desse filho-da-puta e não me atrevo a chamar-lhe filho-da-puta a um filho-da-puta (podem ver que ainda não lhe chamei filho-da-puta... as vezes suficientes!!!).

Eu não vou dizer mal do Simplex, a jóia da coroa da simplicidade intelectual que atravessa o nosso governo, que parece ter descoberto a internet como o novo Graal da política. É tudo via internet e depois, como com o selo do carro, faltam as pessoas para lidar com o simplex e falta 1 milhão de selos. Nem vou chamar a atenção do Zé “my man” Sócrates que a internet já existe há uns tempos e que tem uns sites porno porreiros. Talvez fosse melhor ele tornar o acesso à pornografia livre e gratuito... tinha mais produtividade... e acabava com o envelhecimento da população.

Decidi que hoje não ía dizer mal... pelo contrário, ía enaltecer o Portugal democrático, pós 25 de Abril. O Portugal do século XXI...

Vou pois começar por....

Estava eu a dizer que temos muitos pontos positivos, como país e povo e vou dar-vos uns exemplos:
1. O primeiro é.... [pfzt! Tchxxxxxx! Estática]
2. Em segundo lugar, temos os.... [avaria do teclado]
3. Depois temos os.... (...).... que são bem agradáveis!
4. E, finalmente, o...... (...) .... que demonstra a nossa capacidade.

Como podem ver, hoje não disse mal da Terra Estranha.
Temos que ser positivos, acreditar, lutar, ter confiança... e mais umas merdas desse género que agora não me ocorrem...

VIVA PORTUGAL... que começa a matar à fome os Portugueses

MS

p.s.: caso existam reclamações, por favor usar o modelo 33a do sistema Simplex, via internet. Depois sente-se e.... espere!
publicado por GERAL às 13:38
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Sexta-feira, 21 de Julho de 2006

O complicadex parte II - a saga continua

Ora viva,

Quem leu o artigo anterior, poderia pensar que, apesar de tudo, o problema do passaporte havia sido resolvido. Como a nossa função pública é um mundo de surpresas, e dá azo a que hajam sempre cenas do próximo capítulo, eis então a contar o que sucedeu após a primeira parte.

Bom, ia eu, todo lampeiro, para a Loja do Cidadão em Lisboa (Restauradores) com a certidão de nascimento da minha filha, pensando que rápidamente poderia pedir a emissão do passaporte, necessário para a minha viagem. Nada mais errado. Entregue a certidão de nascimento, a funcionária após olhar para a mesma, refere ter muita pena mas a certidão teria que ser re-emitida por causa de uma simples frase no verso que dizia "Válida para efeitos de bilhete de identidade". Ora bem, eu quando peço uma certidão de nascimento, é uma certidão de nascimento. Sei lá eu bem que um/uma imbecil qualquer restringe a certidão para efeitos de bilhete de identidade. Se o faz, ao menos podia perguntar para que efeitos é que a certidão era para ser emitida, coisa que não aconteceu.

A funcionária da Loja do Cidadão, ao ver a minha cara (misto de raiva e frustração), informa-me que o problema pode ser resolvido se eu, na própria loja, pedir a emissão de outra certidão de nascimento, com um nome esquisito (básicamente a diferença é que não diria no verso que era válida para efeitos de BI). Tudo bem, digo eu. Custou-me eur 22,75 a mais. Deve ter sido a frase dita por outrém mais cara da minha vida, e tudo isto por incompetência de terceiros. Os eur 22,75 estavam divididos entre eur 15 de custo de emissão da dita certidão, mais eur 7.75 de custo de a Loja do Cidadão tratar o mesmo com a Conservatória de Vila Franca de Xira, concelho onde resido, e onde tinha sido pedida primeira certidão. Básicamente, um telefonema e um fax a custarem eur 7.25. Chulice maior não poderia existir.

