Terça-feira, 28 de Novembro de 2006

O Sídroma de D. João V

Ora boa tarde a todas(os)
 
Muitas vezes falamos das nossas dificuldades e dos problemas de sermos periféricos e outras coisas assim para tentar esconder os nossos repetidos insucessos.
 
Sobre periferias, já várias vezes foi mencionado aqui que é uma daquelas tretas que gostam muito de falar mas que o reflexo na realidade é quase nulo. Por outras palavras, como não somos capazes de conquistar nada de relevante em termos daquilo que se entende por sociedade de sucesso moderna, atiramos com a desculpazinha da periferia e pronto... já ninguém questiona ninguém!
 
Mas afinal qual é nosso grande problema?
 
Esta é a pergunta que já devia ter sido feita há muito tempo e que até hoje ninguém teve a coragem de fazer e, pior, tentar responder.
 
Eu acho que o mal da Terra Estranha e dos seus habitantes é viver de vaidades. Podemos ser uns tesos estruturais mas não há nada como viver de aparências... é aquilo que eu chamo de Sídroma de D. João V ou SDJ-V.
 
Eu passo a explicar:
 
Para quem não sabe, D. João V foi mais um dos nossos reis decadentes que, aproveitando momentos de lucidez de antepassados, quando chegou ao poder tinha amealhado uns cobres. Afinal eram as especiarias do Oriente, o Brasil e todas as suas riquezas e mais os territórios africanos que sustentavam um reino que vivia, literalmente, por “conta”.
 
D. João V, no momento atípico de nacionalismo, olhou para os restantes reinos da Europa e verificou que estes se distanciavam de nós. Em primeiro lugar, criaram culturas e tradições mercantilistas que estão na génese dos actuais mercados. Para além disso, ao contrário de Portugal, esses reinos procuravam assegurar os meios de transformação das matérias primas e assim incrementarem os rendimentos sobre algo que compravam com contas de vidro. Introduziam um valor acrescentado, aumentavam as margens de lucro, dinamizavam a sociedade e asseguravam o poderio financeiro e militar para dominarem os mercados com punho de ferro. Portugal, pelo contrário, vendia a SUA matéria prima directamente aos transformadores para de seguida lhes comprar a preços mais elevados, esbanjando numa acção concertada de politicas económicas geniais, os recursos do reino.
 
Ora D. João V não podia aceitar levianamente essas coisas. É que era uma ofensa divina os outros reinos Europeus estarem à nossa frente quando nós “somos um povo de descobridores, conquistadores, que abriu novos rumos e fomos donos do mundo”... (conhecem o discurso não conhecem? Basta ver o Canal Parlamento!). Assim sendo, D. João V fez aquilo que qualquer tuga faz quando se apercebe que tudo está na merda. Organizou uma embaixada ao Papa – que era, nem mais nem menos, o ainda centro de poder da Europa – de modo a mostrar a riqueza, estabilidade e competitividade dos portugueses.
 
Essa embaixada foi a mais rica alguma vez enviada, com elefantes, cavalos ferrados a prata, jóias, sedas, etc, numa ostentação tão grande que o próprio Papa ficou sem palavras.
 
Esta é a origem da doença que nos assola, a SDJ-V!
 
Temos um País que está na merda, sem dinheiro, sem indústria, nem agricultura, nem pesca nem nada. Os outros países da Europa dos 25 estão quase todos à nossa frente. Já não nos atrevemos a fazer comparações com ninguém. Os políticos andam ao desnorte, a corrupção alastra, somos roubados diariamente, etc... mas gostamos de coisas de fachada. É a era das novas embaixadas ao Papa.
 
Não temos dinheiro mas organizamos campeonatos europeus de futebol onde se constroiem estádios que agora estão vazios, apenas para aparecer na TV. Os tipos do Algarve “obrigam” a que seja construído um estádio para dois jogos, as Câmaras ficaram ainda mais endividadas... e durante um mês, andou toda a gente adormecida a ver o futebol e a colocar bandeirinhas.
 
