Quarta-feira, 24 de Maio de 2006

Assuntos

Como podem reparar, a minha assiduidade como escritor neste blog caiu drasticamente mas razões laborais (e muita falta de tempo) têm-se sobreposto à minha veia de escárnio e mal-dizer.

Bem, mas adiante que o tempo urge...

Durante este período de “calmia” literária (se assim se pode chamar) tenho olhado à volta na expectativa que algo tenha mudado mas infelizmente verifico que a única coisa que mudou foi o tempo e o facto dos tugas começarem a entrar no frenesim das férias e do campeonato do mundo. Para quê preocupar-me com a crise, quebra do poder de compra, que as regiões mais pobres de Espanha terem ultrapassado a riqueza média de Portugal, que o preço dos combustíveis é semelhante à música portuguesa que participou no festival da Eurovisão “Sobe, sobe, balão sobe”, que as previsões da OCDE tenham sido revistas em baixa e que o Sr. Sócrates continue no mesmo estilo berrado... nada disso interessa. O que preocupa o tuga é se o figo comeu uns pastelinhos de bacalhau ou que o Cristiano tenha uma unha encravada e que o Ricardo esteja confortável e nada de problemas na sua vozinha a mandar para o histérico, entre outras preocupações de elevado grau de qualidade e relevância, nomeadamente, onde existe a cervejinha mais fresquinha, os tremoços mais rijinhos e o local de sofá mais confortável. Isso sim, é grave e preocupante!

Gostaria de falar hoje em vários assuntos e vou começar por Timor: Pelo que tenho ouvido e lido, anda tudo ao estalo para aquelas bandas. Há alguns anos atrás, recordam-se concerteza, os tugas fizeram cordões humanos e foram para a rua bater palmas, e fizeram minutos de silêncio, e vestiram t-shirts brancas e chatearam meio mundo por causa de Timor Loro-Sae... bem, lá conseguiram o que queriam (e os políticos esfregaram as suas mãozinhas sapudas a pensar no petróleo) e qual foi o resultado? Temos um país novo na ONU, a Delta conseguiu umas boas colheitas de café e... a GALP perdeu os contratos sobre o petróleo (essa li ontem). Para além disso, conseguimos o queríamos desde 1975 que era entregar um território a incompetentes. Em 1975, depois de algumas situações que a história irá um dia clarificar, entregámos o território que, logo a seguir, foi invadido pela Indonésia. Agora que foi conseguida a independência, a situação está de tal maneira que os Loro-Saenses já pedem ajuda à Austrália, a Portugal e à ONU. Bem, qualquer dia ainda vou ver a pedirem para serem invadidos de novo pela Indonésia que é para as coisas acalmarem. Sei que Timor é(?) um País pobre mas tem muito petróleo (pelo que dizem os sábios, entra em Timor 1 milhão de dollars por dia nos cofres do País). Então porque não existe uma melhor distribuição de riqueza uma vez que começaram de novo e tiveram tempo para aprender com os erros do passado? Ou será que não? O que vão fazer agora os tugas? Um cordão humano mas todos em cuecas desta vez?

Um outro assuto que gostaria de comentar connvosco tem a ver com algo que vi recentemente na Rua Braancamp, em Lisboa: a Loja da Profissionalização do Exército. Como ía a conduzir não me pude atirar para o soalho a rir mas não pude deixar de gargalhar sobre tal “projecto” de atracção – eu diria que turística. Fiquei a imaginar o jovem, 19 anos, sem emprego presente (ou no futuro mais longínquo), brinco na orelha e cabelo comprido a ingressar no exército e depois de uns anitos de especialização sai e tenta mudar de emprego. Quando, finalmente consegue uma entrevista numa fábrica de enchidos de origem espanhola que garante uma qualidade superior e o velho sabor dos enchidos do século XIX, perguntam-lhe:
“- Fale-me da sua experiência profissional!”
“- Bem, eu sou um profissionalizado do exército e...”
“- Interessante! Mas sabe que se candidatou a uma fábrica de enchidos e que solicitámos alguém com experiência?”
“- Ouça, eu posso não perceber de enchidos mas garanto-lhe que desmancho e oleio uma salsicha em menos de um minuto e volto a montá-la, pronta a ser disparada...”
“- OK... seguinte!”
Eu não tenho nada contra as forças armadas, tenho apenas contra a parvoíce. A especialização é importante e a possibilidade de carreira no exército é tão válida como na função pública (embora nesta segunda existam muito mais vantagens, começando logo pelo facto de não se trabalhar), agora ainda mais que se acabou com o serviço obrigatório, mas uma Loja??? Quem será que paga? Porque será que tenho a sensação que me sai do bolso? E porque não deixam abrir uma Loja de Putas???

