Quarta-feira, 24 de Janeiro de 2007

Aborto = Prisão, SIM ou NÃO! Eis a questão!

Saudações!

 

Regresso a este tema. O título diz tudo, ou devia dizer, mas há semelhança do que se tem passado na Terra Estranha, é capaz de haver imbecis que, ainda, não perceberam o que está em causa. O que tenho ouvido, nos últimos dias, na comunicação social é, no mínimo, aberrante.

 

Meus caros, estamos no século XXI, supostamente a maioria da população não é analfabeta, já dispõe de alguma cultura e capacidade de análise, no entanto continuo a ouvir e a ler alarvidades dignas dos tempos da Idade Média, quando o obscurantismo iluminava as mentes incautas dos cidadãos dessas épocas.

 

Supostamente o que se pretende referendar é a alteração de uma Lei, mais especificamente, um artigo do Código Penal. Que criminaliza a mulher se fizer um aborto antes das 10 semanas. Até aqui parece perceptível.

 

Não se pretende obrigar ninguém a fazer aborto ou qualquer outra imbecilidade do género.

 

Bom, parece claro. Errado!

 

Comecem por olhar para os cartazes dos adeptos do Não, verdadeiros hinos à hipocrisia. Segundo um cartaz do Não, os impostos não servem para pagar abortos, portanto o problema não é o aborto em si e as razões de tão radical solução, mas sim o facto dos impostos poderem servir para resolver, pelos vistos considerado para muitos, um problema com origem sexual, que, por acaso, até é principalmente de Saúde Pública.

 

Portanto, isto quer dizer que os dinheiros públicos devem servir para pagar:

 

- Enterros,

- Internamentos derivados de um aborto mal sucedido e clandestino,

- Estadias na prisão,

- Incentivar a ilegalidade e a criminalidade,

- Incentivar negócio obscuros,

 

Etc, Etc. E não questões relacionadas com a Saúde Pública. Realmente o importante neste assunto é – Para onde vão os impostos que pago? O quê? Financiar galdérias? Nem pensar!

 

Questões como o acompanhamento do problema por técnicos de Saúde e de Acção Social que, realmente, podem fazer a diferença entre o abortar ou não e em que condições se aborta, isso não interessam nada. São meras questões de pormenor.

 

O que interessa é: O imposto e o que se paga por um aborto, no imediato. Tipo supermercado: “Olhe se faz favor, era um abortozito, mas veja lá, baratinho….”.

 

Mas, afinal, o que é que sai mais caro? O aborto clinicamente assistido em hospitais ou feito na sarjeta? Para quem não sabe, existem estudos que comprovam, isto para os adeptos das questões monetárias, que o aborto clandestino, mal feito, sai 4 vezes mais caro ao erário público, do que se fosse feito, em condições, nos hospitais. Isto é apenas a ponta da meada.

 

Mas esta gente não se fica por aqui! há mais! Pois! O grande argumento, a Vida Humana! O coração que já bate! Extraordinário, esta então atinge os píncaros da nojice intelectual.

 

Como é que é possível quererem que as pessoas acreditem, que realmente andam tão preocupados com um feto de uma “barriga” alheia, que nunca viram e para a qual se estão, simplesmente, a “evacuar”, se nunca, na porca da vida, fizeram a ponta de um “chavelho” que marque, efectivamente, a diferença neste tipo de decisões?

 

Ou seja, temos resmas de pobres, mendigos, pessoas a passar fome, que vivem em condições de indignidade humana, mas têm de acartar com mais uma boca, porque, segundo alguns defensores da vida, é importante que a o feto nasça para ser mais um a mendigar nas agruras da sociedade “protectora dos animais”.

 

Já sem falar naquelas espécies de seres humanos (pelo menos são aparentados) que têm como hobbie o espancamento, ou outros interessantes derivados (neste campo a imaginação é fértil), diário dos filhos, enteados ou qualquer outra coisa de menor idade, mas que vêm muito cinicamente defender o direito à atrocidade, quer dizer, à vida e condenar as mulheres que se vêm confrontadas com esta horrível solução.