Estamos em crise, mas gostamos de fazer a maior feijoada do mundo, o bolo rei mais pesado do mundo, o TGV mais rápido que os outros, o aeroporto maior que os outros... e tudo porque somos periféricos.
 
Por isso eu digo que na realidade sofremos de uma grave doença colectiva, semelhante a vaidozisse mas bem pior, a SDJ-V que no fundo é tentar viver de aparências.
 
A malta pode andar por aí sem dinheiro mas mostra carros e fatos e outras merdas de marca e em casa... vai mais uma sopinha. O problema nacional é que vivemos para os outros e não fazemos nada para nós.
 
Que raio de feitio o nosso, que é “show-off” e nenhuma substância... e no entanto, lá continuamos.... nas nossas caminhadas em direcção a uma mão cheia de nada!!
 
Eu gostaria que um dia fosse possível fazer algo mais... para além do maior chouriço do mundo!!!
 
Um abraço
 
MS
publicado por GERAL às 17:41
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Segunda-feira, 27 de Novembro de 2006

A saga da Banca

Ora boa tarde a todas(os)
 
Hoje em dia, palavras como produtividade, crescimento, globalização, etc, são disparadas em todas as direcções por “génios” que, de preferência, vão buscar estrangeirismos e teorias de outros “génios” de outros países.
 
Vejo, todos os dias, uns tipinhos com um linguarajar desenvolvido, complexo, articulado mas que, na realidade, não transmitem nada de significativo. É vê-los a falar em mercados e praças e inflação e outras merdas que podiam ser resumidas ao seguinte: “Eu não faço a minima ideia do que aqui estou a dizer mas o meu paizinho arranjou-me este emprego!”
 
Para quem viu, o programa Prós e Contras na RTP1 sobre a banca mostrou duas coisas interessantes:
- Por um lado, dos 4 oradores principais, só um parecia ser contra e os outros 3 a favor, inclusivé o “génio” do Ferraz da Costa que ainda hoje deve estar para perceber como é que é possível as empresas darem lucro se têm de pagar salários... a mim também me faz confusão!!
- O painel de observadores – que mais parecia um baixo relevo egípcio ou sumério dada a “antiguidade” intelectual – entreteve-se a dar graxa aos dois senhores da banca não fosse dar-se o caso de os tipos lhes congelarem as contas bancárias... sim, de certeza que os serviços de espionagem da banca já sabem o nome de TODOS os participantes e assistentes e já entraram na lista negra dos bancos!
 
Um dos pormenores que achei delicioso foi quando o senhor do Millenium BCP, um tal Dr. (qualquer-coisa) Pinhal, com o seu ar amaricado de Opus Dei, referiu mais do que uma vez a questão do valor do dinheiro e, pasme-se, a matéria-prima dos bancos: o dinheiro!
 
Sobre a questão do valor do dinheiro já uma vez aqui escrevi que uma nota de 100 euros vale 100 euros e não 103 ou 99 ou outra merda assim. É que se os “génios” estivessem calados e não tentassem justificar os seus empregos e os salários exorbitantes que recebem com coisas que eles catalogam de “complexas”, talvez o mundo estivesse um pouco melhor. É que o utilizador da nota de 100 sabe que só pode comprar coisas num valor de 100 e não no valor de 105. Esta começa por ser a primeira grande mentira e tem dado azo a muita especulação selvagem mas adiante...
 
Sobre a matéria-prima só tenho a dizer o seguinte: no início do século XX apareceram uns tipos que berravam que o sector primário era o suporte da riqueza das nações. Nem meia dúzia de anos se passaram e uns outros “bandidos” legalizados disseram que não senhor! O que era importante era o sector secundário. É mais do que evidente que os defensores do sector primário amuaram e fizeram uma birra e voltaram a amuar. Passou mais meia dúzia de anos e uns outros “génios” vieram dizer que os anteriores eram todos burros, que o importante era o sector terciário. Com a nova corrente, os antigos foram despedidos e os novos ficaram bem na vida.
 
Na Terra Estranha o mesmo fenómeno aconteceu e os defensores do terciário chatearam toda a gente acerca dos beneficios divinos do que defendiam até que conseguiram... não temos agricultura, a industria é o que é mas serviços e vendedores temos ao pontapé.
 
