Domingo, 20 de Janeiro de 2008

Ambiguidades Económicas ou o descalabro da globalização na sociedade civil.

Nos últimos tempos tenho vindo a ouvir cada vez mais alertas sobre a degradação socioeconómica na Terra Estranha, vulgo “tugolândia”, como se fosse algo muito surpreendente ou não previsto.

Diminuição do poder de compra, redução do mercado, poucas perspectivas de investimento sustentado, diminuição da qualidade em praticamente todas as vertentes de produtos ou de negócios, níveis de índice de confiança a bater recordes sucessivos de pessimismo, aumento do desemprego, falência das famílias, crédito mal parado sempre em crescimento e atingindo níveis históricos, exterminação da classe média, empobrecimento da população, dificuldades gerais no nível de vida de grande parte dos portugueses, etc...

Qual é a surpresa??

Esta situação acaba por ser um corolário lógico das alarvidades de “management” que se iniciaram nos princípios dos anos 90, quando a paranóia economicista de redução de custos em detrimento de uma lógica do investimento orientado para retornos sustentados assaltou as principais corporações e proliferou por esse mundo fora, incluindo este nosso pequeno quintal da Europa.

De facto, a orientação estrita em função de “números e indicadores”, sem tomar em conta toda uma envolvente sistémica onde a organização se insere e actua, tinha de acabar por desaguar numa entropia do próprio desenvolvimento das nações e dos mercados. Só podia ser este o resultado. A perspectiva e a visão de curto de prazo, do chamado “lucro fácil e rápido” sem ter em consideração os “ventos que semeiam são as tempestades do futuro” comportam, inevitavelmente, problemas em fases posteriores.

No entanto estes últimos quinze anos têm sido sintomáticos desta realidade. Deixem-me explicar melhor. Vou começar por um pequeno exemplo, as Lideranças de curto prazo. Reparem, é uma característica que tem vindo a crescer exponencialmente em todos os sectores políticos e económicos das diferentes sociedades no mundo considerado civilizado.

 A volatilidade de liderança nos partidos, nos governos, nas organizações e nas empresas é cada vez maior. Dizem que é sinal de dinamismo e da necessária adaptação às novas realidades, uma constante introdução de inovação e de rejuvenescimento e que só assim será possível a dinamização e o desenvolvimento constante e em contínuo crescimento.

 Mas será mesmo??

Desculpem eu questionar tantos gurus da gestão que defendem e aplaudem esta filosofia organizacional, mas tenho algumas dúvidas que o sistemático recurso a medidas e planos de curto prazo sejam realmente a melhor solução para qualquer país ou organização, independentemente da sua dimensão.

O que é que temos vindo a assistir nesta matéria???

Quando se assume um cargo, seja de Ministro, seja de presidente de uma empresa, de chefia de qualquer departamento, ou outro qualquer, com mais ou menos poder, existem à partida determinados factores que vão condicionar automaticamente desempenho da função. É INEVITÁVEL!!

Acham que não??

Um político, que “esperança média de vida” tem num determinado tacho? Será curto ou longo? A resposta está intrinsecamente ligada à “envolvente” que lhe atribuiu a tarefa, ou seja, quem votou e quem o projectou para poder ser votado e eleito. Na balança de factores surgem logo as “dividas” que tem de ser saldadas rapidamente, será isto compatível com uma análise das reais necessidades da função??

Reparem, não é só na politica, qualquer gestor que ascenda a determinado patamar vê-se confrontado com a aplicação imediata de medidas que satisfaçam os seus “stakehoders”, quem o meteu no tacho, mais uma vez a lógica do rápido pagamento da dívida em detrimento do longo prazo. Ele sabe que a sua “vida útil” não será muito longa se não for satisfazendo expectativas imediatista de elevados retornos.

Onde se vê isto?? Olhem para as contraditórias medidas politicas que têm vindo a ser defendidas por governantes que, na sua esquizofrenia de agradar a tantos “stakeholders”, acabam por implementar absurdidades com consequências extremamente nefastas no longo prazo. As áreas da educação, saúde, organização do território, politica de impostos, constituem exemplos de excelência.

Dificilmente iremos ter melhores profissionais com as medidas administrativas de incremento da formação. A formação, independentemente do grau auferido, deve ser melhorada e sustentada com base em critérios qualitativos e do efectivo conhecimento adquirido e não para cumprimento de objectivos e de indicadores estatísticos.