Por fim, a funcionária (reconheço, muito prestável e simpática), informou-me que há certas conservatórias que já não põem no verso nada do tipo "válida para efeitos de Bilhete de Identidade", podendo as mesmas servirem para a emissão de qualquer documento. Ou seja, no nosso país há conservatórias que o fazem e outras não. A bem do serviço público com certeza.

Com eur 22,75 a menos na carteira, dirigi-me então para outra secção na Loja do Cidadão, que é a secção do documento único de automóvel. Básicamente, tinha que ir lá substituir a locação financeira do carro de empresa que conduzo. Tinha que entregar um formulário, já preenchido pela minha empresa, e pagar o que haveria de pagar. Informaram-me logo que o prazo para essa requisição já tinha passado, e como tal, multa de Eur 30. Mas não ficou por aí. Imaginemos, para que não tenha que dizer a empresa onde trabalho, que a mesma é a ABC Portugal, e que num dos papéis por mim entregue referia que a ABC - nome por extenso (exº Abutre Batráquio Colhudo) Portugal requisitava...coisa e tal. Ora bem, pelo facto de em determinado documento ter-se posto a extensão das siglas, lá tive eu que passar mais de 20 minutos à espera de confirmação que a ABC Portugal era de facto a "Abutre Batráquio Colhudo Portugal".

Ou seja, apesar de ter sido bem atendido (tive sorte, porventura), a burrocracia continua. Perdi uma manhã à conta da mesma, e tive que arrotar com dinheiro à conta dos erros da própria função pública.

Utentes - preparem-se por que "eles andem aí". O estado necessita de dinheiro e já sabe onde arranjá-lo. Basta que alguns dos seus funcionários sejam incompetentes para o povinho ter de pagar as asneiras deles. Quanto ao tempo dispendido, olhem, é menos meio-dia que contribuí para o PIB da nação.

JLM
publicado por GERAL às 15:30
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Terça-feira, 18 de Julho de 2006

O complicadex

Ora viva,

O governo português tem promovido o tal famoso método simplex, ao que se julga, com o objectivo de simplificar e desburocratizar os processos da nossa infelizmente famosa má função pública.

A intenção é boa, sem qualquer tipo de cinismo da minha parte. Pena é de facto levar tempo até que esteja devidamente implementado em todos os sectores da função pública, e infelizmente estou a sofrer isto na pele.

Passo a explicar - Tendo férias durante a primeira semana de Setembro , nomeadamente de 2 a 10 de Setembro, decidi viajar com a minha família até Cabo Verde, mais própriamente à ilha do Sal. Combino a viagem com o meu habitual operador turístico que me avisa que 15 dias antes da viagem tem que receber da nossa parte cópias dos passaportes para que possa proceder à emissão de vistos (tratados pela própria agência de viagens). A este respeito, e abraindo um parêntesis, é engraçado constatar, sem qualquer tipo de ideia xenófoba da minha parte, que para todos ou quase todos os destinos dos PALOP's, nós portugueses, suposta (e claramente) com um nível de vida superior à dos habitantes desses países, somos obrigados a tirar vistos para entrada nesses países quando, ao que julgo, os habitantes desses países não têm de os tirar quando vêm a Portugal. Provávelmente, os governos desses países pensarão que receberão uma data de imigrantes indesejáveis provindos da tugolândia que roubarão os muito bem pagos empregos que as suas economias oferecem às suas populações. Enfim, a ser verdade aquilo que penso, que os habitantes dos Palop's não necessitam de vistos ou se calhar de passaportes para entrar em Portugal, então a pressuposta "lei da reciprocidade" que deveria reger as relações diplomáticas entre nós e os Palop's está longe de ter sido implementada. Motivo para se calhar outro artigo, e já agora, quem estiver a ler este artigo talvez me possa confirmar se a minha percepção sobre este tema está correcta ou não.

