Sexta-feira, 21 de Julho de 2006

O complicadex parte II - a saga continua

Ora viva,

Quem leu o artigo anterior, poderia pensar que, apesar de tudo, o problema do passaporte havia sido resolvido. Como a nossa função pública é um mundo de surpresas, e dá azo a que hajam sempre cenas do próximo capítulo, eis então a contar o que sucedeu após a primeira parte.

Bom, ia eu, todo lampeiro, para a Loja do Cidadão em Lisboa (Restauradores) com a certidão de nascimento da minha filha, pensando que rápidamente poderia pedir a emissão do passaporte, necessário para a minha viagem. Nada mais errado. Entregue a certidão de nascimento, a funcionária após olhar para a mesma, refere ter muita pena mas a certidão teria que ser re-emitida por causa de uma simples frase no verso que dizia "Válida para efeitos de bilhete de identidade". Ora bem, eu quando peço uma certidão de nascimento, é uma certidão de nascimento. Sei lá eu bem que um/uma imbecil qualquer restringe a certidão para efeitos de bilhete de identidade. Se o faz, ao menos podia perguntar para que efeitos é que a certidão era para ser emitida, coisa que não aconteceu.

A funcionária da Loja do Cidadão, ao ver a minha cara (misto de raiva e frustração), informa-me que o problema pode ser resolvido se eu, na própria loja, pedir a emissão de outra certidão de nascimento, com um nome esquisito (básicamente a diferença é que não diria no verso que era válida para efeitos de BI). Tudo bem, digo eu. Custou-me eur 22,75 a mais. Deve ter sido a frase dita por outrém mais cara da minha vida, e tudo isto por incompetência de terceiros. Os eur 22,75 estavam divididos entre eur 15 de custo de emissão da dita certidão, mais eur 7.75 de custo de a Loja do Cidadão tratar o mesmo com a Conservatória de Vila Franca de Xira, concelho onde resido, e onde tinha sido pedida primeira certidão. Básicamente, um telefonema e um fax a custarem eur 7.25. Chulice maior não poderia existir.

Por fim, a funcionária (reconheço, muito prestável e simpática), informou-me que há certas conservatórias que já não põem no verso nada do tipo "válida para efeitos de Bilhete de Identidade", podendo as mesmas servirem para a emissão de qualquer documento. Ou seja, no nosso país há conservatórias que o fazem e outras não. A bem do serviço público com certeza.

Com eur 22,75 a menos na carteira, dirigi-me então para outra secção na Loja do Cidadão, que é a secção do documento único de automóvel. Básicamente, tinha que ir lá substituir a locação financeira do carro de empresa que conduzo. Tinha que entregar um formulário, já preenchido pela minha empresa, e pagar o que haveria de pagar. Informaram-me logo que o prazo para essa requisição já tinha passado, e como tal, multa de Eur 30. Mas não ficou por aí. Imaginemos, para que não tenha que dizer a empresa onde trabalho, que a mesma é a ABC Portugal, e que num dos papéis por mim entregue referia que a ABC - nome por extenso (exº Abutre Batráquio Colhudo) Portugal requisitava...coisa e tal. Ora bem, pelo facto de em determinado documento ter-se posto a extensão das siglas, lá tive eu que passar mais de 20 minutos à espera de confirmação que a ABC Portugal era de facto a "Abutre Batráquio Colhudo Portugal".

Ou seja, apesar de ter sido bem atendido (tive sorte, porventura), a burrocracia continua. Perdi uma manhã à conta da mesma, e tive que arrotar com dinheiro à conta dos erros da própria função pública.

Utentes - preparem-se por que "eles andem aí". O estado necessita de dinheiro e já sabe onde arranjá-lo. Basta que alguns dos seus funcionários sejam incompetentes para o povinho ter de pagar as asneiras deles. Quanto ao tempo dispendido, olhem, é menos meio-dia que contribuí para o PIB da nação.

JLM
publicado por GERAL às 15:30
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