Por exemplo, no que diz respeito à formação superior, não consigo descortinar o grande salto evolutivo derivado da implementação das novas medidas Bolonhesas, que consubstanciam numa generalizada redução de disciplinas e de matérias na maioria dos formatos académicos. Será isto positivo??

Vejo uma aplicação pratica imediata, o aumento exponencial de Recursos Humanos supostamente de qualificação superior vai, segundo a mais antiga Lei da Oferta e da Procura do mercado, banalizar, inundar e afundar, pelo seu excesso de oferta, um mercado trazendo a consequente diminuição dos preços e dos custos, de forma generalizada. Quem beneficia? A curto prazo, as organizações, supostamente terão recursos “mais qualificados”, mas não demasiado qualificados, apenas o suficiente para desenvolver com eficácia as suas funções, com muito menos custos e muito mais “”lucros?””.

Se entrarmos na Saúde.. Bom, aqui os erros são gritantes!!

Para começar, o princípio de se aplicar a contabilidade dos feijões (bean counting) à política de gestão de comparticipação e aquisição de medicamentos, sob a suposta capa da moralização do mercado da saúde, é um ultraje. A estratégia de racionalização da oferta do “acesso à saúde”, como se este serviço fosse o mesmo que distribuir pastilhas elásticas por cães e gatos, raia o limite do absurdo. Nem me atrevo a pegar nas questões relacionadas com atendimento, cirurgias ou internamentos.

Qual o resultado futuro?? Aumento generalizado de “problemas” de saúde e da sinistralidade nacional. Lindo!!!

Quanto à organização do território, bem...nem sei por onde começar...para já, onde é que está a “organização do Território??? No bolso de alguém, com certeza! A menos que se chame organização a este puzzle incoerente que grassa de Norte a Sul do país apenas “colado” pela própria geografia e morfologia da terra. Por que de resto...

Vou para a Politica Fiscal! Para ser mais correcto, eu devia dizer: Politica de Assassinato Económico! Como é que é possível assistir indiferente ao assalto organizado, verdadeiro benchmarking mafioso, que tem sido implementado, com força de Lei (diga-se de passagem), nos últimos anos!!

Verdadeiro exemplo da mais asquerosa estratégia de curto prazo jamais vista. Palavra de ordem: Aumentar, aumentar, aumentar impostos...medidas eficientes de resolução da conjuntura económica: Zero!!

Ou seja, asfixia do consumo, restrição do investimento, diminuição do mercado, redução das receitas...entropia económica no seu melhor. Estes “gajos” só vão estar contentes quando regressamos à “economia de trocas directas”. Cada um produz no seu quintal e troca com o vizinho. Verdadeiro exemplo evolutivo. Será que ninguém entende que quanto menor o poder de compra do mercado alvo, menor o consumo, menor o investimento, menor a receita, menor a receita menor o poder de consumo, menor poder de consumo implica menor mercado, logo menor o investimento (investir para quê)...pescadinha de rabo na boca!!!

Nem vale a pena entrar nas questões ligadas à ENERGIA ou ao ambiente. Passo directamente para o fim. A crise mundial que se avizinha é o corolário lógico do falhanço utópico de uma economia global com raízes em estratégias GLOBALIZADAS de curto prazo.

Já me alonguei demasiado e deixei de fora muitos outros pontos, talvez no futuro retome este assunto...

RdS

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Quinta-feira, 3 de Janeiro de 2008

Saúde, Santinhos e Lucky Strike parte II

 

Ora bom dia (que o dia tem 24 horas)

 

O nosso MS já fez no artigo anterior uma retrospectiva do ano de 2007. Retrospectiva lógica como só o poderia ser. Por isso não vou maçar os 9 leitores usuais deste blog. Vou antes falar de tristeza e desejos políticos para este ainda imberbe ano.

 

Tristeza porque me sinto triste. Triste com determinadas situações provindas da suposta boa gestão do nosso governo. Nomeadamente em áreas que deveriam ser consideradas como vitais para a nossa sociedade, ainda há dias realçadas pelo nosso Presidente da República, se bem que tenhamos que dar o devido desconto que ele é homem que já esteve 10 anos a chefiar governos, e nestas áreas específicas o mínimo que se pode dizer é que esteve muito longe de brilhar.