E agora, não sei se por consciência culpada ou imbecilidade mesmo, vêm tentar vender a ideia que mesmo o sector terciário tem uma “matéria-prima”: o Dinheiro!
 
Achei este pormenor técnico de um dos “gatunos” delicioso. É que a ser verdade ele que diga onde é que existe esta matéria que vou lá escavar um pouco... pode ser que encontre uma maço de notas de 100... que valem, afinal 105!
 
No fundo, no fundo... este país é divertido! Não são todos os países que se podem orgulhar que palhaços apareçam em horário nobre. Mais... palhaços com autorização legal para roubar!
 
A propósito, temos que fazer um peditório a favor dos bancos e mandar fazer uns calendários de parede. Como os tipos andam poupadinhos, só podem fazer calendários com 360 dias... mas nós temos 365 dias no ano não é???
 
Um abraço
 
MS
publicado por GERAL às 16:45
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Sexta-feira, 24 de Novembro de 2006

SENHORIOS!

Boas Tardes!

 

Venho relatar uma experiência vivida por mim( neste país à beira mar plantado,)a qual julgo ser  elucidativa, do estado  em  que se vive, do que me limitar a fazer análises da situação sócio-económica deste país.

 

Tenho um cano que julgo ser de esgoto, roto na dispensa. Por esse motivo falei com a senhoria a qual disse que não o mandava arranjar. Disse para falar com o seu advogado, o que não foi possível até  agora.  

 

Por esse motivo resolvi deslocar-me à Câmara  Municipal da Amadora  onde me  informaram que podia preencher  uma  reclamação, pagar  €  24,95  e ficar  aguardando que os fiscais fossem fazer a vistoria. Essa vistoria, porém, não obrigava a senhoria a fazer obras, pois  podia  optar por  pagar  uma coima, a qual segundo me disseram,  é normalmente de um valor irrisório. Resolvi não fazer a queixa.

 

Fui à  delegação de Saúde. Onde um técnico de  saúde  ambiental, me disse que podia fazer a  queixa, mas que o parecer deles não obrigava a senhoria, a fazer obras. Perante tal resposta. Perguntei se não sentiam uma grande frustação.Tendo-me ela, dito que sim. Para obrigar a senhoria a fazer obras, teria de ir para Tribunal.   

 

Por este exemplo julgo ter mostrado como o país funciona. Não há dúvidas que, seja em que sector nos procuramos movimentar, as dificuldades são as mesmas.

Não vale a pena ter ilusões, pois seja qual for o sector, o panorama é o mesmo. Isto faz-me lembrar a música do Zeca Afonso, os vampiros. “Eles comem tudo, eles comem tudo e não  deixam   nada”.

 

TCSS

publicado por GERAL às 17:45
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Terça-feira, 21 de Novembro de 2006

Economias / Produção sobreaquecida.

Saudações a todos os que se perdem na blogesfera e vêm aqui parar por engano, se for de propósito, bem-vindos à Terra Estranha.

 

Estamos em crise e em crise vamos continuar a estar. Porquê?

 

Hoje, vou apenas debruçar-me sobre um factor motivador dessa crise – O Excesso de Produção.

 

Esse é o grande risco que a economia não pode correr, sob pena de retornarmos aos difíceis anos de 1929/1930. Logo temos de controlar as tendências mega produtivas. Não podemos correr o risco de saturar mercados. Senão os preços baixam, as margens baixam, a concorrência aumenta, entram novos players no mercado, as pessoas deixam de comprar porque já compraram tudo o que queriam, os consumidores vêem o seu poder crescer e tomar proporções nunca vistas, etc.

 

Colapso! Isto não pode acontecer.

 

Como se previne isto tudo?

 

Com controlo do consumo, ou seja, não se pode deixar os consumidores comprarem o que querem. Eles têm de compreender que não podem ter tudo e, muito menos, algum tipo de poder. Isso não interessa.

 

Mas como se controla o consumo?

