Quinta-feira, 28 de Agosto de 2008

O Motard - parte II

 

 

O autor destas linhas não foi o criador deste blog. Coube aos meus amigos RDS, MS e CS (esses sim, os 3 S’s) a ideia de criar este espaço de escárnio e mal dizer, onde se pode deitar cá para fora tudo aquilo que nos incomoda. Diz-se que os portugueses só gostam de falar mal, que são negativos (com muitas razões para o ser), que são invejosos (subscrevo) que isto e aquilo. E nós, autores e colaboradores (como eu sou) deste blog, gostamos efectivamente de falar mal, ou melhor, de referir o que na nossa opinião está mal, e poderá / deverá ser feito e pensado de uma forma diferente. No fundo, tentar pôr o dedo na ferida. Expressarmo-nos através deste site, nós, que à semelhança de tantos portugueses e ainda mais habitantes deste planeta Terra, não temos oportunidade de o fazer por outros meios.

 

Não temos a ambição, nem tão pouco a veleidade de dizer que aquilo que escrevemos é o correcto ou que é a verdade indesmentível. Essas deixamos a todos aqueles que impõem os seus pensamentos, filosofias, e formas de viver a tantos outros que depois sofrerão as consequências (ou não) de pensarem de forma diferente daqueles que efectivamente mandam. Seja isso relativo a formas de governar um país, uma empresa, um clube desportivo ou o que quer que seja.

 

Um blog como este seria proibido em países como a China, o Zimbabwe, a Coreia do Norte ou Cuba. Mas não o é em Portugal. E isso graças à liberdade (não se confunda com libertinagem) que felizmente gozamos. Possívelmente se o Fidel andasse de mota, já teríamos um mandado de procura.

 

O blog “os 3 S’s” tem vindo a conquistar cada vez mais visitantes. Ou porque alguns assuntos despertam interesse, ou porque há um “passa palavra” de pessoas que conhecemos e que sentem curiosidade em ler os artigos que são aqui postos. Ou ainda porque determinados artigos suscitam polémica e levam a que sejam muito comentados.

 

Aconteceu tal com um “post” publicado há já bastantes meses que parece ter sido descoberto há relativamente pouco tempo por uma pessoa que, sentindo-se lesada com aquilo que leu, divulgou depois o artigo a várias pessoas da mesma comunidade, sendo que várias comentaram depois à posteriori esse mesmo artigo. O “post” chamava-se (e chama-se) “O Motard”, foi publicado a 31 de Outubro de 2006, e começou a ser comentado em Junho deste ano. Até agora regista 238 comentários (o que faz o artigo ser de muito longe o mais comentado até à data neste blog) a grande maioria deles a zurzir forte e feio no autor do post, mostrando a sua indignação face ao que foi escrito.

 

Eu não sou, nem pretendo ser um “provedor” do blog. Alguém que queira repôr a verdade (se é que esse conceito existe) em artigos que mais do que tudo, pretendem expôr uma opinião pessoal em relação a determinado tema, esteja ele relacionado com política, economia, desporto, sociedade ou seja lá qual fôr o tema que é comentado neste espaço. Mas não deixo de querer tecer as seguintes considerações face a tudo aquilo que foi escrito sobre este assunto:

 

- Pessoalmente, não tenho qualquer tipo de animosidade com nenhum motard, nem com as suas filosoficas de vida, se é que existem filosofias próprias;

 

- Tenho inclusivamente amigos, com quem me dou bem, que gostam de motos, que se reúnem nos chamados “clubes motard”, que vivem um pouco em função das suas máquinas de alta cilindrada;

 

- Como português que sou, onde o tal sentimento de inveja nos está impregnado genéticamente desde o momento que nascemos, confesso que inclusivamente sinto alguma inveja quanto à liberdade de se cavalgar pela estrada fora em veículos de duas rodas, muitas vezes a velocidades (bem) superiores ao determinado por lei, e mais invejo ainda sinto quando vejo amiúde que há umas miúdas bem jeitosas a agarrar pela cintura e de forma bem apertada, o condutor do biciclo (eu confesso, não tendo carta de mota, que numa situação dessas, teria bastante tendência a dar umas guinadas);

 

- Refiro ainda que o autor destas linhas (optámos desde o início do blog para “assinarmos” apenas com as iniciais para evitar o SIS) já sofreu 2 acidentes de viação graves (com mortos pelo meio) na sua vida, e que nenhum deles envolveu qualquer mota;

 

