Quarta-feira, 20 de Dezembro de 2006

Monólogos secretos

Ora bom dia,
Andando desinspirado como estou, deparei-me há uns dias atrás com um
famoso texto que me foi enviado.
Sendo este espaço um espaço onde também o humor pode imperar, e como
não deixo de fazer referências nos textos que escrevo, lembrei-me de
citar o texto abaixo, que julgo fabuloso, e um dos que me traz as melhores
memórias deste que foi indubitavelmente, e durante muito tempo, o nosso
maior humorista. Prudência na leitura para não ferir susceptibilidades...!
 
 
 
BATISTA BASTOS: Estava eu um dia na Brasileira do Chiado e então o saudoso 
Sérgio Castanheira que foi quanto a mim, e há que dizer isto com frontalidade, o maior 
lenhador da língua portuguesa; lá vinha ele, com o seu castor debaixo do braço, 
o Castanheira naquela sua maneira de ser, marialva a fazer lembrar... o Geraldo Nunes, 
mais velho mas meu amigo, bom e quanto a isso, há que dizer com frontalidade, 
um dos símbolos emblemáticos de Lisboa, e um dos seus fundadores, e retorquiu assim:
"O retarquismo sublima o Homem e fá-lo atingir o auge na sua proporção".
Serve isto, para apresentar o meu convidado de hoje, que fez tudo na vida e ao mesmo 
tempo, não fez nada. Já perceberam que vou conversar com Orlando Barata. 
Ó Orlando, tu foste um grande combatente anti-fascista, e isso é ponto assente, mas 
foste também um bocado fascista, ou não?
ORLANDO BARATA: Bem eu de facto... o que se passou é que...
BATISTA BASTOS: Desculpa lá, antes de me responderes, eu gostava de te contar aqui 
uma história curiosa que se passou na redacção do Piolho, esse pasquim anti-fascista, 
de onde saíram grandes jornalistas como o Sousa da Mota Lara, grande amigo meu, o 
Romão Branco, mais velho, bom e o genial César Serafim, era genial, há que dizer isto 
com frontalidade. Certo dia, entrou o Sérgio Castanheira com o seu castor debaixo do 
braço e deu de caras com um estagiário que lhe atira: "Estás bom ó Castro?". Eu achei 
que era importante contar isto. Mas, Orlando, estamos aqui para falar de ti, olha diz-me
uma coisa, onde é que estavas no 25 de Abril?
ORLANDO BARATA: Por acaso é curioso referires isso...
BATISTA BASTOS: Tu és um homem de esquerda... és um homem de esquerda, e há 
que dizer isto com frontalidade, apesar se seres também um pouco fascista; estavas 
ligado à direita, namoravas Salazar e eras o que a gente chamava na altura um pulha 
pidesco... Tu foste da PIDE ou não?
ORLANDO BARATA: Não, eu...
BATISTA BASTOS: Onde é que estavas no 11 de Março?
ORLANDO BARATA: Bom, no 11 de Março, tem graça, eu...
BATISTA BASTOS: Nessa altura já eras bissexual?
ORLANDO BARATA: Perdão, Batista Bastos...
BATISTA BASTOS: Digo bissexual na medida em que estavas envolvido com a direita e 
com a esquerda. Eras o que a gente chama uma prostituta política. Eras, de resto, 
conhecido como a maior puta da política nacional, há que dizer isto com frontalidade, 
não é?
ORLANDO BARATA: Desculpa lá ó Bastos, mas eu não estou a gostar, enfim...
BATISTA BASTOS: Olha lá, ó minha porca... onde é que estavas no dia 36 de 
Setembro, da parte da manhã?
ORLANDO BARATA: Bom, no dia 36 de Setembro, da parte da manhã...ó minha porca?!
BATISTA BASTOS: Porca no sentido de porca fascista, do capital, da ausência de 
valores. Tu sempre te apresentaste nesse sentido, aliás tu como homem de esquerda 
assumes essa tua faceta de molúsculo paneleiróide, salazarista pestilento, que ao fim 
ao cabo eu acho que és uma besta, não é? Há que dizer isto com frontalidade, és uma 
besta e digo-te isto com o respeito que me mereces e no bom sentido da palavra.
ORLANDO BARATA: Desculpa lá ó Bastos, mas eu não posso permitir que tu 
continues a aviltar a minha pessoa dessa maneira, olha que caralho! Mas enfim... 
eu vou-me mas é embora, porque isto é sempre a mesma coisa contigo, chiça!... 
foda-se!...caralho!... Para que é que me convidaste para aqui?!
BATISTA BASTOS: ó Orlando, vai-te foder, pá!... vai levar dentro da peida!... vai fazer 
broches a cavalos, cabrão!... Bom, estavamos aqui a noite toda na conversa, há que 
dizer isto com frontalidade, mas temos que terminar. P'rá semana, aqui estarei para 
mais um Monólogos Secretos. Bom, mas antes, queria contar-vos uma história que se 
passou comigo em Paris, em 71, estava eu com o Salgado Matias, outro grande 
paneleiro, chefe da redacção do Furúnculo e mais tarde director da Galocha. Esse 
anti-fascista, às tantas, entra o Sérgio Castanheira com o castor debaixo do braço...
hum?!... ah! já não tenho tempo para contar... bem mas esta história de não ter tempo 
faz-me lembrar outra história que é a história... há?!...olha, isto de vocês me estarem 
a levar faz-me lembrar ainda outra história, que era que eu estava justamente em 
Peniche...
publicado por GERAL às 09:10
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1 comentário:
De GERAL a 21 de Dezembro de 2006 às 13:55
De facto este senhor faz falta!

Uma boa recordação.

RdS

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