 

Porque me sinto triste? Porque há dias ouvi que a maternidade de Chaves ia fechar. Fechou entretanto. E Chaves como cidade e como concelho diz-me bastante. Toda a minha família paterna lá nasceu e ainda hoje tenho diversos familiares que lá moram. Provávelmente com ideia de irem morar para outras paragens mais litorais.

 

Eu não nasci em Portugal. Nasci em Moçambique nos tempos da outra senhora (e como isso me faz velho). Nasci numa cidadezita chamada de Nampula, norte de Moçambique. E nasci numa maternidade como é natural que as pessoas nasçam. Maternidade em Nampula, Moçambique. Moçambique – hoje em dia um dos países mais pobres do mundo. Mas que tem uma maternidade.

 

Nós, que pretendemos ser um dos países mais avançados e desenvolvidos no mundo (mas que não seremos até à 4ª geração a partir da actual, e sendo optimista) não temos materniadade em Chaves. Assim como deixámos de ter outras maternidades, e “n” centros de saúde no país.

 

Eu pensava que o motivo era a poupança de uns cobres ao Estado. E concordo que sectores como a saúde ou a educação são sectores onde se gasta muito dinheiro (comparando percentualmente com países mais desenvolvidos e que já o são da 4ª geração para trás) mas mal. Gastar é o verbo. Não o verbo investir. E como há muito dinheiro mal gasto, faça-se um exercício simples e fechem-se serviços de saúde que anteriormente existiam para bem da população residente. É fácil, seria barato, e daria milhões a alguém.

 

Mas o nosso ministro da saúde, uma verdadeira alimária que nunca deve ter pousado um pé num hospital público, veio desmentir esta minha ideia ao dizer inclusivamente que com o novo sistema o estado gastaria mais dinheiro.

 

Ora bem...deixa-me cá ver se entendi..

 

Portanto, o Estado, ie, nós, gastamos mais dinheiro. E o serviço é pior. Conjuga-se então o pior dos serviços com o pior dos preços, numa análise tipo empresarial.

 

Todos os dias aparece um iluminado governamental ou com este relacionado a dizer que um dos principais problemas do país é a desertificação do interior e zonas não urbanas. E para isso legislam-se coisas como não cobrar portagens nas auto-estradas que servem o interior. Assim como se dão privilégios a quem investir no interior em projectos de luxo, tipo campos de golfe (ao que ouvi, lá para o Alqueva, projectos deste tipo é o que não faltam). Tudo isto para dinamizar o interior, esperando que os tugas e a classe média dos turistas vão para lá passear de carro sem pagar portagens e dar umas tacadas na bola de golfe (quiçá com subsídio estatl ou desconto no IRS na compra de tacos). Querendo pois que mais e mais habitantes vão para o interior. Mas quem é que irá para o interior se deixam de existir serviços básicos de saúde, se deixam de existir serviços básicos de educação com a quantidade de escolas fechadas por critérios aparentemente também economicistas (na volta até vão dizer que gastam ainda mais dinheiro por pôr uns autocarros escolares no trajecto entre Vila Nova de Foz Cõa e a Guarda). Eu, que gosto do interior de Portugal pela sua (ainda) não muito estragada paisagem rural e urbanística, não teria coragem de ir viver para a terra dos meus progenitores – Chaves. Porquê? Porque não quero que um segundo filho que gostaria de ter nascesse numa ambulância. Porque eu, há 36 anos atrás tive o privilégio de nascer numa materniadade. Em Nampula. Em Moçambique.

 

Corre-se mesmo o risco de daqui a uns anos, respondendo a uma simples pergunta de “onde nasceste” haver uma significativa parte de tugas a responder algo do tipo “nasci numa ambulância de matrícula 69-BX-47 ao kilómetro 68 da sua viagem entre a Torre do Ervededo e Vila Real, e fui assistido à nascença pelo maqueiro que devido a ter um irmão que trabalha no talho, lá conseguiu cortar o cordão umbilical, se bem que agora seja conhecido pelo umbiguinho”. Claro está que se houvesse maternidade em Chaves, a distância entre a Torre do ervededo e Chaves, de 12 kms, provávelmente significaria o sortilégio de um qualquer Barnabé poder nascer numa maternidade. Em Chaves.