- E como em tudo na vida, opino que os estereótipos devem ser usados com algum cuidado. Ou seja, é a grande maioria das vezes falso, inoportuno e inconveniente rotularmos uma classe, seja ela qual fôr, com determinados adjectivos e predicados no sentido de dizer que todas essas pessoas são assim ou comportam-se assado. Com certeza que haverá pois motards responsáveis e irresponsáveis, motards bons e menos bons, assim como há políticos bons e outros (muito) maus, trabalhadores competentes e incompetentes, gestores capazes e incapazes, desportistas de alto e baixo rendimento. Isto, independentemente de se poder pensar que pode haver de facto uma filosofia de vida comum em determinadas classes, e possívelmente até haverá na “classe motard”;

 

 

 

Posto o acima, também não deixo de pensar o seguinte:

 

- havendo liberdade de expressão, as opiniões que são dadas em blog’s não são propaganda e só lê determinado artigo posto em espaços cibernéticos quem quiser ler. Isto tem grandes diferenças em relação aos orgãos tradicionais de comunicação social, porque os opinadores / comentadores nestes orgãos são pagos para isso, são opinion makers, e quer-se queira ou não, têm uma possibilidade de difusão das suas opiniões muito superior (por enquanto) a quem escreve em blogs;

 

- Um artigo, qualquer que seja, pode perfeitamente ser considerado injusto ou até mesmo ofensivo para quem o lê. E se o é, então as pessoas que o lêem têm também a possibilidade de o poderem comentar (como aliás manifestamente o fizeram) e contrariar a opinião de quem escreveu o artigo. O direito de resposta está pois assegurado em espaço próprio, ao contrário do que muitas vezes acontece nos orgãos tradicionais de comunicação social (embora tal seja cada vez mais uma realidade, nomeadamente quando tais artigos são também difundidos no espaço cibernético);

 

- Dos muitos comentários lidos, verifiquei para além da indignação geral, que muitas pessoas disseram que com a internet adveio a possibilidade (entretanto tornada realidade) que agora todo o imbecil tem direito a difundir a sua opinião e propagá-la aos 4 ventos. Entre ter esse direito, e fazê-lo num espaço de difusão reduzido como acaba por ser o espaço cibernético e não o ter, prefiro que se tenha o direito que confere também o direito de resposta. Pior, na minha opinião, é termos que levar com “reputados comentadores” diáriamente através dos orgãos de comunicação social que muitas das vezes dizem as maiores barbaridades, são pagos para isso, e não se lhes confere na grande maioria das vezes e no mesmo espaço, o direito à resposta e à indignação caso a haja. Mais uma vez – só lê quem quer, e as opiniões manifestadas através deste ou de outros blogs não são vinculativas nem tão pouco decretos de lei. Por outro lado, não creio que os artigos deste blog sejam assim tão mauzinhos que alimentem a ideia de que “agora toda a besta escreve”. Se continuar a alimentar, eu besta, me confesso e não é por causa disso que deixarei de escrever mesmo que me ameacem passar com uma moto por cima;

 

- E por fim, qualquer leitor, de qualquer artigo tem todo o direito de se manifestar e de contrariar opiniões. Tem mesmo o direito de sentir ofendido e de adoptar uma postura “prima donna”. Agora, o que eu pergunto é se outros “grupos”, outras “entidades”, adoptassem o carácter feroz e ameaçador como vi em alguns comentários relacionados com o artigo “motard”, então os membros do governo não fariam outra coisa a não ser mandar prender por difamação ou ameaçarem todos aqueles que escrevem, às vezes justa outras vezes injustamente, contra o que eles fazem. E se há “grupo” que leva com insultos (por vezes merecidos) todos os dias, então o governo deve estar bem à cabeça.

 

Por isso, compreendo de certa forma a indignação dos leitores, nomeadamente dos leitores “motards” (costuma-se dizer que quem não sente não é filho de boa gente), compreendo de certa forma, motivações se calhar muito pessoais, que levaram o autor do post a escrevê-lo, mas o que não compreendo nem nunca compreenderei são as ameaças que foram feitas neste espaço, quase que a querer dar pancada em quem escreveu o artigo. Civilização e civismo precisam-se e isso é característica inerente e não estereotipada de pessoas com educação cívica sejam elas motards ou não. E não há hipocrisia nisto. Uma coisa é opinar, se calhar até com contornos insultuosos, admito, sobre determinadas coisas e outra coisa, um pouco mais grave, é ameaçar fisicamente alguém por palavras proferidas. Já não estamos no Far west e não se comparem cavalos com cilindradas motoras.

 

E quanto aos outros motards que tendo lido o artigo, deram-lhe a importância que ele possa ou não merecer, pode ser que um dia convidem um dos articulistas dos 3 S’s a passear nas suas motos. Mesmo que tal signifique não nos darem propositadamente um capacete.

 

JLM

 

 

 

publicado por GERAL às 15:29
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