 

Aliás, neste ponto vou só fazer um parêntesis, Porquê que é Só a Mulher que é Condenada? Por acaso produziu o feto sozinha? Não terá tido ajuda? Se calhar estou a ver mal a coisa. Pode dar-se o caso de elas terem ido a um banco de esperma e…zuca ….Toca a engravidar, “agora vou fazer uma aborto por gozo ou, sei lá, é uma experiência como outra qualquer…”. Brincalhonas….

 

Deixo aqui uma sugestão aos líderes dos movimentos pelo SIM, comecem a dizer que são pelo Não, mas na condição do homem também ser criminalizado em condições idênticas à da mulher. Estou convencido de que a Lei nem iria a referendo, era logo alterada. Erradicada de vez.

 

Ainda neste parêntesis, aproveito para perguntar, porque carga de água é que uma mulher, ou o casal, quando engravida, deixa(m) de ser senhora(es) do(s) seu(s) corpo(s) e das suas decisões? Quem somos nós para impormos seja o que for? Não será o casal livre de pensar e de decidir por si mesmo?

 

Continuando, ainda nos meandros da comunicação social, neste fim-de-semana vieram cá umas senhoras, Norte Americanas, a convite de um Movimento pelo Não, em representação de uma associação de mulheres que, apesar de já terem abortado, defende a criminalização do aborto. Alegam as senhoras, que só abortaram porque podiam, se fosse crime não tinham abortado. Foram induzidas para tal. Para estas senhoras, o mal foi feito por culpa do Governo que não as proibiu.

 

Confesso que fiquei perfeitamente atónito e estarrecido com este argumento. Então as imbecis não sabem pensar pela própria cabeça? Ou seja, as estúpidas (que não têm outro nome) vivem num país livre, com liberdade de expressão, liberdade de informação e de escolha, vêm-se queixar dessa liberdade, porque não sabem o que fazer com ela, nem sabem tomar decisões. Então, o Governo é que têm a culpa? Isto é, no mínimo, aberrante.

 

Sinceramente, não deviam ter sido elas abortar, deviam ter sido as mães delas. Parir filhos sem cérebro é considerado uma deficiência e, nestes casos, clinicamente, é-se aconselhado a abortar.

 

E a estrema direita Francesa? Bem, para esses até se compreende. Porque se a Lei viesse com retroactivos, desapareciam da face da Terra.

 

Adiante!

 

E as figuras Públicas, os denominados líderes de opinião? Neste ponto, esta campanha atingiu o patamar máximo da incongruência. Basta ouvir o Sr. Professor Marcelo Rebelo de Sousa, para ele as mulheres que recorrem ao aborto não devem ir presas, MAS vai votar Não à alteração na Lei que as criminaliza e as envia para a prisão. Isto faz sentido, portanto, deixa cá ver se percebi: “sou contra o facto de as mulheres irem presas, tenho oportunidade de mudar isso, basta votar no sim neste referendo, Mas vou votar Não”. CONTINUO SEM ENTENDER ESTA LÓGICA.

 

Devo ser completamente obtuso, isto deve ser coisa de professores universitários, muito doutos nestas matérias.

 

Por falar em píncaros da imbecilidade, temos os fervorosos, pelos menos intitulam-se (pode levar a dúvidas, muito legitimas), defensores e respectivos membros do clero, em suma: os sacerdotes. Estes são o cúmulo de tudo o que é hipócrita.

 

Em primeiro lugar, supostamente, são virgens. Portanto, podem, à vontade, falar de um assunto que nem sequer fazem a mínima ideia do que é na prática. Ou pelo menos não deviam saber, ou será que sabem?

 

Por detrás das batinas, também, existem homens e mulheres, que já cederam, ou cedem, à tentação, mas quantos o assumem? Pior, quantos O Já Financiaram?