 

Bom, é a saúde que temos e merecemos. Mas há mais. Numa acção pró-moderna, lambedora dos cús norte-americanos onde tudo isto começou, lá foi decidida a proibição de fumar em recintos públicos, restaurantes, bares, cafés, discotecas. Eu não acredito que seja para bem da saúde dos portugueses. Para bem da saúde dos portugueses não se fechavam maternidades. Pelo menos em Chaves. Não me vou alongar muito nesta questão do tabaco. Já aqui escrevi um post chamado de Lucky Strike algures no tempo. Está lá a minha opinião sobre toda esta tabacofobia. Fumar mata. Assim como tantas outras coisas. Vou criar aliás (julgo eu) uma frase do tipo La Palisse – Viver mata (ou seja – é preciso estar vivo para morrer).

 

Por outro lado, ouvi agora dizer que o Governo tenciona acabar com o nome de escolas que façam alusão a qualquer referência eclesiástica. Ou seja, já não será permitido haver um colégio que se chame, por exemplo, Santa Catarina. Portanto, após a maternidadofobia, tabacofobia, agora, e em nome do laicismo, temos a Santofobia. O que me apraz dizer é que quer-se queira quer não, quer-se concorde com a igreja quer não, quer se seja religioso quer não, o que é certo é que Portugal tem uma tradição religiosa. Católica. E este propósito não é de exacerbar e impôr a laicização, mas apenas um propósito fundamentalista. Como a lei das maternidades. Como a lei do tabaco. Corremos pois o risco de haver cidades, concelhos, bairros do tipo Santo Estevão, Santa Engrácia ou o que quer que seja, para termos as terminologias sem o Santo atrás. Lógicamente cortaremos relações diplomáticas com países como São Tomé também. E a Universidade católica será a universidade laica, e socilaista como o Mário Soares. E claro está, livremo-nos de dizer “santinho” quando alguém espirrar (há que inventar uma palavra laica para o efeito..porque não...Soares?) Isto ao mesmo tempo que já foi notícia de primeira página e de abertura de telejornais chamarem-se determinadas ruas de Álvaro Cunhal. O Álvaro, sim. Esse grande anti-fascista, defensor de ideia modernaças, e que chegado ao poder tivesse, deixaria Salazar num canto. O Cunhal, o único dirigente comunista na Europa que defendeu em 1968 o término (trágico) da Primavera de Praga. Estão a ver, não é, a hipocrisia das coisas. Deixem lá o nome dos santos que nunca fizeram mal a ninguém, pá. Não estamos a falar de fundamentalismos religiosos como aqueles que existem no Paquistão.

 

Ora bem, todos estes temas estão relacionados com um desjeo meu para 2008. Que o nosso não-estimado ministro da saúde esteja a jogar golfe no interior  apanhe um ataque de hemorróidal e viaje 100 ksm a bordo de uma ambulância até ao centro de saúde mais próximo em Santa Comba Dão. E que aproveite após a sua (não querida) recuperação, visitar o muito contestado (também por mim) museu do Salazar. De charuto na mão que esse não seria multado.

 

É o meu desejo político para este ano.

 

Bom ano para todos.

 

 

JLM

 

publicado por GERAL às 23:52
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Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2008

O Melhor e o Pior de 2007

Caríssimos leitores,
 
Muito boa tarde/dia/noite a todos.
 
Feliz ano anovo a todos!!! Excelente maneira de começar o blog em 2008. É fantástico que os autores deste espaço de escárnio e mal-dizer ainda estejam vivos depois destes dois anos... nem atentados, nem ameaças, nem mesmo o nosso Primeiro (Alarve) Ministro nos demoveu. Chegámos a 2008!
 
Eu sei que a maioria dos gurus da escrita, isto é, dos opinion maker ou comentaristas de serviço, já fizeram isso antes do ano de 2007 ter acabado mas creio que para se fazer um balanço correcto do ano transacto só o podemos fazer no ano que se inicia... mas isso digo eu, que a mim ninguém me paga uma exorbitância para escrever um monte de lugares-comum, aqui é tudo de borla!
 
Mas como dizia chegou o momento de fazer o balanço do ano que passou e eleger os heróis e vilões de serviço no ano de 2007 e é isso que vou fazer.
 
Vamos começar com os “bons” da fita!
 