Voltando à vaca fria, para obter um visto tenho necessáriamente que ter um passaporte. Eu tenho-o, a minha mulher tem-no, a minha filha de 4 anos, lógicamente não o tem. Como tal, tem que o tirar. E para tirar o passaporte seria, conforme indicações da Conservatória do concelho onde moro (Vila Franca de Xira) necessário tirar o BI. E para tirar este é necessária a certidão de nascimento. Ora bem, eu tenho até dia 14 de Agosto que apresentar todos os passaportes para obter o visto. Até dia 14 de Agosto, fazendo as contas a partir do dia de hoje são 26 dias. Descontando fins-de-semana temos 18 dias úteis.

Sabendo desta "limitação", pedimos na Conservatória urgência na obtenção dos documentos. O que fomos pedir..."urgências, aqui não fazemos, e um BI demora entre 30 e 45 dias" (!!!!!!!!!). Passaporte então, nem ver o horizonte, e quanto às fotografias da criança que nos têm de entregar "estas" (as que levamos e são simples fotografias tipo-passe em que a miúda aparece com a cara ligeiramente de lado) "não servem porque a cara tem que estar absolutamente frontal e o fundo tem que ser branco". Ou seja, um misto de má informação, mau atendimento, e sobretudo uma burocracia (melhor, burrocracia) que não se justifica com todo o manancial das chamadas tecnologias de informação que hoje há ao dispôr, inclusivamente da função pública. O que me apeteceu no momento (eu por acaso não estava presente na Conservatória, senão seria capa no Correio da Manhã ou no 24 horas depois de fazer explodir o edifício), foi escrever um mail para o "gerente" dessa conservatória, pondo em cópia uma série de jornais e, caso o tivesse o próprio Engº Sócrates himself, para que ele repensasse ou acelerasse o "simplex".

Frustrações à parte, dirigi-me então, telefónicamente, à Loja do Cidadão (em Lisboa) onde me informaram que afinal o BI para efeitos de tirar o passaporte, não era necessárioe que conseguiria obter o mesmo em 8 dias úteis após aplicação do mesmo. 8 dias, para todos os efeitos é diferente de mês a mês e meio e resolve-me o problema. Pena é que, para tirar a merda do passaporte, eu tenha que perder meio dia de trabalho para ir à Loja do Cidadão (ao que sei existem 2 em Lisboa) para preencher a papelada, e assinar pela minha filha uma vez que é obrigatório a assinatura ser de um dos progenitores que têm de estar casados, senão não sei como seria.

Fica o exemplo prático da minha odisseia burrocrática com a função pública que temos. Tenho ainda esperança de ir a Cabo Verde, apesar de tudo. A todos vós desejo mais sorte e menos complicadex.

JLM
publicado por GERAL às 14:32
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Segunda-feira, 10 de Julho de 2006

Querida Flor


Querida Flor,

Escrevo-lhe esta "carta aberta" neste suposto espaço de maldicência (para todos os efeitos foi para isso que o mesmo foi criado), no sentido de agradecer o seu comentário ao meu último artigo intitulado "o regresso à (a)normalidade". Queira crer que é um agradecimento sincero, sem ponta de cinismo ou de sarcasmo.

São vários os motivos para o meu agradecimento. Em primeiro lugar porque, de certa forma, contesta, ou melhor, alerta para certas "injustiças" no meu discurso, e a meu ver, apesar de a maldicência ser o denominador comum deste blog, não quer com isso dizer que as opiniões tenham que ser iguais. Em segundo lugar, porque é bom ver que este blog é lido por mais pessoas do que aquelas que estamos habituados a ler nos comentários ou nos próprios artigos. Por outro lado, congratulo-me de pensar que a sua opinião provem de uma pessoa do injustamente chamado "sexo fraco", ou seja, de uma leitora.

Querida Flor, eu não a contesto quando diz que Portugal tem as suas coisas boas, mais ainda do que as referiu (recordo o Douro, Sintra ou o Alentejo). Tem-nas de facto. Só que, é da minha modesta e humilde opinião que das coisas boas que temos ou as estragamos (já lhes dou uns exemplos) ou então, não tiramos partido delas (também já lhe dou mais uns exemplos).