 

Para isso tem de se criar um ambiente de crise. Exacto! Em clima de crise vale tudo, podem-se tomar medidas extremas, reduzir drasticamente de forma benevolente e, assim, estão criadas as condições para controlar o consumo.

 

Não esquecer um aspecto de suma importância: o clima de insegurança e de medo. Este é fulcral, só assim se consegue por “rédeas curtas”.

 

Mas, cuidado, isto não pode ser a qualquer preço. Tem de ser eficientemente controlado, ou seja com conta peso e medida. Há que continuar a consumir, com moderação, para que continue a haver margens de lucro fantásticas e ganhos alucinantes que permitam manter o statos quo.

 

Portanto toca a criar instrumentos e modelos económicos que espelhem este objectivo. Comecemos pelos deficits das Administrações Públicas. Crie-se um modelo de convergência.

 

Não é preciso mais, todas as nações aderentes vão assumir esse importante desiderato. Está dado o mote.

 

Conhecem o “Filme”? A sério. Não admira.

 

A questão é, isto faz sentido?

 

Não percebo lá muito destas coisas, mas reparo que a produção continua a bom ritmo, o consumo vai-se fazendo, oscilante, mas lá continua, com grandes sacrifícios da população, mas isso é apenas um mero efeito colateral.

 

Os grandes lucros e as grandes margens estão garantidas, os custos de produção (leia-se mão-de-obra) cada vez são menores, pelos vistos com a pobreza também se ganha dinheiro.

 

Além disso, esta é a verdadeira pérola, a massa estúpida de consumidores tenta manter o seu nível de vida de qualquer maneira. A que custo? Quem lucra com este custo?

 

Mas será que esta fantochada é mesmo necessária?

 

Tudo em nome do controlo da produção, ou será que existe medo de concorrência a sério?

 

Será tudo uma questão de mercado e de impedimento de entrada de novos players?

 

Talvez o risco seja mesmo elevado, podia dar-se o caso, com a entrada de novos players não autorizados nem devidamente culturalizados, sim existe uma cultura organizacional nisto tudo, de mudar o Statos quo vigente.

 

Aí a coisa complicava-se, tinha de haver partilha de poder nos actuais líderes.

 

Com uma crise este risco é minimizado e mais controlado

 

RdS

publicado por GERAL às 11:57
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Segunda-feira, 20 de Novembro de 2006

Não há mercado!

Bons dias/tardes/noites.

 

Há já uns anos a esta parte, com particular incidência para os últimos meses, venho ouvindo, como desculpa para o nosso Não avanço económico, dizer que temos um mercado pequeno.

 

Qualquer líder que se preze da Terra Estranha diz “à boca cheia”: “O nosso problema (o do país) é não termos dimensão”, “Somos pequenos e Não temos mercado” ou, ainda, “Não temos Massa Critica Suficiente”. Isto é veiculado por todo o tipo de gente importante e menos importante.

 

Mas são unânimes, Não Há Mercado!

 

Mas será que não temos mesmo Mercado?

 

Vejamos, Temos uma população de 10,6 Milhões. Ok! Parece que somos poucos. Olhemos agora para outros países desenvolvidos, normalmente considerados como ponto de referência de bem-estar económico e social e com mercado, com empresas muito competitivas e de classe mundial:

 

            - Suécia – 9 Milhões;

            - Noruega – 4,6 Milhões;

            - Dinamarca – 5,4 Milhões;

            - Finlândia – 5,2 Milhões;

            - Holanda – 16,3 Milhões;

            - Bélgica – 10,5 Milhões;

            - Luxemburgo – 0,5 Milhões;

            - Áustria – 8,2 Milhões;

            - Suiça – 7,4 Milhões.

 

Não oiço dizer que eles não têm Mercado. Parece que não se queixam do seu Mercado diminuto, foram à luta e conquistaram o seu mercado, o seu lugar no mundo.

 

Continuando, como não temos mercado, vem logo à ideia, como grande panaceia para este problema, a Espanha. Esses sim, têm um mercado imenso, mas não ficamos por aqui. De Espanha, o que interessa mesmo é o mercado de Madrid. A Meca do mercado Ibérico.