Quanto a mim o herói indicutível de 2007 foi o Povo Português mas atenção que está dividido em duas categorias... pois é, o prémio é colectivo e passo a explicar por quê:
 
a.     É de louvar um povo que é sacaneado durante anos e, mesmo assim, consegue sobreviver. O poder de compra diminui, os salários não aumentam, o preço dos bens essenciais aumenta na casa dos 2 dígitos, a inflação está acima do previsto, o desemprego disparou, a miséria e pobreza aumentam... e mesmo assim conseguimos sobreviver. Por intermédio de esquemas paralelos, de familiares, de comer muita sopinha às refeições pois não há dinheiro para mais nada, lá vamos andando, com esta “espinha servil”, ar infeliz e a cantar o fado lá continuamos no nosso caminho.
Apesar do endividamento das familias lá conseguimos dar um pequeno presente de aniversário aos mais próximos; os reformados lá conseguem pagar a electricidade da única lampada que acendem em casa pois com duas acesas já a despesa é demasiada e não dá para comprar os comprimidos para o coração; os doentes lá andam mais uns quilómetros numa ambulância decrépita que deveria ter sido substítuida há cerca de 10 anos para chegar à Urgência cada vez mais distante; as perseguições aos contribuintes (curiosamente são sempre os “por conta de outrém” os perseguidos, são os únicos que não podem escapar) continuam e o cerco é cada vez maior; o clima de medo aplicado a quem, por vezes, diz alguma coisa ou tenta – o infeliz – organizar uma greve é cada vez mais opressivo; o descalabro do desemprego aumenta o seu ritmo e cada vez mais são os jovens os que são prejudicados; a desresponsabilização dos ministros e seus associados é cada vez maior, é cada vez mais evidente; já não é possível esconder que temos cerca de 2,5 milhões de portugueses abaixo do limiar da pobreza (e seriam mais ainda se não existisse uma esmolita da parte do governo para apoio), nem que temos 8% de desemprego e que este afecta mais os jovens licenciados... mas mesmo assim o povo Português segue o seu dia-a-dia, com mais ou menos sacrifício, consegue chegar vivo ao final de cada mês, ainda consegue pagar a renda da casa mesmo que isso implique não comprar roupa para si ou para os filhos, consegue pagar as propinas e despesas escolares, consegue pagar as taxas moderadores e, no final de cada dia, consegue ter um sorriso para dar àqueles que ama, ainda consegue brincar com os filhos, ainda consegue sonhar com um futuro melhor... esses são os Heróis de 2007 e daí vai a minha nota positiva.
 
b.     Por outro lado ainda, partilho esta nota positiva com a outra parte da sociedade, aquela reduzida (e cada vez mais reduzida) que tem a maior riqueza de Portugal. Porquê? Porque conseguiram passar mais um ano sem dar nas vistas, apenas esporadicamente aparece uma ou outra notícia sobre a duplicação de uma fortuna; ou o perdão de uma ou outra divida ao banco; ou de mais um caso de justiça que prescreveu; ou de mais uma ou outra fábrica que fechou e os mesmo voltaram a abrir outra fábrica na porta ao lado, com as mesmas máquinas (mas trabalhadores diferentes e mais baratos) deixando as dividas para trás; também conseguimos ter o primeiro astronauta português, ou melhor, turista espacial que pagou 250.000 dolares por um bilhetinho; porque embora apanhados na Operação Furacão conseguiram continuar na sua vidinha como se nada se passasse e não têm nem medo nem vergonha na cara. Assim, mesmo depois destes pequenos contra-tempos conseguem continuar a vida normal sem serem presos... por isso, para esses, também vai o meu voto positivo. Creio que merecem pelo esforço e dedicação em transformar este País, cada vez mais, na hemorróida da Europa, aquela hemorróida inchada, inflamada e dolorida, vermelha e suja, que incomoda mas que não conseguimos fazer a operação para nos livrar-mos dela pois a lista de espera para as cirurgias é de 14.876.342 pacientes (sim, são mais que a população portuguesa pois é preciso ver que há vários tugas que necessitam de mais do que uma operação)!
 