Veja por exemplo o caso de Sintra que tão bem referiu. A sua paisagem é inclusivamente património mundial (tal como é o Douro - outro exemplo que deu). Mas repare como o concelho de Sintra é um dos mais, senão o mais feio do país com essas amálgamas de betão que pululam entre Massamá e o Cacém. Pergunto, vale a pena ter um oásis no meio do caos? Vale com certeza. Fique-se ao menos com o oásis, mas uma coisa lhe garanto, noutro país da Europa, provávelmente o oásis seria embelezado numa conjuntura arquitectónica mais aprazível do que aquela onde Sintra se insere. E o mesmo poderia dizer do Douro vinhateiro cujo percurso pós-transmontano até à Foz está também ele pejado de abortos urbanísticos, do Alentejo onde agora é moda a classe abastada ter uns montes e onde o belíssimo litoral alentejano está todos os anos a aguardar que um qualquer empreiteiro o transforme num gigantesco campo de golfe na mesma medida que o fizeram nessa região com outrora tantas potencialidades como era o Algarve.

Querida Flor, eu gostava de acreditar que de facto as coisas boas que temos pudessem ser potencializadas, exportadas, desejadas pelo mundo inteiro. Bottomline, são poucos os que conhecem Portugal, os seus produtos, a sua cultura, a sua história, as suas figuras públicas. Já escrevi sobre isso e julgo que não interessa estar a repetir ad nauseum o que já escrevi, mas eu de facto também concordo que um Fernando Pessoa é porventura tão interessante como um Jorge Luis Borges, ou que um cozido à portuguesa suplanta uma paella, só para dar 2 de "n" exemplos que poderia referir. Só que, por falta de marketing ou seja lá porque é, limitamos esse conhecimento e esse prazer a nós próprios, enquanto os outros lutam pela divulgação de tudo o que têm de bom no seu país e no estrangeiro.

Querida Flor, eu sou, por natureza, pessimista, e quero dizer que estando a viver há mais de 30 anos em Portugal, sendo português, torno-me a cada dia que passa mais pessimista com tudo o que se passa cá. Pode-se dizer que isto é apenas uma opinião, e se bem que as opiniões possam divergir e possam ser discutíveis (ao contrário do que diz o ditado popular), existe uma coisa chamada "factos" que, no nosso caso, são infelizmente indesmentíveis. E os factos demonstram que Portugal é campeão no que se refere a acidentes nas estradas, é campeão no que se refere à corrupção autárquica, é campeão do insucesso escolar, é campeão no diferencial entre pessoas ricas e pobres, é campeão de uma série de coisas que nem eu nem julgo ninguém se pode orgulhar do mesmo. Lógicamente que ele há muitos outros países que estão pior ou muito pior do que o nosso, mas eu costumo dizer que a infelicidade dos outros não deve fazer a nossa, e que nos devemos comparar e atingir o nível dos melhores e não dos piores. E a este respeito, estranho que, sendo Portugal um país com 800 anos de história, com as mais antigas fronteiras delimitadas, com um passado histórico relevante, venha a ser ultrapassado por países como a República Checa ou a Eslovénia que sairam há bem pouco tempo daquele espartilho chamado "cortina de ferro", levando-me a pensar que estaríamos nós na idade das trevas se tivessemos feito parte dessa trupe.

Culpados para isso? Se calhar nós temos uma classe governante aquém das expectativas ou mesmo medíocre. Mas estou em crer que a culpa não morre solteira e que se calhar somos todos nós (onde me incluo) culpados pelo "status quo" deste país. Será este um nosso fado? Um país com tantas potencialidades (que acredito que temos), pura e simplesmente desbaratá-las, pensando no presente e não no futuro, gastando aquilo que temos e que não temos?