 

Com tanto que se tem dito e se tem falado, de facto cada vez mais estamos virados para Madrid. Todas as políticas estão viradas para Madrid. Desde a Logística / Transportes, Indústria, Comércio, Bolsa, Banca, Construção Civil, Saúde e mesmo a Cultura, tudo está centrado em chegar e ficar com uma fatia desse imenso Mercado de Madrid, que representa…. 6 Milhões de consumidores.

 

Genial! Portanto, as nossas mentes iluminadas desprezam 10 Milhões para ir lutar por um nicho muito importante de 6 Milhões.

 

Isto faz sentido. Sim senhor!

 

Para isso, toca a desprezar a nossa histórica vertente Atlântica. As nossas relações com pequenos países, de economias débeis (é verdade), com mercados pouco atractivos, como por exemplo:

 

            - Brasil – 184,2 Milhões

            - Angola – 15,4 Milhões

            - Moçambique – 19,4 Milhões

 

Sem falar noutras vertentes atlânticas, como os pequenos nichos de mercado da América do Norte – 329 Milhões; América do Sul – 373 Milhões; Caraíbas – 39 Milhões e  América Central – 147 Milhões.

 

Ou da África, como a Africa do Sul – 46,9 Milhões e Marrocos – 30,7 Milhões, por exemplo, com quem temos um passado (pelos vistos insignificante) de relações tanto comerciais como culturais.

 

Ou ainda a pequena Índia – 1, 104 Biliões, uma História já completamente esquecida, tivemos lá, lembram-se?

 

Mas isto tudo é conversa fiada de quem não percebe nada do assunto, o importante é virarmo-nos para Espanha, quer dizer, Madrid, o resto não interessa, e conseguir uma fatia do seu imenso mercado, talvez ½ milhão (curiosamente nunca ninguém diz qual a meta ou o objectivo a atingir desse mercado, queremos qualquer migalhita, não importa o número).

 

É com este desiderato importante, Madrid, que vamos conseguir massa critica suficiente para nos desenvolvermos e para expandirmos comercialmente e economicamente esta Terra Estranha.

 

Só não percebo o que é que o Espanhóis vêem neste canto da Europa, neste nicho insignificante de mercado, com falta de oportunidades e sem massa critica para crescer?

 

Realmente devem ser uns tipos estranhos, tanto investimento em Portugal, porque será?

 

Nós só temos o Atlântico e uma suposta vocação Atlântica. Muito esquisito.

 

RdS

publicado por GERAL às 09:30
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Sexta-feira, 17 de Novembro de 2006

Complot ou Manutenção dos poderes vigentes.

Cumprimentos a Vós exploradores deste blog e sobreviventes da Estranha Dimensão.

 

Ao ver a entrevista de Santana Lopes, não pude deixar de pensar (eu, de vez em quando, sofro deste pecado) em algumas absurdidades desta Terra Estranha ou Estranha Dimensão (a 5ª Dimensão era brincadeira de meninos comparada com este promontório do mundo).

 

Temos vindo a assistir, a partir de 2001, a uma nova ordem mundial, muito bem assumida a nível nacional pelos nossos governos, a CRISE, ou melhor a manutenção do seu principal instrumento – O Deficit da Administração Pública.

 

Os seus principais reflexos estão ao nível das políticas de criação de desemprego, controlo da mão-de-obra (humilhação seria mais o termo), crescente insegurança das populações e das famílias (Há que manter os animais com trela curta).

 

Para quê?

 

Manter ½ dúzia a lucrar escandalosamente à custa de milhões, manter esses milhões em regime de carneirada, sossegados e em clima de terror de modo a não ousarem pensar (esse crime de lesa majestade, não percebo como é que isso ainda não dá direito a cadeia).

 

Mas quem ganha com isto tudo?

 

Continuando, de facto o Santana estava a tentar alterar alguma coisa. Até onde iria, nunca o saberemos, pois foi bem armadilhado e convenientemente afastado. Atenção! Devo assumir que não sou do PSD (ou PPD/PSD), mas de facto admirava e continuo a admirar o Santana. Acho que consegue ser um dos, poucos, bons políticos deste país.