 

Pois é! Mas são os primeiros a comparar o aborto, sem se preocuparem com o que pode estar por detrás dessa decisão, com assassínio ou com a pena de morte. E a História? Ainda se lembram da Inquisição? Aí os corações que batiam já não eram importantes? Ou os inúmeros fetos encontrados num certo poço, que existe num túnel, supostamente secreto, que liga dois conventos, um de freiras e outro de padres, nestes casos os corações, também, não batiam, não é verdade? Ou o actual estado de escândalos encobertos que tanto tem abalado o Vaticano?

 

Por falar em Vaticano, somente o Estado mais rico do mundo, o que faz com a sua riqueza? Com certeza que se dedica, somente, a ajudar os mais carenciados e os mais oprimidos. De certeza! Será que não podia ajudar mais quem descarrila nas teias da vida?

 

E pior, estes energúmenos de Deus, isto no mínimo prova que existe o Diabo, ainda recorrem a ameaças aos fiéis que não votarem no NÃO. Viva a democracia e a liberdade de expressão. As pessoas são livres de fazerem o que quiserem, desde que façam o que eles disserem.

 

De facto, extraordinário!

 

Outro aspecto peculiar disto tudo, a mente popular. Apesar do que se sabe, do que se tem dito, da informação que tem circulado, das campanhas, etc, ainda existe quem pense, sendo este talvez o grande argumento do Não, que a não criminalização deste acto vai levar a que as mulheres desatem a “copular que nem umas doidas” e a fazer abortos “por dá cá aquela palha”.

 

Isto é Fantástico! Verdadeiramente digno de Maquiavel.

 

Este argumento é o maior atestado de estupidez que já foi passado a alguém. Existe mesmo a ideia de que se não houver repressão, prisão ou condenação, o povo (nós todos) vai desatar numa euforia de sexo. Orgias, Bacanais, sexo descontrolado, de qualquer forma e de qualquer maneira. Portanto, só estamos à espera, tipo atletas dos 100 metros, que alguém de o “tiro de partida” para desatarmos a “Fod…..” tudo e todos.

 

Depois, toca a ir em “bicha” para os hospitais abortar. Pelos vistos, abortar deve ser giro, fixe, porreiro. E ir para os hospitais também deve ser “altamente”. Tipo: “Olha fui de férias ao hospital para abortar, era isso ou ir à Bola ver o Benfica a perder.”.

 

Isto é mesquinho, baixo, alarve…….Acho que não existem palavras ou expressões suficientemente desagradáveis para rotular este pensamento. Estes animais julgam os outros por si. Ninguém pensa que se calhar é uma solução tremenda para quem faz. A última decisão que queriam ter de tomar. Nãããã!

 

O importante é condenar a prática sexual. Porque será? (Se calhar vivemos num país de gente mal “Fod….” e como mesquinhos, invejosos e frustados que são toca a chatear os outros: “Se eu não levo nada, os outros também não podem levar….).

 

No fundo, esta Lei, é um garante da Ordem e dos Bons Costumes sexuais, da abstinência, d’“a cópula só para fins reprodutores” (é por isso que o negócio do sexo anda na falência, não é?), virgens para o casamento (só se for nas orelhas), entre outras.

 

Mas não só, garante igualmente, de forma sub-reptícia, a descriminação de classes. Uma vez mais a classificação financeira da sociedade. Existem aqueles que, têm posses, vão ao estrangeiro e resolvem os seus assuntos fora do país (normalmente em países civilizados, o que não é o nosso caso, como prova esta questão). E existem aqueles que, não tendo dinheiro, têm de se sujeitar às regras locais. Só porque não têm dinheiro.

 

Em resumo, a questão da despenalização do aborto trouxe a lume o que de pior existe nesta sociedade. Começo a achar que o Não vai ganhar.

 

Pior cenário é difícil.

 

Vou concluir, no dia 11 de Fevereiro não se esqueçam de ir votar, de preferência no SIM, pela simples razão: acabar de vez o aborto clandestino. Possibilitar as mulheres de opções e de condições, sem ser pela via ilegal. Porque, não tenham dúvida, independentemente do resultado, vão continuar a haver abortos. E SEXO.

 

RdS

publicado por GERAL às 11:45
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