Recorrendo mais uma vez à terminologia popular, eu também acredito que a esperança é a última a morrer, e pode ser que eu, antes de ir desta para melhor, encontre mais razões do que aquelas que hoje encontro para me orgulhar de Portugal. Razões que estejam para lá da conquista de um 4º lugar no mundial. Razões que me façam sentir feliz por saber que os meus filhos podem augurar muitas coisas boas que este país poderá ou não proporcionar. Nem tudo depende de nós, mas era bom que do pouco ou muito que depende, houvesse alguém - classe dirigente e "povinho português" (atenção que nunca usei esta expressão) - que remasse contra estas negras marés que todos os dias nos assolam.

Posto o acima, querida Flor, fico ansiosamente a aguardar por mais comentários seus, seja a este ou a outros artigos. São e serão sempre bem-vindos.

JLM
publicado por GERAL às 16:27
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O regresso à (a)normalidade

Ora boas,

E pronto. O mundial acabou com Portugal a ter atingido um "honroso" 4º lugar, e a Itália a sagrar-se campeã do mundo.

O povão, tal como seria esperado, fez uma recepção em grande à nossa selecção, empunhando as tradicionais bandeiras e cachecóis, e dizendo palavras de ordem como "são os nossos heróis" e "estátua para Scolari". Eu não sei se um 4º lugar é assim tão bom. Tenho a sensação que a grande maioria dos portugueses não se lembrará quem ficou em 4º lugar nos mundiais que já se realizaram, querendo com isto dizer que muito provávelmente, ninguém por esse mundo fora se lembrará que este nosso país à beira-mar plantado atingiu tal posição neste mundial. Mas enfim, pequenos somos, pequenos continuaremos a ser.

Quero contudo referir, que por uma vez, gostei da exibição de Portugal no jogo de atribuição do 3º/4º lugar, embora tenhamos perdido o mesmo. Considero que tivemos azar no mesmo, tal como tinhamos já tido na meia-final com a França. Ficou demonstrado que o Sr Scolari, a quem muitos chamam de "salvador da pátria" não entende assim tanto de futebol ao colocar o Pauleta como titular, a fazer entrar o Helder Postiga em vez do Nuno Gomes no jogo contra a França, e a realizar substituições nesse jogo aos 75 minutos quando perdíamos por 1 a 0. Portugal termina o mundial com 4 vitórias, 1 empate (sim o jogo contra a Inglaterra terminou empatado, e depois foi o que viu nas grandes penalidades) e 2 derrotas, com um saldo de 7 golos marcados e 5 sofridos, e sem ter havido uma exibição convincente. Notável? No mínimo discutível.

Ora tendo terminado o mundial, e tendo supostamente acabado o estado de euforia global, eis que o nosso país volta ao normal, ou anormal dependendo do ponto de vista. O nosso país sofre do sindroma "maníaco-depressivo" ficando maníaco de 2 em 2 anos (quando e se Portugal disputa os campeonatos Europeu e Mundial de futebol) e estando permanente depressivo no resto do tempo. De facto, e como eu constantemente venho frisando desde o meu artigo "embaixadorzinhos", nós não temos assim tantas razões para nos glorificarmos perante o resto do mundo, a não ser o nosso futebolzinho. Retirem-se pois gradualmente as bandeiras e os cachecóis das varandas e dos carros, e ala que se faz tarde.

Eis pois que voltam os temas como o encarecer do nível de vida, os maus serviços da função pública, as graves da Fenprof, as faltas dos deputados, a corrupção das autarquias, os atentados ambientais, os índices de analfabetismo, as comparações com o resto da Europa, as deslocalizações, o desemprego, a falta de competitividade, os aumentos da gasolina, a redução de benefícios fiscais, a espanholização da economia, a falência da segurança social, os discursos dos políticos, entre muitas outras coisas que já estamos habituados, as quais a catárse futebolística fez esquecer ou adiar.

Como estamos no verão, e é a chamada época da "silly season" pode ser que tenhamos que esperar algumas semanas até que todos estes assuntos venham de novo ao de cima. Até lá ressacamos o mundial.

JLM
publicado por GERAL às 11:03
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