Gostaria, também, de partilhar connvosco umas breves palavras sobre os 7% de trabalhadores em baixa no primeiro trimestre deste ano: interessante o número... 7%... de facto apoio o Governo em questões de saúde e dos dinheiros públicos para a saúde. Mas não é actual política a ser praticada. Actualmente fecham hospitais, maternidades, centros de saúde, etc mas com este número de enfermos que temos mais vale abrir um centro de saúde a cada quarteirão. O ICEP vende ao mundo a imagem de um Portugal solarengo, com um clima fantástico, gastronomia melhorar e excelente local de férias mas começo a achar que é uma mentira pegada e das duas uma: ou o nosso clima é uma merda e não se adequa à vida humana, ou – tal como nos cigarros – O TABACO ADVERTE QUE O USO DO GOVERNO MATA. Aquilo que eu gostaria de saber é que parte desses 7% pertence à Função Pública... digo isto porque conheço algumas pessoas que diambulam por lá e cada vez que lhes dói a “cona” (em sentido lato e não restritivo) metem uma baixa. Mas considerando o exemplo proveniente da Assembleia da República, nada me espanta. A esses bastou o cheiro a fim-de-semana prolongado e apareceram logo agendas pejadas de trabalho parlamentar... no Algarve!

Vou terminar com uma breve nota: ouvi na rádio que ontem Portugal perdeu com a França no Europeu de sub-21. Os jogadores são Portugueses, o campeonato é em Portugal, a equipa técnica é Portuguesa e o treinador (também conhecido por Mister... mais valia chamá-los por pst! Tipo empregado de restaurante) também é Português. Será que não deveriam ganhar? Digo eu, que não percebo nada de futebol. É que na selecção é tudo Português e o que é Nacional é bom... ou não é?
Podem dizer mal do brazuca Scolari mas ele só tem um pequeno handicap: é que treina a selecção Portuguesa com demasiados portugueses a jogar futebol... e esses fazem sempre lembrar o Partido Comunista: mesmo que percam, jogaram melhor e foi uma vitória moral.... Bah!

Um abraço e até breve

MS
publicado por GERAL às 12:23
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2 comentários:
De Rui KN a 24 de Maio de 2006 às 22:44
7%, esse belo número que depois de devidamente transformado e adulterado representa o número de desempregados.
Mas podemos estar todos descansados, agora que a ENI e o sr. parolo (Pina Moura, esse cerebro das finanças) estão a fazer um pre-selecção de colaboradores para a eventualidade de ganharem o concurso público que irá fazer com que a velocidade do vento aumente em Portugal, desculpem, que irá fazer aumentar o número de aves mortas devido às dimensões das pás, bolas, isto está difícil, mas acho que aquelas coisas grandes e brancas servirão para reduzir a nossa dependência energética (deixem-me rir....por favor....), com esta pré-escolha, pode o nosso querido e adorado governo (aleluia) dizer que já existem pré-empregados.
É uma nova categoria de empregados, que mesmo não o sendo, também deixam de ser desempregados, é uma espécie de funcionário público que, mesmo estando empregado dá uma sensação de desempregado, pois nada faz em prol do mesmo.
Quanto à selecção, espero que continuem com este índice de derrotas, assim o pessoal arranca aquelas bandeiras fatelas dos carros (até devia ser proibido).
Rui
De RdS a 24 de Maio de 2006 às 15:27
Ena, seguiste o exemplo do exército, disparas-te em várias direcções. Ok, as baixas, com a merda em que este país se está a transformar, até acho 7% pouco, devia ser 25% e já agora, que fossem fazer manifestações, pelo menos faziam algo de útil.

Só é pena é que o governo não entre de baixa, pelo menos sempre aliviavamos das ideias alucinantes que estas bestas têm parido.

Quanto à bola, a selecção dos sub 21 segue o exemplo do país: Bom clima, bons profissionais, tudo nacional, tudo bom, só os resultados é que deixam a desejar.

RdS

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