 

Adiante, no entanto isto era um perigo, há que manter a qualquer custo determinados sujeitos no topo e em determinados lugares, nem que isso leve ao sacrifício de milhares ou milhões.

 

Há que manter o Sistema (como no futebol)!

 

Para isso existe um núcleo duro, apartidário, ou antes, devidamente infiltrado nos principais partidos, PS e PSD (talvez também no CDS) e nas malhas dos “líderes de opinião”, também chamados de “Opinium Makers”.

 

De facto a organização é fantástica, meritosa e extremamente eficiente. São os verdadeiros “donos da bola”, mandam nisto tudo, mantém as “políticas” (aqui o termo políticas vêm associado a um guião para actores. Alguém escreveu, realiza, produz, e depois existem os actores que materializam, dão a cara), convenientemente independentes dos governos ou partidos políticos, ou seja, que mantêm o rumo.

 

Quem são e o que lucram com isto? Quantos são? Por detrás dos rostos conhecidos, quantos estão mais? A que nível e até onde vai? É só local, ou será que vêm de fora? Seremos uma “célula” de algo maior?

 

Engraçado que se consegue seguir algum rasto nisto tudo, muito vem do FMI e das suas políticas (por acaso o “pai” de muitas delas morreu agora, Milton Friedman). Mas qual o verdadeiro alcance?

 

Quem souber alguma coisa e quiser participar é bem-vindo, deixo aqui o mail: ostres.s33@sapo.pt

 

Por isso este blog é relativamente anónimo, apenas queremos deixar reflexões, alternativas e novas formas de abordar o que nos rodeia.

 

Este país é extraordinário e a cada dia que passa, assume níveis cada vez mais intricados, digno de um policial político/terrorista/maquiavélico.

 

Mas tem de facto um rumo, o povo, essa besta, tem de ser domesticado a todo o custo.

 

RdS

publicado por GERAL às 12:08
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Quinta-feira, 16 de Novembro de 2006

As dores.... da Banca em Portugal

Ora boa tarde a todas(os)
 
A nossa querida Terra Estranha tem sido vítima de um recente frémito de contestação a uma das nossas grandes vacas sagradas (não me estou a referir a Lilis ou Cinhas)... a Banca!
 
É verdade. Por entre estretores de queixume do tuga, os políticos Portugueses (esses grandes profissionais da incompetência) têm murmurado – muito baixinho, entenda-se – que afinal até se podia fazer alguma coisa.
 
Então, numa fúria louca, o Sr. Ministro Teixeira dos Santos resolveu mandar escrever uns papelitos para tentar por alguma ordem na coisa. É que, infelizmente para ele e para os seus futuros empregadores, a maioria dos cidadãos já comentava desbragadamente as fugas aos impostos, as indecentes taxas aplicados pelos bancos, enfim, a roubalheira legitimada. Perante este sururu (aviso já que o uso de expressões brasileiras não têm nada a ver com português... é um estrangeirismo puro) era preciso fazer alguma coisa não fosse dar-se o caso dos habitantes desta terra estranha acordarem.
 
Vai daí, o Sr. Ministro aparece na TV a dizer que ele iria tentar fazer alguma coisa e que iria corrigir os erros da passado. Ao mesmo tempo, um dos maiores criminosos institucionais deste país – o tipo da Associação da Banca – apareceu a dizer eles – Bancos – não estavam a fazer mais do que seguir a Lei e que se o Governo achava que eles – Bancos – tinham medo então era melhor tirarem o “cavalinho da chuva”.
 
Agora é vê-los a emitir opiniões sobre arredondamentos, taxas de juro para quem quer liquidar créditos, impostos, etc... Os “fazedores de opinião” da Terra Estranha procuram ser mais contundentes que os anteriores acerca desta roubalheira da banca como se de virgens se tratassem e nada soubessem acerca do assunto... e a maioria da malta, meio sorridente, lá vai na conversa e pensa que o Governo está a fazer alguma coisa.
 