Agora, depois de apontados os heróis de 2007, é necessário apontar o que de pior tivémos e os nossos vilões... não podem existir heróis sem vilões, o peninha tinha o mancha negra, o patinhas tinha os irmãos metralha, o super-homem tinha o Lex Luthor, o Afonso Henriques tinha a mãe, os X-Men tinham o Magneto, a bicha do Castelo Branco tem o Zézé Camarinha e por aí fora... vamos então a eles, aos vilões:
 
a.     Pelas razões apontadas no ponto a) dos heróis, o principal ponto negativo de 2007 foi o Povo Português... é, de facto, necessário ser-se uma grande merda para aturar tudo o que nos atiraram para cima em 2007 e não nos revoltarmos, é preciso sermos umas bestas de incompreensível lassitude para continuarmos a suportar a classe política, é fundamental uma dose de cobardia de tal modo elevada que permita a degradação da sociedade sem que nada seja feito... na essencia, é por sermos um povo rasca que temos os dirigentes de merda que temos e continuemos a dizer “Oh! Eles são assim... se não forem estes são outros”!
Foda-se!! Que atraso de vida de povo que somos... fazem de nós “gato-sapato” e a malta continua preocupada com o resultado do benfica ou que o Quaresma tem uma dor no testículo, ou que a selecção é o mais alto representante da nação... é de meter nojo!!
 
b.     O outro ponto negativo (também aqui existe uma repartição ex-equo dos pontos), e também pelas razões apontadas no ponto b) dos heróis, selecciono a cada vez mais pequena classe dos muito privilegiados... nem consigo expressar o asco a tais individuos que, em última análise, são os responsáveis do nosso descalabro e continuam a respirar. O facto de saber que eles se alimentam diariamente incomoda-me pois significa que vão viver mais uns dias... é espantoso que o portuguesito continue a gostar de os ver nas revistas cor-de-rosa, nas festas da sociedade, mesmo depois de saber que esses filhos da puta despediram mais umas centenas de trabalhadores para... comprar mais um ferrari último modelo! E não são presos os gajos! Fantástico!
 
De facto, nós portugueses temos a merda que merecemos e cada vez que vemos o velho macilento, com fome ou o jovem desempregado, na televisão a queixarem-se que isto está mau devíamos bater no gajo... não por se queixar e dizer mal do status-quo mas sim por permitir esta merda toda! Ele é que é o culpado, não o triste do Sócrates que representa a súmula do povo português: arrogante; idiota; bom no show-off; melhor como mestre de cerimónia de uma qualquer festa; com maus instintos para com o vizinho; que acha que não é vergonha roubar, o que é vergonha é ser apanhado a roubar; incompetente; que usa todos os truques para se safar; vaidoso ao ponto de tentar arranjar uma licenciatura por todos os meios pois é tão saloio que acha que só uma licenciatura é que o valoriza e não o seu trabalho; mentiroso; falso... este Sócrates não é mais do que mais um filho da nação! É o Português de sucesso, a invejar, o self-made man à moda portuguesa.
 
Aqueles que se indignaram mais com as minhas palavras serão aqueles que comentarão “pois... falas muito mas o que é que tu fizeste?” na esperança de passar a água do capote deles para o dos outros. Para evitar ter que responder a esses comentários adianto já o seguinte: eu não fiz nada e aquilo que escrevi também se aplica a mim... mas pelo menos divirto-me com esta palhaçada de país a que chamamos Portugal!
 
Para terminar, critico o poema de Alfredo Keil que serve de Hino Nacional em dois aspectos: em primeiro lugar não deveria ser “contra os canhões marchar, marchar!” mas sim a versão original “contra os ingleses marchar, marchar!” pois esses cabrões nada nos deram e a mais velha aliança é, por si e na sua essencia, a mais velha mentira; e em segundo lugar, é por cantarmos “os nossos igrejos avós” que continuamos a ser uma merda! Desde o século XVIII que o somos, porquê mudar agora? Então siga p’rá frente! 2008 chegou e não há nada como continuar a foder o País e o futuro mas atenção! Sempre com um ar sofredor, a cantar o fado... e a pensar no benfica ou nas férias no Algarve (de preferência no Brasil, a crédito, para ficarem ainda mais fodidos finaceiramente... mas o vizinho fica cheio de inveja!)
 
VIVA Portugal, o único País do mundo onde toda a gente se fode a si mesmo... a rir!!
 
Um abraço
 
MS
publicado por GERAL às 15:55
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