Sexta-feira, 12 de Janeiro de 2007

Despenalização do Aborto.

Cumprimentos!

 

Estamos em plena época de mais um referendo. Será que desta vez os habitantes desta Terra Estranha vão-se dar ao trabalho de irem colocar a cruzinha?

 

Já agora coloquem no SIM!

 

Não tenham medo, a Lei não vem com retroactivos.

 

Serve apenas para acabar com a hipocrisia de se penalizar algo que é feito sem as mínimas condições.

 

Este assunto merece um pouco mais de detalhe, debrucemo-nos um pouco sobre o Não.

 

Como é que ainda, em pleno século XXI, temos alimárias supostamente pensantes que são contra a despenalização de quem faz um aborto?

 

Devem pensar que quem procura esta solução tem um certo prazer ou que é completamente destituído de tudo o que são valores humanos. Ou então, este é o verdadeiro pecado, a pessoa andou a “brincar” aos “papás e às mamãs” de forma descuidada e com qualquer um.

 

Era só o que faltava! Pensam que podem andar a fornicar como coelhos por aí?

 

Isso não pode ser! As sagradas escrituras proíbem! A cópula é só para reprodução! O resto é luxúria, Má Vida!

 

O mais vulgar é ouvir-se dizer: “São umas putas! Umas galdérias!”

 

Pois bem, lamento, mas a realidade não é assim. Quem tem o desprazer de ter de recorrer a esta solução não é por gosto ou por outra qualquer razão absurda que, normalmente, as mentes depravadas condenantes pensam (esta gente pensa mesmo?).

 

Mas o curioso disto tudo é que muitos dos que são a favor do Não até já passaram por esta situação e, pior, alguns até a originaram e a financiaram. Sabe-se lá em que condições e com que resultados.

 

Pois é, a hipocrisia no seu melhor!

 

Mas mesmo assim, lá andam, em movimentos supostamente vocacionados para a “vida”.

 

Outra chalaça engraçada. Vamos defender a vida! Mas durante o resto das nossas vidas borrifamo-nos (para ser mais realista devia dizer – cagamo-nos) para os outros. Quando vemos um mendigo, afastamo-nos para o outro lado do passeio; quando despedimos 300 ou mais trabalhadores, dizemos: azar! São as leis do mercado; quando vendemos armas, dizemos: as armas não matam, o que mata é o homem; quando vemos famílias a passar fome, dizemos: vai trabalhar vagabundo, mas se ele for à procura de emprego dizemos: lamento, mas o senhor não tem habilitações suficientes; quando vemos a merda em que esta sociedade se tornou, ouvimos: “foi vontade de deus”.

 

Mas entranhando mais um pouco nesta nojice do Não, vamos só tentar entender como funciona o cérebro de um apoiante deste movimento:

 

Portanto, ele ou ela quando sabe que houve um aborto deve pensar (ou algo semelhante a pensamento, provavelmente será mais um tipo de cólica intelectual, os neurónios de repente tiveram um pesadelo) em algo do género: “Puta! Andou a fornicar (isto para não recorrer ao palavrão) de qualquer maneira e agora quer ver-se livre do empecilho. Desgraçada, só pensa nela, só pode ser para não ficar com barriga. O que ela quer é andar metida com homens. E a criança? Galdéria!”.

 

Portanto, para estas pessoas não existem outras razões. Mesmo as questões financeiras são minimizadas. Por exemplo: “Onde comem 10 comem 11! Vão trabalhar!”.

 

Isto é profundo!

 

Supostamente, preocupam-se mais em condenar a prática sexual e os recursos financeiros, escudando-se na nobre virtude do valor da vida humana, do que em resolver os problemas, as causas ou as razões de tal acto. O que é que essa gente faz?

 

DIZ NÃO À DESPENALIZAÇÃO DO ABORTO.

 

Ponto final! Como grande solução apontam: ABSTENÇÃO, sexual! Isso sim é importante. De resto não fazem mais nada.

 

Enfim, abstenção sexual, vale a pena comentar?

 

Hum! Por agora chega. Fica para outro artigo.

 

Deixo só um último suspiro. Domingo, dia 11, vão votar. A abstenção é pior ou igual ao voto no Não.

 

RdS

publicado por GERAL às 15:17
link do post | favorito
Comentar:
De
 
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres



.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Outubro 2013

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.posts recentes

. Nas voltas e reviravoltas...

. A Austeridade...

. Portugal e a Crise

. Jogo FMI

. FMI e afins

. O outro lado da exuberânc...

. Os Sufrágios!

. As idio(ti)ssincracias da...

. O país de betão

. O salário minimo e Portug...

.arquivos

. Outubro 2013

. Setembro 2012

. Maio 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

.tags

. todas as tags

blogs SAPO

.subscrever feeds