Apenas algumas – pequenas – interrogações assolam a minha alma, a saber:
 
  1. O Sr. Teixeira dos Santos já foi membro de anteriores Governos e, na altura, aprovou, apoiou e outras coisas em “ou” as medidas e Decretos que fizeram da actual Banca aquilo que ela é hoje. Sendo assim, agora está arrependido? Ou será que a Banca já lhe disse que de momento não tinha vaga nos Conselhos de Administração e ele passava a quadro supra-numerário dos Bancos? Se pensarem bem, ele já esteve lá antes, ele já ajudou a manter isto e agora, qual virgem imaculada, aparece a dizer que isto é demais... cá para mim, hipócrisia tem limites e ainda estou à espera que o anormal apareça a dizer que nem sabe o que isso é, dos Bancos.
  2. Outra questão tem a ver com os cretinos dos “opinion makers”. Sendo eles sabedores de tudo um pouco (mas sempre em profundidade) parece que só agora descobriram a realidade e os seus olhos se abriram para a luz... mas essa é uma realidade que atacou o bolso de todos os outros tugas... aqueles, da classe média, que o nosso 1º Ministro diz desconhecer. Por outro lado, dados os seus tão apregoados dotes de inteligência e dedução, quando os Decretos-Lei foram aprovados não se aperceberam de nada? Ou preferiram seguir o caminho mais fácil, do calar e ver se a “coisa” pegava com os Portugueses?
  3. Finalmente, uma pequena palavra à Comunicação Social. Agora que não há guerras no médio oriente nem atentados vistosos nem outras merdas do género já se pode falar nos verdadeiros crimes legalizados que são perpretados contra os Portugueses? Ou agora, que vão mexer no sub-sistema de saúde dos jornalistas (que por acaso até é chefiado pela mãe do Ministro António Costa... mas é coincidência!!) já vale a pena falar disto?
 
A verdade é esta: para quando começamos a falar a verdade? Quando iremos ter a coragem de dizer que são incompetentes, que são responsáveis por aquilo que passamos agora?
 
Querem vender a história de 900 anos do nosso país a um “sonho” espanhol? Para quando começar a falar da dupla tributação que somos vítimas todos os dias (como o IVA sobre os automóveis + IA ou como o IVA sobre o preço dos combustíveis + ISP)?
 
É chegada a altura de dizer basta! Basta de mentiras, basta de incompetências e de guerrinhas que não interessam a ninguém. Os patrões falam de produtividade mas apenas referem custos e não conquista de mercado, novos produtos ou expansão para novos mercados; a Função Pública fala de perseguição mas não querem melhorar os seus serviços e muito menos querem ser avaliados; os professores falam em carreira mas esquecem que faltam às aulas (com problemas sérios como por exemplo, dores na “cona” ou idas às compras... se algum professor ficar chocado, vá para o raio que o parta porque conheço demasiados exemplos e terei todo o gosto em dar-lhe os contactos) e são incapazes de criar um exame final sem erros; os sindicatos falam em perseguição dos trabalhadores mas são incapazes de fornecer uma ideia concreta para salvar uma empresa, para além de aumentos de salários; os médicos falam de perseguição mas são incapazes de comentar os atrasos que ELES provocam no sistema de saúde nem comentam os erros ou incompetências dos seus colegas; e no meio disto tudo, um grupinho de tipos sinistos tem escapado... refiro-me aos professores universitários: digam-me uma coisa, se são assim tão bons então não seriam eles capazes de dar vida a uma nova classe de pessoas capazes, com novas ideias, dinâmicas e empreendedoras, capazes de dar a volta ao País?
 
Mas afinal... só mudam mesmo as moscas não é?
 
Eu voltarei a estes assuntos, de novo, brevemente... mas quero deixar uma coisa por escrito, no Anno Dominni de 2006: o orçamento de 2007 é a pior merda que já foi parida, vamos todos passar um ano de 2007 pior que o de 2006 e em relação à habitual conversa que agora é que é, deixo a minha certeza... 2008 vai ser igual ou pior a 2007.
 
Quero que isto fique bem claro agora, a 2 anos de distância...
 
Um abraço
 
MS
publicado por GERAL às 15:21
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